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REFLETINDO SOBRE A PALAVRA

LUDOVICO GARMUS

29º DOMINGO DO TEMPO COMUM – A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR. A DEUS O QUE É DE DEUS –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor, e vos servir de todo o coração”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 45,1.3-6

Tomei Ciro pela mão direita,

para que submeta os povos ao seu domínio.

Os babilônios tinham levado os judeus para o exílio. Para o povo de Deus tratava-se de uma punição divina por causa dos pecados e infidelidades. Terminado o domínio babilônico, surgiu um novo império, o dos persas. Ciro, o novo rei dos persas, é saudado pelo profeta como o ungido do Senhor, como os reis de Israel. É alguém especialmente escolhido por Javé, apesar de ser pagão, foi chamado para agir em seu nome e permitir o retorno do povo de Deus para a Terra Prometida. A missão de Ciro é submeter os povos a seu domínio, dobrar o orgulho dos reis e abrir um caminho não só para os persas, mas para o Senhor, o Deus de Israel (Is 40,3-5). Os babilônios foram um instrumento de punição nas mãos de Deus para punir o povo infiel; agora, é Ciro o instrumento nas mãos de Deus usa para cumprir os seus planos. Para o profeta, o Deus de Israel é o único e verdadeiro Deus que conduz a história política universal: “Eu sou o Senhor, e fora de mim não existe outro”. –Você acredita que Deus conduz a história conturbada do povo brasileiro, e do mundo inteiro, para o bem e a salvação de todas as pessoas de boa vontade? Confia nele? A sabedoria do povo contém e a fé e a esperança em Deus que está conosco: “Eu dirijo, mas é Deus que me guia!”

SALMO RESPONSORIAL: Sl 95 (96)

Ó família das nações, dai ao Senhor poder e glória!

2. SEGUNDA LEITURA: 1Ts 1,1-5b

Recordamo-nos sem cessar da vossa fé,

da caridade e da esperança.

A leitura que ouvimos é o início da mais antiga carta de Paulo (pelo ano 51 dC), escrita à comunidade de Tessalônica. De fato, Paulo não permaneceu em Tessalônica mais do que três meses. Como de costume, Paulo ao chegar numa cidade, primeiro procurava a sinagoga judaica local. Ali durante três sábados anunciou Jesus de Nazaré, crucificado e ressuscitado ao terceiro dia, como o Messias esperado pelos judeus (At 17,1-15). Vendo que Paulo fazia muitos adeptos, alguns judeus provocaram um tumulto e Paulo teve que sair às pressas da cidade. Por isso comunicou-se logo com a nova comunidade por meio de cartas. Na saudação percebemos que Paulo trabalhava na evangelização em equipe, com Silvano e Timóteo. Lembra as virtudes cardeais que animam a comunidade: fé, caridade e esperança, que os unem a Cristo. Os tessalonicenses, em parte de origem pagã, são os escolhidos em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo. Reconhece que mais do que pelas suas palavras a comunidade cresce pela ação do Espírito Santo. Paulo e seus companheiros são instrumentos da ação da graça divina. Eles anunciam o Evangelho por palavras, mas quem forma e reúne a comunidade é a força do Espírito Santo.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Como astros no mundo vós resplandeceis,

mensagem de vida ao mundo anunciando,

da vida a Palavra, com fé, proclameis,

quais astros luzentes no mundo brilheis.

3. Evangelho: Mt 22,15.21

Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

A pergunta feita a Jesus pelos discípulos dos fariseus, na presença dos herodianos, era uma armadilha de caráter político. Para captar a simpatia de Jesus eles fazem um elogio: Jesus é verdadeiro, ensina o caminho de Deus e não julga pelas aparências: “É lícito ou não pagar imposto a César?” Se Jesus respondesse “sim”, estaria do lado dos herodianos, que apoiavam os romanos. Neste caso, perderia a simpatia do povo que não gostava de pagar imposto aos dominadores pagãos. Mas, se respondesse “não”, poderia ser acusado de subversivo. Foi esta a acusação feita contra Jesus diante de Pilatos: “Encontramos este homem subvertendo a nação. Proíbe pagar impostos a César...” (Lc 23,2). Ao fazer seus adversários ver a imagem e a inscrição na moeda, Jesus os obriga a reconhecer que César era quem mandava no país. Uma vez que aceitavam usar sua moeda, deveriam também aceitar as regras do jogo político: “Dai a César o que é de César...” Mas, ao acrescentar “Dai a Deus o que é de Deus”, Jesus está sugerindo que, todos, fomos criados à imagem e semelhança de Deus. A Ele devemos o tributo do louvor e da adoração. Pelos gestos e pela mensagem de Jesus seus adversários deviam reconhecer a presença de Deus e vinda de seu Reino, que Jesus anunciava. No contexto de uma pergunta de caráter político Jesus dá uma resposta que abrange a vida política e religiosa, que serve de orientação para nossa vida cristã.

Jesus nos ensina a sermos coerentes nas coisas políticas, pagando também os devidos impostos. Mas não podemos esquecer as exigências de Deus. Deus não cobra de nós impostos. Pede, sim, o nosso coração: “Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração e a teu próximo como a ti mesmo”. Jesus nos propõe a partilha com os pobres. Isso não significa que “o padre deve ficar na sacristia”, nem que o leigo cristão fique escondido na igreja. Por isso: “Dai a Deus o que é de Deus”, e “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça”.

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

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