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set 09

SEMANÁRIO DOMINICAL – ABRE-TE!

PAULO DAHER - 2018

23º. DOMINGO  - ABRE-TE!

 *Por Monsenhor Paulo Daher –

EM ISAÍAS 35, 4-7a, o profeta pede às pessoas deprimidas que criem ânimo sem medo. O Senhor vem para salvar. Os cegos recuperarão a visão, os surdos vão ouvir, os mudos hão de falar, os coxos andarão, a terra se encherá de fontes de água.

Na vida nenhum dia é igual ao outro.  Se os dias fossem iguais seria rotina cansativa. Nosso espírito que reage aos estímulos externos de fatos e pessoas, está sujeito às mais variadas reações.

Para umas pessoas o frio é agradável, para outras não. O calor cansa alguns enquanto a outros estimula. A chuva traz memórias boas ou desagradáveis para certas pessoas. Enfim a vida é um continuo modificar-se crescendo e renovando-se.

O amadurecimento da personalidade acontece com a capacidade que tivermos de ir vencendo os obstáculos olhando sempre para a frente e para o alto.

A depressão e o estado de espírito em que alguém se sente desanimada não pode tomar conta de nossos sentimentos e desejos de ação. Parece alguém que está caminhando de cabeça baixa, curvado, com passos arrastados. Se determinamos chegar a algum lugar devemos levantar a cabeça, firmar os pés e dar passos largos na direção do que queremos e precisamos.

O profeta propõe a quem está desanimado que levante a cabe-ça para o alto, para o Senhor e confie nele sem medo. Terá nova visão de coisas e pessoas. Ouvirá bem e melhor a voz do Pai que nos ama. Caminhará com presteza e alegria em sua direção. A alegria tomará conta de seu rosto feliz, disposto a seguir adiante com a luz de nosso Guia seguro que nos acompanha sempre.

EM TIAGO 2, 1-5, o apóstolo lembra que  não devemos discriminar as pessoas. Tratar a todos como irmãos, somos filhos de Deus. Demos a todos o mesmo tratamento, e atenção respeitosa.

Quando este apóstolo afirma que a fé sem ações é morta (2,17) ele relembra a palavra de Cristo: o amor aos outros confirma que cremos e amamos a Deus.

Discriminar as pessoas é amar a um e desprezar o outro. Favorecer a uns e deixar de lado outros. Se somos todos os irmãos todos merecemos ser amados por todos.

Podemos sentir simpatia de alguém, apreciar suas qualidades e até sua capacidade de trabalho. Mas na convivência como dizia S. Paulo não há judeu, nem grego... somos um em Cristo (Gal 3, 28)

As diferenças de temperamento, de qualidades, de conhecimentos, de cultura, de nível social não devem favorecer  para dividir, mas para ajudar-nos uns aos outros. Foi a proposta e o sinal para o seguidor de Cristo: todos temos o direito e a vocação para servir. (Mt 20,28)

O ser humano mais perfeito que Deus criou e que foi escolhido para ser a Mãe de Jesus, Deus e Homem, quando o anjo Gabriel recebeu sua resposta positiva e voltou para Deus, ela que disse ser a serva do Senhor, foi servir sua prima Isabel grávida. 

EM MARCOS 7, 31-37, trouxeram um homem surdo que falava com dificuldade Jesus afasta o homem da multidão, põe seus dedos nos ouvidos dele, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. Disse: “Effatá. Abre-te.”  E o homem se curou. Pediu que não dissessem nada a ninguém. Mas quanto mais proibia, mais divulgavam. Diziam: “Ele tem feito o bem a todos.”

Todos nós sofremos quase sempre de algum tipo de surdez: física, social, moral e espiritual.

Surdez física bem conhecida de todos: quando a pessoa ouve pouco ou nada. A surdez social ou política é a atitude indiferente de responsável pelo bem de trabalhadores e da população em geral.

Surdez moral é não ouvir nem seguir a formação moral que orienta a honestidade de vida, propondo liberdade sem responsabilidade.

A surdez espiritual ou religiosa é não aceitar Deus em sua vida, nem aceitar nenhuma manifestação de fé religiosa.

Todos temos um pouco ou muito de falha nalguma surdez

Podemos dizer que a pior surdez é a religiosa pois sem ouvir Deus perderemos o rumo de nossa vida.

Deus que nos criou. Fez-nos seus filhos, não está ligado a cada um de nós só pelo primeiro instante de seu sopro vital.  O cordão umbilical que nos liga a Deus nunca pode se romper com o risco de desligar-nos da fonte necessária de vida em todos os sentidos. 

A pior surdez é a de quem não quer mesmo ouvir.

Qual é o nosso tipo de surdez? Tem cura? Não é hora de ir ao médico divino e pedir que fale a nossos ouvidos: Efatá! Abre-te!

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* Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

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