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abr 15

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER

3º.  DOMINGO DA PÁSCOA – ELES VIRAM O RESSUSCITADO –

 *Por Monsenhor Paulo Daher –

EM ATOS 3, 13-15.17-19,  São Pedro relembra o que fizeram com Jesus: “vocês o rejeitaram e entregaram a Pilatos... Ele o Santo e o Justo... vocês mataram o autor da vida... mas Deus o ressuscitou...” e tenta justificar o erro dos judeus. Diz que foi por ignorância. O arrependimento e a conversão podem trazer de volta a paz e chegar à luz do rosto de Deus.

Pedro usa para com os judeus responsáveis pelos sofrimentos e morte de Cristo, uma palavra verdadeira mas ao mesmo tempo como Jesus fazia, misericordiosa, propondo-lhes, até com a desculpa da “ignorância” (seria mesmo?), que se arrependam do que fizeram.

Nossa vida é assim mesmo. Agradecemos a Deus os muitos dons que recebemos para desenvolve-los. Mas  na hora de usa-los, esquecemos de sua finalidade e procuramos a nós mesmos.

Enquanto estamos na terra sempre há possibilidade de retorno a Deus, confiando em sua compreensão e misericórdia.

É muito bom pertencer à família de Deus, porque sempre Ele usa sua bondade e compreensão para atender-nos.

Em geral entre nós seres humanos quando não somos justos ou ofendemos a alguém, mesmo quando voltamos atrás e nos arrependemos e pedimos desculpas, fica sempre algo lá dentro de nós, nos incomodando como que um verme a remexer nossa consciência. É reflexo de nossa falta de confiança no perdão total e reconciliação que gostaríamos de ter com os outros.

Com Deus ou melhor da parte de Deus, quando nos perdoa por lhe desobedecermos, não resta nada mais. Seu perdão é total, não guarda nada como se fosse um nosso ressentimento.

É isso que nos da força e coragem para continuarmos a confiar em Deus, sem ficar pensando em um dia Ele nos lembrar o que fizemos. Deus, porque sempre perdoa porque nos ama, não retém nada do erro que lhe fizemos antes, se nos arrependemos.

SÃO JOÃO NA 1ª CARTA, 2, 1-5  também diz que para experimentar ou conhecer o Cristo da Fé é necessário: vencer o mal (nada escolher que nos afaste de Deus, dos irmãos);  aceitar sua Palavra procurando vivê-la; seguir os Mandamentos e orientações: 

Conhecemos algumas expressões de significado bem prático: há gente que tem olhos e não veem, tem ouvidos e não ouvem, tem inteligência e não pensam.

Tudo começa por aí em todos os campos de nossa existência tanto na vida comum como principalmente em nossa vida religiosa.

Pois esta requer um pouco mais de concentração, de silêncio, de disposição para fazer o que é preciso.

Além da dificuldade pessoal pelas distrações que muitas vezes nos desviam o pensamento, os sentimentos e a atenção, ainda falhamos em nossos compromissos.

Por isso para seguir Jesus não posso ficar em dúvida, se vou ou não vou, se vale a pena ou não.

Jesus nos lembrou que para ter uma vida responsável, o nosso sim tem de ser sim e o nosso não tem de ser não.

Muitas pessoas chamadas por Jesus para segui-lo, foram logo. Alguns se desculpavam e pediam tempo. Este tempo nunca chegaria, pois a dúvida nos leva a ficar marcando passo na estrada de nossa vida.

Deus só se mostra a quem abre a porta de sua mente e coração à verdade.

Há pois duas posições claras para quem deseja ser de fato filho de Deus e irmãos de todos.

Procurar conhecer melhor Cristo pessoalmente. Ouvir o que Ele tem a nos dizer, confiar que esta palavra é luz para guiar melhor nossa vida.

E reconhecer que temos dificuldades com nossas qualidades e maneira de ser, pois somos facilmente levados por nossos desejos sem que percebamos logo aonde eles nos levarão.

E com Cristo aprenderemos como conduzir melhor o que sentimos e pensamos.

LUCAS  24, 35-48 conta o fato dos discípulos de Emaús.  

Uma coisa é não ver Deus com os olhos, outra é não O reconhecer na Fé. A Ressurreição é uma questão de Fé, e não resultado de uma experiência científica.  Eles contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se dera a conhecer ao partir do pão.

Jesus ressuscitado: não é um fantasma, nem criação mental dos apóstolos, nem elaboração devota das comunidades cristãs. 

É o Messias anunciado pelos profetas, nascido da Virgem Maria, acolhido pelas crianças e pelos simples, rejeitado pelos que detêm o poder como mando.

Jesus é anúncio alegre de um Novo Reino. 

Quem for capaz de dar testemunho destas coisas, já viu Jesus ressuscitado tão bem como os dois discípulos de Emaús, e como os outros Apóstolos.

Todos temos de renascer se quisermos ver o novo homem habitar nos novos céus e na nova terra de nossa vida.

Nossa Igreja nos ensina que pelo batismo recebemos três preciosos dons: a fé, a esperança  e a caridade, que são qualidades e forças espirituais que tem sua firmeza e certeza no amor e poder de Deus.

No caso desses discípulos de Emaús, tudo o que aconteceu com eles os desviou do caminho certo, porque como disseram: eles esperavam outra reação de Cristo diante da perseguição dos chefes religiosos judeus, de sua prisão, sofrimentos e morte na cruz.

Estavam sem esperança. Esta força divina, firmada pela fé, leva-nos a confiar em Deus como único capaz de resolver todos os nossos problemas e dúvidas.

E então foram conquistados pela pessoa desconhecida que explicou ponto por ponto tudo o que devia acontecer com o Messias, o Salvador e que se realizou em Cristo.

Ainda bem que ouviram o desconhecido e se sentiram mais animados. Por isso quando convidado para estar com eles e sentou-se à mesa, ao abençoar  e partir o pão, reconheceram que era Jesus ressuscitado e vivo ali com eles.

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*Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

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