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mar 11

SEMANÁRIO DOMINICAL – JESUS E NICODEMOS

PAULO DAHER

4º DOMINGO DA QUARESMA -  ANO B – JESUS E NICODEMOS –

*Por Monsenhor Paulo Daher –

NO 2º LIVRO DE CRÔNICAS, 36, 14-16.19-23, o Senhor viu as infidelidades dos chefes e do povo por práticas pagãs e profanação do templo do Senhor. Mandava mensageiros mas eram mal recebidos. Os inimigos então incendiaram o templo de Deus, derrubaram os muros d Jerusalém e atearam fogo nos palácios e destruíram todos os objetos sagrados. Foram levados escravos para a Babilônia.  Ciro rei da Pérsia veio depois de muito tempo e reedificou o templo. 

Deus tem muita paciência conosco. Cuida sempre de nós, incentivando-nos a fazer o bem e a lembrar-nos sempre de sua presença, de modo especial nos lugares sagrados. Nós somos instáveis e facilmente influenciáveis pelo meio ambiente em que vivemos. E por isso devíamos ser mais cuidadosos e atentos. Nós sabemos onde temos facilidade de nos encontrar com Deus e faze-lo participar de nossa vida. Mas no mundo, hoje mais ainda, temos mil atrações que nos desviam da presença de Deus. Pode até nem ser pecado, mas facilitamos estar com pessoas que na prática não tem fé nem estão pensando no quanto Deus nos ama. Passamos às vezes muito tempo... à toa. Nosso tempo é tomado por tantas atrações que não sobra nem um momento para estar com Deus.

Não é como uma obrigação, marcar ponto e presença, mas sentir-se bem de poder ter o Cristo perto de nós, para nos ouvir, para dizer-nos palavras que só Ele é capaz de o fazer.

Todos temos experiência de momentos agradáveis quando estamos com pessoas que nos querem bem e sentem prazer de estar ali conosco.

As crianças é que tem uma sensibilidade para perceber como é bom e gostoso estar com quem nos quer bem e nos causa tanta alegria.

Os judeus do tempo desta leitura de hoje desleixaram tanto de conservar o lugar sagrado de suas manifestações religiosas, o templo, que acabaram perdendo-o: foi destruído.

Há lugares em que vivemos uma infância tão feliz que gostamos de voltar aos mesmos lugares para nos recordar daqueles dias alegres. Às vezes o local está todo mudado com construções novas... Então vamos olhando e visualizando o que havia aqui, ali, onde aconteceu aquele fato notório etc.

Essa era a visão que os judeus tiveram depois da destruição do templo. Essa pode ser a visão em nossa vida dos tempos em que fomos mais fervorosos... Não fiquemos na saudade... Retornemos à graça de Deus.

NA CARTA DE SÃO PAULO AOS EFÉSIOS 2, 4-10 o apóstolo diz que Deus rico em misericórdia por seu grande amor quando estávamos envolvidos no pecado, nos salvou pela graça de Cristo mostrando assim sua grande riqueza. Com a sua graça fomos salvos pela fé, como dom divino somente, não por nossas ações. Somos criaturas de Deus para que em Cristo Jesus vivêssemos em sua presença.  

Em nossos relacionamentos com as pessoas se tudo corre bem no entendimento, na maneira de tratar, na colaboração de serviços, no bem estar dos encontros com conversas agradáveis, úteis, inteligentes, é um prazer participar de uma amizade assim. Quando não estamos perto, ou não podemos nos encontrar com mais frequência ou viajamos, a lembrança desses momentos e dessas pessoas é sempre muito agradável.

Acreditemos, apesar do equilíbrio emocional natural (divino) de todos os seus sentimentos, Deus tem o prazer de poder estar conosco,  e sentir que em nós se cria um clima de satisfação e alegria por sua presença.

Nosso afastamento ou demora em procura-lo teria a reação de uma mãe cujo bebê nada sentisse com sua ausência ou falta de seu carinho.

É um pouco o sentido da expressão do apóstolo: Deus é rico em misericórdia. Ele vem a nós com muitos presentes, muitos dons para fazer em nossa vida uma realização completa e harmoniosa em todo o nosso ser.

Imagine o que o entristece, se nem olhamos para ele, nem enxergamos seu amor espelhado em toda a riqueza que trouxe para nós.

Na História do Povo de Deus os profetas e escritores sagrados tentam expressar a tristeza de Deus quando o seu povo predileto não lhe dá atenção ou vai ainda buscar  a razão de seu viver em outros deuses...

É este o mal que o pecado nos traz. Afastamo-nos do grande amor que Deus nos tem, para buscar outros amores nem sempre fieis.

Então, Deus Pai não se conforma com nossa ausência e envia seu próprio Filho para viver nossa vida e mostrar que é maravilhoso ter o Pai que nós temos e querer estar sempre perto d´Ele, conviver com Ele.

NO EVANGELHO DE SÃO JOÃO 3, 14-21, Jesus diz a Nicodemos que como Moisés levantou a serpente no deserto, assim será levantado o Filho do Homem para que quem nele creia tenha a vida eterna. Porque Deus nos amou muito enviou seu próprio Filho ao mundo não para condenar mas para salvar a todos. Quem nele crer aproxima-se da luz para que sejam claras suas ações feitas em Deus.

Foi uma conversa muito séria, quase teológica sobre a História da Salvação. Nicodemos era um mestre judeu. Devia conhecer a história de seu povo e se veio conversar com Jesus é porque notou o valor de tudo o que Jesus dizia, fazia e iluminava com seu saber divino.

Por isso logo apresenta a razão de sua visita: não é possível ser e fazer o que Jesus faz se Deus não estiver com ele. E no sentido mesmo de ser o Salvador esperado.

Jesus traz o exemplo forte da serpente no deserto, quando Moisés pediu a Deus perdão pelos pecados do povo. A serpente estava matando muita gente. Ela estava sendo o princípio da morte. Deus manda que faça uma serpente de bronze e a coloque numa haste. Quem fosse picado, olhando para ela se curava.

Jesus então já aponta para sua morte na cruz. A figura de Cristo crucificado é sinal de vida e salvação para todos os que o invocarem.

A cruz, Cristo vai dar sua vida por nós em sua crucificação.

E mais, as pessoas não só vão se curar das picadas de seus pecados, como terão nova vida. Cristo crucificado é fonte de vida, De seu lado aberto pela lança, jorra (sangue) vida e salvação(água).

Como nossa Igreja canta três vezes na sexta-feira da Paixão, quando o sacerdote entrando pelo centro da igreja, vai descobrindo Cristo crucificado: Eis o lenho da cruz, da qual pendeu a Salvação do mundo. E o povo responde: Vinde adoremos.

A razão da resposta de Deus às nossa infidelidades é: Porque Deus nos amou muito enviou seu próprio Filho ao mundo não para condenar mas para salvar a todos.

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*Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

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