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nov 04

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS –

*Por Monsenhor Paulo Daher –

DO LIVRO DO APOCALIPSE 7, 2-4.9-14, o apóstolo apresenta o número incalculável dos seguidores de Jesus, o Cordeiro de Deus. Serão de todos os povos. Estarão marcados em suas frontes com o sinal divino de filhos de Deus, com suas veste brancas (lavadas no sangue do Cordeiro) e palmas nas mãos. Saudavam o Cordeiro divino com pessoas de todos os povos juntamente com todos os anjos dizendo: O louvor, a glória, a sabedoria pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém.

O apóstolo tenta com imagens de harmonia e clima de amizade o que será o céu com todas as pessoas que aqui na terra realizaram o bem verdadeiro para si e para os outros, todos guiados por Cristo, cuja figura do Cordeiro imolado lembra o preço desta felicidade: sua crucifixão, resumo de todo o sofrimento humano divino por todas as pessoas.

O célebre artista e pintor Fra Angélico em suas pinturas, inventa mil figuras com que sua imaginação quase infantil tenta retratar a vida de nossa união com Deus, a própria presença de Deus, o céu, o purgatório, inferno, com figuras angélicas representando os sentimentos que transformam as pessoas.

Cada um de nós também, seja em nossa imaginação, seja até em nossos sonhos usa também dessas fantasias para que correspondam à realidade que queremos retratar.

E quem tem muitos filhos ou lida com crianças, seja falando, conversando, ou lendo algum livro fantasioso, buscamos descermos à simplicidade, pureza, ingenuidade das crianças para inventar histórias que sirvam de exemplo de vida para elas.

Alguns santos também nos contam como às vezes imaginam a presença de Deus em suas vidas, para com simplicidade e fé singela se coloquem diante de Deus.

Experimente despojar-se da casca de pessoas adultos já menos sensíveis para ter um encontro semelhante com Deus de bondade, amor, Pai carinhoso e amigo.

DA 1ª. CARTA DE JOÃO, 3, 1-3, o Senhor nos fez seus filhos, mesmo estando ainda no mundo, e ainda nem percebemos toda a riqueza que é sermos tão queridos de Deus nosso Pai. Um dia sentiremos totalmente como este amor divino nos transformará.

Nesta mesma linha de simplicidade a que Santa Teresinha chamava de infância espiritual, apresentemo-nos com humildade e confiança diante de Deus, como as crianças de seu tempo na Palestina. Os apóstolos, homens afeitos á dureza dos combates com as águas do lago em sua pesca, às vezes também ficavam com seus sentimentos meio endurecidos em relação a si mesmos, às pessoas e até a Deus.

A oração pode desarmar nosso espírito, obrigando-nos a ajoelhar com humildade, ou tomar uma posição de ouvinte atencioso, com os braços mais suplicantes que dominadores para nos encontrar com Deus.

Quantas vezes na vida de Jesus encontramos pessoas que vinham a Ele pedir-lhe um favor, uma graça, um milagre e se ajoelhavam e com voz humilde e suplicante se colocavam totalmente nas mãos de Jesus. Às vezes até dizem: Senhor se podes...

É como alguém que está doente e vai ao médico, não vai exigir dele: senhor médico, o senhor precisa me curar, eu preciso... Pelo contrário apresenta-se necessitado, conta seus problemas, suas dores e espera confiante a palavra amiga que oriente sua cura.

EM MATEUS 5, 1-12, neste trecho chamado das bem-aventuranças, isto é, os caminhos da felicidade, Jesus qualifica os gestos das pessoas que entenderam seus mandamentos e seguiram suas orientações para bem viver com todas as pessoas. Pobres, desapegados dos bens desta terra, os aflitos que confiam em Deus, os mansos, os que são justos com todos, os misericordiosos, os de corações puros, os que promovem a paz, os que sofrem por causa d´Ele.

Nossa natureza humana tão cheia de qualidades se desenvolve na medida que vai reagindo a todos os estímulos exteriores, criando hábitos que favorecem nossa saúde física e são suporte para nossa saúde mental.

Tudo em nós converge para atender ao que nossa inteligência apresenta como bem para todo o nosso ser, mas de modo especial para equilibrar nossas ideias, julgamentos, sentimentos e busca realizar o ideal que propomos para nossa vida.

E a parte da religiosidade é caminho e ocasião para que tudo em nós e em torno de nós, em nossas ações, na convivência com outras pessoas na família, no trabalho, na vida social e claro na participação de Deus em nossa vida, crie em nós e em torno de nós o que Jesus chamava de seu Reino, Reino de Deus, reino dos céus.

Uma obra literária expressa num filme pode nos colocar diante de uma imagem aproximada do que é o céu: O Shangri-la.

Seria uma cidade onde tudo se harmonizava no entendimento, na aceitação de todos, na convivência fraterna de felicidade que tomava conta de tudo. Onde tudo era de todos e havia em todos a satisfação de viver nessa harmonia que criava uma paz completa e estável.

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*Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

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