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ago 06

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER

XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM - TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR –

 *Por Monsenhor Paulo Daher –

EM DANIEL 7, 9-10.13-14, diz o profeta: vi um Ancião de vestes brancas em volta como um fogo em brasa. Multidões em volta assistiam: os livros foram abertos. Das nuvens do céu veio um filho do homem com poder sobre todos os povos. Seu reino jamais se dissolverá.

 O profeta Daniel com esta visão nos mostra a condição de nossa vida. Ninguém é livre para fazer o que quiser, principalmente se escolher algo que agrada tanto, mas que desobedece a lei do Senhor.

 Às vezes alguns interpretam os mandamentos de Deus como ações com que Deus obriga as pessoas a seguirem, porque Ele quer. Talvez tenham ouvido alguma vez um pai ou mãe, quando o filho pergunta: porque tenho de fazer isso e não o que eu quero. E os pais dizem: “faça o que eu estou mandando. É porque eu quero assim!”

 Seguir as leis morais que Deus pede, não é porque é a vontade d´Ele, e pronto! A intenção do Senhor é apresentar antes de conhecermos melhor a vida, o que de fato é um bem para nós, o que nos faz bem.

 Porque Ele criou nossa natureza com dons maravilhosos que devemos saber usar para realizar a nossa vida, nossa felicidade.

E exatamente porque todos os nossos sentidos do corpo e do espirito se sentem atraídos por aquilo que é bom, agradável, mas nem sempre é mesmo um bem para nós, Deus pede que não aceitemos certas escolhas não porque sejam coisas más ou desagradáveis.

Se uma pessoa está doente e o médico lhe proíbe de comer uma feijoada incrementada, ele não está dizendo que este alimento é horrível, que não presta. É que para a doença pode a pessoa piorar.

Aparência pode enganar-nos. É como os pais fazem com as crianças que ainda nada conhecem, já previnem para não terem surpresas.

O profeta escreve: os livros foram abertos... Livros de que? Da vida de cada pessoa. Penso assim: quem somos, o que fazemos, como vivemos, não passa despercebido a Deus. Nossa maneira de ter a memória de nossa vida é escrever sobre ela. Este livro seria a história da vida de cada um de nós.

Concluo: somos importantes para Deus. Ele acompanha de perto todos os nossos passos como Pai carinhoso que deseja todo o bem para nós.

2ª. CARTA DE PEDRO 1,16-19, somos testemunhas do poder de Cristo que recebeu honra e glória pela voz do céu: “Este é o meu filho muito amado, no qual ponho todo o meu bem querer.” Assim se realiza a profecia como lâmpada que brilha a clarear o dia como estrela da manhã.

 Nesta carta s. Pedro lembra o acontecimento da Transfiguração de Jesus. Com mais este momento o Senhor confirmara na mente do apóstolo sua divindade.

São Pedro, um pescador da Galileia, homem simples, rude, espontâneo, foi cativado por Jesus. Certamente à noite, Pedro devia ficar pensando: como Jesus veio me descobrir aqui na praia, neste grande lago para eu um pobre pescador seguir seus passos...

Nesta carta, já confirmado como Chefe da Igreja de Cristo, Pedro reafirma sua fé em Cristo procurando escrever sua experiência religiosa pessoal e dando a todos testemunho da divindade de Cristo.

Este momento da Transfiguração além de significar para Pedro a confiança de Jesus nele, causou uma grande emoção por ver Moisés e o grande profeta Elias com Jesus. Não queria mais sair dali.

E para um judeu, que sempre lhe tinha sido dito que ver a Deus causaria a morte, ouvir a voz do próprio Deus tocou-o profundamente.

Jesus conduzia pouco a pouco Pedro a uma segurança em sua fé que o preparava muito bem para a sua missão.

Toda pessoa simples e humilde tem mais facilidade de aceitar a presença de Deus em sua vida. E a alegria de Deus é encontrar a porta e o caminho abertos no coração de alguém para que Ele tenha liberdade de iluminar com alegria o viver da pessoa.

EM MATEUS 17, 1-9, Jesus sobe a montanha com Pedro, Tiago e João. Transfigurou-se diante deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes brancas como a luz. Moisés e Elias conversavam com Ele. Pedro quer ficar ali. Uma nuvem os envolveu. Uma voz se ouviu: “Este é meu Filho querido, no qual coloco todo meu agrado. Escutem-no.” Os apóstolos caíram por terra.. Depois Jesus veio e disse: “Levantem-se. Não tenham medo.” Desceram da  montanha. Jesus pede que nada contem a ninguém até após a sua ressurreição.

 Quando lemos a vida de Jesus nos evangelhos, que nos apresentam o que foi mais importante, percebemos a cada passo um sentido completo do que Jesus veio fazer aqui em nossa terra.

Cada passo, cada palavra, cada gesto, confirmam o plano maravilhoso de Deus sobre todas as pessoas. Nada fora de lugar.

Sendo Deus, Jesus não precisava viver cada momento de nossa vida para saber como ela é. Foi mais como um pai ou um irmão mais velho que tendo saído da roça, do interior e vivido na cidade, ao receber um irmão menor, o vai conduzindo pelos melhores caminhos para que mais rapidamente aproveite de todas as facilidades de vida que a cidade oferece.

O plano de Jesus de escolher alguns seguidores para prepará-los para continuarem sua missão após sua vida na terra foi completo no que era necessário. Mas em alguns momentos e mesmo nos primeiros anos da Igreja, deu-lhes condições especiais até com milagres para firmar melhor sua fé e confiança no plano e poder divinos.

Este momento de sua Transfiguração foi mesmo um fato especial para os três que o acompanhavam sempre mais de perto.

Para nós hoje, nossa religião coloca-nos diante deste quadro maravilhoso. Cada um deve observar que lição quer tirar das personagens apresentadas.

Quem aí nos é simpático? Com quem nos parecemos mais? Por que?    Eu vou me colocar no lugar de Pedro mesmo. Às vezes me canso de subir a montanha que Jesus me pede para seguir com Ele.   Sair de minhas ocupações, da companhia das pessoas conhecidas, da minha tranquilidade... Para que? Parece que não estou precisando de mais nada...

Então faço um esforço e saio de minha comodidade... Vou sentindo o ar fresco da noite que se aproxima, a visão do que fica para trás parece menor... Chego ao alto. Esqueço preocupações. Sou acolhido com amor por Deus. Sinto uma paz interior. Não ouço vozes, mas tenho certeza da presença de Deus que me acolhe... fico ali muito tempo, nem vejo as horas passarem... Quando volto, enxergo tudo diferente. Parece que estive num outro mundo tão agradável. Começo também a valorizar a oração, a meditação, o silêncio... Foi e é tão bom experimentar a presença do Senhor que tanto me ama...

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* Monsenhor Paulo Daher é Sacerdote da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

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