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abr 10

PERSONALIDADES MARCANTES – JESUS DE NAZARÉ – PARTE II

JESUS - UMA PERSONALIDDE

PERSONALIDADES  MARCANTES –

PARTE II –

*Por Luiz Antonio de Moura –

            Há muito tempo estamos articulando uma forma de apresentar para os nossos leitores e leitoras, assim como para os nossos seguidores e seguidoras nas redes sociais, personalidades que marcaram época na história da humanidade, no meio social, artístico, esportivo, político, religioso, filosófico ou simplesmente acadêmico. Personalidades que foram além disso: influenciaram, e ainda influenciam muitos, ou parte, de nós e que, portanto, vez por outra, retornam ao nosso dia-a-dia trazendo-nos a oportunidade de citá-las nas conversas, nos trabalhos, nas aulas, nas pregações, nas reflexões, nas palestras e em todas as manifestações intelectuais das quais participamos de forma voluntária, profissional ou vocacional.

            Seria muito difícil apresentar, aqui, uma relação, ainda que parcial, dessas personalidades, tão grande é a lista. Entretanto, não foi difícil decidir a primeira sobre a qual vamos falar um pouco, ainda que precisemos fazê-lo em duas ou mais etapas.

            A primeira personalidade marcante a ser apresentada é: Jesus de Nazaré. Quem nunca ouviu, nunca invocou ou nunca citou o nome de Jesus? Mesmo os ateus, na hora do desespero, logo soam o alarme “Jesus!”. Não vamos falar de Jesus sob a ótica das religiões ou das devoções. Vamos falar sobre o homem Jesus, até que Dele brote naturalmente Aquele que é, também, verdadeiramente Deus. 

                   JESUS DE NAZARÉ (CONTINUAÇÃO) 

  O BATISMO -3

            Os Evangelhos quase nada relatam acerca da infância e da juventude de Jesus, dando margem a inúmeros textos surgidos ao longo dos séculos, cada qual apresentando sua própria versão do que poderia ter sido a vida Daquele menino que um dia, diante dos doutores da Lei, deixou muitos boquiabertos com toda a sua genuína sabedoria.

            O fato é que, chegado o tempo de iniciar a missão, Jesus deixa a casa onde vivia com Maria, deixa a pequena Nazaré e, sabendo que João Batista já estava em plena ação, apresenta-se às margens do Rio Jordão para, de forma humilde, receber o batismo que todos os fieis recebiam.

            O episódio é narrado pelos três primeiros evangelistas e em cada narrativa, vamos encontrar a descrição daquele momento ímpar da história, porque, ali, Jesus pisava o chão de todos os homens e, a partir dali, caminharia ao lado de todos e de cada um dos homens, das mulheres, dos anciãos, dos pobres, dos doentes, enfim, de todos, literalmente, todos.

            O evangelista Marcos, por exemplo, narra que, no momento em que Jesus saía das águas, após o batismo, “João viu os céus abertos e descer o Espírito em forma de pomba sobre ele. E ouviu-se dos céus uma voz: ‘Tu és o meu Filho muito amado; em ti ponho minha afeição’” (Mc 1, 10-11). Do batismo, Jesus ruma para o deserto onde, durante quarenta dias e quarenta noites, coloca-se em oração, jejum e profunda reflexão. Naquele ambiente e condições inóspitas, o adversário de Deus encontrou a oportunidade ideal para tentar demover Jesus do cumprimento da missão recebida do Pai.

     Com suas artimanhas, o adversário chama a atenção de Jesus para a desnecessidade de sujeitar-se àquela condição humana e, em dado momento, querendo comprovar a origem divina de Jesus, ele desafia: “Se és o Filho de Deus, ordena a esta pedra que se torne pão” (Lc 4, 3). Jesus supera o desafio, mostrando-lhe que o homem não vive só de pão, “mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Lc 4, 4).

            Superar a fome de alimento, às vezes, é mais fácil do que a de poder. Desde que o homem pisou a face da terra, o poder o seduz de forma brutal, levando-o a praticar os mais diversos e ousados atos, com a finalidade de dominar seus semelhantes, de todas as forma possíveis. O inimigo de Deus, sabe disso! Então, diante daquele Jesus enfraquecido pelo cansaço, pelo calor e pelo jejum, ele avança novamente, revelando exercer o poder sobre todos os reinos da terra e oferecendo: “Eu te darei todo este poder e a glória desses reinos, porque me foram dados, e dou-os a quem quero. Portanto, se te prostrares diante de mim, tudo será teu” (Lc 4, 6-7). Jesus, mesmo combalido, sabe muito bem a quem deve servir e adorar, afirmando que, conforme está escrito, “Adorarás o Senhor, teu Deus, e somente a ele servirás” (Lc 4, 8).

            Jesus acabara de mostrar ao adversário de Deus que nem a fome de pão, nem o poder terreno podem-No desviar do caminho a ser seguido, segundo a vontade do Pai. O inimigo, porém, verificando que os desafios pessoais não abalaram a devoção e a determinação de Jesus, decide pôr em cheque as forças celestiais e o respeito às ordens de Deus. Resolve desafiar Jesus a demonstrar que as forças celestiais estão prontas para socorrê-lo, se, realmente, Ele é Filho de Deus. Jesus, até aquele ponto, defendera-se do espírito maligno apegando-se às Escrituras e o seu oponente, astutamente, utiliza as mesmas Escrituras para uma última investida contra Jesus. Conduz Jesus ao ponto mais alto do Templo e faz sua derradeira jogada: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Ordenou aos seus anjos a teu respeito que te guardassem. E que te sustivessem em suas mãos, para não ferires o teu pé n’alguma pedra” (Lc 4, 9-11). Percebendo toda a astúcia do inimigo de Deus, Jesus novamente cita as Escrituras para vencer mais aquele desafio, dizendo “Foi dito: Não tentarás o Senhor, teu Deus”, fazendo com que aquele sinistro personagem deixasse-No em paz.

            O evangelista Mateus afirma que, depois destas frustradas investidas do demônio, os anjos aproximaram-se de Jesus e começaram a servi-Lo (Mt 4, 11).

            Saindo do deserto, Jesus vaia para Cafarnaum e lá, começa a pregar e a exortar o povo a fazer penitência: “Fazei penitência, pois o Reino dos céus está próximo” (Mt 4, 17). Caminhando ao longo do mar da Galileia, depara-se com Simão Pedro e André, seu irmão, que, como pescadores, lançavam suas redes ao mar. Jesus, admirado de vê-los trabalhando tão empolgados, convida-os a segui-Lo, no que é prontamente atendido. Pedro e André, devem ter ficado fascinados com a retórica de Jesus, no tocante à propagação do Reino. Jesus deve ter-lhe contado tudo o que estava se projetando para o futuro e, ao final, faz a proposta: “Vinde após de mim e vos farei pescadores de homens”. Mateus conta que eles, imediatamente, deixaram suas redes e seu barco e seguiram aquele, até então, estranho. Mais adiante, encontram outros dois irmãos: Tiago e João, que trabalhavam com o pai, Zebedeu. Sendo convidados, também, abandonaram o trabalho e o pai, e seguiram Jesus.

            Obviamente que Jesus não exerceu nenhum tipo de hipnose sobre aqueles pobres pescadores. Com toda certeza, apesar de os Evangelhos não narrarem desse modo, Jesus mostrou a eles todos que o Reino de Deus estava próximo e que o ano da Graça havia chegado. Aqueles pescadores, pobres e humildes, sempre ouviram seus antepassados falarem acerca do Messias, o prometido, o Ungido de Deus, que haveria de vir para libertar os homens do jugo da escravidão. Por esta razão, ao ouvirem da própria boca de Jesus que Ele chegara para cumprir as Escrituras, acreditaram, por obra do Espírito Santo, e aí, sim, abandonaram tudo para segui-Lo. Em pouco tempo, Jesus já era acompanhado por um séquito de homens ávidos para verem aonde aquilo tudo desembocaria.

            Jesus andava acompanhado por aqueles homens que, até então, apenas tinham ouvido palavras. Tinham-No visto curar um homem possesso por um espírito maligno, mas, em meio à confusão do ambiente, do falatório e da gritaria, não conseguiram ver nada de muito significativo. Entretanto, aconteceu um fato que marcou a vida daqueles pescadores e, sobremaneira, a de Simão Pedro.

            Aconteceu de Jesus estar falando à multidão, nas margens do Lago de Genesaré e, em dado momento, já cansado, Jesus sobe na barca de Pedro e pede para ele navegar um pouco mais para dentro do mar, para afastar-se um pouco daquele burburinho. Pedro imediatamente obedece. Jesus, olha para Simão Pedro e diz: “Simão, vai mais para adiante e lança tuas redes, vamos pescar um pouco”. Pedro, diz: “Senhor, passamos a noite toda aqui, neste mesmo lugar, lançando nossas redes, sem nada conseguirmos pescar. Porém, por Ti e por Tua palavra, lançarei a rede”. Lucas conta que, lançada a rede, “apanharam peixes em tanta quantidade, que a rede estava ponto de romper-se” (Lc 5, 6). Pedro, na hora, só teve tempo de gritar para que os outros companheiros viessem em seu auxílio, com suas barcas e homens, a fim de não perder nada aquele espantosa e maravilhosa pescaria. Passado o momento de assombro, Pedro cai de joelhos diante de Jesus e pede: “Retira-se de mim, Senhor, porque sou um homem pecador” (Lc 5, 8).

            Estava claro para os discípulos que aquele homem a quem seguiam, era mais do que um simples homem. Estava claro que Ele detinha poderes sobre-humanos, muito diferente de tudo o que já haviam vistos com seus próprios olhos. E Jesus continua caminhando, com eles e realizando inúmeros sinais. Porém, o sofrimento encontrado por Jesus ao longo daqueles estradas e mares era enorme, levando-o a curar muitos doentes e libertar muitos possessos pelo demônio.

 

CONTINUA EM 12 DE JUNHO

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*Luiz Antonio de Moura é graduado em Direito (Universidade Católica de Petrópolis), pós-graduado em Direito do Trabalho (Universidade Estácio de Sá) e em Administração Pública (Fundação Getúlio Vargas-RJ), trabalha no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região - RJ e, atualmente, é aluno de Teologia no Instituto Teológico Franciscano - ITF, em Petrópolis-RJ. Administra o site www.lisaac.blog.br e a página Sementes de vida: É tempo de semear, no Facebook.
 

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