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jul 06

O SANTO DA SEMANA – AGOSTINHO ZHAO RONG

AGOSTINHO ZHAO

O SANTO DA SEMANA

          Todos os dias comemoram-se e festejam-se diversos santos. Homens e mulheres que, de algum modo especial, viveram e doaram suas vidas por amor ao Evangelho e ao próprio Cristo.

               Nesta SEGUNDA semana do mês de JULHO de 2015 estamos reverenciando Santo Agostinho Zhao Rong e seus companheiros e, como ele, mártires. Sobre eles, fomos buscar em Frei Alberto Beckhäuser, OFM, os dados biográficos mais contundentes e capazes de seduzir a tantos quantos deles tomem conhecimento.

Santo Agostinho Zhao Rong, presbítero e companheiros, mártires

Memória facultativa

Remete-se para o Comum dos Mártires: para vários mártires. A Oração coleta é própria. O Missal os classifica como “Mártires da China”. Foram introduzidos no Calendário do Missal romano, em 2002.

A Igreja Católica levou a luz do Evangelho ao povo chinês a partir do século V. No século VI, já existia a primeira Igreja Católica e a primeira sede episcopal na cidade de Pequim.

A Igreja Católica deu novo impulso à evangelização da China após a divulgação de vários decretos imperiais, que concediam liberdade religiosa para rodos os súditos e autorizavam os missionários a evangelizar em seus vastos territórios. Mas a questão dos “rituais católicos chineses” começou a irritar o imperador, que, influenciado pela perseguição aos cristãos no Japão, resolveu promover também a sua.

No início, a perseguição era disfarçada e velada. Os massacres violentos dos cristãos começaram em 1648. Na época, todos os que renegassem a fé se­riam poupados. Do século XVII até a metade do século XIX, muitos missioná­rios e fiéis leigos foram mortos, inclusive Dom João Gabriel Taurin Dufresse, das Missões Exteriores de Paris, que depois também foi beatificado.

Agostinho Zhao Rong foi um soldado chinês que escoltou dom Dufresse até a cidade de Pequim e o acompanhou até a sua execução por decapitação. Ele ficou muito impressionado com a serenidade e a força espiritual de Dufresse, que, apesar de torturado, não renegou a fé em Cristo. Agostinho se viu tocado pela luz da fé e pediu para que Dufresse o convertesse.

Foi batizado e enviado ao seminário, onde foi ordenado sacerdote diocesano. Quando foi reconhecido como cristão, ele também sofreu terríveis suplícios antes de morrer decapitado, em 1815.

No início de 1900, ocorreu a revolução comunista chinesa, provocada por motivos políticos, com novas ondas de perseguições aos cristãos. O motivo foi exclusivamente religioso, como comprovaram os documentos históricos. Desde então, aconteceu uma sangrenta exterminação, matando um número infindável de catequistas leigos, chineses convertidos, sacerdotes chineses. Não puderam ser localizados todos os nomes, porque a destruição e os incêndios continuaram ao longo do novo regime político chinês. A última execução em massa de cristãos na China de que se tem notícia aconteceu em 25 de fevereiro de 1930.

Simbolizando a universalidade da Igreja Católica, os 120 mártires chineses já todos eles beatificados, em tempos diversos, por diferentes papas, foram escolhidos para representar os inúmeros mártires que morreram na China por fidelidade corajosa à fé católica, incluindo aqueles que morreram já na época comunista (desde 1949), cujo grande número ainda está por ser definido. A canonização realizou-se no Vaticano, no dia 1o de outubro de 2000, no con­texto do Grande Jubileu, pelo papa João Paulo II.

Na homilia disse o Papa: “Os preceitos do Senhor trazem alegria. Estas palavras do Salmo responsorial refletem bem a experiência de Agostinho Zhao Rong e 119 Companheiros mártires na China. Os testemunhos que chegaram até nós deixam entrever neles um estado de espírito marcado por uma profunda serenidade e alegria. Hoje, a Igreja agradece ao seu Senhor, que a abençoe e a imbui de luz com o esplendor da santidade destes filhos e filhas da China* Eles começaram a ser venerados no dia 9 de julho em toda a Igreja, pois constituem um exemplo de coragem e de coerência para todos os cristãos do mundo. No Brasil, pela coincidência com a memória obrigatória de Santa Paulina, celebra-se a memória facultativa dos mártires chineses no dia 10 de julho. Eis a Oração coleta em tradução provisória: Ó Deus, que pela confissão de fé dos santos mártires Agostinho e Companheiros fortalecestes a vossa Igreja por admirável sustento, concedei que o vosso povo, fiel à missão que lhe foi confiada, goze de sempre maior liberdade e dê testemunho da verdade perante o mundo.”

  FONTE: BECKHÄUSER, Ofm – OS SANTOS DA LITURGIA – Testemunhas de Cristo. Petrópolis. Vozes: 2013. 391 páginas.  

jun 28

O SANTO DA SEMANA

SÃO PEDRO E SÃO PAULO

O SANTO DA SEMANA - 

          Todos os dias comemoram-se e festejam-se diversos santos. Homens e mulheres que, de algum modo especial, viveram e doaram suas vidas por amor ao Evangelho e ao próprio Cristo.

               Nesta PRIMEIRA semana do mês de JULHO de 2015 estamos reverenciando os Santos Pedro e Paulo, Pilares do Cristianismo. São Paulo, o Apóstolo dos gentios, o conversor de muitos povos. São Pedro, o discípulo da confiança absoluta do Mestre, que tornou-se o primeiro chefe dos cristãos e que, por sua morte em Roma, é reconhecido como o Primeiro Papa da Igreja Católica. Ambos viveram a fase adulta de suas vidas envoltos pela paixão pelas Sagradas Escrituras, no caso de Paulo e por Jesus Cristo, no caso dos dois. Sobre eles, fomos buscar em Dom Servílio Conti. ICM, os dados biográficos mais contundentes e capazes de seduzir a tantos quantos deles tomem conhecimento.

SANTOS PEDRO E PAULO

“A liturgia romana sempre reuniu os dois apóstolos Pedro e Paulo numa só solenidade, por considerá-los os fundadores da Igreja de Roma Tendo os dois padecido o martírio na perseguição de Nero, a tradição os identificou também no dia de sua morte: 29 de junho. Pedro e Paulo são de fato os pilares da Igreja primitiva. Unidos, representam um símbolo visível tão necessário nos dias de hoje, da colegialidade do episcopado na Igreja."

Desde o início, Pedro é representado nos Evangelhos como o primeiro dos apóstolos. Em todas as listas ou catálogos dos nomes dos apóstolos, Pedro figura sempre em primeiro lugar. E, nos momentos decisivos em que a missão de Cristo envolve crise, é sempre São Pedro o porta-voz dos apóstolos, o primeiro a proclamar a fé da Igreja primitiva.

Seu nome de família era Simão, filho de Jonas, mas Jesus, no primeiro encontro, mudou-lhe o nome para Pedro, pedra-rocha, e mais tarde dá a ra­zão disso (Mt 16,13-20). Pedro era irmão de André, nascido em Betsaida. pescador de profissão, casado e morava em Cafarnaum, quando Jesus o chamou ao apostolado. No Evangelho, aparece como homem de tempera­mento impulsivo, mas leal, expansivo, generoso e, sobretudo, muito apega­do ao Mestre. Jesus, aos poucos, o coloca em evidência entre os apóstolos, marcando-o como seu futuro vigário na Igreja. Em Cesareia de Filipe, Jesus diz solenemente a Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as cha­ves do reino dos céus, e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também no céu, e tudo o que desligares na terra será desligado também no céu”.

Com estas palavras Jesus anuncia, entre outras coisas, que Pedro é a ro­cha inabalável que serve de fundamento à Igreja, na mesma recebe o supre­mo poder, e a ele são entregues as chaves do Céu.

Depois da Ressurreição, na praia do Lago de Genesaré, Jesus dirigiu-se novamente a Pedro, perguntando-lhe: “Simão, filho de Jonas, amas-me mais que estes?” Ele respondeu: “Sim, Senhor, sabeis que vos amo”. Jesus acrescentou: “Apascenta meus cordeiros”. Por três vezes o Mestre fez esta pergunta e deu-lhe ordem de tomar conta de seu rebanho. Era a investidura oficial a Pedro de ser o Vigário de Cristo, Pastor Supremo do único rebanho do Mestre (Jo 21,15s).

Os primeiros dez capítulos dos Atos dos Apóstolos descrevem de modo especial a atuação marcante do apóstolo Pedro, que emerge como o grande líder, responsável pela comunidade cristã de Jerusalém. É ele quem toma a iniciativa de integrar Matias ao Colégio dos Apóstolos, em lugar de Judas. É ele que faz o primeiro discurso no dia de Pentecostes, convertendo três mil pessoas. É ele quem realiza o primeiro milagre, sarando o homem coxo. É ele quem é preso como responsável pela nova religião que as autoridades judaicas queriam suprimir. Pedro naquela ocasião toma a defesa: “Temos que obedecer antes a Deus do que aos homens”. É Pedro quem reprime a atitude falsa de Ananias e Safira. Pedro toma a iniciativa da eleição dos diáconos, para que atendam à administração material da comunidade cristã. É Pedro quem oficialmente abre a porta da Igreja ao primeiro pagão Cornélio e sua família, batizando-o em nome de Cristo. É Pedro quem convoca o primeiro concilio dos apóstolos, tomando a palavra no conclave.

A tradição atesta que ele, saindo de Jerusalém, foi para Antioquia, diri­gindo aquela Igreja por sete anos, depois rumou para Roma, onde ficou até a morte, 29 de junho de 67. Foi crucificado como o próprio Mestre, mas pe­diu que sua posição fosse de cabeça para baixo, como gesto de humildade. Há provas históricas irrefutáveis que seu corpo foi sepultado onde, atual­mente, surge a maior igreja do mundo: a Basílica Vaticana.

PAULO nasceu provavelmente nos primeiros anos da era cristã, em Tar­so da Cilícia, hoje ocupada pela Turquia. Embora judeu, a Paulo se atribui o título de cidadão romano, talvez por privilégio anexo à cidade de Tarso. Usava um nome judeu, Saulo, e outro romano, Paulo, com o qual foi mais conhecido. Aprendeu a língua grega que se falava em Tarso e a aramaica, usada na Palestina.

De Tarso foi para Jerusalém onde recebeu sólida formação nas Sagra­das Escrituras e nos métodos da tradição dos rabinos. Ele se diz da tribo de Benjamim, pertencendo à seita fanática dos fariseus. Teve por mestre o cé­lebre fariseu Gamaliel e tomou-se fervoroso fariseu e defensor da lei antiga e da tradição dos antepassados. Era fabricante de tendas.

Os Atos dos Apóstolos nos falam de Paulo no fim do capítulo VII, quando guardava as vestes do diácono Estêvão, enquanto este era apedreja­do e morto. Depois deste martírio, Paulo perseguiu com sanha os membros da comunidade cristã. Todo o capítulo IX dos Atos dos Apóstolos narra sua milagrosa conversão. A caminho de Damasco, aonde ia prender os cristãos, foi derrubado do cavalo e Jesus lhe falou: “Saulo, por que me persegues?” Conduzido cego à cidade de Damasco, foi levado para a casa do sacerdote Ananias que o preparou para o batismo. É uma narração empolgante, que prova a força de Cristo em dominar seu perseguidor. Depois do batismo, Paulo se dirigiu ao deserto da Arábia, onde ficou três anos, entregue à ora­ção, penitência e onde o próprio Cristo se tomou seu preceptor.

De volta para Jerusalém, foi-lhe difícil achegar-se aos apóstolos que o temiam e não disfarçavam a desconfiança que lhes inspirava aquela conver­são quase inacreditável. Apresentado aos apóstolos por Barnabé, iria assumir importantíssima missão no cristianismo primitivo. A partir de Antioquia, na Síria, inicialmente com Barnabé, Paulo realizou três grandes expe­dições missionárias que tiveram a duração de 25 anos.

Passou dois anos preso em Cesaréia, e de lá, por ter apelado ao tribunal de César, partiu para Roma, onde continuou preso, mas em relativa liberda­de para receber os cristãos e dirigir sua palavra aos pagãos. Inocentado no processo que lhe armaram os judeus, viajou para a Espanha, visitou nova­mente suas comunidades no Oriente e, de volta a Roma, no ano 67, foi pre­so sob o Imperador Nero, condenado porque seguia uma religião ilegal. Foi morto por decapitação e não por crucificação, porque era cidadão romano.

Paulo, escrevendo aos Coríntios, deixou-nos um catálogo impressio­nante de seus trabalhos pela pregação do Evangelho:

“Sofri muito pelos trabalhos, muito mais pelos cárceres, muitíssimo mais pelos açoites. Muitas vezes estive em perigo de morte; cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove golpes de açoites. Três vezes fui batido com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes naufraguei passando uma noite e um dia perdido em alto-mar” (2Cor 11,20-26).

A descrição dos sofrimentos suportados por causa do Evangelho conti­nua de forma comovente. Seu papel na Igreja primitiva foi de transcenden­tal relevo. Além de ter fundado as melhores comunidades cristãs no mundo helênico, que foram o esteio da expansão do cristianismo na Ásia Menor. Paulo, em suas 14 cartas escritas às comunidades cristãs por ele fundadas, foi o grande teólogo que tentou elaborar uma síntese doutrinária do misté­rio de Cristo para todos os séculos de valor inestimável. Este gigante inatin­gível de apóstolo e santo dizia com humildade e franqueza: “Pela graça de Deus, sou o que sou, mas a graça dele em mim não ficou estéril!”

 

FONTE: CONTI, Servílio Dom. O Santo do dia. Petrópolis. Vozes: 2006. 712 páginas.

jun 21

O SANTO DA SEMANA

SÃO JOÃO BATISTA

O SANTO DA SEMANA

          Todos os dias comemoram-se e festejam-se diversos santos. Homens e mulheres que, de algum modo especial, viveram e doaram suas vidas por amor ao Evangelho e ao próprio Cristo.

               Nesta QUARTA semana do mês de JUNHO de 2015 estamos reverenciando São João Batista, o precursor de Jesus, aquele que batizou com a água, mas que preparou o caminho para que o Cristo de Deus pudesse levar adiante a missão salvífica de todos os homens, com o batismo do Espírito Santo e no fogo. São João Batista é reverenciado por sua força, coragem, abnegação, humildade e serviço a Deus. Sobre ele, fomos buscar em Dom Servílio Conti. ICM, os dados biográficos mais contundentes e capazes de seduzir a tantos quantos deles tomem conhecimento.

 SÃO JOÃO BATISTA

             “Poucos santos foram e são tão populares em todo o mundo cristão como o santo que hoje festejamos. Cantos, danças folclóricas, fogueiras e quadrilhas, foguetes, além das procissões e mastros, são os aspectos típicos da festa de João Batista.”

            Este é o único santo, além de Nossa Senhora, em que se festeja o nascimento, porque a Igreja vê nele a preanunciação do Natal de Cristo.

            Os evangelistas apresentam com todo rigor a figura de João como precursor do Messias. Seu nascimento e missão foram anunciados pelo Anjo Gabriel ao pai Zacarias (Lc 1,5-25). Na circuncisão recebeu, por inspiração divina, o nome de João, que significa “Deus tem piedade”. Era seis meses mais velho do que Jesus, mas iniciou sua pregação pública à beira do Rio Jordão, alguns anos antes de Cristo dar início à própria missão.

            O evangelista São Lucas assim resume sua infância: “O menino foi crescendo e fortificava-se em espírito, e viveu nos desertos até o dia em que se apresentou diante de Israel” (Lc 1,80).

            Há autores que dizem que João se teria unido à seita dos essênios, tipo de monges rigoristas que viviam no deserto à beira do Jordão ou do Mar Morto, em forma comunitária, entregues à oração e à penitência. O Evangelho apresenta Batista por ocasião do batismo de Jesus.

            Com palavras incisivas e vibrantes, pregava a necessidade da conversão e do batismo de penitência. Suas palavras eram duras e veementes. Insistia com rigor na necessidade do fiel cumprimento dos deveres de estado. Argumentava com a proximidade da vinda do Messias prometido e tão esperado.

            A originalidade deste profeta era o convite a receber a ablução com água no Rio Jordão, prática chamada batismo, e daí o apelido de Batista.

            Sua pregação atraía muitas pessoas impressionadas pelas suas palavras e pelo exemplo de vida austera. O próprio Evangelho diz que vestia rude pele de camelo e alimentava-se com gafanhotos e mel silvestre.

            João, em sua pregação, descreve, com figuras apocalípticas, o juízo iminente de Deus e exorta a todos à penitência dos pecados como única forma de escapar da ira de Deus. Ao ver muitos fariseus batizados, disse-lhes: "Raça de víboras, quem vos ensinou a escapar da ira iminente? Fazei, portanto, frutos dignos de conversão e não julgueis que vos basta dizer: ‘“Temos por pai Abraão’, pois eu vos asseguro que Deus tem o poder de suscitar destas pedras verdadeiros filhos de Abraão. O machado está posto à raiz das árvores e toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo” (Mt 3,7).

            João Batista teve a sorte de batizar o próprio Cristo, embora protestasse ser indigno de desatar-lhe as sandálias. Ele apresentou oficialmente Cristo ao povo como Messias com estas palavras: “Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo” (Mt 3,11).

            João morreu mártir pela fidelidade à sua missão de profeta em denunciar publicamente o adultério de Herodes, que vivia em forma escandalosa com a cunhada Herodíades. Foi preso, encarcerado na fortaleza de Maqueronte e depois degolado a pedido da esposa adúltera de Herodes. Seus discípulos recolheram o corpo e lhe deram honrada sepultura.

            O maior elogio dado a São João foi o de Jesus que o definiu: “Ele é mais do que um profeta. Jamais surgiu entre os nascidos de mulher alguém maior que João Batista. Contudo, o menor no Reino de Deus é maior do que ele” i Mt 11,11). João, de fato, pertence ao Antigo Testamento e nós ao Novo. Quem viver plenamente a redenção que nos vem de Cristo, já é maior, pela graça, que o profeta João!

 

FONTE: CONTI, Servílio Dom. O Santo do dia. Petrópolis. Vozes: 2006. 712 páginas.

jun 14

O SANTO DA SEMANA – BEM-AVENTURADO LUÍS PALAZZOLO

Luís Palazzolo

O SANTO DA SEMANA

          Todos os dias comemoram-se e festejam-se diversos santos. Homens e mulheres que, de algum modo especial, viveram e doaram suas vidas por amor ao Evangelho e ao próprio Cristo.

               Nesta TERCEIRA semana do mês de JUNHO de 2015 estamos reverenciando o Bem-Aventurado Luís Palazzolo, exemplo de Padre, de educador e de evangelizador. Sobre ele, fomos buscar em Dom Servílio Conti, ICM, os dados biográficos mais contundentes e capazes de seduzir a tantos quantos deles tomem conhecimento.

 

BEM-AVENTURADO LUÍS PALAZZOLO

 

                        Sentindo-se particularmente feliz ao proclamar bem-aventurado seu conterrâneo Luís Palazzolo, o Papa João XXIII o apresentava como: “modelo de santidade sacerdotal pelo exercício heroico da obediência, da pobreza, da humildade, pelo amor à Igreja na doação total ao povo cristão, e, sobretudo, pela caridade ativa e operosa que se tomou visível nas múltiplas obras assistenciais” (22 de maio de 1963).

                      Estas palavras enfocavam a espiritualidade deste apóstolo moderno, Luís Palazzolo.

                        Nasceu em Bérgamo, Itália, em 1827. Órfão de pai aos oito anos, recebeu de sua piedosa mãe educação aprimorada. Jovem prendado, de boa inteligência e discreta condição econômica, pela herança do pai, sentiu a solicitação de seguir uma profissão rendosa e honrada. Mas a voz de Deus foi mais forte. Terminados os estudos clássicos, entrou no seminário diocesano. Orde­nou-se sacerdote com 23 anos, dando logo expansão ao zelo sacerdotal.

                Sua concepção do sacerdócio era linear e extraordinariamente moderna: o padre é o homem de Deus e do povo, que comunga os seus anseios orientando-o para Cristo. O padre deve amar e dar afeto especial aos pobres, assim como fez Jesus. Os jovens hão de ver no padre os sinais da credibilidade da religião que ele representa, a fim de abraçarem um ideal de acordo com a mensagem de Cristo.

                        A primeira tarefa que lhe coube foi a educação cristã da juventude nos bairros mais povoados e pobres da cidade de Bérgamo. Contemporâneo de São João Bosco, seguiu e vivenciou a experiência de recolher os rapazes vadios para alfabetizá-los, catequizá-los e dar-lhes uma orientação profissional. Tarefa esta delicada e paciente que exigia coração de pai. Luís exerceu. no pleno sentido da palavra, a paternidade humana e espiritual para com milhares de crianças e jovens, os mais pobres e marginalizados.

                        A situação social da região de Bérgamo, na segunda metade do século XIX, era de calamidade pública. Havia a dominação austríaca com mão de erro. Movimentos de insurreição que visavam a independência política da Itália provocavam choques armados com repressões. O cólera-mórbus e, pouco depois, a pelagra atacaram mais de 60 mil pessoas, deixando o saldo de 40 mil mortos, o que equivalia a 15% da população. Os homens eram recrutados para a guerra, e nas indústrias de lá só trabalhavam mulheres e crianças, de 10 a 12 horas, em péssimas condições higiênicas.

                        Luís Palazzolo colocou à disposição considerável herança familiar, a fim de fundar escolas, orfanatos e aliviar misérias e sofrimentos. É próprio da santidade irradiar fé e despertar caridade, suscitando almas generosas na doa­ção à causa do bem. Aos poucos brotaram vocações de jovens que partilha­ram os anseios de serviço caridoso do Padre Luís. Na medida em que o ho­mem se doa à caridade, Deus dá incremento às obras. Forçado pelas circuns­tâncias, fundou uma instituição de religiosas dedicadas às obras assistenciais nos orfanatos, nos hospitais, nos asilos e escolas de orientação profissional.

                        Padre Luís dizia em sua humildade: “Eu só recolho os refugos dos outros, pois onde outras instituições podem fazer, o fazem muito melhor do que eu”.

                        Ele sabia formar suas irmãs a uma espiritualidade sólida, com grande espírito de sacrifício e abertura de caridade para com todas as emergências. Elas deviam sentir como São Paulo a força premente da “caridade de Cristo que nos impele” (2Cor 5,14).

                        A instituição do Padre Palazzolo tomou o nome de “Irmãs dos Pobres” e já na vida do fundador difundiu-se também em outras dioceses e regiões. Hoje são 1.200 e exercem sua caridade benéfica em muitas nações, inclusive nas missões africanas.

                        Desgastado em suas forças pela solicitude de suas múltiplas obras, Luís Palazzolo adormeceu em Cristo no dia 15 de junho de 1886, com 59 anos. Faz parte duma gloriosa tríade de sacerdotes apóstolos da caridade de nome Luís, beatificados nestes últimos 20 anos: Palazzolo, Guanella e Orione”

 
FONTE: CONTI, Servílio Dom. O Santo do dia. Petrópolis. Vozes: 2006. 712 páginas.

jun 08

O SANTO DA SEMANA – SÃO BARNABÉ, APÓSTOLO

SÃO BARNABÉ

 O SANTO DA SEMANA

          Todos os dias comemoram-se e festejam-se diversos santos. Homens e mulheres que, de algum modo especial, viveram e doaram suas vidas por amor ao Evangelho e ao próprio Cristo.

               Nesta SEGUNDA semana do mês de JUNHO de 2015 estamos reverenciando São Barnabé, Apóstolo, fiel ao Senhor, exemplo de evangelizador. Sobre ele, fomos buscar em Frei Alberto Beckhäuser os dados biográficos mais contundentes e capazes de seduzir a tantos quantos deles tomem conhecimento. Frei Alberto, com a sabedoria e didática peculiares e sempre lúcidas, assim fala sobre Barnabé:

 São Barnabé, apóstolo

 Memória obrigatória

 11 de junho

                         O Missal apresenta textos próprios para a sua memória. O Livro das Horas remete para a festa de São Marcos, dia 25 de abril. Tem, contudo, hinos, leitura patrística e antífonas dos cânticos evangélicos próprios. 

                       Nesta comemoração a Igreja realça em São Barnabé o grande evangelizador junto com São Paulo. Assim, na Liturgia Barnabé, como São Paulo recebe também o qualificativo de apóstolo, embora celebrado com memória obrigatória. 

                       Barnabé era levita, natural da ilha de Chipre. Ele é identificado com aquele José chamado pelos Apóstolos de Barnabé, que significa “filho da consolação” e que entregou aos Apóstolos aquilo que ganhara com a venda de seu campo (cf. At 4,36-37). Barnabé é caracterizado como homem virtuoso e cheio do Espírito Santo e de fé (cf. At 11,24). De Chipre foi para Antioquia, onde pregou o Evangelho com grande sucesso. Foi Barnabé que apresentou aos Apóstolos, o recém-convertido Paulo (cf. At 9,27). Com o mesmo Paulo foi missionar em Antioquia, onde os dois ficaram cerca de um ano. A Comunidade local encarregou os dois, figurando Barnabé em primeiro lugar, de levar a Jerusalém uma coleta feita em favor dos fiéis da Judeia (At 11,29-30). De Antioquia Barnabé e Paulo são enviados pela Comunidade para a missão entre os gentios. Juntos encetaram a primeira viagem apostólica (cf. At 13,13-14). Em 49, Barnabé e Paulo comparecem à reunião dos Apóstolos em Jerusalém, dando conta dos frutos de sua missão e das controvérsias surgidas a respeito das condições a se exigirem dos gentios convertidos a Cristo. Retornando a Antioquia, preparavam a segunda viagem missionária, quando se desentenderam por causa de Marcos, primo de Barnabé, que Paulo recusa levar junto por havê-los abandonado em Perge, por ocasião da primeira viagem. Daí por diante não se falar mais de Barnabé e Paulo trabalhando juntos. Continuaram sua ação evangelizadora em campos diferentes. Barnabé foi com Marcos para Chipre, sua terra (cf. At 15,36-40). Depois disso, não temos mais referências a Barnabé. 

                       A Antífona de Entrada da Missa caracteriza bem a personalidade de Barnabé: Feliz foi Barnabé, santo de Deus, que mereceu ser contado entre os Apóstolos. Era na verdade um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. Difícil é dizer mais a respeito de um discípulo de Cristo. A Oração do dia realça Barnabé como evangelizador das nações: Ó Deus, que designastes São Barnabé, cheio de fé e do Espírito Santo, para converter as nações, fazei que a vossa Igreja anuncie por palavras e atos o Evangelho de Cristo que ele proclamou intrepidamente. 

                       Barnabé é, com Paulo, o grande evangelizador na abertura da Igreja aos não judeus. Outra nota importante. Foi durante uma celebração litúrgica e a partir dela, por inspiração do Espírito Santo, que Barnabé e Paulo foram enviados à missão. Deste fato a Igreja pode aprender a unir intimamente o culto, a Liturgia em geral, com o apostolado e a missão.

FONTE: BECKHÄUSER, Alberto, OFM.  Os Santos na Liturgia – Testemunhas de Cristo. Petrópolis. Vozes: 2013. 391 páginas.

mai 31

O SANTO DA SEMANA – SÃO JUSTINO, MÁRTIR

SÃO JUSTINO

 O SANTO DA SEMANA -

SÃO JUSTINO, MÁRTIR -

01 DE JUNHO -

                         Todos os dias comemoram-se e festejam-se diversos santos. Homens e mulheres que, de algum modo especial, viveram e doaram suas vidas por amor ao Evangelho e ao próprio Cristo.

                        Nesta PRIMEIRA semana do mês de JUNHO de 2015 estamos reverenciando São Justino, Mártir, exemplo de homem e de cristão fiel ao Senhor, fiel até a morte. Sobre ele, fomos buscar em Frei Alberto Beckhäuser os dados biográficos mais contundentes e capazes de seduzir a tantos quantos deles tomem conhecimento. Frei Alberto, com a sabedoria e a didática que possui, com raciocínios e conclusões sempre lógicos e bastante lúcidos, assim fala sobre Justino: 

São Justino, mártir

Memória obrigatória

            “Justino nasceu no começo do século II em Nablus (Flávia Neápolis) na Palestina. Ele converteu-se ao cristianismo não pela pregação de missionários cristãos, mas através da busca pessoal da verdade. No Diálogo com o judeu Trifão, ele próprio diz que nasceu no paganismo e era devorado pela sede de verdade. Passou por várias escolas filosóficas, mas nenhuma lhe satisfazia o desejo da verdade. Por fim, um estranho velho, que seria um cristão judeu, o encontrou a meditar sozinho à beira do mar. Aquela cabeça branca despertou seu interesse pelas Sagradas Escrituras. Por esse caminho Justino encontrou a fé cristã e fez-se batizar. Continuou a cultivar a filosofia, agora iluminada pela fé em Jesus Cristo, o Salvador. 

            Como muitos outros filósofos, Justino transferiu-se para Roma, onde fundou uma “Escola de religião cristã”. Chegaram até nós três escritos de Justino: o Diálogo com o Judeu Trifão e duas Apologias em defesa dos cristãos perseguidos. É notável o que Justino escreve na primeira apologia sobre a celebração do Batismo (cf. n. 61), a fraternidade e a Eucaristia (cf. n. 65-66), a liturgia dominical do Dia do Senhor (cf. n. 67). Sua descrição da celebração da Eucaristia apresenta praticamente todos os elementos que hoje fazem parte do seu rito. No Diálogo com o Judeu Trifão, Justino apresenta belas considerações sobre a Eucaristia como sacrifício (cf. n. 41; 70; 116; 117). Estas obras foram escritas em defesa do cristianismo. Foi também um polemista. Mantinha acesas discussões com os filósofos pagãos, dentre os quais se destaca Crescêncio, que o teria delatado como cristão. Apreciava os filósofos antigos. Chegou a comparar os grandes filósofos da Grécia aos profetas de Israel e a afirmar que neles o Verbo Divino havia plantado sementes de verdade.

            Com os discípulos, Justino foi preso e levado à presença do Prefeito da cidade no tempo do imperador Marco Aurélio, provavelmente no ano de 165. Por não quererem renegar a fé mediante um sacrifício aos ídolos foram sentenciados. Emocionante é o diálogo entre Justino e o prefeito Rústico, descrito nas Atas do martírio e apresentado na leitura patrística do Ofício das Leituras. Consti­tui uma verdadeira profissão de fé cristológica e uma exposição da mística do martírio. No fim, a sentença do prefeito Rústico foi: “Os que não quiseram sa­crificar aos deuses e obedecer à ordem do imperador, depois de flagelados, sejam conduzidos para sofrer a pena capital, segundo a norma das leis”. “Glorificando a Deus, os santos mártires saíram para o local determinado, onde foram decapi­tados e consumaram o martírio proclamando a fé no Salvador”.

            A Liturgia da festa é muito forte. Mostra São Justino em busca da verdade e encontra a sabedoria em Jesus Cristo e com destemor e coragem professa a sua fé. A Antífona da entrada, diz: Os pagãos me contaram suas fábulas, mas nada valem perante a vossa lei. Diante dos reis falei de vossa aliança sem me envergonhar.

            A Oração coleta nos mostra o profundo conhecimento de Cristo pela lou­cura da cruz. Que possamos repelir os erros que nos cercam e permanecer firmes na fé. As outras orações fazem alusão ao mistério da Eucaristia.

            Na festa de São Justino a Igreja é colocada diante de um líder cristão leigo, pensador, defensor da fé e testemunha de Jesus Cristo, o Caminho, a Verdade e a Vida.

 

FONTE: BECKHÄUSER, Alberto, OFM.  Os Santos na Liturgia – Testemunhas de Cristo. Petrópolis. Vozes: 2013. 391 páginas.

mai 24

O SANTO DA SEMANA – SANTA JOANA D’ARC

 Joana D'Arc

O SANTO DA SEMANA

                         Todos os dias comemoram-se e festejam-se diversos santos. Homens e mulheres que, de algum modo especial, viveram e doaram suas vidas por amor ao Evangelho e ao próprio Cristo.

                        Nesta última semana do mês de maio de 2015 estamos reverenciando Santa Joana D’Arc, exemplo de ser humano, de cristã e de mulher, destemida e ardentemente fiel a Deus, à Pátria e à vida dedicada à missão divina que recebera do céu. Sobre ela, fomos buscar em Dom Servílio Conti os dados biográficos mais contundentes e capazes de seduzir a tantos quantos deles tomem conhecimento. Dom Servílio, com a sabedoria e didática que lhe eram peculiares assim fala sobre esta belíssima guerreira, líder e Mártir, conhecida como Joana D’Arc:

 SANTA JOANA D'ARC

 “A mais empolgante e quase inverossímil história de santos é, sem dúvida, a da Virgem Joana d’Are, a heroína de 19 anos, guerreira, sem nunca ter ferido alguém, comandante de exército e mártir da pátria e da fé. 

Sua vocação foi única na biografia cristã, pois teve a incrível tarefa de libertar sua pátria, a França, dos invasores ingleses e coroar o legítimo Rei Carlos VII, garantindo assim a independência dos franceses. 

Filha de pobres camponeses, Joana nasceu na Lorena, em 1412. Foi criada no meio rural, na simplicidade e inocência, na piedade e santo temor de Deus. Era analfabeta, usando como assinatura uma simples cruz. Na idade 15 anos, Deus a escolheu para experiências sobrenaturais. Apareciam-lhe amiúde o Arcanjo Miguel, as Santas Catarina e Margarida, a fim de prepará--la para a missão divina a que Deus a destinava. 

Tristíssima era a condição da França naqueles anos. Havia decênios, estava sendo invadida por exércitos ingleses, chefiados por Henrique VI que se arvorava o direito de conquistar o trono da França. Por toda parte semeava ruína e destruição.

As vozes angélicas exigiam de Joana que rechaçasse os usurpadores, reconquistasse a cidade de Orléans a fim de conseguir que Carlos VII fosse coroado em Reims, como legítimo rei da França. Tarefa aparentemente impossível para uma pobre, tímida e inexperiente donzela de 18 anos. Mas as vozes se tomaram cada vez mais insistentes, exigindo de Joana o mais pronto cumprimento da vontade de Deus. Enormes e quase insuperáveis foram as dificuldades que surgiram contra o plano de Joana. Mesmo assim a jovem conseguiu se apresentar ao Rei Carlos VII. O monarca providenciou para que se fizesse o mais severo inquérito sobre o comportamento e intenções de Joana e só aceitou sua mediação quando viu claramente o sinal divino.

Granjeada a plena confiança do rei e de seus conselheiros, Joana, montando num cavalo branco, revestida de armadura de aço, conforme o costume do tempo, segurando um estandarte com a cruz de Cristo e os santíssimos nomes de Jesus e Maria, chefiou militares e oficiais para a batalha decisiva contra os ingleses, sem nada conhecer de estratégia militar. Arrastados pelo fascínio sobrenatural de Joana, os militares deram batalha contra a cidade de Orléans, reconquistando-a das mãos dos ingleses. Os soldador acostumados à rude vida militar, viam em Joana um ser angélico, em cuja presença ninguém se atrevia a dizer ou praticar inconveniências. Ela conseguia manter a mais rigorosa disciplina. Reconquistada Orléans, rechaçados os inimigos, Joana acompanhou Carlos VII a Reims, a fim de que fosse oficialmente coroado rei da França. Esta delicada missão durou mais ou menos um ano, depois do qual ela desejou voltar para sua terra, ao seu campo. Mas o rei insistiu a fim de que continuasse a chefiar o exército na reconquista de Paris, em cuja missão, porém, não foi feliz. Ferida, caiu nas mãos dos adversários, que a entregaram às autoridades inglesas, a preço de ouro. Humilhada, torturada, tencionavam os inimigos induzi-la a negar sua missão divina, renegar suas visões. Tudo foi inútil. Então, intentaram um ridículo processo, em que uns sacerdotes renegados a condenaram como feiticeira, blasfema, herética. 

Foi condenada à fogueira. Era o dia 30 de maio de 1431. Na morte, Joana demonstrou sua grandeza de alma, sua firmeza e dignidade superioridade à idade e ao sexo. Faleceu repetindo os santíssimos nomes de Jesus e Maria. 

Vinte anos depois, os pais pediram ao papa a revisão do processo de  condenação de Joana. O Papa Calisto III autorizou uma comissão que, numa pesquisa serena e profunda, reconheceu a nulidade do processo por vício de forma e conteúdo. Joana D’Arc foi reabilitada na opinião pública, foram-lhe reconhecidas as virtudes heroicas e os Sinais de uma missão divina e foi proclamada Mártir da Pátria e da Fé. a França proclamou festa nacional, para o dia do martírio de Joana, 30 de maio, e a Igreja, mais tarde, a elevou às honras dos altares.”

 

FONTE: CONTI, Servílio Dom, IMC. O SANTO DO DIA. Petrópolis. Vozes: 2006 711 páginas.

mai 17

O SANTO DA SEMANA

Santa Rita de Cássia

 O SANTO DA SEMANA - 

 SANTA RITA DE CÁSSIA -

                         Todos os dias comemoram-se e festejam-se diversos santos. Homens e mulheres que, de algum modo especial, viveram e doaram suas vidas por amor ao Evangelho e ao próprio Cristo.

                        Julgamos conveniente não mais contar a vida de um ou dois santos a cada dia. Mas, em respeito ao Calendário Romano universal, decidimos apresentar, semanalmente, a vida de um santo ou santa, escolhido aleatoriamente dentre os que são comemorados e festejados pela comunidade dos fieis devotos.

                        Nesta terceira semana do mês, o destaque é para Santa Rita de Cássia, utilizando como fonte a obra de Frei Alberto Beckhäuser, ofm – “Os Santos na Liturgia – Testemunhos de Cristo”, editado pela Vozes-Petrópolis, em 2013, com 380 páginas. Sobre Santa Rita Frei Alberto ensina que:

 “Com a publicação da 3a edição típica do Missal romano, Santa Rita de Cássia voltou a constar do Calendário dos Santos celebrados na Igreja universal. 

O Missal remete para o Comum das Santas Mulheres: para religiosas. Tal indicação parece um tanto restritiva, pois Rita viveu também como esposa e o viúva. Apenas a Oração coleta é própria. 

Convém notar que os testemunhos sobre os quais se baseiam a história de Santa Rita, tal como nos é apresentada popularmente, não podem ser considerados inteiramente satisfatórios. 

Rita nasceu de um casal pobre em Roccaporena, Úmbria, Itália, em 1381, de pais bastante idosos que pediam a Deus para ter filho. Pelas preces fervorosas dos pais nasceu-lhes uma filha, que recebeu o nome de Rita. Herdou dos pais uma boa educação, fundada nos princípios da fé e da moral cristã. 

Rita teve uma vida muito atribulada de intensos sofrimentos. Seu ardente desejo era entrar na Ordem Agostiniana. Mas seus pais, levados por motivos ordem material e pelo orgulho de poder ter uma descendência desta sua filha única, tomaram uma atitude severa e inflexível diante do plano de Rita. Em obediência aos pais, ela contraiu matrimônio com o jovem Paulo Ferdinando, que no casamento logo mostrou seu caráter violento. O casamento durou dezoito anos e foi para ela verdadeiro caminho da cruz. O marido, além de infiel, dentro de casa um esposo grosseiro, impertinente, irascível, violento. No silêncio, pelas preces da esposa, o marido acabou se convertendo, mas pouco tempo depois foi assassinado. 

Rita ficou sozinha com dois filhos gêmeos que estavam seguindo o exemplo de violência do pai, querendo vingar a morte dele. Rita rezava por eles para que Deus mudasse o coração dos filhos ou os levasse. Realmente os filhos, acometidos por uma doença grave, morreram aos 14 anos de idade. 

Viúva e sem filhos, Rita procurou realizar o seu sonho de juventude. Bateu portas do Convento das Agostinianas em Cássia, que não aceitava viúvas. Só depois de muita insistência, conseguiu ser admitida. Lá ela levou uma vida consagrada regular em profunda obediência, em rigorosa penitência e contemplação. Meditava, sobretudo, a Paixão de Cristo, de tal modo que, diz a tradição, recebeu uma marca da agonia de Jesus em sua fronte. Por isso, ela é também representada com um crucifixo. 

Só Deus sabe o que sofreu esta esposa e mãe, mas também só ele pode medir a fé, a paciência heroica desta mulher. Talvez seja por esta razão que Santa Rita é chamada “Santa das Causas Impossíveis” e é protetora absoluta das esposas e mães que se angustiam pelos maus-tratos dos esposos. Faleceu Cássia no dia 22 de maio de 1457. 

Seu culto é um dos mais populares no mundo inteiro, inclusive no Brasil. A Oração coleta recorda, particularmente, a sabedoria da cruz, a paciência e a fortaleza nos sofrimentos de Santa Rita: Concedei-nos, Senhor, a sabedoria da cruz e a fortaleza com que enriquecestes Santa Rita para que, sofrendo com Cristo na tribulação, possamos participar mais intensamente do seu mistério pascal.

 
FONTE: BECKHÄUSER, Alberto Frei. OS SANTOS NA LITURGIA – Testemunhos de Cristo. Petrópolis. Vozes: 2013 380 páginas.

mai 11

O SANTO DA SEMANA – 11 A 17 DE MAIO

 Fátima, para o blog - 2

O SANTO DA SEMANA -

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA -

               Todos os dias comemoram-se e festejam-se diversos santos. Homens e mulheres que, de algum modo especial, viveram e doaram suas vidas por amor ao Evangelho e ao próprio Cristo.

                     Julgamos conveniente não mais contar a vida de um ou dois santos a cada dia. Mas, em respeito ao Calendário Romano universal, decidimos apresentar, semanalmente, a vida de um santo ou santa, escolhido aleatoriamente dentre os que são comemorados e festejados pela comunidade dos fieis devotos. 

                      Nesta segunda semana do mês, como não poderia deixar de ser, estamos rendendo todas as nossas homenagens à Virgem de Fátima, que tantas alegrias nos tem dado e tantas graças nos alcançado junto ao seu Filho Jesus. Sobre esta data tão especial, fomos buscar no saudoso Dom Servílio Conti, IMC, as pérolas de uma verdadeira recordação. Sobre Fátima, Dom Servílio recorda-nos que:

MAIO

ANIVERSÁRIO DA 1ª APARIÇÃO DE N.S. DE FÁTIMA

"Nosso pensamento vai hoje a um dos fatos mais marcantes da vida religiosa do século XX: a aparição de Nossa Senhora, em Fátima. Aos 13 maio de 1917, a Virgem apareceu numa pequena aldeia de Portugal, chamada Fátima. Era domingo. Três crianças costumavam todos os dias levar pastar as poucas ovelhas da família. Crianças inocentes, pobres, analfabetas, mas já iniciadas na fé e devoção a Nossa Senhora.

 Alternando seu tempo com folguedos e orações, enquanto davam umas olhadelas às ovelhas para que não invadissem terrenos cultivados, eis que pelo meio-dia, num céu sem nuvens foram assustadas por relâmpagos e depois notaram uma forte luz. Sobre uma arvorezinha de azinheira aparecia uma Senhora mais brilhante que o sol, branca no vestido, mãos postas a peito donde pendia um rosário. Seu rosto era levemente triste. E a Senhora lhe diz: “Não tenhais medo, não quero fazer-vos nenhum mal”.

Lúcia, a maior das videntes, de dez anos de idade, se atreve a fazer umas perguntas: quem ela era, o que queria, etc. e assim travou-se um pequeno diálogo entre a Virgem e ela.

 A Mensagem de Nossa Senhora iria se completar progressivamente nas aparições posteriores, no dia 13 de cada mês, até outubro, e pode ser resumida nas seguintes palavras:

1)        Maria sente-se preocupada com o crescer do mal, dos pecados da sociedade, sobretudo da imoralidade e indiferença religiosa que levam tantos pecadores ao inferno e são causa de tantos males sociais, inclusive, guerras e perseguições, etc.          

 2)        Maria pede nossa colaboração para a paz do mundo (pois era o tempo da Primeira Guerra Mundial) e para conversão dos pecadores. Para isso: exige de nós conversão autêntica de nossa vida a Cristo; sugere a oração fervorosa como poderoso meio de obter o perdão de Deus e recomenda sobretudo, a reza do terço todos os dias, possivelmente nas famílias; Nossa Senhora sugere a famosa jaculatória a ser intercalada nos mistérios do Terço: “Ó Jesus, perdoai nossos pecados, preservai-nos do fogo do inferno; levai as almas todas para o Céu, particularmente as que mais precisarem vossa misericórdia”.

Nossa Senhora exorta à penitência, à mortificação e aos sacrifícios, a fim de obter a conversão dos pecadores e a paz do mundo; enfim, pede a consagração de cada um de nós e da própria sociedade ao seu Coração Imaculado aconselhando a comunhão reparadora todos os primeiros sábados do mês.

As aparições de Nossa Senhora em Fátima, após diligente e  rigoroso exame dos fatos, tiveram o reconhecimento oficial da Igreja. Os Papas Paulo VI e João Paulo II afiançaram a Mensagem de Nossa Senhora com a própria visita solene a Fátima. O primeiro em 1967, por ocasião do Jubileu de Ouro das Aparições, o segundo em maio de 1982, renovando, após 40 anos, a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria.

Lúcia passa seus dias no silêncio do claustro, entregue à oração, à penitência e ao trabalho. As outras duas crianças: Jacinta e Francisco, faleceram poucos anos depois das aparições, passando pela purificação dos sofrimentos, conforme a predição de Nossa Senhora.

Fátima é e ficará sendo um dos maiores centros de espiritualidade mariana, continuando a pregar ao mundo a necessidade da conversão e da oração."

FONTE: CONTI, Servílio Dom. O Santo do Dia.  10ª edição. Petrópolis. Vozes: 2006. Páginas 256/258.

mai 03

O SANTO DA SEMANA – 03 A 09 DE MAIO DE 2015

 

 são filipe

O SANTO DA SEMANA

                         Todos os dias comemoram-se e festejam-se diversos santos. Homens e mulheres que, de algum modo especial, viveram e doaram suas vidas por amor ao Evangelho e ao próprio Cristo.

                        Julgamos conveniente não mais contar a vida de um ou dois santos a cada dia. Mas, em respeito ao Calendário Romano universal, e prestigiando o trabalho realizado por Frei Alberto Beckhäuser, no livro “Os Santos na Liturgia – Testemunhas de Cristo” (Vozes, 2013), decidimos apresentar, semanalmente, a vida de um santo ou santa, escolhido aleatoriamente dentre os que são comemorados como solenidade, festa, memória obrigatória e memória facultativa. 

                        Nesta primeira semana do mês, estamos apresentando São Filipe e São Tiago Menor (Apóstolos) como o escolhidos.

"SÃO FILIPE E SÃO TIAGO (MENOR), APÓSTOLOS

 3 de maio

 Festa

 A Festa tem textos próprios para a Missa. Na Liturgia das Horas temos um hino para o Ofício das Leituras e antífonas próprias nas Laudes e nas Véspe­ras. No mais se remete ao Comum dos Apóstolos, no Tempo pascal. Filipe e Tiago são comemorados juntos porque, segundo uma tradição, suas relíquias foram colocadas sob o altar da basílica dos Doze Apóstolos em Roma no dia de sua dedicação, a Io de maio de 565.

Filipe de Betsaida, cidade de Pedro e André, seguiu a Jesus como o Messias anunciado pelas Escrituras e dele comunicou a fé a Natanael (cf. Jo 1,43-48 ’. Os Evangelhos mostram que Filipe era uma espécie de relações públicas entre os Apóstolos. Filipe serviu de intermediário de alguns gregos que queriam falar com Jesus (cf. Jo 12,20-21). Neste episódio teve como companheiro André, irmão de Simão Pedro. Interessante notar que os dois têm nome grego, o que. certamente, facilitava a comunicação. Na multiplicação dos pães é ele que se dirige a Jesus, expondo-lhe o problema da falta de alimentos para o povo e é ainda ele que calcula os gastos que importaria a compra de pão para os ouvintes de Jesus (cf. Jo 6,5-7). Ainda segundo o Evangelho de São João, é Filipe que, não entendendo o mistério da relação de Jesus com o Pai, lhe diz: “Senhor, mostra-nos o Pai” (Jo 14,8). Da vida e atividade de Filipe após a ascensão do Senhor pouco se sabe. Às vezes, ele é confundido com o diácono Filipe. Afirma-se que ele morreu, na Frísia, de morte natural; outra tradição diz que morreu mártir.

Tiago de Alfeu. O Novo Testamento menciona dois Apóstolos com o nome de Tiago. Um deles é o filho de Zebedeu e irmão do apóstolo João, cuja festa ocorre no dia 25 de julho. Este é denominado Tiago Maior. O Tiago Menor é chamado filho de Alfeu. Seria este o apóstolo chamado de irmão do Senhor, parente de Jesus. Os exegetas hoje são quase unânimes em afirmar que houve um terceiro Tiago, aquele que tinha muita influência em Jerusalém. Este seria o irmão do Senhor. Na Liturgia não se faz esta distinção. Tiago, filho de Alfeu (cf. Mt 10,3), denominado “Menor” (cf. Mc 15,40), era parente do Senhor e foi chefe da comunidade eclesial de Jerusalém (At 12,17; 15,13-21; G1 1,19). 

Tiago teria morrido apedrejado no ano de 62 da era cristã. O Novo Testamento traz uma carta com o seu nome.

 Seja como for, neste dia a Igreja festeja os Apóstolos Filipe e Tiago Menor. Além do mistério revelado por todos os Apóstolos, o testemunho de Cristo, os enviados a evangelizar o mundo, os fundamentos da Igreja de Cristo, cada um dos Apóstolos hoje comemorados, apresenta também uma mensagem particular própria de cada apóstolo. Filipe, o Apóstolo que atende ao chamado de Cristo e logo se torna mensageiro; que encaminha as pessoas a verem Jesus; que se interessa pelos pães e peixes para saciar a fome do povo. Tiago deve ser visto como pastor da Igreja de Jerusalém, que também se interessa pelas Igrejas de outras regiões, escrevendo-lhes uma carta. Ele nos ensina que devemos ser cumpridores da palavra e não meros ouvintes (cf. Tg 1,22) e que a fé sem as obras é morta (cf. Tg 2,26). Temos ainda dele o relato de como os cristãos devem tratar dos doentes. 

Os dois Apóstolos souberam participar da paixão e ressurreição de Cristo e puderam ver eternamente a sua face, como Filipe ajudou as pessoas a verem a face de Jesus neste mundo, como ele pediu a Jesus que lhe mostrasse o Pai. 

A mensagem própria de Filipe vem bem expressa na Antífona da Comunhão: Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta. Filipe, quem me vê, vê o Pai. E é completada na Oração depois da Comunhão: Purificai, ó Deus, os nossos corações pela participação nesta Eucaristia, para que, contemplando-vos em vosso Filho, com São Filipe e São Tiago, mereçamos a vida eterna. 

A mensagem própria de São Tiago Menor está bem expressa na Oração sobre as oferendas: Recebei, ó Deus, as oferendas que vos apresentamos na festa dos Apóstolos São Filipe e São Tiago; e dai-nos a graça de praticar uma religião pura e imaculada."

FONTE: BECKHÄUSER, Alberto Frei, Ofm. Os Santos na Liturgia – Testemunhas de Cristo. Petrópolis. Editora Vozes. 2013. Páginas 110/111.

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