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Sementes de vida, ������© tempo de semear

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out 08

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER

27º DOMINGO – JESUS É A PEDRA FUNDAMENTAL – 

*Por Monsenhor Paulo Daher – 

EM ISAÍAS 5, 1-7, o profeta apresenta o cântico da vinha à qual fez tudo de bom que podia e ela só produziu uvas selvagens.  A queixa é contra Jerusalém e Judá. E ainda: o que eu poderia mais ter feito? Vou derrubar tudo  e a deixarei inculta e deserta.

Isaías pré-anuncia muitos momentos da vida do Salvador. E usa imagens claras sobre os acontecimentos que terão  lugar. 

O povo de Deus algumas vezes foi comparado pelo Senhor como a sua vinha.  No Oriente ainda hoje esta planta muito cultivada é fonte de sustento das famílias, faz parte da alimentação do povo, da bebida de todos os dias e das festas. Sua doçura  é imagem do bom gosto, do prazer.  

Por ser de conhecimento pela experiência do cultivo, as comparações são fáceis de serem entendidas.

O povo de Deus, a vinha do Senhor é objeto do muito amor e providência  de Deus. Tanto empenho de Deus, tanto cuidado, tanta atenção  e foi produzir uvas amargas. O resultado, a resposta dos judeus não  corresponde ao grande zelo do Senhor pelo povo.

O que Deus fará? E o pior está por acontecer exatamente com o próprio Salvador que veio diretamente estar perto de seu povo. Não só O rejeitariam como lhe dariam o pior castigo: a crucificação.

Já não  serão  mais o povo de Deus. Irão perder para o novo reino, o novo povo de Deus: a Igreja de Cristo. E sem querer afirmar, só constatar: os judeus foram muito perseguidos no decorrer da história...

NA CARTA AOS FILIPENSES 4, 6-9, o apóstolo aconselha a não se preocuparem tanto. Confiem que suas orações são ouvidas e atendidas por Deus. E para isso procurem sempre o que é mais justo e puro. Sigam o que aprenderam de mim.

A vida humana é sempre uma conquista. Na terra temos de buscar nossos lugares, percorrer caminhos, viver o presente preparando o futuro.

Nem sempre temos as respostas que desejamos. A maneira mais tranquila de conduzir nossa vida é usar nossas qualidades, organizar nossos trabalhos e direciona-los para conseguir o que desejamos.

A vida é sempre como uma construção: não basta ter um plano, elaborar a realização, temos de buscar os meios para que tudo possa acontecer como planejamos. 

Nossa mente pode e deve se ocupar com o que é justo, reto e verdadeiro. E evitar toda a apreensão exagerada. Jesus disse: basta a cada dia sua preocupação. (Mt 6,34)

Além de organizar melhor a própria vida devemos aceitar que o Senhor acompanhe de perto minha vida. E para isso devo estar sempre ligado a Deus por meus pensamentos, desejos, orações.

Percebemos muitas vezes nas cartas de s. Paulo que o primeiro encontro que teve com Cristo que mudou completamente sua vida, dava-lhe a necessidade de estar sempre ligado ao Senhor.  Era a vida de sua vida, sangue de seu sangue, razão  de tudo o que era e realizava. Por isso sempre aconselha as pessoas das comunidades que foram se formando a fortalecer sua fé e sua caridade e a missão de evangelizar por meio da oração, do contato permanente com o Senhor de nossa vida. 

EM MATEUS 21, 33-43, Jesus conta a parábola: uma pessoa preparou a plantação de uma vinha. Arrendou a uns trabalhadores. Quando a vinha estava produzindo frutos, enviou pessoas para receber o lucro. Os que trabalharam espancaram os enviados e mataram alguns. O dono mandou mais gente. Foram tratados da mesma forma. Então mandou seu filho. Querendo ganhar a herança, mataram este também. Jesus pergunta o que irá fazer o dono. Responderam que iria castigá-los. Jesus disse: “a Escritura diz que os construtores rejeitaram a pedra fundamental.” E termina: “assim será tirado de vocês o reino de Deus e vai ser entregue a outros.”

Pelo final da parábola sabemos que Jesus falava da história do povo judeu. Refletimos um pouco sobre isso na primeira leitura.

Além dos ensinamentos que orientavam a vida das pessoas que o ouviam, Jesus algumas vezes se dirige diretamente e de modo especial aos chefes religiosos. Fala do que foi feito no passado com os profetas que apontavam os erros das pessoas procurando corrigi-las e sendo muitas vezes rejeitados e até exilados ou mortos..

Esta parábola retrata situações acontecidas e neste caso então fica muito claro a decisão de Deus de enviar seu próprio filho, que também seria rejeitado e morto.

O reino especial de Deus, o povo escolhido, já não mais terá esse privilégio. Todos os povos podem invocar a Deus como Senhor de suas vidas, realizando o novo reino de Deus.

Jesus será a pedra fundamental da construção do novo povo de Deus.

O que aconteceu e está ainda se realizando com a Igreja que é agora o reino de Deus em Jesus, pede também que se preste contas da ação na e da vinha do Senhor. Deus dá a semente, põe-na em terra boa, aquece-a com o sol, faz descer a chuva, e então espera que nós, os que devemos cuidar desta vinha, façamo-la produzir frutos para alimentar a todos os que têm sede e precisam de Deus.

É preciso que sejamos o novo povo de Deus, não só pela escolha que Deus fez de nós, como também realizando este reino com Jesus e nossa constante participação.

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*Monsenhor Paulo Daher é Sacerdote da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

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