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jun 10

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER - 2018

10º. DOMINGO COMUM – INIMIZADE ENTRE AS POSTERIDADES DA MULHER E DA SERPENTE –

 *Por Monsenhor Paulo Daher –

NO LIVRO DO GÊNESIS 3, 9-15, depois que Adão comeu da árvore, Deus o chamou: “onde estás?” E ele: “me escondi, porque estou nu.” “Quem te disse? Comeste da árvore?”” A mulher me deu do fruto.” E a mulher: “a serpente me enganou.” E Deus amaldiçoou a serpente... Disse no final que irá por inimizade entre ela e a mulher que lhe esmagará a cabeça.

No paraíso em meio a tantos meios de sobrevivência, porque era um ser inteligente capaz para conhecer os caminhos de uma vida justa, a liberdade de escolha era um dom frágil para o ser humano. E sempre o será. Porque o Senhor deu ao ser humano a capacidade suficiente para escolher o caminho certo.

Os olhos de nossas capacidades sentem-se atraídos por mil solicitações. Mas nossa razão e consciência são capazes de escolher o que vai de fato realizar nossa vida. Temos certa dificuldade para entender como foi que nossos primeiros pais, iluminados por forte luz divina do amor de Deus, foram seduzidos por fruto tão atraente.

O ser humano tem luz suficiente para enxergar o que se apresenta como desejável mas mascarado como bem que não queremos perder.

Apresentar o pecado como algo horrível, escolha de um mal terrível, não ajuda a orientar ninguém a se afastar do pecado. Pois ninguém gosta de algo que tenha aparência desagradável.

O que foi que atraiu Eva a querer comer o fruto proibido? A mulher viu que o fruto da árvore devia ser bom para comer, pois era de aspecto atraente e precioso para esclarecer a inteligência. (Gn 3, 6)  E ainda esta apresentação foi reforçada pela serpente.

O que se manifesta como nossa fraqueza é forte atração para o que se apresenta como agradável embora possa levar-nos a um engano. E o primeiro resultado da escolha atraente é a nudez, o ferimento de nossa natureza.

Eternas crianças que choramos, esperneamos querendo o que nos agrada e depois choramos e esperneamos pelo engano e o mal que cai sobre nós. Onde estás? Saímos do paraíso que é a presença de Deus em nossa vida.

A luz que vem de fora que rejeitamos, mostra-nos a nudez de nossa aparência interna e externa. Sentimo-nos nus do amor de Deus.

NA 2ª. CARTA AOS CORÍNTIOS 4, 13-5,1, sustentados pelo espírito da fé: eu creio, por isso falei. Também nós.  Como Jesus ressuscitou, nós também seremos ressuscitados com ele. Por isso não desanimamos, mesmo que sintamos nossas fraquezas. Voltando-nos para coisas invisíveis sentimo-nos fortalecidos. O que é visível é passageiro. O que temos aqui vai ser desfeito mas no céu teremos nossa morada eterna.

A Palavra de Deus desperta nossa fé na aceitação dos fatos que aconteceram com Jesus e que foram e são a razão de seguirmos o Senhor...

Assim o bem que sentimos ao estar com Jesus é nossa força para todos os momentos, de modo especial para quando sentimos nossas fraquezas.

Em nossa vida embora dependamos de nossa saúde física, por causa das muitas preocupações que podem perturbar o que temos a fazer, somos sustentado pela luz interior da presença de Cristo.

O apóstolo fala da ressurreição de Jesus, não só como um fato histórico, mas como uma verdade que revela a vitória de Cristo sobre a morte, e a garantia de sua presença em nossa vida.

Jesus ressuscitado nos conduz em qualquer situação de vida como presença atuante. Porque agora está livre dos condicionamentos de sua vida humana.

Dizer que ressuscitamos com Ele quer dizer: Ele é nossa vida. Resgatou-nos por sua vida, sofrimentos, morte e ressurreição. Somos criaturas novas. Cristo não só diante de seu Pai assumiu nossas enfermidades (pecados) para conseguir de Deus Pai o perdão de nossos pecados. Deu-nos nova vida, transformou-nos de novo em filhos queridos do Pai.

O apóstolo garante-nos a certeza de que a ressurreição de Cristo não é só vitória dele mas nossa também por realizar  transformação profunda em nossa vida.

Temos de deixar-nos conduzir por  esta nova vida que Cristo realizou em nós. Em nossos pensamentos, desejos e sonhos.

Cristo não ressuscitou só para mostrar-se vitorioso da morte mas para dar-nos a nós também condições de uma vida mais unida a Ele e a todos com quem convivemos.

EM MARCOS 3, 20-35, muita gente se aglomerava na casa onde Jesus ia entrar. Os mestres da lei  diziam que ele expulsava demônios porque estava possuído pelo demônio. Jesus responde que se é assim, satanás está lutando contra ele mesmo e vai desaparecer. Disse ainda que todo pecado pode ser perdoado menos aquele contra o Espírito Santo. Os parentes de Jesus queriam falar com ele. Jesus afirma são mesmo e mais seus parentes os que cumprem a vontade de Deus.    

O demônio é o símbolo real do mal. Mas ele nada pode contra Deus e seus filhos queridos. Sua presença e ação na vida das pessoas dependem da permissão de Deus que sabe conduzir sua providência sempre para o bem de seus filhos.

Nosso desejo de bem estar e felicidade sente-se atraído por tudo que tem aparência de poder dar-nos esta realização.

As ocasiões para essa atração e essa busca se multiplicam a cada momento em nossa vida. Por isso o perigo está em nós, dentro de nós. O demônio se aproveita dessa nossa fraqueza.

Mas jamais nos dominará sobre nossa vida e destino. Por isso não devemos ter medo do demônio e sim de nós mesmos, de nossas fraquezas sem Cristo.

Jesus afirma que o único pecado que não será perdoado nem poderá ser perdoado é aquele contra o Espírito Santo, contra o Amor de Deus. Sem amor somos os mais infelizes seres humanos.   

Quem ofende o amor e o nega está ofendendo a vida e negando-se a aceitar a razão da vida que é o Amor.

Além de Deus Pai ter-nos conquistados mais uma vez para sermos seus filhos, Jesus, o Filho de Deus deu-nos mais uma oportunidade para afirmar que somos de fato de sua família, seus filhos queridos: é quando procuramos fazer a sua vontade.

Retomamos na liturgia dos domingos o tempo chamado comum. Prestemos um pouco mais de atenção às propostas que vamos recebendo cada domingo.

Com a leitura calma da Palavra de Deus, com orações frequentes, com o olhar mais voltado para os outros, desenvolvamos nossa fé, nossa esperança e nosso amor.

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* Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

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