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dez 31

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER

ÚLTIMO DOMINGO DO ANO – CONSAGRADO À SAGRADA FAMÍLIA –

 *Por Monsenhor Paulo Daher –

NO LIVRO DO ECLESIÁSTICO  3, 3-7.14-17a, o autor afirma que Deus  honra o pai e confirma a autoridade da mãe. Quem honra seus pais terá alegria com os próprios filhos e terá longa vida. Honra teu pai na velhice . A caridade feita aos pais jamais será esquecida.

O plano de Deus sobre o desenvolver da vida humana na e pela  família é perfeito. Fomos feitos para sermos acolhidos com carinho quando entramos na vida, Desenvolvemos no ambiente familiar nossas qualidades, sendo seguidos de perto por quem nos trouxe à vida, encaminhando-nos para assumir nossas responsabilidades pessoais.

Percebemos a dificuldade e o esforço de um casal quando não tendo filhos procura um para a adoção. Quando não estão buscando um consolo na presença de uma criança que não é sua, percebem como devem trabalhar em si mesmos para que o adotado possa se sentir filho deles. Para eles, novos pais, e para a criança para que compense a “orfandade”  há necessidade de um trabalho atento, cuidadoso para não ser caricatura de família.

Pela sabedoria de Deus, dentro da normalidade. um ser humano que vem ao mundo para ser acolhido, deve ser seguido passo a passo na novidade de cada dia.

No ventre da mãe o ser pequenino foi pouco a pouco desenvolvendo seu físico e psíquico até se tornar pronto para entrar no mundo, isto por força de um crescimento estabelecido por Deus. Ao sair para o mundo, continua a necessidade de ajudar o dia a dia do despertar da criança para o encontro com outras pessoas.

Quem trabalhar com argila para fazer um objeto que imaginou, deve orientar e controlar seus dedos, mãos para fazer um vaso perfeito. Não saber conduzir seus dedos e mãos para dar o formato certo, a consequência será um monte de barro sem definição, ou um vaso desengonçado..

O ser humano em formação precisa dos dedos, das mãos, da mente, do coração, das palavras dos gestos para ter a resposta devida na formação de seu caráter e de sua personalidade de quem deve ter atenção constante.

É por isso que os livros sapienciais em especial e outros momentos pedagógicos da Palavra de Deus valorizam o papel da família e de todos os responsáveis pela educação das crianças e jovens.

NA CARTA AOS COLOSSENSES 3, 12-21, o apóstolo afirma: vocês são os santos de Deus. Por isso devem ser misericordiosos, pacientes, sabendo perdoar. Amem-se uns aos outros. A palavra de Cristo habite em vocês. Agradeçam cantando salmos e hinos espirituais. Que os esposos se respeitem. Os filhos obedeçam e os pais respeitem seus filhos.

O teste mais prático para sabermos como somos ou como estamos indo é na vivência em família. É a primeira escola do aprendizado para a vida. E se a família é de mitos filhos,  logo de início os filhos como irmãos vão se exercitar numa melhor convivência. Vence-se mais depressa o egoísmo natural de sobrevivência que a criança tem.

As qualidades que o apóstolo mostra são da prática de cada dia quando encontramos com os outros.

Misericordioso: coração acolhedor, atitude aberta para estar bem com as pessoas.

Pacientes: o que nos falta tanto hoje. Somos muito apressados em ter o que queremos. E mal acostumados com a reação imediata com que a eletrônica responde ao nosso toque.

Saber perdoar: posso começar antes, se não levo em conta o que dizem e me fazem como ofensa ou mal para mim. Somos muito sensíveis ao que outros dizem de nós ou fazem a nós. Julgo as intenções sem nem as conhecer. Sentimo-nos ofendidos porque nos julgamos mais do que somos.

A consequência de trabalhar melhor nosso relacionamento é logo querer bem e o bem a qualquer pessoa. Pois se eu me aproximo de alguém já classificando as palavras, pensamentos, sua fisionomia... reajo mais à aparência do que à verdade.

Alguém disse para uma amiga; Que coisa! Encontrei uma colega; ela mostrou uma cara!...  A amiga respondeu: coitada! Porque? Ela está com a mãe muito mal e sozinha não está conseguindo ajudar no que devia... A outra: ah! Desculpe, eu nem sabia...

Nós seremos julgados por Deus mais pela maneira com que tratamos as pessoas...

EM LUCAS 2, 22-40, Maria e José levaram o menino ao templo para as cerimônias de purificação. Simeão homem justo esperava a consolação de Israel. O Espírito Santo lhe havia dito que ele iria ver o Salvador. Movido pelo Espírito Santo foi ao templo tomou o menino nos braços e cantou um hino de esperança e alegria pela chegada  do Salvador.

Simeão abençoou o Menino e predisse seus sofrimentos e os de sua mãe. Uma profetisa Ana já de idade e muito piedosa também louvou a Deus e reconheceu no Menino o Salvador. Depois das cerimônias voltaram para Nazaré. O menino crescia  forte, em sabedoria e a graça de Deus estava com ele.  

A vida religiosa de Maria e José é exemplo para nós.  Buscar momentos de silêncio e recolhimento para estar a sós com Deus tem grande valor em nossa vida religiosa. É essencial. Tudo o que fazemos em nossa vida, além de sobrevivência, deve levar-nos ao encontro com Deus.

Um  pai trabalha duro, se sacrifica para sustentar sua família, e se se limitar á noite a descansar o corpo e a cabeça, para depois dormir, para no dia seguinte continuar sua luta necessária, sua vida não terá sentido.

Tudo o que somos e fazemos é para poder nos encontrar depois como gente que se ama e se quer um bem valioso.

E ninguém também pode garantir seu bem estar, a realização de sua vida sem se relacionar com Deus. Um filho sem pai é órfão. Nunca somos órfãos em relação a Deus. Ele é sempre nosso Pai, amigo de todas as horas, fiel, bondoso, preocupado conosco, pode sempre fazer-nos felizes.

Assim como não posso viver sem respiração, sem meu coração bater espalhando vida e saúde para todo o meu corpo, não posso viver sem me relacionar com Deus. Ele nos mantém vivos, mas quer que sejamos muito amados dele e mostrar todo o nosso amor a Ele.

Jesus crescia em todos os sentidos. Quem não cresce torna-se anão. Esta observação é útil para nós. Tudo o que é vida, cresce e se desenvolve.

Há pessoas que limitam sua vida religiosa a rezar, a participar das missas, a pedir graças a Deus, e só.

Contentar-se só com o que nos ensinaram na infância, se não lemos nenhum livro, não conhecermos mais pessoas, teríamos uma vida monótona e dependente, não cresceríamos de fato.

A forma de assistência social que o governo dá: bolsa família, ajuda financeira para comprar o necessário, etc. puro assistencialismo. Afirmam: o povo saiu da pobreza. Mas não saiu da ignorância nem entrou no mundo do trabalho como no maior índice de analfabetos no nordeste assistido assim.

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*Monsenhor Paulo Daher é Vigário Geral da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.
 

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