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Sementes de vida, ������© tempo de semear

Arquivo por categoria: REFLETINDO SOBRE A PALAVRA

dez 31

O MENINO CRESCIA EM SABEDORIA

sagrada família - 5

SAGRADA FAMÍLIA: O MENINO SANTO E SEUS PAIS TERRENOS –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO DO DIA: “O Deus de bondade, que nos destes a Sagrada Família como exemplo, concedei-nos imitar em nossos lares as suas virtudes, para que, unidos pelos laços do amor, possamos chegar um dia às alegrias da vossa casa”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Eclo 3,3-7.14-17ª

Quem teme o Senhor, honra seus pais.

Com sabedoria a Igreja introduziu a Festa da Sagrada Família após o Natal do Senhor. A Sagrada Família neste ano é comemorada no domingo, dia 31/12. No Natal celebramos o nascimento do Filho de Deus, que assumiu em tudo nossa humanidade, menos o pecado. No Menino Jesus, Deus começa, de modo visível, a fazer parte da família humana. O Criador, que nos fez à sua “imagem e semelhança”, assume nossa frágil condição humana. Entrou na família humana para que nós pudéssemos participar de sua divindade, como filhos e filhas de Deus. Muito cedo os cristãos começaram a se interessar pela Sagrada Família de Nazaré. O apóstolo Paulo (54 d.C.), na Carta aos Gálatas, assim escreve: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher e sob a Lei (...), a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”. Entre os anos 70 e 85, Mateus e Lucas introduzem seus Evangelhos com a narrativa sobre a origem humano-divina de Jesus Cristo, respondendo à pergunta que muitos cristãos se faziam a respeito da família de Jesus.

Na liturgia de hoje, a primeira leitura nos mostra quais eram as virtudes recomendadas pelo judaísmo, para uma vida familiar feliz e equilibrada. O texto hoje lido é do livro do Eclesiástico, um livro sapiencial escrito pelo ano 200 a.C. Recolhe conselhos sábios, vividos durante séculos no judaísmo e em outros povos. Inicialmente, o texto dirige-se aos filhos, estabelecendo princípios e dando motivações para um bom relacionamento com os pais (3,3-7). Já no início, o texto dá a chave de leitura do que segue: “Deus honra o pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe” (v. 3). Em outras palavras, quando os filhos honram e respeitam os pais estão fazendo a vontade de Deus; como podemos dizer que honramos e respeitamos a Deus, que é nosso Pai e Criador, se não honramos nem respeitamos os pais, que nos deram a vida? Seguem as motivações: Quem honra o pai recebe o perdão dos pecados e evita de cometer de novo; por cima, quando orar a Deus, será atendida sua oração. Quem respeita a mãe ajunta tesouros; provavelmente, os tesouros do amor. Terá a alegria com seus filhos, terá uma vida longa e deixará sua mãe feliz. Na continuação (v. 14-17), vem os conselhos, talvez mais exigentes, do respeito, amparo e amor, que os filhos devem aos pais idosos. Muito oportunos são os conselhos da primeira leitura para os tempos que estamos vivendo...

SALMO RESPONSORIAL: Sl 127

Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos.

2. SEGUNDA LEITURA: Cl 3,12-21

A vida da família no Senhor.

Paulo nunca visitou a comunidade de Colossos, fundada por Epafras e formada, sobretudo, por pagãos convertidos. O próprio Epafras é um convertido de Paulo em Éfeso (1,7) e lhe trouxe informações de Colossos. Paulo estava preso em Éfeso e foi informado por Epafras que reinava certo sincretismo religioso na comunidade. À luz destas informações, vistas como ameaçava à fé cristã, Paulo ditou a carta e, ao final, assinou-a de próprio punho (4,18). No trecho que nos foi lido hoje, Paulo insiste no amor de Deus que deve unir a comunidade e as famílias. Lembra aos colossenses que são amados por Deus, são seus escolhidos para serem santos. Como tais, são revestidos por Cristo para viver a misericórdia, a bondade, a humildade, a mansidão e a paciência, perdoando uns aos outros “como o Senhor os perdoou”. Vivendo unidos pela mesma fé, os cristãos formam um só corpo em Cristo. Quando a palavra de Cristo habita nos corações dos fiéis eles admoestam-se uns aos outros com sabedoria e, juntos, louvam a Deus com hinos, salmos, cânticos espirituais e de ação de graças. Por fim, Paulo se volta à pequena comunidade da família: a mulher cuide bem do marido e o marido trate sua esposa com delicadeza e com amor. Os filhos obedeçam aos pais e os pais os eduquem com firmeza e ternura.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Que a paz de Cristo reine em vossos corações

e ricamente habite em vós sua palavra!

3. EVANGELHO: Lc 2,22-40

O menino crescia cheio de sabedoria.

O menino nascido em Belém foi circuncidado no oitavo dia do nascimento, quando recebeu o nome de Jesus (Festa de 1º de janeiro). A mãe devia passar mais 33 dias para a purificação após o parto. Cumpridos os quarenta dias, José e Maria levam o menino ao Templo para apresentá-lo ao Senhor e cumprir os ritos previstos na Lei. Segundo a Lei, todo o primogênito todo o menino pertencia ao Senhor e devia ser resgatado por um sacrifício cruento. Quando o casal era pobre bastava oferecer um par de rolas ou dois pombinhos. Foi o que Maria e José fizeram. Havia ali um velhinho muito piedoso, chamado Simeão. Inspirado pelo Espírito Santo, ele dizia que não morreria antes de ver o Messias Salvador, a “Consolação de Israel”. Quando Simeão viu José e Maria com o menino, louvou a Deus e disse: “Agora, ó Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz”. - Na Anunciação, o Anjo Gabriel comunicava a Maria quem seria o filho que iria conceber: Filho do Altíssimo, filho de Davi (Messias prometido) e Filho de Deus. Agora, Simeão louva o Senhor e reconhece que a promessa de ver o Salvador se cumpria antes de ele morrer. Cumpria-se também a promessa ao povo de Israel, porque nasceu “a luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”. Maria e José ficaram admirados com as palavras de Simeão, que diz a Maria: O menino “será um sinal de contradição” e Maria haveria de sofrer por causa disso: “uma espada te traspassará tua alma”. Na ocasião, uma mulher chamada Ana, também se aproximou e começou a louva a Deus e falar “a todos a todos que esperavam a libertação de Israel”. Uma pergunta: São os pais que determinam o que serão os filhos?

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.
 

dez 25

NATAL DE 2017

Maria, Mãe de Deus

NATAL DE 2017 – DIA 25

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, que admiravelmente criastes o ser humano e mais admiravelmente restabelecestes a sua dignidade, dai-nos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade”.

PRIMEIRA LEITURA: Is 52,7-10

Os confins da terra contemplaram

a salvação que vem do nosso Deus.

Os reis de Israel e de Judá não conseguiram trazer a salvação ao povo. Em consequência, o reino de Israel foi destruído pelos assírios e boa parte de sua população, levada para o exílio, ao norte da Assíria (772 a.C.). O mesmo aconteceu entre 597 e 585 a.C, com o reino de Judá, cuja população foi levada ao exílio pelo novo dominador, o rei de Babilônia. Os profetas Jeremias, Ezequiel e os autores deuteronomistas interpretam o dramático fim dos reinos de Israel e de Judá, como punição divina pelas infidelidades e crimes cometidos pelos governantes dos dois reinos. Passada uma geração no exílio, os discípulos do profeta Isaías, à luz da fé em Javé, Deus de Israel e de Judá, leem os novos acontecimentos políticos de seu tempo: O domínio dos babilônios agonizava e um novo domínio surgia, o do Império persa. Estes profetas erguem então sua voz, em meio ao desânimo dos exilados, e levantam a bandeira da esperança. Agora, nosso Deus vai por um fim à dominação de Babilônia. Ciro, rei dos persas, será o instrumento nas mãos de Deus para punir os cruéis babilônios e executar o seu plano de salvação. Deus mesmo vai consolar o seu povo sofredor. Vai trazer seu povo de volta à sua terra e as ruínas de Jerusalém serão reconstruídas. Então, todas as nações saberão que “a salvação vem do nosso Deus”.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 97

Os confins do universo contemplaram

a salvação do nosso Deus.

2. SEGUNDA LEITURA: Hb 1,1-6

Deus falou-nos por meio de seu Filho.

Na revelação cristã, Deus não é um ser solitário. Deus é comunhão de três pessoas: Pai, filho e Espírito santo. Deus é Amor. É Amor que se comunica “dentro de si” mesmo. Deus é Amor que se expande para “fora” de si mesmo, enquanto cria o universo, cria todos os seres vivos de nosso planeta Terra. Cria o ser humano à sua imagem e semelhança, comunica-se com ele e o convida a entrar na comunhão de seu amor. No passado – diz o autor da Carta aos Hebreus – Deus se comunicava com seu povo por meio dos profetas. Por meio deles exortava o povo à fidelidade, à conversão e lhe anunciava a salvação. Agora, Deus se comunica conosco por meio de seu Filho, o herdeiro de todas as coisas, o criador do universo e o esplendor de sua glória. Pelo poder de sua palavra sustenta o universo e nos purifica dos pecados. Como filho de Deus, o cristão deve ser o reflexo de Cristo, que é “o esplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser” (v. 3). Em Jesus Cristo cumpre-se a promessa feita a Davi: “Eu serei para ele um pai, e ele será para mim um filho” (2Sm 7,14). O Filho de Deus, ao assumir no seio da Virgem Maria a “carne” humana, tornou-se nosso irmão. O autor de Hebreus afirma isso muito bem: “Por isso, Jesus não se envergonha de chamá-los de irmãos” (2,11). Que maravilha! Deus que nos criou se fez nosso irmão! Vinde, adoremos!

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Despontou o santo dia para nós:

Ó nações, vinde adorar o Senhor Deus,

porque hoje grande luz brilhou na terra!

1. EVANGELHO: Jo 1,1-18

A Palavra se fez carne e habitou entre nós.

Deus é Amor, é comunicação. No passado Deus se comunicava com seu povo pelos profetas. Agora se comunica conosco pelo seu próprio Filho, a Palavra feita carne. A Palavra, no princípio, estava junto de Deus (v. 1-2), era o próprio Deus, que amor-comunicação. Deus, que é amor-comunicação, se expande para “fora” de si mesmo como criador do universo. Por Jesus, a Palavra feita carne, tudo foi feito (v. 3) e agora são dadas a graça e a verdade (v. 17). Na Palavra estava a vida e a vida era a luz dos homens, luz que brilha em meio às trevas (v. 4-5). Ela é a Luz que veio a este mundo. Há os que rejeitaram esta Luz (v. 5.9-11). Mas a nós que cremos e a recebemos, nos é dada a plenitude da graça (v. 16), nos é dado o poder de nos tornarmos filhos de Deus (v. 12). Tudo aconteceu porque a Palavra, o Filho de Deus, “se fez carne e habitou entre nós” (v. 14). Louvemos a nosso Deus que assumiu a fragilidade de nossa carne, para fazer em nós a sua morada!

Oração pós-comunhão: “Ó Deus de misericórdia, que o Salvador do mundo hoje nascido, como nos fez nascer para a vida divina, nos conceda também sua imortalidade”.

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

dez 24

NOITE DE NATAL

LITURGIA DO DIA DE NATAL

NOITE DE NATAL –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm

ORAÇÃO: Ó Deus que fizestes resplandecer esta noite com a claridade da verdadeira luz, concedei que, tendo vislumbrado na terra este mistério, possamos gozar no céu sua plenitude.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 9,1-6

Foi-nos dado um filho.

Boa parte da população da Galileia tinha sido deportada pela Assíria, quando Isaías pronuncia estas palavras cheias de esperança e de uma salvação já próxima. Ele já vê a situação de trevas e sombras da morte transformando-se em Luz e felicidade. Três são os motivos de tanta alegria: 1. Deus vai intervir em favor de seu povo e porá um fim à dominação estrangeira; 2. Não haverá mais guerra nem derramamento de sangue; 3. Já nasceu o menino que será entronizando como novo rei, trazendo paz e alegria para todos. Seu nome será Emanuel, “Deus conosco” (Is 7,14). Será por meio de um menino, diz o Profeta, que Deus salvará o seu povo do domínio mundial do Império Assírio.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 95

Hoje nasceu para nós o Salvador, que é Cristo, o Senhor!

2. SEGUNDA LEITURA: Tt 2,11-14

Manifestou-se a bondade de Deus para toda a humanidade.

Na Carta a Tito Paulo lembra que em Cristo se manifestou a graça de Deus que trouxe a salvação não só para os judeus, mas para todos os homens. Essa graça se manifestou porque o Filho de Deus encarnado se entregou por nós, para nos resgatar do mal, para que pratiquemos o bem. Vivendo a justiça e a piedade, devemos esperar com alegria a manifestação gloriosa da segunda vinda de Cristo. Pela nossa vida devemos mostrar para todos como Deus é bom.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Eu vos trago a boa nova de uma grande alegria:

É que hoje vos nasceu o Salvador, Cristo, o Senhor.

3. EVANGELHO: Lc 2,1-14

Hoje, nasceu para vós um Salvador.

Lucas situa o nascimento de Jesus no contexto da história política do Império Romano: O Imperador César Augusto manda fazer um censo de todos os súditos, sendo Quirino o Governador da Síria. Mas o evento histórico do nascimento do Filho de Deus, o Messias esperado, não acontece nem em Roma, nem em Jerusalém. Acontece na periferia de uma pequena vila, Belém de Judá, “cidade de Davi”, do qual Jesus é descendente, por meio José. Jesus não nasce num palácio, nem mesmo numa casa, mas num simples estábulo, abrigo de animais. Os primeiros que visitam o menino recém-nascido não são as altas autoridades civis ou religiosas, nem os ricos, mas simples pastores. A eles, envolvidos por uma esplêndida Luz, o Anjo diz: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor”. O evangelista quer deixar claro quem são os beneficiários preferidos da salvação divina: “Os homens por Ele amados” são os marginalizados da sociedade de então: coxos, cegos, estropiados e pastores desprezados. Mas Lucas quis mostrar também que, nascendo entre os marginalizados, Jesus é o salvador de toda a humanidade. A salvação que Ele traz não exclui a ninguém, porque todos os homens, criados à sua imagem e semelhança “são por ele amados”.

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

dez 17

EXULTO DE ALEGRIA NO SENHOR

LUDOVICO GARMUS

3º DOMINGO DO ADVENTO – VOZ QUE CLAMA NO DESERTO –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus de bondade, que vedes o vosso povo esperando fervoroso o natal do Senhor, dai chegarmos às alegrias da salvação e celebrá-las sempre com intenso júbilo na solene liturgia”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 61,1-2a.10-11

Exulto de alegria no Senhor

O anúncio cheio de esperança deste profeta anônimo foi dado quando os exilados retornaram da Babilônia. O profeta de Is 61 (3º Isaías) tem a experiência do Espírito e se considera um ungido, uma pessoa escolhida pelo Senhor para anunciar a boa-nova (evangelho) aos pobres. Esta missão se desdobrava em três ações: a) curar as feridas da alma; b) pregar a redenção para os cativos e a liberdade aos que estavam presos, em geral por dívidas; c) e proclamar o tempo da graça do Senhor. As feridas da alma são as que mais doem: Israel era um povo humilhado, oprimido pelos dominadores, uma sociedade dividida, com os laços de fraternidade rompidos. Havia muita gente presa, especialmente os empobrecidos por não conseguirem pagar suas dívidas e, por isso, perderam suas terras e até a família. Havia um conflito entre a população local que não foi para o exílio e os que voltaram do exílio. Era preciso restaurar a lei do perdão das dívidas (ano da graça), quando cada um podia voltar à sua propriedade, confiscada por dívidas (Lv 25) e recuperar a liberdade. Era preciso recompor a comunidade do povo de Deus. Com a mensagem de Is 61 Jesus explica sua ação missionária aos conterrâneos de Nazaré, donde é expulso (Lc 4,16-30). Como o profeta de Is 61 também Jesus é impulsionado pelo Espírito do Senhor (cf. Lc 3,21-22; 4,1.16-21) e trouxe uma alegre notícia para os pobres, humilhados e sofredores.

SALMO RESPONSORIAL: Lc 1,46-48.49-50.53-54

A minha alma se alegra no meu Deus.

2. SEGUNDA LEITURA: 1Ts 5,16-24

Vosso espírito, vossa alma e vosso corpo

sejam conservados para a vinda do Senhor.

As palavras de Paulo fazem parte de uma grande ação de graças pelo fato de os cristãos serem participantes da salvação integral (espírito, alma, corpo), trazida por Cristo. A Carta de Paulo aos Tessalonicenses respira a esperança da próxima vinda de Cristo (2ª vinda). O que fazer enquanto esperamos a vinda do Senhor? – rezar e agradecer continuamente a Deus; não criar obstáculos à ação do Espírito em nós; esperar o Senhor com grande alegria. Paulo pede que Deus santifique os cristãos em tudo que são (espírito, alma e corpo) e os conserve sem mancha para a vinda do Senhor. Porque “aquele que vos chamou é fiel; ele mesmo realizará isso”. Os conselhos continuam válidos para nós, que vivemos entre a primeira vinda de Cristo (Natal) e a segunda vinda, no fim dos tempos.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Is 61,1 (Lc 4,18)

O Espírito do Senhor sobre mim fez a sua unção,

enviou-me aos empobrecidos a fazer feliz proclamação.

3. EVANGELHO: Jo 1,6-8.19-28

No meio de vós está aquele que vós não conheceis.

João Batista, o precursor de Jesus, tinha os seus discípulos. Um dia os discípulos de João perguntam a Jesus: “Por que nós e os fariseus jejuamos... e os teus discípulos não jejuam?” (Mt 9,14). E muitos pensavam que João Batista fosse o Messias esperado por Israel. Por isso os fariseus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar a João quem ele era, se era o Messias, o profeta Elias, que devia voltar, ou algum profeta. João negou tudo e declarou: “Eu sou a voz que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor!” O Evangelho de hoje explica que a missão de João era a de ser testemunha da verdadeira Luz (o Messias esperado), que era Jesus, “para que todos chegassem à fé por meio dele”. E para as autoridades de Jerusalém, que o questionavam por estar batizando, disse: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis”. Sim, o Messias tão esperado já estava presente, no meio do povo; era ainda desconhecido, mas já causava uma grande alegria. E a missão do Batista era apenas a de alertar o povo para que preparasse o caminho do Senhor, porque a grande Luz que já estava brilhando. – Na aclamação ao Evangelho o próprio Jesus se apresenta como o Ungido pelo Espírito do Senhor para anunciar a boa-nova aos pobres.

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

dez 10

PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR

LUDOVICO GARMUS

2º DOMINGO DO ADVENTO – PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR!

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus todo-poderoso e cheio de misericórdia, nós vos pedimos que nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro do vosso Filho, mas, instruídos pela vossa sabedoria participemos da plenitude de sua vida”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 40,1-5.8-9

Preparai o caminho do Senhor.

Com a leitura que hoje ouvimos começa o chamado “Livro da Consolação”, isto é a segunda parte do Profeta Isaías (Is 40–55). Um discípulo de Isaías fala agora em Babilônia, pelo final do exílio (587–538 aC). Os profetas anteriores (Am, Os, Is, Jr e Ez) denunciavam o pecado e anunciavam o castigo. Agora a palavra de ordem é: “consolai o meu povo... porque recebeu... em dobro por todos os seus pecados. A palavra é dirigida aos que estavam no exílio e para Jerusalém. Deus parecia ter esquecido Jerusalém no meio das ruínas: “Mas Sião reclama: ‘O Senhor me abandonou, meu Deus me esqueceu” (Is 49,14). Neste contexto, em Babilônia, uma voz profética se levanta e grita aos exilados: “Preparai no deserto o caminho do Senhor”, um caminho reto e plano para que Deus possa reconduzir seu povo a Jerusalém. “Ele vem com poder”, não com o poder de um general à frente de seu exército, mas com o domínio de um pastor sobre seu rebanho. Ele reunirá as ovelhas dispersas por culpa de maus pastores (cf. Ez 34,1-24). O Senhor como um pastor cuidará com carinho maternal de suas ovelhas; levará ao colo os cordeirinhos, conduzindo mansamente as ovelhas mães, promessas de vida. O profeta deve anunciar a boa-nova também em Sião. Jerusalém deve estar preparada para receber festivamente as ovelhas conduzidas pelo próprio Deus-Pastor: “Eis o vosso Deus”. O Deus-Pastor é boa-nova, o evangelho que esperamos. No Advento esperamos com alegria o nascimento do Filho de Deus. Como estamos nos preparando? Que montes ou colinas devemos rebaixar e que vales precisamos nivelar?

SALMO RESPONSORIAL: Sl 84

Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade,

e a vossa salvação nos concedei!

2. SEGUNDA LEITURA: 2Pd 3,8-14

O que nós esperamos,

são novos céus e uma nova terra.

Pedro, na sua carta, adverte os cristãos de seu tempo, e a nós, sobre o foco principal em nossa vida, que é o encontro com o Senhor que vem. O tema é, portanto, a 2ª vinda do Senhor. Ela ainda não aconteceu porque o Senhor é paciente e está dando um tempo para a nossa conversão. Lembremos que, no domingo passado, na parábola do patrão que se ausentou sem marcar a data do retorno, deu tarefas a cada empregado e mandou o porteiro vigiar. A palavra “vigiar” é agora trocada pelas palavras “converter-se”, “esperar” com ansiedade, “para que ele nos encontre numa vida pura, sem mancha e em paz”. Esse é o caminho que devemos preparar entre a primeira e a segunda vinda do Senhor.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas.

Toda a carne há de ver a salvação de nosso Deus.

3. EVANGELHO: Mc 1,1-8

Endireitai as estradas do Senhor.

A temática do evangelho deste domingo está voltada para a primeira vinda do Senhor, mais precisamente, para a atividade de João Batista. “Endireitai as estradas do Senhor” é o lema do profeta Isaías, em Babilônia, que agora João retoma. Não se trata de endireitar uma estrada física, mas de entrar no caminho sinalizado pelo ”batismo de conversão para o perdão dos pecados”, para que “nada nos impeça de correr ao encontro do Filho de Deus” (oração). Aquele pastor prometido pelo Profeta está próximo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu... Ele vos batizará com o Espírito Santo”; ele é o pastor que reúne seu rebanho, carrega os cordeirinhos em seus braços e tange as ovelhas (1ª leitura). O caminho para correr ao encontro do Salvador que vem, é o caminho da conversão e do perdão dos pecados. Então, sim, Ele nos mostrará a sua bondade e nos concederá a sua salvação (Salmo responsorial).

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.
 

nov 19

OS TALENTOS DE CADA UM

LUDOVICO GARMUS

33º DOMINGO DO TEMPO COMUM – TODOS NÓS RECEBEMOS OS TALENTOS –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Senhor nosso Deus fazei que nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa, servindo a vós, o criador de todas as coisas”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Pr 31,10-13.19-20.30-31

Com habilidade trabalham as suas mãos.

O livro dos Provérbios, em vários capítulos, simboliza a Sabedoria na figura da mulher. No último capítulo louva a mulher real, que teme a Deus. A primeira leitura de hoje, dos 21 versos que compõe o poema, extrai 7 versos, suficientes para exaltar a mulher que faz valer seus talentos, como serviço de amor ao seu maridos, aos filhos, aos empregados e empregadas e até mesmo aos pobres e necessitados. Por isso, o poema exalta não tanto na beleza da mulher, mas os talentos e habilidade de suas mãos operosas. Ela compra a lã e o linho e o trabalha com sua mão. Como a tecelã estende a mão para a roca e com os dedos segura o fuso. Com o trabalho de suas mãos veste a si mesmo, veste o marido, os filhos e empregados, e pode estender as mesmas mãos para os necessitados e os pobres. Tal mulher é mais preciosa do que todas as joias. Não se elogia a sua beleza física, mas a dedicação de seu amor. Na sua feminilidade ela se realiza como mulher, como esposa e como mãe porque gera a vida, alimenta e protege a vida, “como quem serve” (cf. Lc 22,27), para fazer a todos felizes. O poema conclui-se dizendo que a beleza e a formosura da mulher são passageiras. Mas a mulher que teme a Deus, pelo amor-cuidado que manifesta em sua vida, merece ser louvada porque encarna a generosidade e a providência divina. – As mãos carinhosas de nossas mães são mãos que nutrem e se doam como as mãos de Jesus que tomou o pão em suas mãos, deus graças a Deus, partiu o pão e disse: Tomai e comei dele todos, isto é o meu corpo entregue para vos dar a vida. – Como nossa sociedade valoriza a mulher que trabalha dupla jornada? E o trabalho braçal dos mais pobres?

SALMO RESPONSORIAL: Sl 127

Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!

2. SEGUNDA LEITURA: 1Ts 5,1-6

Que esse dia não vos surpreenda como um ladrão.

O trecho hoje lido continua as considerações de Paulo aos cristãos de Tessalônica sobre a ressurreição dos mortos e a segunda vinda do Senhor (2ª leitura do 32º Domingo do tempo Comum). De início, o Apóstolo declara não poder acrescentar ao que Jesus já havia dito: “Quanto a esse dia e essa hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai” (Mt 24,36). Quando tudo parece estar em “paz e segurança”, o dia do Senhor virá, de repente, como um ladrão de noite. O que fazer, então, como se comportar? Na admoestação final aos cristãos (v. 4-6) Paulo se inclui, pois esperava que a vinda do Senhor acontecesse estando ele e os irmãos em Cristo ainda vivos (cf. 1Ts 4,13-18). Continuemos vigilantes e sóbrios – diz Paulo – para não sermos surpreendidos por esse dia. Sendo iluminados por Cristo, somos filhos da Luz e não das trevas. Em outras palavras, os cristãos são convidados a viver na tensão escatológica da vinda do Senhor, mantendo vivas a fé e a esperança.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Ficai em mim, e eu em vós hei de ficar, diz o Senhor.

quem em mim permanece, esse dá muito fruto.

3. EVANGELHO: Mt 25,14-30

Como foste fiel na administração de tão pouco,

vem participar de minha alegria.

A parábola dos talentos que hoje ouvimos no Evangelho é a continuidade da parábola das dez jovens (32º domingo). A parábola das dez jovens como a parábola dos talentos estão relacionadas com a segunda vinda do Senhor. Havia, sobretudo na Galileia, pessoas ricas que eram donos de pequenos latifúndios. O patrão tinha seus empregados para cuidar das plantações de trigo ou cevada, oliveiras ou vinhas. Segundo a parábola, o patrão viajou para o estrangeiro, talvez para Roma. Antes de se ausentar, chamou seus empregados para lhes confiar a administração das riquezas que havia acumulado. “A um deu cinco talentos, a outro dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com sua capacidade”. Um talento era uma medida de peso com valor aproximado de 34 kg. Tratava-se de peso em ouro ou prata. O primeiro trabalhou com os cinco talentos e lucrou mais cinco. Da mesma forma, o segundo que recebeu dois talentos, lucrou outros dois. Os dois primeiros foram ousados, até com o risco de perderem tudo, mas dobraram a quantia recebida. O terceiro, que recebeu apenas um talento, com medo de perder o valor recebido, enterrou seu talento até que o patrão viesse. – Após muito tempo, o patrão voltou da viagem e chamou os empregados para prestarem conta dos talentos recebidos. Os dois primeiros se apresentaram com alegria por terem dobrado o valor recebido com seu trabalho. A esses o patrão diz: “Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria”. O terceiro empregado trouxe apenas o talento que havia enterrado e o devolveu ao patrão, desculpando-se porque tinha medo dele por ser severo e explorador do trabalho dos empregados. O patrão o chamou de “servo mau e preguiçoso” e mandou tirar dele o talento e entregar ao empregado que dobrou os cinco talentos. A parábola dos talentos levanta algumas questões: Por que o patrão não entregou a mesma quantia para os três empregados? Por que o talento do terceiro empregado foi entregue que tinha lucrado cinco talentos? Considerando que a parábola fala do Reino de Deus, os talentos confiados aos empregados de acordo com a capacidade de cada um nos levam aos talentos que Deus nos confiou. Com qual dos três empregados eu me assemelho? Faço render os talentos que Deus me confiou para a glória de Deus e em favor de meus irmãos? Sou parecido com a mulher sábia da 1ª leitura, que fez valer seus talentos em benefício de sua família e dos pobres? Na comunidade escondo meus talentos?

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.
 

nov 12

O ENCONTRO COM A SABEDORIA E COM CRISTO

LUDOVICO GARMUS

32º DOMINGO DO TEMPO COMUM – O ENCONTRO COM CRISTO –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço”.

1. PRIMEIRA LEITURA Sb 6,12-16

A sabedoria é encontrada por aqueles que a procuram.

Sabedoria é o último livro do Antigo Testamento, escrito no Egito, entre os anos 30 a.C. e 40 d. C. Nos capítulos 6 a 9 o autor personifica a sabedoria, fala dela como se fosse uma pessoa viva e atuante na história de Israel e dos povos. O texto de hoje se dirige aos “reis e juízes dos confins da terra” (Sb 6,1). Na realidade, dirige-se a todas as pessoas que procuram ser sábias e justas. A sabedoria pode ser facilmente contemplada por todos. Ela não é inacessível. Basta amá-la e procurá-la. Ela mesma se antecipa, dando-se a conhecer “por aqueles que a procuram”. Cheia de amor, a sabedoria sai à procura de quem nela pensa e medita. Quem a busca desde a madrugada, vai encontrá-la já sentada à sua porta. É uma atração, uma procura mútua, como a da amada pela amado no livro do Cântico dos Cânticos. A sabedoria é o próprio Deus que procura o ser humano e a ele se revela. É o Deus misericordioso que espera ser procurado: “Buscai o Senhor, enquanto se deixa encontrar, invocai-o enquanto está perto” (Is 55,6). E Tiago nos exorta: “Aproximai-vos de Deus e ele se aproximará de vós” (Tg 4,8a; veja o Evangelho). E Paulo identifica a sabedoria com Cristo, “sabedoria de Deus”.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 62

A minha alma tem sede de vós, e vos deseja, ó Senhor.

2. SEGUNDA LEITURA: 1Ts 4,13-18

Deus trará de volta, com Cristo,

os que através dele entraram no sono da morte.

O apóstolo Paulo e a comunidade dos cristãos de Tessalônica consideravam a segunda vinda do Senhor muito próxima e a esperavam com fervor. O evento escatológico da manifestação do Senhor, no fim dos tempos (parusia), poderia acontecer enquanto eles estivessem ainda vivos. Pode ter surgido então a pergunta: o que haveria de acontecer com os cristãos que já falecidos? Para alguns a alegria da esperança da vinda do Senhor era perturbada pela tristeza: os parentes falecidos haveriam de permanecer na morada dos mortos, enquanto eles mesmo haveriam de ressuscitar? Na resposta, Paulo quer reavivar a fé e a esperança na ressurreição, abaladas por esta dúvida. Primeiro Paulo reafirma a fé na ressurreição dos mortos: Se Cristo morreu e ressuscitou, Deus fará ressuscitar com Cristo também os que morreram em Cristo. Mas os que forem deixados em vida para a vinda do Senhor não levarão vantagem em relação aos que morreram. Pois quando o Senhor vier, os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois, os que foram deixados em vida serão arrebatados, com os já ressuscitados, para estarem sempre juntos com Cristo ressuscitado. Por fim, Paulo convida a todos os cristãos a se exortem uns aos outros com as mesmas palavras que ele lhes escreveu.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

É preciso vigiar e ficar de prontidão;

Em que dia o Senhor há de vir, não sabeis não.

3. EVANGELHO: Mt 25,1-13

O noivo está chagando. Ide ao seu encontro.

Os três últimos domingos do Ano Litúrgico ocupam-se com o destino final do ser humano e do universo. A primeira leitura tem em comum com o Evangelho o tema do encontro: encontro com a sabedoria (Sb 6,12-16) e o encontro com Cristo, o Esposo escatológico (Mt 25,6). A parábola das dez “virgens” nos fala deste encontro escatológico com Cristo Jesus. A mensagem da parábola se baseia numa festa de casamento. Era costume naqueles tempos de o noivo, acompanhado por seus amigos (cf. Jo 3,26-29), dirigir-se até a casa da noiva para buscá-la e introduzi-la como esposa na sua casa. Por sua vez, a noiva, acompanhada pelas suas amigas, aguardava a vinda do noivo para acompanhá-lo, em cortejo com suas amigas, até a nova moradia. As amigas da noiva eram dez “virgens”, isto é, moças solteiras. Todas deviam estar preparadas para receber o noivo e acompanhar a noiva, quando ele viesse. Cansadas de esperar, todas acabaram cochilando. De repente alguém grita: “O noivo está chegando! Ide ao encontro do noivo!”. Todas estavam preparadas, mas nem todas estavam prevenidas. Cinco delas eram imprudentes e não trouxeram uma reserva de óleo consigo. As que trouxeram óleo não puderam dividir, porque poderia faltar óleo e todas ficariam no escuro. E recomendaram às moças imprudentes que fossem comprar óleo. As moças prudentes entraram com os noivos e a sala foi fechada. Quando chegam as moças imprudentes e bateram na porta pedindo para entrar na sala, o noivo diz: “Não vos conheço”.

O que nos diz a parábola? O importante é o encontro do noivo (Cristo) com a noiva (Israel e os cristãos). O óleo fez a diferença entre as moças desprevenidas que não trouxeram uma reserva de óleo consigo, e as prevenidas que tinham a sua reserva. Quando o Evangelho de Mateus foi escrito, parte do povo de Israel não acolheu Jesus Cristo, como o Messias esperado e foram excluídos da festa de casamento. Por outro lado, havia cristãos que deixaram de “vigiar” e de estar preparados para a segunda vinda do Senhor. Daí a conclusão da parábola: “Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora”. – E você está preparado, “vigiando” com o óleo das boas obras, esperando com fé, pronto para receber a Jesus Cristo quando Ele vier?

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

out 29

AMARÁS AO SENHOR TEU DEUS

LUDOVICO GARMUS

30º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ESCUTA ISRAEL –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Ex 20,20-26

Se fizerdes algum mal à viúva e ao órfão,

minha cólera se inflamará contra vós.

Após a destruição de Samaria (722 a.C.) e a anexação do Reino do Norte pela Assíria, muitos israelitas se refugiaram em Judá, especialmente, em Jerusalém. Quando Samaria foi destruída, os refugiados do reino de Israel tornaram-se “estrangeiros” em Judá, e passaram a receber a mesma proteção que já recebiam as viúvas e os órfãos. Neste contexto surge a lei que os protege. O motivo para este gesto de solidariedade é que também “vós fostes estrangeiros na terra do Egito”. O próprio Deus se apresenta como o defensor da viúva e do órfão. Da mesma forma quem pertence ao povo da Aliança deve agora também proteger “o estrangeiro, o órfão e a viúva” (Dt 14,28-29; 16,11-14; 24,19-21). Motivo: “porque sou misericordioso”. Jesus dirá: “Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36). No Evangelho de hoje Jesus coloca o amor ao próximo como a si mesmo como o segundo maior mandamento.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 17 (18)

Eu vos amo, ó Senhor, sois minha força e salvação.

2. SEGUNDA LEITURA: 1Ts 1,5c-10

Vós vos convertestes, abandonando os falsos deuses,

para servir a Deus, esperando o seu Filho.

Paulo se alegra com os cristãos de Tessalônica, que acolheram “a Palavra com a alegria do Espírito Santo”. Abandonaram os falsos deuses e se converteram à mensagem do Evangelho, “para servir o Deus vivo e verdadeiro”. Em meio às perseguições que sofriam, tornaram-se imitadores de Paulo e do próprio Cristo. O que os anima é a fé na ressurreição dos mortos e a esperança na vinda do Senhor. A vivência nesta vida de fé e esperança fez deles um exemplo, conhecido de todos na região. – Como estamos vivendo nossa fé e esperança nos tempos difíceis que nos fazem sofrer?

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Se alguém me ama, guardará a minha palavra,

e meu Pai o amará, e a ele nós viremos.

3. EVANGELHO: Mt 22,34-40

Amarás o Senhor teu Deus, e ao teu próximo como a ti mesmo.

A pergunta dos fariseus reflete o embaraço que eles mesmos sentiam diante das 248 prescrições e 365 proibições em que especificavam as obrigações da Lei de Moisés. Na resposta Jesus extrai o primeiro e maior mandamento do Xemá Yisrael (“Escuta, Israel”), oração oficial que o judeu devia recitar duas vezes ao dia: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento” (Dt 6,4-5). Jesus responde que este é o maior dos mandamentos, mas o aproxima do segundo maior mandamento, que considera “semelhante ao primeiro”, citando Lv 19,8: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Destes dois grandes mandamentos – diz Jesus – dependem toda a Lei e os profetas. Os dez mandamentos do Catecismo da Igreja Católica também se resumem nos mandamentos do amor a Deus (1º ao 3º mandamento) e do amor ao próximo (4º ao 10º mandamento). Em Mc 12,32-34 um escriba confirma o modo o modo como Jesus resume toda a Lei em dois mandamentos. E o texto paralelo de Lucas termina com a pergunta do fariseu: “E quem é o meu próximo?”, pois em Lv 19,8 o próximo é alguém do próprio povo. E Jesus lhe responde com a parábola do Bom Samaritano: o próximo é aquele de quem eu me aproximo, podendo ser um estrangeiro ou alguém desconhecido, que precisa do meu cuidado. E o evangelista João lembra que o mandamento do amor a Deus e ao próximo são inseparáveis: “Quem não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1Jo 4,20).

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

out 22

REFLETINDO SOBRE A PALAVRA

LUDOVICO GARMUS

29º DOMINGO DO TEMPO COMUM – A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR. A DEUS O QUE É DE DEUS –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor, e vos servir de todo o coração”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 45,1.3-6

Tomei Ciro pela mão direita,

para que submeta os povos ao seu domínio.

Os babilônios tinham levado os judeus para o exílio. Para o povo de Deus tratava-se de uma punição divina por causa dos pecados e infidelidades. Terminado o domínio babilônico, surgiu um novo império, o dos persas. Ciro, o novo rei dos persas, é saudado pelo profeta como o ungido do Senhor, como os reis de Israel. É alguém especialmente escolhido por Javé, apesar de ser pagão, foi chamado para agir em seu nome e permitir o retorno do povo de Deus para a Terra Prometida. A missão de Ciro é submeter os povos a seu domínio, dobrar o orgulho dos reis e abrir um caminho não só para os persas, mas para o Senhor, o Deus de Israel (Is 40,3-5). Os babilônios foram um instrumento de punição nas mãos de Deus para punir o povo infiel; agora, é Ciro o instrumento nas mãos de Deus usa para cumprir os seus planos. Para o profeta, o Deus de Israel é o único e verdadeiro Deus que conduz a história política universal: “Eu sou o Senhor, e fora de mim não existe outro”. –Você acredita que Deus conduz a história conturbada do povo brasileiro, e do mundo inteiro, para o bem e a salvação de todas as pessoas de boa vontade? Confia nele? A sabedoria do povo contém e a fé e a esperança em Deus que está conosco: “Eu dirijo, mas é Deus que me guia!”

SALMO RESPONSORIAL: Sl 95 (96)

Ó família das nações, dai ao Senhor poder e glória!

2. SEGUNDA LEITURA: 1Ts 1,1-5b

Recordamo-nos sem cessar da vossa fé,

da caridade e da esperança.

A leitura que ouvimos é o início da mais antiga carta de Paulo (pelo ano 51 dC), escrita à comunidade de Tessalônica. De fato, Paulo não permaneceu em Tessalônica mais do que três meses. Como de costume, Paulo ao chegar numa cidade, primeiro procurava a sinagoga judaica local. Ali durante três sábados anunciou Jesus de Nazaré, crucificado e ressuscitado ao terceiro dia, como o Messias esperado pelos judeus (At 17,1-15). Vendo que Paulo fazia muitos adeptos, alguns judeus provocaram um tumulto e Paulo teve que sair às pressas da cidade. Por isso comunicou-se logo com a nova comunidade por meio de cartas. Na saudação percebemos que Paulo trabalhava na evangelização em equipe, com Silvano e Timóteo. Lembra as virtudes cardeais que animam a comunidade: fé, caridade e esperança, que os unem a Cristo. Os tessalonicenses, em parte de origem pagã, são os escolhidos em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo. Reconhece que mais do que pelas suas palavras a comunidade cresce pela ação do Espírito Santo. Paulo e seus companheiros são instrumentos da ação da graça divina. Eles anunciam o Evangelho por palavras, mas quem forma e reúne a comunidade é a força do Espírito Santo.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Como astros no mundo vós resplandeceis,

mensagem de vida ao mundo anunciando,

da vida a Palavra, com fé, proclameis,

quais astros luzentes no mundo brilheis.

3. Evangelho: Mt 22,15.21

Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

A pergunta feita a Jesus pelos discípulos dos fariseus, na presença dos herodianos, era uma armadilha de caráter político. Para captar a simpatia de Jesus eles fazem um elogio: Jesus é verdadeiro, ensina o caminho de Deus e não julga pelas aparências: “É lícito ou não pagar imposto a César?” Se Jesus respondesse “sim”, estaria do lado dos herodianos, que apoiavam os romanos. Neste caso, perderia a simpatia do povo que não gostava de pagar imposto aos dominadores pagãos. Mas, se respondesse “não”, poderia ser acusado de subversivo. Foi esta a acusação feita contra Jesus diante de Pilatos: “Encontramos este homem subvertendo a nação. Proíbe pagar impostos a César...” (Lc 23,2). Ao fazer seus adversários ver a imagem e a inscrição na moeda, Jesus os obriga a reconhecer que César era quem mandava no país. Uma vez que aceitavam usar sua moeda, deveriam também aceitar as regras do jogo político: “Dai a César o que é de César...” Mas, ao acrescentar “Dai a Deus o que é de Deus”, Jesus está sugerindo que, todos, fomos criados à imagem e semelhança de Deus. A Ele devemos o tributo do louvor e da adoração. Pelos gestos e pela mensagem de Jesus seus adversários deviam reconhecer a presença de Deus e vinda de seu Reino, que Jesus anunciava. No contexto de uma pergunta de caráter político Jesus dá uma resposta que abrange a vida política e religiosa, que serve de orientação para nossa vida cristã.

Jesus nos ensina a sermos coerentes nas coisas políticas, pagando também os devidos impostos. Mas não podemos esquecer as exigências de Deus. Deus não cobra de nós impostos. Pede, sim, o nosso coração: “Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração e a teu próximo como a ti mesmo”. Jesus nos propõe a partilha com os pobres. Isso não significa que “o padre deve ficar na sacristia”, nem que o leigo cristão fique escondido na igreja. Por isso: “Dai a Deus o que é de Deus”, e “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça”.

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

out 15

REFLETINDO SOBRE A PALAVRA

LUDOVICO GARMUS

28º DOMINGO DO TEMPO COMUM – TUDO POSSO NAQUELE QUE ME DÁ FORÇA –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 25,6-10a

O Senhor dará um banquete

e enxugará as lágrimas de todas as faces.

O texto da primeira leitura faz parte do assim chamado “pequeno apocalipse” do livro de Isaías (cap. 24 a 27). São textos elaborados por discípulos do Profeta após o exílio da Babilônia. A leitura de hoje é precedida por um hino que ilustra a destruição de uma cidade anônima (símbolo da violência) pela ação divina (25,1-5); e é seguida por um canto de ação de graças no qual Israel glorifica a realeza de Deus (25,9-12). Deus não perdeu o controle dos eventos históricos. Pelo contrário, armou o braço de Ciro, rei dos persas, que pôs fim ao domínio dos babilônios e permitiu o retorno dos exilados à sua terra. Israel voltou a “este monte” (três vezes!), isto é, ao monte Sião, símbolo de Jerusalém e de seu templo que estavam sendo reconstruídos. O profeta anima os que voltaram do exílio a colaborar neste algo novo que Deus planejou para todos os povos, a partir do monte Sião. O símbolo deste novo é o banquete esplêndido que Deus prepara para todos os povos e vai celebrar “neste monte” sagrado de Sião. No monte, Deus vai presentear os convidados com dois presentes: O primeiro é o próprio Deus que se revela a todos os povos como o único Deus e rei universal, ao retirar o véu que os cobria na ignorância. O segundo presente é mais maravilhoso ainda: não haverá mais morte nem lágrimas e a vergonha de Israel acabará. E todos reconhecerão a Deus como salvador: “Este é o nosso Deus, esperamos nele, até que nos salvou; este é o Senhor, nele temos confiado até que nos salvou: vamos alegrar-nos e exultar por nos ter salvo”. Nos tempos difíceis em que estamos vivendo renovemos nossa fé e esperança em Jesus Cristo. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. É o nosso Salvador.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 22

Na casa do Senhor habitarei eternamente.

2. SEGUNDA LEITURA: Fl 4,12-14.19-20

Tudo posso naquele que me dá força.

Nos últimos três domingos a segunda leitura foi extraída da Carta de Paulo aos Filipenses, comunidade muito querida de Paulo, a primeira por ele fundada na Europa. O Apóstolo está encarcerado, talvez em Éfeso, por causa do Evangelho que pregava. Como vimos nos últimos domingos, Paulo se mostra muito grato pelo apoio, inclusive financeiro, que a comunidade de Filipos lhe tem prestado na prisão (Fl 1, 20c-24.27a). Com o texto de hoje, concluem-se as leituras da Carta aos Filipenses na Liturgia do na A. O Apóstolo retoma o que já disse no cap. 1 (25º Domingo) e reafirma seu modo de evangelizar, vivendo de seu próprio trabalho (cf. At 18,1-4; 1Cor 4,12). Mas na prisão estava impossibilitado de trabalhar. Paulo sabe viver na abundância e na miséria porque Cristo o fortalece: “Tudo posso naquele que me conforta”; no entanto mostra-se grato pelo gesto solidário dos filipenses. Em outras palavras: ‘Não precisava’! Mas “fizestes bem em compartilhar as minhas dificuldades”. E conclui com um ‘Deus lhes pague’: “O meu Deus proverá esplendidamente com sua riqueza as vossas necessidades, em Cristo Jesus”. No presente recebido Paulo reconhece o dom de Deus, que une a todos os cristãos no mesmo amor. Por isso glorifica a Deus: “Ao nosso Deus e Pai a glória pelos séculos dos séculos”. – Que motivos me levam a agradecer e louvar a Deus? Como mostro a minha gratidão no convívio com as pessoas?

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Ef 1,17-18

Que o Pai do Senhor Jesus Cristo nos dê do saber o espírito;

Conheçamos assim a esperança à qual nos chamou como herança. 3. EVANGELHO: Mt 22,1-14

Convidai para a festa todos os que encontrardes.

Jesus está em Jerusalém para celebrar a Páscoa com seus discípulos. Na entrada triunfal em Jerusalém, envolvido pela multidão, foi aclamado como o Messias esperado pelos judeus: “Hosana ao Filho de Davi” (21,1-11). Purificou o Templo, derrubando as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. Os sumos sacerdotes e os escribas protestam e exigem que as crianças parem de aclamá-lo como o Messias (v. 12-17). No dia seguinte Jesus volta ao Templo, onde continua ensinando; mas é contestado pelos sumos sacerdotes e anciãos do povo, que dizem: “Com que autoridade fazes estas coisas? Quem te deu este direito”? E Jesus lhes diz: se vocês me responderem de onde vinha o batismo de João Batista, “do céu ou dos homens?”, eu lhes darei a resposta sobre minha autoridade (v. 18-27). Na sequência vêm duas parábolas, a parábola dos dois filhos e a parábola dos vinhateiros homicidas (v. 28-46, lidas no 26º e 27º domingos). Nelas Jesus critica os sumos sacerdotes e os fariseus e contesta a autoridade deles.

Na parábola que hoje ouvimos (22,1-14) Jesus compara o reino dos Céus a um rei que preparou a festa para o casamento de seu filho. Mandou os escravos chamar os convidados, mas eles não quiseram vir. Mandou novamente os escravos, que repetiram o convite com mais insistência: “Está tudo pronto para o banquete, vinde para a festa”. Mas não lhes deram ouvido. Um foi para o seu sítio, outro, atrás dos negócios; outros ainda agarraram os escravos, bateram neles e os mataram. O rei ficou indignado e mandou incendiar a cidade destes convidados (alusão à destruição de Jerusalém no ano 70). Como o banquete estava pronto, o rei mandou chamar para o banquete todos que encontrassem pelos caminhos e encruzilhadas, bons e maus. E a sala ficou repleta de convidados. – Na parábola o rei simboliza Deus e o seu filho noivo é Jesus; curiosamente, quando Jesus responde aos sumos sacerdotes que contestavam sua autoridade, Mateus cita João Batista (Mt 21,23-27), que considera Jesus como o noivo da festa e ele é apenas o amigo do noivo (Jo 3,22-30; Mt 9,15). No passado, Israel perseguiu os profetas (Mt 5,12) e até matou alguns deles (Mt 23,29-37). Agora, os chefes religiosos da Judeia perseguem a Jesus e planejam condená-lo à morte. Assim como os convidados à festa de casamento do filho do rei se excluíram do banquete, agora os judeus que não creem no Filho de Deus se auto-excluem do reino de Deus, anunciado por Jesus. Convém lembrar que os novos convidados para a festa, bons e maus, são recolhidos nas praças, ruas e encruzilhadas, são os pagãos; somos nós. Isso, porém, não garante a participação definitiva no reino de Deus. É preciso estar vestido com a roupa de casamento. Isto é, revestir-se de Cristo e com suas obras.

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.
 

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