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mai 22

REFLETINDO SOBRE A PALAVRA

REFLEXÃO DIÁRIA

SANTÍSSIMA TRINDADE –

*Por Frei Ludovico Garmus –

Oração: “Ó Deus, nosso Pai, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito Santo santificador, revelastes vosso inefável mistério. Fazei que, professando a verdadeira fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a Unidade onipotente”.

1. Primeira leitura: Pr 8,22-31

Antes que a terra fosse feita, a Sabedoria já tinha sido concebida.

No Antigo Testamento temos a ideia de um único Deus, mas não a ideia de um Deus uno e Trino. Mesmo assim, Deus cria o universo pela sua “Palavra” e pelo seu “Espírito” (Gn 1–2; Sl 104,27-30), e fala pela “Sabedoria”. Na primeira leitura é a “Sabedoria de Deus” que fala de Deus criador e de sua origem em Deus. Desde a eternidade foi constituída, “antes das origens da terra” (universo) foi gerada e Deus a “possui”. A sabedoria de Deus acompanha toda a obra da criação. Alegre como uma criança, brinca na presença de Deus, na superfície da terra, entre as criaturas; mas sua maior alegria é “estar com os filhos dos homens”. No livro do Gênesis , o Criador alegra-se com obra da criação, fruto de seu amor: “E Deus viu que era bom”. E, ao falar da criação do ser humano no sexto dia, conclui: “E Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1). Pela Sabedoria, tudo estava preparado para a encarnação do Filho de Deus, que assumiu nossa humanidade e veio morar entre nós. Paulo identifica Cristo com a “força e sabedoria de Deus” (1Cor 1,23-24). Em Cristo, Sabedoria de Deus, por ele e para ele “foram criadas todas as coisas nos céus e na terra” (cf. Ef 1,16). Na criação, fruto de sua sabedoria divina, Deus se revela a todos os seres humanos, como diz Paulo: “Desde a criação do mundo, o invisível de Deus – o eterno poder e a divindade – torna-se visível à inteligência através de suas obras” (Rm 2,20). – Como eu me relaciono com as criaturas, criadas pela Sabedoria de Deus? Percebo nelas a presença do Criador? Vejo-as com os olhos bondosos de Deus e cuido delas como se fossem parte de nossa “Casa Comum”?

Salmo responsorial: Sl 8

Ó Senhor nosso Deus, como é grande

o vosso nome por todo o universo!

2. Segunda leitura: Rm 5,1-5

A Deus, por Cristo, na caridade difundida pelo Espírito.

O apóstolo Paulo dos bens recebidos por quem foi justificado pela fé em Cristo Jesus. Pela fé estamos em paz, reconciliados com Deus, por meio de Jesus Cristo. Pela fé, Jesus Cristo, que morreu por nós, obteve para a graça do perdão dos pecados e plantou em nós a esperança de participar um dia da glória de Deus. Por isso Paulo se alegra em meio às tribulações, porque fortificam nele a perseverança, que fortalece a esperança e desabrocha no amor de Deus, “derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”.

Aclamação ao Evangelho: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

Glória ao Pai, ao Filho, e ao Espírito Santo,

Ao Deus que é, que era e que vem, pelos séculos. Amém.

3. Evangelho: Jo 16,12-15

Tudo o que o Pai possui é meu.

O Espírito Santo receberá do que é meu e vo-lo anunciará.

Ouvimos no Domingo da Ascensão, que os discípulos, apesar de Jesus os ter instruído após a ressurreição, ainda não entendiam qual era sua missão. Jesus os enviava a pregar o reino de Deus, e eles perguntam: “Senhor, é agora que vais instaurar o reino [terrestre] de Israel?” Por isso, no evangelho de hoje Jesus diz: “Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de compreender agora”. O texto do Evangelho nos fala da missão do Espírito Santo: a) conduzir os discípulos à plena verdade, isto é, colocá-los nos passos de Jesus, que é “o caminho, a verdade e a vida” (cf. 14,6); b) ensinar “até as coisas futuras” e recordar tudo o que Jesus falou (cf. 14,26); c) Tudo o que Jesus ensinou recebeu do Pai e, ao concluir sua missão, confiou ao Espírito Santo. Jesus de Nazaré revela o rosto de Deus como Pai. Em Cristo Jesus Deus se revela como Filho e sua presença e ação entre nós continua pela ação do Espírito Santo, o dom maior da Páscoa e de Pentecostes concedido aos discípulos. Deus não é um ser solitário. Deus é comunhão de amor. O Espírito Santo é a força do amor de Deus, presente entre nós: “Eis que estou convosco, todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20). É o amor a Deus e ao próximo que nos faz viver na presença de Deus e em comunhão de amor com a SS. Trindade: “Se alguém me ama, guarda a minha palavra; meu Pai o amará, viremos a ele e nele faremos morada” (Jo 14,23).

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

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