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out 07

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

27º DOMINGO DO TEMPO COMUM –

*Por Monsenhor Paulo Daher –

EM GÊNESIS 2, 18-24, o Senhor deu poder a Adão sobre todos os animais. Mas Adão não encontrou com quem pudesse partilhar sua vida humana. Deus fez cair sobre ele um sono profundo. E da costela que dele tirou formou a mulher. Ao vê-la Adão ficou muito feliz pois era como ele. Afirma-se então: por isso o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher. Os dois serão como um só.

Descrição simples sobre o primeiro homem e o aparecimento da primeira mulher.

Quem observa a vida dos seres sobre a terra consegue perceber suas qualidades, sua finalidade, seu domínio sobre si e sobre outros. Há uma variedade de pessoas com qualidades diferentes que se completam para realizar uma vida harmoniosa e feliz.

As pessoas pelas qualidades que tem, precisam se relacionar com o mundo exterior, com os outros seres iguais a si. Na troca de informações, nas reações com que manifestam vão desenvolvendo seus pensamentos, seus sentimentos e criando também novas situações.

Foi o que aconteceu com o ser humano na terra. Temos conhecimento simples e direto observando sua evolução do uso de novos e facilitadores meios para a vida do homem na terra, desde a vida no campo, em lugares afastados até nas cidades que foram se formando. E as descobertas e o uso das forças físicas, mecânicas, que o progresso foi utilizando no dia a dia da vida do ser humano na terra. A facilidade da comunicação à distância etc.

O destaque do trecho é o plano de Deus sobre o que pensava para vinda de mais seres humanos à terra: o amor entre o homem e a mulher que unidos pelo casamento realizariam a família.

NA CARTA AOS HEBREUS 2, 9-11, o escritor sagrado fala sobre Jesus que veio da parte do Pai como o Salvador esperado, a razão de tudo o que existe e desejou conduzir a todos de volta para o Pai, E foi por meio dos sofrimentos que realizou

O autor sagrado quer ajudar seus irmãos judeus a confirmar sua fé em Deus que cumpre a promessa de enviar o Salvador anunciado pelos profetas, que é o Senhor Jesus. Destaca a maneira como seria realizada a salvação, que não chamava muito à atenção dos judeus: nos conquistará pelo sofrimento.

Houve épocas e há instituições religiosas ainda hoje que quando falam de sofrimento como meio de purificação, dão impressão de masoquismo. È preciso sofrer para conquistar o reino dos céus.

Em nossa maneira de viver embora tenhamos recebido de Deus muitas qualidades e as devamos desenvolver para nosso amadurecimento, sabemos que exigem de nós procura, esforço, conquista que em geral chamamos de sofrimento.

Podemos entender melhor a palavra sofrimento como necessidade de nos mexermos, de buscar, de trabalhar para conquistar o que precisamos para nossa sobrevivência.

Uns operários trabalhavam com pedras preparando-as para coloca-las na construção de um edifício. Um dizia que era árduo seu esforço, sentia-se cansado. O outro declarava que precisava deste trabalho pesado para sustentar sua família. O terceiro, muito alegre e feliz dizia que estava construindo uma Catedral.

O trabalho e esforço eram os mesmos, mas a visão diferente.

EM MARCOS 10, 2-16, os fariseus perguntam a Jesus sobre o divórcio que Moisés permitira no casamento. Jesus responde isto foi por causa da dureza dos corações das pessoas, mas no início não era assim. Por isso o homem não separe o que Deus uniu.

Os fariseus procuravam situações que preocupavam as pessoas e as apresentavam a Jesus. Não para terem resposta, mas para confundir o Senhor que sempre tinha a resposta mais verdadeira.

Nossa busca de uma vida religiosa mais segura, autêntica e com crescimento deve ser sempre sincera. Sem desculpas nem meias verdades. Não tenhamos medo da verdade. Procuremos sempre a melhor solução.

Quem observa a vida humana, a necessidade de poder caminhar com segurança e sentir o valor de nossa participação para nós e para todos que dependem de nós, percebe que tudo começa com a família. Como Deus a programou.

O ser humano é dependente desde que nasce até a hora de sua morte. Essa dependência não nos humilha, nem nos desmerece. O relacionamento entre as pessoas faz parte de nossa natureza que precisa sempre de comunicação com a vida, com os outros em tudo. Não perdemos nossa identidade nem diminui o que somos.

Quando Jesus disse que quem perder sua vida vai ganha-la (Mc 8,35) tem também este sentido. Conviver com as pessoas, buscar união de ideias, de trabalho, de conselhos, faz parte de nosso crescimento. A dependência não nos faz menos gente, pelo contrário dá-nos oportunidade de pertencer a uma grande família.

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*Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

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