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Sementes de vida, ������© tempo de semear

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jul 16

SEMANÁRIO DOMINICAL

PAULO DAHER

15º. DOMINGO – A PALAVRA DE DEUS É FECUNDA –

*Por Monsenhor Paulo Daher – 

O PROFETA ISAÍAS, 55, 10-11, afirma: assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam sem irrigar e fecundar a terra para as sementes, assim a palavra que sai de minha boca, não voltará vazia, mas produzirá efeitos conforme minha vontade.

Os profetas encarregados por Deus para orientarem o povo para uma vida religiosa melhor, atingem vários pontos práticos. Em geral eram práticos na apresentação dos meios a serem usados para a manifestação de fé. Além disso também de alguma forma ameaçavam com castigos divinos para os que não obedeciam aos preceitos do Senhor.

Quando sua palavra atingia autoridades ou responsáveis para orientarem o povo, sofriam perseguições.

A palavra dos profetas traduzia as mensagens de Deus para o presente, sobre o passado, e em vista do futuro. Por muitos eram respeitados, por outros temidos, para algumas autoridades eram até solicitados para pedirem proteção de Deus sobre eles.

O que foi dito pelos profetas nos tempos passados são lições de vida também para nós hoje. Podemos  aproveitar para entender os caminhos dos homens guiados por Deus, aumentar também a nossa fé, pois é o mesmo Deus que hoje nos manda sempre recados necessários.

A afirmação de Isaías com a imagem da chuva é muito sugestiva e garante para nós a certeza do modo de Deus agir em nossa vida.

A imagem é simples e verdadeira na realidade: a chuva e a neve  de vem do céu irriga as plantas da terra e as faz crescer e produzir.

A Palavra de Deus que vem mesmo de Deus, o profeta afirma sempre produz frutos.

Tudo em Deus é eterno, não teve princípio nem terá fim.

A palavra que Ele dirige a nós pode ser ouvida, gravada na memória, conhecida, utilizada.

O que cabe a nós para que produza fruto depende de nossa acolhida, aceitação e de ser seguida. Nós podemos impedir que a Palavra de Deus dirigida a nós não produza frutos em nós.

Mas essa Palavra vai ter seu fruto que nem sempre nós conhecemos e nem a quem. Pode até acontecer que quem a rejeita hoje, um dia pode fazê-la renascer pela memória e produzir seu fruto. 

NA CARTA AOS ROMANOS, 8. 18-23, o apóstolo afirma que os sofrimentos desta vida que vivemos nem se comparam com a felicidade que teremos depois. Todas as criaturas esperam a manifestação da libertação do que a feriu, para participar da liberdade dos filhos de Deus.  Estamos aguardando a adoção filial e a libertação de nosso corpo.

Nossa vida na terra encontra obstáculos a serem superados, por causa de nossa natureza espiritual e corporal. Nossa inteligência, vontade, liberdade e sensibilidade estão acima de nossas qualidades orgânicas e materiais embora se manifestem através delas. Somos uma união maravilhosa, divina. Deus fez a criação mais importante neste universo: Nós! nós! nós!

Se pararmos um pouco em silêncio, concentrar-nos, afastando-nos um pouco da realidade exterior, iremos viajar para o mundo quase celestial, como um anjo de Deus. Teremos uma experiência especial, igual a de S. Paulo (2Cor 12, 1-4) quando se sentiu arrebatado ao terceiro céu... e ouviu palavras inaudíveis que não conseguia nem pronunciar... 

Jesus realizando nossa redenção ou salvação trouxe-nos vida nova, a partir do perdão dos pecados, que não é algo externo, como acontece quando alguém nos perdoa. O perdão de alguém por uma falta nossa, desfaz o mal, e pode reatar a amizade. Mas parece mais algo externo.

Quando Jesus nos perdoa, Ele o faz porque nos ama. E seu amor se comunica a nós como uma força interior. Vai além do que entre nós seres humanos podemos realizar.

A parte de Cristo, sua disposição, sua ação é completa. Cabe a cada um de nós atender ao que o Senhor desejar que façamos.

É bom lembrar que tudo o que Cristo pode e quer está sempre à nossa disposição. Resta a cada um de nós dizer  nosso sim e seguir com Ele para o trabalho que ele determinar. 

EM MATEUS 13, 1-23, diante de uma grande multidão Jesus contou a parábola da semente.  Umas caíram na estrada, foram comidas pelos pássaros. Outras caíram em terreno pedregoso. Brotaram, mas o sol as secou. Outras nos espinheiros foram sufocadas. Últimas caíram em terra boa. Produziram 100, 60 e 30 por cento. Jesus comenta com Isaías: muitos têm olhos, mas não veem, ouvidos não ouvem, seus corações são insensíveis. A vocês explico: a semente é a palavra de Deus. Caída à beira do caminho são os que não a compreendem e logo perdem. Entre pedras, aceita a palavra, mas não tem raízes. Morre. Entre espinhos: são sufocados pelos prazeres da vida. A da terra boa: ouve, aceita, compreende e frutifica.

Esta parábola não é difícil de ser entendida.  E é muito prática. Aplica-se com facilidade à nossa vida. Seja num estado permanente seja para momentos em nossa existência.

São os pontos de partida: a semente que escolhemos ou preparamos e a terra onde a semeamos.

Jesus quis dar nome à semente: ela é a palavra de Deus. Como palavra de Deus é perfeita, escolhida, tem futuro.

Em primeiro lugar Deus desde que criou o ser humano, desde o início fez com que ouvisse sua Palavra. Esta deu início à vida humana, que deve crescer e se desenvolver para realizar seu destino.

A continuação da vida humana para realizar seu ideal depende de sua resposta à Palavra de Deus. Se o coração humano é como uma estrada aberta, sem cuidados, cheia de distrações, mal a semente-Palavra é lançada, logo é consumida, destruída.

Se a semente cai em terra pedregosa, em coração endurecido pela busca dos bens materiais, de preocupações com status de vida, começa a brotar, mas sem raízes, seca e nada produz. Se a semente é lançada entre espinheiros, que é a busca de prazeres fáceis da vida despreocupados com valores morais eternos, é sufocada, e nada produz.

Se a Palavra de Deus é acolhida por um coração simples, que pela fé procura estar sempre com Deus e acolhe a todos como irmãos, então sua produção vai ser grande.

Precisamos sempre nos alimentar pela Palavra de Deus. Quando a maneira de viver nos afasta de Deus, ou deixa Deus de lado, nos enfraquecemos e quase nem ouvimos o Senhor falar ou não damos atenção a Ele.

Nos três primeiros casos temos de estar sempre vigilantes para afastar o que impede a Palavra de Deus tocar nosso coração.

O adubo na terra, o revolver a terra, o uso a água para facilitar o crescimento, podemos obter pela oração, participação nas missas, pequenas renúncias, confissão, obras de misericórdia.

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*Monsenhor Paulo Daher é Sacerdote da Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

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