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fev 14

PERSONALIDADES MARCANTES – JESUS DE NAZARÉ – PARTE I

JESUS - UMA PERSONALIDDE

PERSONALIDADES  MARCANTES –

*Por Luiz Antonio de Moura –

               Há muito tempo estamos articulando uma forma de apresentar para os nossos leitores e leitoras, assim como para os nossos seguidores e seguidoras nas redes sociais, personalidades que marcaram época na história da humanidade, no meio social, artístico, esportivo, político, religioso, filosófico ou simplesmente acadêmico. Personalidades que foram além disso: influenciaram, e ainda influenciam muitos, ou parte, de nós e que, portanto, vez por outra, retornam ao nosso dia-a-dia trazendo-nos a oportunidade de citá-las nas conversas, nos trabalhos, nas aulas, nas pregações, nas reflexões, nas palestras e em todas as manifestações intelectuais das quais participamos de forma voluntária, profissional ou vocacional.

            Seria muito difícil apresentar, aqui, uma relação, ainda que parcial, dessas personalidades, tão grande é a lista. Entretanto, não foi difícil decidir a primeira sobre a qual vamos falar um pouco, ainda que precisemos fazê-lo em duas ou mais etapas.

            A primeira personalidade marcante a ser apresentada é: Jesus de Nazaré. Quem nunca ouviu, nunca invocou ou nunca citou o nome de Jesus? Mesmo os ateus, na hora do desespero, logo soam o alarme “Jesus!”. Não vamos falar de Jesus sob a ótica das religiões ou das devoções. Vamos falar sobre o homem Jesus, até que Dele brote naturalmente Aquele que é, também, verdadeiramente Deus.

            A partir de hoje, e a cada dois meses – sempre no segundo domingo – estaremos dando continuidade ou apresentando uma nova e marcante personalidade. Iniciemos: 

JESUS DE NAZARÉ – APENAS UM MENINO

 

MENINO JESUS

           Uma criança que está para nascer é sempre motivo de muita expectativa por parte dos pais, parentes, amigos, vizinhos e conhecidos. Normalmente, esta expectativa dura nove meses. Nasce o bebê e, finalmente, todos tomam conhecimento daquele fato extraordinário naquelas vidas que o circundam. Depois, aquela criança vai gerando sempre novas expectativas sem, no entanto, o fulgor pré-natalício.

            Imaginemos, então, a expectativa sobre o nascimento de uma criança, durante dezenas e centenas de anos! E mais: a expectativa em torno do que essa criança vai representar, não no seio da sua família ou da comunidade em que será inserida, mas, no seio de toda a humanidade! É fantástico, não é? Foi assim, com o nascimento do Menino Jesus. Um menino prometido por Deus aos homens, como Messias, capaz de salvar toda a humanidade e de libertá-la do mal maior: a morte, que até então, era vista como fato consumado e definitivo quanto ao encerramento da vida humana. Morreu, acabou tudo, era o pensamento dominante.

            Deus, pela voz do profeta Miquéias afirmou: “De ti, Belém de Éfrata, sairá para mim aquele que é chamado a governar Israel”[1]. O profeta Isaías, contemporâneo de Miquéias (ambos viveram no século VIII a.C.), também lançou expectativas sobre o nascimento do Filho de Deus: “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará ‘Deus Conosco’”[2].

            Como podemos verificar, pelo menos oitocentos anos antes do fato, o nascimento de Jesus já era motivo de grande expectativa entre povo e profetas.

           Vencido o tempo, e chegado o momento apropriado, segundo a vontade e o plano de Deus, o Anjo Gabriel foi enviado a uma minúscula cidade da região da Galileia, chamada Nazaré, diante de uma jovenzinha cujo nome é Maria, ou Míriam, para informá-la de que havia sido a escolhida do Altíssimo para ser a mãe do menino tão esperado durante os séculos imediatamente anteriores.

            Aquela menina humilde, simples, virgem e casta ouve da boca do Anjo a notícia-surpresa: “Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus”[3].

            A surpresa não foi apenas para Maria. Foi, também, para José, um homem da linhagem de Davi, que já preparava todos os procedimentos necessários para desposar aquela que já havia sido Escolhida por Deus para gerar o Seu Filho. É óbvio que José, ao tomar conhecimento daquela gravidez não ficou apenas espantado, ficou, também, desapontado, sentindo-se traído por aquela da qual jamais imaginara um gesto de tamanha desonra.

            Aconteceu, naquele tempo, que, antes da visita do Anjo a Maria, Isabel, sua prima, fora agraciada por Deus com uma gravidez inesperada, também, e surpreendentemente milagrosa, já que, não apenas ela, mas seu marido Zacarias também, contava com idade bastante avançada.

           Ao receber a notícia da gravidez da prima, por meio do Anjo Gabriel, Maria tratou de ir visitá-la para dividir as alegrias e as mútuas surpresas e expectativas.

            Um Anjo enviado por Deus tratou de apaziguar o coração conturbado de José, fazendo com que deixasse de lado a ideia de abandonar Maria. Numa noite, enquanto dormia um sono profundo, o Anjo aparece-lhe em sonho e diz: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados”[4].

            José, mais sereno e tranquilo, desposou Maria, levando-a para sua casa. O tempo passou e, em determinado momento, José precisou sair de Nazaré para ir até a cidade de Belém, alistar-se no censo criado por decreto pelo Imperador romano César Augusto. Nesta viagem, resolveu levar Maria em sua companhia, mesmo estando grávida.

          Já em Belém, não se sabe precisamente se antes ou depois do alistamento, Maria percebeu o momento do nascimento da criança. Sem dinheiro para uma digna hospedaria, sem recursos médicos à disposição e com as fortes dores do parto, não sobrou a José outra alternativa a não ser “invadir” um estábulo reservado aos bois, no meio da estrada, improvisando uma forragem com palha seca de modo a permitir que o tão esperado Filho de Deus chegasse ao mundo.

            Foi assim que esta personalidade tão marcante e tão importante na história da humanidade chegou no meio de nós. Embora reclinado em uma manjedoura e aquecido pelo hálito quente dos animais ali presentes, o pequeno Jesus recebeu a visita de três magos vindos do Oriente que, gentil e calorosamente, presentearam-No com incenso, ouro e mirra. Estes homens não apareceram por acaso, também eles, estudando as profecias e consultando a posição das estrelas saíram de suas pátrias em direção a Jerusalém, onde acreditavam encontrar o recém-nascido. No entanto uma estrela guiava-os naquela longa caminhada e, quando a estrela parou no céu, eles estavam exatamente diante da manjedoura do pobre menino.

            O Evangelista Lucas conta que naquela noite Anjos desceram do céu e, diante do recém-nascido cantavam hinos de louvor ao Senhor, porque Aquele que acabara de nascer era, não apenas a esperança, mas a salvação prometida por Deus ao seu povo desde tempos imemoriais.

     Oito dias depois, em respeito à lei de Moisés, os pais de Jesus apresentaram-No no Templo, para ser circuncidado. Lá, encontraram um ancião chamado Simeão e uma profetiza de nome Ana, servos do Templo que, com imensa felicidade em poderem contemplar o Salvador, abençoaram os pais e o menino, além de renderem glórias e louvores aos céus.

            Jesus, desde o início, teve que enfrentar inimigos poderosos e, ainda recém-nascido, foi levado por seus pais para o Egito, para não ser morto por Herodes que, com medo daquele que era anunciado como o Rei de Israel, mandou matar todas as crianças menores de dois anos de idade (Mt 2, 16).

            Passado o perigo, e morto Herodes, Jesus retorna com os pais para Israel, indo morar por longo período, na pequena cidade de Nazaré. Crescia em sabedoria e em espírito e, já aos doze anos de idade, estava postado entre os doutores da Lei, em Jerusalém, onde fazia e respondia perguntas que deixavam seus interlocutores estupefatos com o brilhantismo e o saber que Dele brotavam com tanta naturalidade. Um menino do campo, com vestes e aparência humildes, revelando aos homens a Sabedoria de Deus.

 

CONTINUA EM 10 DE ABRIL

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[1] Mq 5, 1
 [2] Is 7, 14
 [3] Lc 1, 31
 [4] Mt 1, 20-21
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*Luiz Antonio de Moura é graduado em Direito (Universidade Católica de Petrópolis), pós-graduado em Direito do Trabalho (Universidade Estácio de Sá) e em Administração Pública (Fundação Getúlio Vargas-RJ), trabalha no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região - RJ e, atualmente, é aluno de Teologia no Instituto Teológico Franciscano - ITF, em Petrópolis-RJ. Administra o site www.lisaac.blog.br e a página Sementes de vida: É tempo de semear, no Facebook.

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