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jul 17

SAL QUE TEMPERA E LUZ QUE BRILHA

A LUZ DO MUNDO - 2

O SAL DA TERRA E A LUZ DO MUNDO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

            O tema não é novo para nós, haja vista ter sido pronunciado por Jesus Cristo há mais de dois mil anos atrás e, de geração em geração, ser repetido como um mantra por todo o mundo cristão.

            Mesmo assim, é bom recordar as circunstâncias em que Jesus falou sobre o sal da terra e sobre a luz do mundo.

       Tudo se passa durante a peregrinação de Jesus por toda a Galileia, curando, ensinando nas sinagogas e pregando o Evangelho do Reino, sempre seguido por grande multidão que vinha, nas palavras do evangelista São Mateus, de diversas partes da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e da Transjordânia. Era gente sofrida, doente, explorada, escravizada pelos poderes constituídos, inclusive, pela religião dominante.

         Jesus, vendo aquele enorme ajuntamento de gente carente e sedenta, sobe a uma pequena elevação e pronuncia o não menos famoso “sermão da montanha”, do qual falaremos n’outra ocasião. O fato é que aquele sermão foge do conceito que temos hoje sobre “sermão”. Eram, na verdade, palavras de conforto e de consolo que caíam como água fresca no solo seco e ávido de umidade daqueles corações perplexos. Palavras que, para aquela gente, imprimiram novo ânimo na alma, fazendo com que aqueles homens e mulheres que ali estavam passassem a enxergar sua vida e realidade de outra forma. Uma nova maneira de enaltecer aqueles corações bons, coisa que o poder dominante, político ou religioso, jamais tinha sido capaz de fazer.

         É diante daquele povo, então renovado pela sequência de bem aventuranças, das quais não eram excluídos nem os pobres, nem os famintos, nem os sedentos, nem os injustiçados, onde, inclusive, eram exaltados os mansos, os que choram, os puros de coração, os pacíficos, os misericordiosos e os perseguidos, que Jesus levanta a voz e clama: “Vós sois o sal da terra e a luz do mundo”, como a dizer: “vocês são as pérolas de Deus”.

       Ora, para aquela gente sofrida e mal tratada, tida como verdadeiramente inútil diante de uma sociedade marcada pela exploração e pelo fanatismo religioso, ser aclamada por um Mestre como Jesus que, sem meias palavras, grita com vigor: “Vós sois o sal da terra e a luz do mundo”, foi momento inigualável.

            Mas, as palavras de Jesus não eram como as dos políticos que, necessitando de votos, inflamam o ego do povo. Não, Jesus não é político. E, portanto, ele avança na exaltação daquela pobre gente, questionando-a: “se o sal perder a sua força, com que será ele salgado? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e pisado pelos homens”. Com isso, Ele queria dizer que eles tinham essência, tinham sabor, tinham vida e que, portanto, deviam viver e agir com a força d’alma e com o tempero que tinham.

            Mas, para Jesus, algo mais precisava ser dito, e Ele diz: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma colina, nem se acende uma lâmpada para ficar oculta, mas, para ser colocada sobre o ponto mais elevado, de modo a ofertar luz para todos os lados”. E arremata, exortando a multidão ali presente: “Brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus”.

         Jesus mostra para aqueles homens e mulheres, que estava ocorrendo uma grande mudança na forma como seriam vistos e tratados a partir de então. Porque, se para os poderosos do mundo aquele povo tinha pouca ou nenhuma importância, para Deus eles eram como fachos de luz, cada qual com o seu próprio brilho que, de forma alguma, não deveria ficar oculto, mas, brilhar diante do mundo revelando as boas obras praticadas.

            Denominá-los como “sal da terra e luz do mundo” significou, como diríamos hoje, levantar o moral de toda uma gama de pessoas até então tida como imprestável, sem sabor, sem valor e sem brilho diante daquela sociedade marcada pela ostentação dos ricos e poderosos, a começar pelos representantes das forças de ocupação, passando pelos mestres e doutores da lei e chegando até os ricos comerciantes e negociantes, todos, exploradores do povo.

            As palavras de Jesus – “Vós sois o sal da terra e a luz do mundo” – precisam ser ouvidas ainda hoje, como se estivessem sendo ditas diretamente para cada um de nós, que vivemos nestes dias difíceis e conturbados, nos quais os poderosos continuam onde sempre estiveram, no topo da pirâmide social e nós, a ralé, na base, sem valor, sem sabor, sem importância, sem brilho, sem conhecimento algum e sem sabedoria, diante de um mundo totalmente incrédulo.

            Hoje, como outrora, Jesus está a dizer para mim e para você, que nós somos o sal da terra e a luz do mundo e pede para que façamos brilhar a nossa luz, trazendo às claras as boas obras que fazemos, a fim de verificarmos a glorificação do nome de Deus. Somos o sal da terra, porque podemos temperar todos os ambientes pelos quais circulamos, levando um gosto e um sabor diferentes, mostrando a todos que a vida deve ser vivida com alegria, com a participação de todos em tudo e com a felicidade de termos o Senhor como nosso único e verdadeiro Pastor.

            Não deixemos que o nosso sal perca o sabor, nem permitamos que nossa luz se apague ou fique escondida, como se fôssemos realmente inúteis e imprestáveis. Façamos como Jesus ensinou e seremos, também, bem aventurados em tudo, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém!

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*Luiz Antonio de Moura é um caminhante, um pensador espiritualista e um cultor do silêncio

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