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Sementes de vida, ������© tempo de semear

Arquivo por categoria: REFLETINDO SOBRE A PALAVRA

nov 19

OS TALENTOS DE CADA UM

LUDOVICO GARMUS

33º DOMINGO DO TEMPO COMUM – TODOS NÓS RECEBEMOS OS TALENTOS –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Senhor nosso Deus fazei que nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa, servindo a vós, o criador de todas as coisas”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Pr 31,10-13.19-20.30-31

Com habilidade trabalham as suas mãos.

O livro dos Provérbios, em vários capítulos, simboliza a Sabedoria na figura da mulher. No último capítulo louva a mulher real, que teme a Deus. A primeira leitura de hoje, dos 21 versos que compõe o poema, extrai 7 versos, suficientes para exaltar a mulher que faz valer seus talentos, como serviço de amor ao seu maridos, aos filhos, aos empregados e empregadas e até mesmo aos pobres e necessitados. Por isso, o poema exalta não tanto na beleza da mulher, mas os talentos e habilidade de suas mãos operosas. Ela compra a lã e o linho e o trabalha com sua mão. Como a tecelã estende a mão para a roca e com os dedos segura o fuso. Com o trabalho de suas mãos veste a si mesmo, veste o marido, os filhos e empregados, e pode estender as mesmas mãos para os necessitados e os pobres. Tal mulher é mais preciosa do que todas as joias. Não se elogia a sua beleza física, mas a dedicação de seu amor. Na sua feminilidade ela se realiza como mulher, como esposa e como mãe porque gera a vida, alimenta e protege a vida, “como quem serve” (cf. Lc 22,27), para fazer a todos felizes. O poema conclui-se dizendo que a beleza e a formosura da mulher são passageiras. Mas a mulher que teme a Deus, pelo amor-cuidado que manifesta em sua vida, merece ser louvada porque encarna a generosidade e a providência divina. – As mãos carinhosas de nossas mães são mãos que nutrem e se doam como as mãos de Jesus que tomou o pão em suas mãos, deus graças a Deus, partiu o pão e disse: Tomai e comei dele todos, isto é o meu corpo entregue para vos dar a vida. – Como nossa sociedade valoriza a mulher que trabalha dupla jornada? E o trabalho braçal dos mais pobres?

SALMO RESPONSORIAL: Sl 127

Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!

2. SEGUNDA LEITURA: 1Ts 5,1-6

Que esse dia não vos surpreenda como um ladrão.

O trecho hoje lido continua as considerações de Paulo aos cristãos de Tessalônica sobre a ressurreição dos mortos e a segunda vinda do Senhor (2ª leitura do 32º Domingo do tempo Comum). De início, o Apóstolo declara não poder acrescentar ao que Jesus já havia dito: “Quanto a esse dia e essa hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai” (Mt 24,36). Quando tudo parece estar em “paz e segurança”, o dia do Senhor virá, de repente, como um ladrão de noite. O que fazer, então, como se comportar? Na admoestação final aos cristãos (v. 4-6) Paulo se inclui, pois esperava que a vinda do Senhor acontecesse estando ele e os irmãos em Cristo ainda vivos (cf. 1Ts 4,13-18). Continuemos vigilantes e sóbrios – diz Paulo – para não sermos surpreendidos por esse dia. Sendo iluminados por Cristo, somos filhos da Luz e não das trevas. Em outras palavras, os cristãos são convidados a viver na tensão escatológica da vinda do Senhor, mantendo vivas a fé e a esperança.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Ficai em mim, e eu em vós hei de ficar, diz o Senhor.

quem em mim permanece, esse dá muito fruto.

3. EVANGELHO: Mt 25,14-30

Como foste fiel na administração de tão pouco,

vem participar de minha alegria.

A parábola dos talentos que hoje ouvimos no Evangelho é a continuidade da parábola das dez jovens (32º domingo). A parábola das dez jovens como a parábola dos talentos estão relacionadas com a segunda vinda do Senhor. Havia, sobretudo na Galileia, pessoas ricas que eram donos de pequenos latifúndios. O patrão tinha seus empregados para cuidar das plantações de trigo ou cevada, oliveiras ou vinhas. Segundo a parábola, o patrão viajou para o estrangeiro, talvez para Roma. Antes de se ausentar, chamou seus empregados para lhes confiar a administração das riquezas que havia acumulado. “A um deu cinco talentos, a outro dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com sua capacidade”. Um talento era uma medida de peso com valor aproximado de 34 kg. Tratava-se de peso em ouro ou prata. O primeiro trabalhou com os cinco talentos e lucrou mais cinco. Da mesma forma, o segundo que recebeu dois talentos, lucrou outros dois. Os dois primeiros foram ousados, até com o risco de perderem tudo, mas dobraram a quantia recebida. O terceiro, que recebeu apenas um talento, com medo de perder o valor recebido, enterrou seu talento até que o patrão viesse. – Após muito tempo, o patrão voltou da viagem e chamou os empregados para prestarem conta dos talentos recebidos. Os dois primeiros se apresentaram com alegria por terem dobrado o valor recebido com seu trabalho. A esses o patrão diz: “Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria”. O terceiro empregado trouxe apenas o talento que havia enterrado e o devolveu ao patrão, desculpando-se porque tinha medo dele por ser severo e explorador do trabalho dos empregados. O patrão o chamou de “servo mau e preguiçoso” e mandou tirar dele o talento e entregar ao empregado que dobrou os cinco talentos. A parábola dos talentos levanta algumas questões: Por que o patrão não entregou a mesma quantia para os três empregados? Por que o talento do terceiro empregado foi entregue que tinha lucrado cinco talentos? Considerando que a parábola fala do Reino de Deus, os talentos confiados aos empregados de acordo com a capacidade de cada um nos levam aos talentos que Deus nos confiou. Com qual dos três empregados eu me assemelho? Faço render os talentos que Deus me confiou para a glória de Deus e em favor de meus irmãos? Sou parecido com a mulher sábia da 1ª leitura, que fez valer seus talentos em benefício de sua família e dos pobres? Na comunidade escondo meus talentos?

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.
 

nov 12

O ENCONTRO COM A SABEDORIA E COM CRISTO

LUDOVICO GARMUS

32º DOMINGO DO TEMPO COMUM – O ENCONTRO COM CRISTO –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço”.

1. PRIMEIRA LEITURA Sb 6,12-16

A sabedoria é encontrada por aqueles que a procuram.

Sabedoria é o último livro do Antigo Testamento, escrito no Egito, entre os anos 30 a.C. e 40 d. C. Nos capítulos 6 a 9 o autor personifica a sabedoria, fala dela como se fosse uma pessoa viva e atuante na história de Israel e dos povos. O texto de hoje se dirige aos “reis e juízes dos confins da terra” (Sb 6,1). Na realidade, dirige-se a todas as pessoas que procuram ser sábias e justas. A sabedoria pode ser facilmente contemplada por todos. Ela não é inacessível. Basta amá-la e procurá-la. Ela mesma se antecipa, dando-se a conhecer “por aqueles que a procuram”. Cheia de amor, a sabedoria sai à procura de quem nela pensa e medita. Quem a busca desde a madrugada, vai encontrá-la já sentada à sua porta. É uma atração, uma procura mútua, como a da amada pela amado no livro do Cântico dos Cânticos. A sabedoria é o próprio Deus que procura o ser humano e a ele se revela. É o Deus misericordioso que espera ser procurado: “Buscai o Senhor, enquanto se deixa encontrar, invocai-o enquanto está perto” (Is 55,6). E Tiago nos exorta: “Aproximai-vos de Deus e ele se aproximará de vós” (Tg 4,8a; veja o Evangelho). E Paulo identifica a sabedoria com Cristo, “sabedoria de Deus”.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 62

A minha alma tem sede de vós, e vos deseja, ó Senhor.

2. SEGUNDA LEITURA: 1Ts 4,13-18

Deus trará de volta, com Cristo,

os que através dele entraram no sono da morte.

O apóstolo Paulo e a comunidade dos cristãos de Tessalônica consideravam a segunda vinda do Senhor muito próxima e a esperavam com fervor. O evento escatológico da manifestação do Senhor, no fim dos tempos (parusia), poderia acontecer enquanto eles estivessem ainda vivos. Pode ter surgido então a pergunta: o que haveria de acontecer com os cristãos que já falecidos? Para alguns a alegria da esperança da vinda do Senhor era perturbada pela tristeza: os parentes falecidos haveriam de permanecer na morada dos mortos, enquanto eles mesmo haveriam de ressuscitar? Na resposta, Paulo quer reavivar a fé e a esperança na ressurreição, abaladas por esta dúvida. Primeiro Paulo reafirma a fé na ressurreição dos mortos: Se Cristo morreu e ressuscitou, Deus fará ressuscitar com Cristo também os que morreram em Cristo. Mas os que forem deixados em vida para a vinda do Senhor não levarão vantagem em relação aos que morreram. Pois quando o Senhor vier, os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois, os que foram deixados em vida serão arrebatados, com os já ressuscitados, para estarem sempre juntos com Cristo ressuscitado. Por fim, Paulo convida a todos os cristãos a se exortem uns aos outros com as mesmas palavras que ele lhes escreveu.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

É preciso vigiar e ficar de prontidão;

Em que dia o Senhor há de vir, não sabeis não.

3. EVANGELHO: Mt 25,1-13

O noivo está chagando. Ide ao seu encontro.

Os três últimos domingos do Ano Litúrgico ocupam-se com o destino final do ser humano e do universo. A primeira leitura tem em comum com o Evangelho o tema do encontro: encontro com a sabedoria (Sb 6,12-16) e o encontro com Cristo, o Esposo escatológico (Mt 25,6). A parábola das dez “virgens” nos fala deste encontro escatológico com Cristo Jesus. A mensagem da parábola se baseia numa festa de casamento. Era costume naqueles tempos de o noivo, acompanhado por seus amigos (cf. Jo 3,26-29), dirigir-se até a casa da noiva para buscá-la e introduzi-la como esposa na sua casa. Por sua vez, a noiva, acompanhada pelas suas amigas, aguardava a vinda do noivo para acompanhá-lo, em cortejo com suas amigas, até a nova moradia. As amigas da noiva eram dez “virgens”, isto é, moças solteiras. Todas deviam estar preparadas para receber o noivo e acompanhar a noiva, quando ele viesse. Cansadas de esperar, todas acabaram cochilando. De repente alguém grita: “O noivo está chegando! Ide ao encontro do noivo!”. Todas estavam preparadas, mas nem todas estavam prevenidas. Cinco delas eram imprudentes e não trouxeram uma reserva de óleo consigo. As que trouxeram óleo não puderam dividir, porque poderia faltar óleo e todas ficariam no escuro. E recomendaram às moças imprudentes que fossem comprar óleo. As moças prudentes entraram com os noivos e a sala foi fechada. Quando chegam as moças imprudentes e bateram na porta pedindo para entrar na sala, o noivo diz: “Não vos conheço”.

O que nos diz a parábola? O importante é o encontro do noivo (Cristo) com a noiva (Israel e os cristãos). O óleo fez a diferença entre as moças desprevenidas que não trouxeram uma reserva de óleo consigo, e as prevenidas que tinham a sua reserva. Quando o Evangelho de Mateus foi escrito, parte do povo de Israel não acolheu Jesus Cristo, como o Messias esperado e foram excluídos da festa de casamento. Por outro lado, havia cristãos que deixaram de “vigiar” e de estar preparados para a segunda vinda do Senhor. Daí a conclusão da parábola: “Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora”. – E você está preparado, “vigiando” com o óleo das boas obras, esperando com fé, pronto para receber a Jesus Cristo quando Ele vier?

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

out 29

AMARÁS AO SENHOR TEU DEUS

LUDOVICO GARMUS

30º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ESCUTA ISRAEL –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Ex 20,20-26

Se fizerdes algum mal à viúva e ao órfão,

minha cólera se inflamará contra vós.

Após a destruição de Samaria (722 a.C.) e a anexação do Reino do Norte pela Assíria, muitos israelitas se refugiaram em Judá, especialmente, em Jerusalém. Quando Samaria foi destruída, os refugiados do reino de Israel tornaram-se “estrangeiros” em Judá, e passaram a receber a mesma proteção que já recebiam as viúvas e os órfãos. Neste contexto surge a lei que os protege. O motivo para este gesto de solidariedade é que também “vós fostes estrangeiros na terra do Egito”. O próprio Deus se apresenta como o defensor da viúva e do órfão. Da mesma forma quem pertence ao povo da Aliança deve agora também proteger “o estrangeiro, o órfão e a viúva” (Dt 14,28-29; 16,11-14; 24,19-21). Motivo: “porque sou misericordioso”. Jesus dirá: “Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36). No Evangelho de hoje Jesus coloca o amor ao próximo como a si mesmo como o segundo maior mandamento.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 17 (18)

Eu vos amo, ó Senhor, sois minha força e salvação.

2. SEGUNDA LEITURA: 1Ts 1,5c-10

Vós vos convertestes, abandonando os falsos deuses,

para servir a Deus, esperando o seu Filho.

Paulo se alegra com os cristãos de Tessalônica, que acolheram “a Palavra com a alegria do Espírito Santo”. Abandonaram os falsos deuses e se converteram à mensagem do Evangelho, “para servir o Deus vivo e verdadeiro”. Em meio às perseguições que sofriam, tornaram-se imitadores de Paulo e do próprio Cristo. O que os anima é a fé na ressurreição dos mortos e a esperança na vinda do Senhor. A vivência nesta vida de fé e esperança fez deles um exemplo, conhecido de todos na região. – Como estamos vivendo nossa fé e esperança nos tempos difíceis que nos fazem sofrer?

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Se alguém me ama, guardará a minha palavra,

e meu Pai o amará, e a ele nós viremos.

3. EVANGELHO: Mt 22,34-40

Amarás o Senhor teu Deus, e ao teu próximo como a ti mesmo.

A pergunta dos fariseus reflete o embaraço que eles mesmos sentiam diante das 248 prescrições e 365 proibições em que especificavam as obrigações da Lei de Moisés. Na resposta Jesus extrai o primeiro e maior mandamento do Xemá Yisrael (“Escuta, Israel”), oração oficial que o judeu devia recitar duas vezes ao dia: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento” (Dt 6,4-5). Jesus responde que este é o maior dos mandamentos, mas o aproxima do segundo maior mandamento, que considera “semelhante ao primeiro”, citando Lv 19,8: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Destes dois grandes mandamentos – diz Jesus – dependem toda a Lei e os profetas. Os dez mandamentos do Catecismo da Igreja Católica também se resumem nos mandamentos do amor a Deus (1º ao 3º mandamento) e do amor ao próximo (4º ao 10º mandamento). Em Mc 12,32-34 um escriba confirma o modo o modo como Jesus resume toda a Lei em dois mandamentos. E o texto paralelo de Lucas termina com a pergunta do fariseu: “E quem é o meu próximo?”, pois em Lv 19,8 o próximo é alguém do próprio povo. E Jesus lhe responde com a parábola do Bom Samaritano: o próximo é aquele de quem eu me aproximo, podendo ser um estrangeiro ou alguém desconhecido, que precisa do meu cuidado. E o evangelista João lembra que o mandamento do amor a Deus e ao próximo são inseparáveis: “Quem não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1Jo 4,20).

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

out 22

REFLETINDO SOBRE A PALAVRA

LUDOVICO GARMUS

29º DOMINGO DO TEMPO COMUM – A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR. A DEUS O QUE É DE DEUS –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor, e vos servir de todo o coração”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 45,1.3-6

Tomei Ciro pela mão direita,

para que submeta os povos ao seu domínio.

Os babilônios tinham levado os judeus para o exílio. Para o povo de Deus tratava-se de uma punição divina por causa dos pecados e infidelidades. Terminado o domínio babilônico, surgiu um novo império, o dos persas. Ciro, o novo rei dos persas, é saudado pelo profeta como o ungido do Senhor, como os reis de Israel. É alguém especialmente escolhido por Javé, apesar de ser pagão, foi chamado para agir em seu nome e permitir o retorno do povo de Deus para a Terra Prometida. A missão de Ciro é submeter os povos a seu domínio, dobrar o orgulho dos reis e abrir um caminho não só para os persas, mas para o Senhor, o Deus de Israel (Is 40,3-5). Os babilônios foram um instrumento de punição nas mãos de Deus para punir o povo infiel; agora, é Ciro o instrumento nas mãos de Deus usa para cumprir os seus planos. Para o profeta, o Deus de Israel é o único e verdadeiro Deus que conduz a história política universal: “Eu sou o Senhor, e fora de mim não existe outro”. –Você acredita que Deus conduz a história conturbada do povo brasileiro, e do mundo inteiro, para o bem e a salvação de todas as pessoas de boa vontade? Confia nele? A sabedoria do povo contém e a fé e a esperança em Deus que está conosco: “Eu dirijo, mas é Deus que me guia!”

SALMO RESPONSORIAL: Sl 95 (96)

Ó família das nações, dai ao Senhor poder e glória!

2. SEGUNDA LEITURA: 1Ts 1,1-5b

Recordamo-nos sem cessar da vossa fé,

da caridade e da esperança.

A leitura que ouvimos é o início da mais antiga carta de Paulo (pelo ano 51 dC), escrita à comunidade de Tessalônica. De fato, Paulo não permaneceu em Tessalônica mais do que três meses. Como de costume, Paulo ao chegar numa cidade, primeiro procurava a sinagoga judaica local. Ali durante três sábados anunciou Jesus de Nazaré, crucificado e ressuscitado ao terceiro dia, como o Messias esperado pelos judeus (At 17,1-15). Vendo que Paulo fazia muitos adeptos, alguns judeus provocaram um tumulto e Paulo teve que sair às pressas da cidade. Por isso comunicou-se logo com a nova comunidade por meio de cartas. Na saudação percebemos que Paulo trabalhava na evangelização em equipe, com Silvano e Timóteo. Lembra as virtudes cardeais que animam a comunidade: fé, caridade e esperança, que os unem a Cristo. Os tessalonicenses, em parte de origem pagã, são os escolhidos em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo. Reconhece que mais do que pelas suas palavras a comunidade cresce pela ação do Espírito Santo. Paulo e seus companheiros são instrumentos da ação da graça divina. Eles anunciam o Evangelho por palavras, mas quem forma e reúne a comunidade é a força do Espírito Santo.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Como astros no mundo vós resplandeceis,

mensagem de vida ao mundo anunciando,

da vida a Palavra, com fé, proclameis,

quais astros luzentes no mundo brilheis.

3. Evangelho: Mt 22,15.21

Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

A pergunta feita a Jesus pelos discípulos dos fariseus, na presença dos herodianos, era uma armadilha de caráter político. Para captar a simpatia de Jesus eles fazem um elogio: Jesus é verdadeiro, ensina o caminho de Deus e não julga pelas aparências: “É lícito ou não pagar imposto a César?” Se Jesus respondesse “sim”, estaria do lado dos herodianos, que apoiavam os romanos. Neste caso, perderia a simpatia do povo que não gostava de pagar imposto aos dominadores pagãos. Mas, se respondesse “não”, poderia ser acusado de subversivo. Foi esta a acusação feita contra Jesus diante de Pilatos: “Encontramos este homem subvertendo a nação. Proíbe pagar impostos a César...” (Lc 23,2). Ao fazer seus adversários ver a imagem e a inscrição na moeda, Jesus os obriga a reconhecer que César era quem mandava no país. Uma vez que aceitavam usar sua moeda, deveriam também aceitar as regras do jogo político: “Dai a César o que é de César...” Mas, ao acrescentar “Dai a Deus o que é de Deus”, Jesus está sugerindo que, todos, fomos criados à imagem e semelhança de Deus. A Ele devemos o tributo do louvor e da adoração. Pelos gestos e pela mensagem de Jesus seus adversários deviam reconhecer a presença de Deus e vinda de seu Reino, que Jesus anunciava. No contexto de uma pergunta de caráter político Jesus dá uma resposta que abrange a vida política e religiosa, que serve de orientação para nossa vida cristã.

Jesus nos ensina a sermos coerentes nas coisas políticas, pagando também os devidos impostos. Mas não podemos esquecer as exigências de Deus. Deus não cobra de nós impostos. Pede, sim, o nosso coração: “Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração e a teu próximo como a ti mesmo”. Jesus nos propõe a partilha com os pobres. Isso não significa que “o padre deve ficar na sacristia”, nem que o leigo cristão fique escondido na igreja. Por isso: “Dai a Deus o que é de Deus”, e “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça”.

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

out 15

REFLETINDO SOBRE A PALAVRA

LUDOVICO GARMUS

28º DOMINGO DO TEMPO COMUM – TUDO POSSO NAQUELE QUE ME DÁ FORÇA –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 25,6-10a

O Senhor dará um banquete

e enxugará as lágrimas de todas as faces.

O texto da primeira leitura faz parte do assim chamado “pequeno apocalipse” do livro de Isaías (cap. 24 a 27). São textos elaborados por discípulos do Profeta após o exílio da Babilônia. A leitura de hoje é precedida por um hino que ilustra a destruição de uma cidade anônima (símbolo da violência) pela ação divina (25,1-5); e é seguida por um canto de ação de graças no qual Israel glorifica a realeza de Deus (25,9-12). Deus não perdeu o controle dos eventos históricos. Pelo contrário, armou o braço de Ciro, rei dos persas, que pôs fim ao domínio dos babilônios e permitiu o retorno dos exilados à sua terra. Israel voltou a “este monte” (três vezes!), isto é, ao monte Sião, símbolo de Jerusalém e de seu templo que estavam sendo reconstruídos. O profeta anima os que voltaram do exílio a colaborar neste algo novo que Deus planejou para todos os povos, a partir do monte Sião. O símbolo deste novo é o banquete esplêndido que Deus prepara para todos os povos e vai celebrar “neste monte” sagrado de Sião. No monte, Deus vai presentear os convidados com dois presentes: O primeiro é o próprio Deus que se revela a todos os povos como o único Deus e rei universal, ao retirar o véu que os cobria na ignorância. O segundo presente é mais maravilhoso ainda: não haverá mais morte nem lágrimas e a vergonha de Israel acabará. E todos reconhecerão a Deus como salvador: “Este é o nosso Deus, esperamos nele, até que nos salvou; este é o Senhor, nele temos confiado até que nos salvou: vamos alegrar-nos e exultar por nos ter salvo”. Nos tempos difíceis em que estamos vivendo renovemos nossa fé e esperança em Jesus Cristo. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. É o nosso Salvador.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 22

Na casa do Senhor habitarei eternamente.

2. SEGUNDA LEITURA: Fl 4,12-14.19-20

Tudo posso naquele que me dá força.

Nos últimos três domingos a segunda leitura foi extraída da Carta de Paulo aos Filipenses, comunidade muito querida de Paulo, a primeira por ele fundada na Europa. O Apóstolo está encarcerado, talvez em Éfeso, por causa do Evangelho que pregava. Como vimos nos últimos domingos, Paulo se mostra muito grato pelo apoio, inclusive financeiro, que a comunidade de Filipos lhe tem prestado na prisão (Fl 1, 20c-24.27a). Com o texto de hoje, concluem-se as leituras da Carta aos Filipenses na Liturgia do na A. O Apóstolo retoma o que já disse no cap. 1 (25º Domingo) e reafirma seu modo de evangelizar, vivendo de seu próprio trabalho (cf. At 18,1-4; 1Cor 4,12). Mas na prisão estava impossibilitado de trabalhar. Paulo sabe viver na abundância e na miséria porque Cristo o fortalece: “Tudo posso naquele que me conforta”; no entanto mostra-se grato pelo gesto solidário dos filipenses. Em outras palavras: ‘Não precisava’! Mas “fizestes bem em compartilhar as minhas dificuldades”. E conclui com um ‘Deus lhes pague’: “O meu Deus proverá esplendidamente com sua riqueza as vossas necessidades, em Cristo Jesus”. No presente recebido Paulo reconhece o dom de Deus, que une a todos os cristãos no mesmo amor. Por isso glorifica a Deus: “Ao nosso Deus e Pai a glória pelos séculos dos séculos”. – Que motivos me levam a agradecer e louvar a Deus? Como mostro a minha gratidão no convívio com as pessoas?

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Ef 1,17-18

Que o Pai do Senhor Jesus Cristo nos dê do saber o espírito;

Conheçamos assim a esperança à qual nos chamou como herança. 3. EVANGELHO: Mt 22,1-14

Convidai para a festa todos os que encontrardes.

Jesus está em Jerusalém para celebrar a Páscoa com seus discípulos. Na entrada triunfal em Jerusalém, envolvido pela multidão, foi aclamado como o Messias esperado pelos judeus: “Hosana ao Filho de Davi” (21,1-11). Purificou o Templo, derrubando as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. Os sumos sacerdotes e os escribas protestam e exigem que as crianças parem de aclamá-lo como o Messias (v. 12-17). No dia seguinte Jesus volta ao Templo, onde continua ensinando; mas é contestado pelos sumos sacerdotes e anciãos do povo, que dizem: “Com que autoridade fazes estas coisas? Quem te deu este direito”? E Jesus lhes diz: se vocês me responderem de onde vinha o batismo de João Batista, “do céu ou dos homens?”, eu lhes darei a resposta sobre minha autoridade (v. 18-27). Na sequência vêm duas parábolas, a parábola dos dois filhos e a parábola dos vinhateiros homicidas (v. 28-46, lidas no 26º e 27º domingos). Nelas Jesus critica os sumos sacerdotes e os fariseus e contesta a autoridade deles.

Na parábola que hoje ouvimos (22,1-14) Jesus compara o reino dos Céus a um rei que preparou a festa para o casamento de seu filho. Mandou os escravos chamar os convidados, mas eles não quiseram vir. Mandou novamente os escravos, que repetiram o convite com mais insistência: “Está tudo pronto para o banquete, vinde para a festa”. Mas não lhes deram ouvido. Um foi para o seu sítio, outro, atrás dos negócios; outros ainda agarraram os escravos, bateram neles e os mataram. O rei ficou indignado e mandou incendiar a cidade destes convidados (alusão à destruição de Jerusalém no ano 70). Como o banquete estava pronto, o rei mandou chamar para o banquete todos que encontrassem pelos caminhos e encruzilhadas, bons e maus. E a sala ficou repleta de convidados. – Na parábola o rei simboliza Deus e o seu filho noivo é Jesus; curiosamente, quando Jesus responde aos sumos sacerdotes que contestavam sua autoridade, Mateus cita João Batista (Mt 21,23-27), que considera Jesus como o noivo da festa e ele é apenas o amigo do noivo (Jo 3,22-30; Mt 9,15). No passado, Israel perseguiu os profetas (Mt 5,12) e até matou alguns deles (Mt 23,29-37). Agora, os chefes religiosos da Judeia perseguem a Jesus e planejam condená-lo à morte. Assim como os convidados à festa de casamento do filho do rei se excluíram do banquete, agora os judeus que não creem no Filho de Deus se auto-excluem do reino de Deus, anunciado por Jesus. Convém lembrar que os novos convidados para a festa, bons e maus, são recolhidos nas praças, ruas e encruzilhadas, são os pagãos; somos nós. Isso, porém, não garante a participação definitiva no reino de Deus. É preciso estar vestido com a roupa de casamento. Isto é, revestir-se de Cristo e com suas obras.

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.
 

out 01

MINHAS OVELHAS ESCUTAM A MINHA VOZ

LUDOVICO GARMUS

26º DOMINGO DO TEMPO COMUM – OS COBRADORES DE IMPOSTOS E AS PROSTITUTAS TERÃO PREFERÊNCIA –

* Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, que mostra seu poder no perdão e na misericórdia, derramai sempre em nós a vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Ez 18,25-28

Quando o ímpio se arrepende da maldade que praticou,

conserva a própria vida.

Ezequiel fala ao povo que foi levado para o exílio. Os exilados tinham perdido a Terra Prometida, o reino de Judá e o templo de Jerusalém. Longe de sua terra, consideravam-se injustamente punidos por Deus. Consideravam-se inocentes, pensando que estavam pagando pela culpa de seus pais: “Os pais comeram uvas verdes e os dentes dos filhos ficaram embotados” (Ez 18,2). O Profeta responde que Deus pune nos filhos a culpa dos pais, mas cada um é responsável pelo seu próprio pecado. A solução não é acusar os outros, mas examinar o próprio coração, reconhecer os próprios pecados e arrepender-se para obter a vida: “Pois eu não sinto prazer na morte de ninguém... Convertei-vos e vivereis!” (18,32). Deus é misericordioso, sempre disposto a perdoar a quem se arrepende e está disposto a mudar de conduta.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 24,4bc-5.6-7.8-9

Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão!

2. SEGUNDA LEITURA: Fl 2,1-11

Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus.

Paulo escreve da prisão. Mesmo assim, sua carta é perpassada de alegria que brota de sua união com Cristo. Com esse espírito, exorta a comunidade a viver em harmonia a fé, na união do amor fraterno. Não querendo ser o maior, mas o menor entre os irmãos; buscando não o próprio interesse, mas o dos outros (Fl 2,1-5). Como modelo apresenta o próprio Cristo Jesus. Como Filho de Deus, podia ter escolhido o caminho do poder, mas, esvaziou-se e assumiu a condição de servo. Colocou-se no mesmo chão em que nós vivemos. Mais ainda: Apresentou-se como quem é “manso e humilde de coração” (Mt 11,29), pondo-se a serviço de todos: “Eu estou no meio de vós como quem serve” (Lc 22,27). Identificou-se não com os poderosos, mas com a maioria das pessoas, sujeitas à dominação, exploradas, desprezadas, marginalizadas; tornou-se solidário com todos os “crucificados” da história humana. Como o Servo do Cântico de Isaías, foi obediente até a morte de cruz. Por isso o Pai o ressuscitou dos mortos. O caminho de Cristo tornou-se o caminho do cristão. Paulo, mesmo preso, está cheio de alegria porque procura viver o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus e convida os cristãos a imitar o seu modelo, Jesus. Paulo contava com a possibilidade de ser condenado à morte; por isso, o texto que ouvimos é uma espécie de testamento espiritual.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Jo 10,27

Minhas ovelhas escutam a minha voz,

minha voz estão elas a escutar;

eu conheço, então, minhas ovelhas,

que me seguem, comigo a caminhar.

3. EVANGELHO: Mt 21,28-32

Arrependeu-se e foi. Os cobradores de impostos e as prostitutas

vão entrar antes de vós no Reino do céu.

Jesus estava discutindo com os sumos sacerdotes e anciãos, que vieram questionar sua autoridade por ter armado uma “confusão” com os vendedores no templo. Neste contexto Jesus lhes conta a parábola dos dois filhos. O pai tinha uma vinha, isto é, um sítio onde se plantavam cereais e frutas como a oliveira, a figueira e a videira. O sítio precisava de cuidados e o pai pediu ao primeiro filho: “Filho, vai trabalhar hoje na vinha!” Mas o filho respondeu com grosseria “não!”; depois se arrependeu e foi trabalhar. Pediu a outro filho a mesma coisa e ele logo disse: “Sim, Senhor, eu vou!” Mas não foi. Quando Jesus perguntou aos adversários qual foi o filho que fez a vontade do pai, a resposta era evidente: “O primeiro”. – O primeiro filho pecou por falta de educação, mas, arrependido, acabou cumprindo a vontade do pai. O segundo filho foi até educado com o pai, mas não cumpriu sua vontade. É sobre o segundo filho que se concentra o foco da parábola, que Jesus aplica aos seus adversários: “As prostitutas e os cobradores de impostos vos precedem no Reino dos Céus”. Porque ouviram aos apelos de conversão de João Batista e se converteram, o que não aconteceu com os adversários de Jesus. No sermão da montanha Jesus disse: “Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21). – Seria bom nos colocarmos na pele dos sumos sacerdotes e anciãos e nos deixarmos julgar pelas palavras de Jesus.

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.
   

set 24

A JUSTIÇA DE DEUS NÃO É IGUAL À DOS HOMENS

LUDOVICO GARMUS

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM – A SALVAÇÃO É IGUAL, PARA OS PRIMEIROS E PARA OS ÚLTIMOS –

*Por Frei Ludovico Garmus, OFM –

ORAÇÃO: “Ó Pai, que resumistes toda a lei no amor a Deus e ao próximo, fazei que, observando o mandamento do amor a Deus e ao próximo, consigamos chegar um dia à vida eterna”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 55,6-9

Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos.

O texto que ouvimos foi escrito (540 a.C.) por um profeta anônimo, discípulo do grande profeta Isaías (séc. VIII a.C.), quando termina o império da Babilônia e começa o império dos persas. O profeta convoca os exilados a buscar o Senhor “enquanto pode ser achado” e invocar “enquanto ele ainda está perto”. É o momento de invocar o Senhor; é a hora da conversão, pois Deus está pronto para perdoar. Ele não abandonou seu povo no exílio, como muitos pensavam. Pelo contrário, está bem próximo de seu povo e pode ser encontrado. Para que isso aconteça, o pecador deve buscar o Senhor, invocar seu santo nome e abandonar o mau caminho, pois Ele é generoso no perdão. Agora é o momento histórico para isso aconteça: Ciro, o rei persa, vai permitir a volta do povo à Terra Prometida. O que parece humanamente impossível acontecer (vossos pensamentos, vossos caminhos) – diz Deus – é possível para Deus (meus caminhos, meus pensamentos).

Nossa existência neste mundo é o tempo da conversão e da graça divina da salvação. Basta abandonar os maus caminhos e voltar-se a Ele para acolher sua graça. Deus não quer a morte de ninguém, mas convida todos à conversão (cf. Ez 18,32).

SALMO RESPONSORIAL: Sl 144(145)

O Senhor está perto da pessoa que o invoca!

2. SEGUNDA LEITURA: Fl 1,20c-24.27ª

Para mim, o viver é Cristo.

A comunidade de Filipos era formada por alguns judeus, por simpatizantes do judaísmo e, sobretudo, por muitos pagãos convertidos. É a primeira comunidade cristã da Europa fundada por Paulo, durante a segunda viagem missionária, pelos anos 49-50. Tornou-se a comunidade mais querida do Apóstolo, que a visitou mais duas outras vezes (57-58). Paulo escreve da prisão em Éfeso. É uma carta muito pessoal, na qual procura confortar e animar os cristãos. Nela expressa também seus sentimentos na perspectiva de uma possível condenação à morte. Nestas circunstâncias Paulo se pergunta o que lhe seria melhor: morrer para estar definitivamente com Cristo – o que lhe seria vantajoso – ou viver para continuar servindo à comunidade? Em outras palavras, sem Cristo a vida não teria sentido para Paulo. O importante para ele é estar unido a Cristo, seja morrendo, seja vivendo pela causa do Evangelho. “Mas para vós é mais necessário que eu continue minha vida neste mundo” – diz o Apóstolo – a fim de que os filipenses possam ter a mesma experiência de união com Cristo como a de Paulo. Para os cristãos o centro da vida cristã é Jesus Cristo. – “Onde estiver vosso tesouro, aí também estará o vosso coração” (Mt 6,21). Jesus compara o Reino de Deus (Céus) a um tesouro escondido no campo ou a uma pérola muito preciosa. E quem é sábio investe tudo o que tem para conquistá-lo (Mt 13,44-46).

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO:

Vinde abrir o nosso coração, Senhor;

ó Senhor, abri o nosso coração,

e, então, do vosso Filho a palavra,

poderemos acolher com muito amor.

3. EVANGELHO: Mt 20,1-16a

Estás com inveja porque eu estou sendo bom?

O Evangelho que ouvimos é conhecido como a “parábola dos trabalhadores da vinha”. Nesta parábola Jesus parte da realidade dura do trabalho no campo, de todos conhecida. Na lei judaica se previa que o valor da diária (doze horas de trabalho) fosse pago no fim do dia. Era uma espécie de salário mínimo. No costume romano, o valor da diária era uma moeda de prata, considerado o mínimo suficiente para alimentar uma família de seis pessoas, por um dia. Na época das colheitas, os homens que esperavam ser contratados reuniam-se, desde a madrugada, numa praça. Os patrões se dirigiam à praça, bem cedo, uma só vez, e iam escolhendo os mais fortes e saudáveis; assim, os mais fracos e doentes ficavam sobrando, às vezes, sem conseguirem trabalhar; com isso, a família ficava sem comida no final do dia. O bom patrão da parábola se dirige várias vezes à praça e contrata os que “sobraram”. Com os primeiros combina como diária uma moeda de prata; aos outros promete pagar o que fosse justo, que, no costume de então, seria o proporcional às horas trabalhadas. No final do dia, o bom patrão começa a pagar pelos trabalhadores da última hora e lhes paga uma moeda de prata, o suficiente para sustentar uma família. Os contratados da primeira, vendo que os últimos ganhavam uma moeda de prata, esperavam ganhar mais de uma moeda de prata (valor combinado), e por isso reclamam. O bom patrão (Deus) responde que eles receberam o que foi combinado (justiça humana: “vossos pensamentos”, 1ª leitura), mas ele tinha direito de dar a mesma paga aos contratados nas últimas horas, pois levava em consideração a necessidade de suas famílias (justiça divina: “meus pensamentos”). Na resposta aos trabalhadores das primeiras horas, o patrão se justifica com três perguntas, que nos convidam a refletir no sentido da parábola: 1) “Não combinamos uma moeda de prata?” – 2. Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence?” – 3. “Ou estás com inveja, porque eu estou sendo bom?” – A salvação trazida por Jesus Cristo não é um “direito” reservado aos judeus e fariseus (trabalhadores da primeira hora), que se consideravam perfeitos na observância da Lei. Pelo contrário, é oferecida a todos, incluindo pecadores e pagãos, trabalhadores da última hora. É assim que funciona a justiça de Deus. Ele oferece gratuitamente a salvação a todos seus filhos e suas filhas.

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

set 17

JESUS TRAZ UM NOVO PRECEITO

LUDOVICO GARMUS

XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM – EIS UM NOVO MANDAMENTO –

 *Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, criador de todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos a ação do vosso amor, fazei que vos sirvamos de todo o coração”.

 I - PRIMEIRA LEITURA: Eclo 27,33–28,9

Perdoa a injustiça cometida por teu próximo;

quando orares, teus pecados serão perdoados.

 O autor destas palavras é um sábio (200 a.C.), que dá conselhos a seus ouvintes. Para viver uma vida feliz aponta algumas condições: 1) libertar-se do rancor e da vingança contra o ofensor; 2) perdoar a injustiça cometida pelo próximo, porque, quando orar, seus pecados serão perdoados; 3) quem guarda rancor contra o próximo e dele não se compadece, quando pedir perdão de seus pecados não será atendido; 4) lembrar-se que um dia iremos morrer e prestar contas a Deus; 5) Pensar na aliança que Deus fez conosco e não levar em conta a falta alheia (Evangelho). – Jesus inclui o pedido de perdão na oração do Pai-Nosso.

 SALMO RESPONSORIAL: Sl 102

O Senhor é bondoso, compassivo e carinhoso.

 II - SEGUNDA LEITURA: Rm 14,7-9

Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor.

 O apóstolo Paulo escreve à comunidade cristã em Roma. Era uma comunidade mista, composta por cristãos de origem judaica e cristãos de origem pagã. Por informações do o casal judeu-cristão, Áquila e Priscila, expulsos de Roma (cf. At 18,1-4), Paulo sabia das tensões entre cristãos de origem judaica e cristãos de origem pagã, motivadas por diferenças culturais e costumes alimentares (Rm 14,1-6). Um judeu-cristão, por exemplo, não comia carne vendida no mercado público, porque podia ser carne de animal sacrificado aos ídolos pagãos. No caso de uma refeição em comum, Paulo recomenda que o gentio-cristão, acostumado a comer de tal carne, se abstenha de comê-la em respeito à consciência “fraca” do judeu-cristão (cf. 1Cor 8,1-13). O importante, diz Paulo, é que tanto quem come de tudo com quem se abstêm de algum alimento, ambos devem dar graças a Deus (Rm 14,6). No texto que acabamos de ouvir (v. 7-9), Paulo insiste no essencial que une a todos os cristãos: Cristo Jesus. Não vivemos nem morremos para nós mesmos. Vivemos e morremos para o Senhor, porque pertencemos todos ao Senhor. O que importa é que Cristo morreu e ressuscitou para ser o Senhor dos mortos e dos vivos.

 ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Eu vos dou este novo mandamento,

nova ordem, agora, vos dou;

que, também, vos ameis uns aos outros

como eu vos amei, diz o Senhor.

III - EVANGELHO: Mt 18,21-35

Não te digo perdoar até sete vezes,

mas até setenta vezes sete.

 O texto hoje lido faz parte do assim chamado “sermão da comunidade” de Mateus. A passagem começa com a pergunta de Pedro sobre o perdão das ofensas (v. 21-22) e continua com a parábola do devedor cruel (v. 23-35), ambas exclusivas de Mt. O evangelista, depois de tratar do perdão de ofensas graves que envolvem a comunidade cristã (cf. domingo passado: v. 15-20), fala agora do limite do perdão entre duas pessoas da comunidade. É Pedro que, em nome dos discípulos, introduz a questão com uma pergunta: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” No judaísmo rabínico o limite máximo para o perdão fraterno era de até quatro vezes. Na pergunta, Pedro amplia o imperativo do perdão para sete vezes, número considerado perfeito. Na resposta, Jesus amplia de certa forma o imperativo do perdão até o infinito: “Não te digo, até sete vezes, mas até setenta vezes sete”. Porque o perdão de Deus é gratuito, é fruto de seu amor infinito. O amor de Deus é a medida do amor ao próximo e também do perdão a ele dado ou dele recebido: “Se perdoardes as ofensas dos outros, vosso Pai celeste também vos perdoará” (Mt 6,14).

O perdão é gratuito, mas supõe por parte do ofensor a disposição de pedir e acolher o perdão oferecido por Deus, como aprendemos na Oração do Senhor: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. É o que Jesus nos ensina na parábola do devedor cruel (Mt 18,23-35). Um homem devia ao seu patrão uma enorme fortuna, simplesmente impagável. No acerto de contas, o patrão mandou que o empregado fosse vendido, com mulher e filhos e com tudo que possuía, para pagar ao menos parte da dívida. O empregado, porém, prostrado aos pés do patrão, suplicava: “Dá-me um tempo e eu te pagarei tudo!” O patrão, cheio de compaixão, perdoou tudo o que o empregado lhe devia e mandou soltá-lo. Este, porém, logo que saiu, foi cobrar uma insignificante dívida de seu companheiro; agarrou-o e quase o sufocando dizia: “Paga-me o que deves”. O pobre do companheiro lhe suplicava: “Dá-me um tempo e te pagarei tudo”. Mas o empregado não quis saber e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse a divida. Ao saber disso, o patrão, cheio de indignação mandou chamar o empregado cruel e lhe disse: “Eu te perdoei tudo porque me suplicaste. Não devias também tu ter compaixão de teu companheiro como eu tive de ti?” E o empregado foi entregue aos torturadores até que pagasse tudo. – Na minha relação com o próximo sou mais parecido com o Pai misericordioso ou ao empregado cruel? O perdão que pedimos e o perdão que damos aos outros são a melhor preparação para celebrarmos dignamente a Eucaristia.

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.
   

set 03

AS RENÚNCIAS EXIGIDAS PELO EVANGELHO

LUDOVICO GARMUS

22º DOMINGO DO TEMPO COMUM – O EVANGELHO EXIGE RENÚNCIAS –

 *Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: Deus do universo, fonte de todo bem, derramai em nossos corações o vosso amor e estreitai os laços que nos unem convosco para alimentar em nós o que é bom e guardar com solicitude o que nos destes”.

PRIMEIRA LEITURA: Jr 20,7-9

A palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha.

Jeremias não escolheu ser profeta do Senhor. Foi escolhido por Deus, conforme no-lo conta (1,4-10), desde o ventre materno. Os tempos em que vivia eram difíceis: O reino de Judá, após a morte do rei justo Josias, teve maus governantes, a sociedade era injusta e violenta, a religião era ameaçada pela prática da idolatria e sincretismo religioso. A missão que recebeu de Deus era bastante negativa: “Dou-te hoje – disse-lhe o Senhor – o poder sobre nações e reinos, para arrancar e destruir, para exterminar e demolir, para construir e plantar”. Seus ouvintes – reis, príncipes do povo, sacerdotes, juízes e as pessoas ricas – não gostavam de ouvir suas repreensões e ameaças de castigo, como invasão estrangeira, destruição do templo, exílio, etc. Por isso, até os próprios conterrâneos o odiavam, negavam-lhe o casamento (11,18-23; 16,1-9), afastavam-se dele e o ameaçavam de morte para fazê-lo calar. O texto que ouvirmos mostra que o profeta tinha vontade de desistir e largar tudo; por isso, ele se desabafa diante de Deus, que o conforta e anima a prosseguir na missão recebida. Algo muito forte dentro dele dizia que devia continuar falando coisas desagradáveis para seus ouvintes que não queriam converter-se, zombavam dele e até o ameaçavam, mas necessárias para o bem-estar e salvação do povo.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 62

A minha alma tem sede de vós, como a terra sedenta, ó meu Deus!

SEGUNDA LEITURA: Rm 12,1-2

Oferecei-vos em sacrifício vivo.

Paulo nos convida a viver o evangelho de hoje: Não pensar como o mundo (“ganhar a vida”), mas “perder a vida” por amor a Jesus e de seu Evangelho, oferecendo-a “em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”, isto é, colocando-se a serviço do próximo.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Ef 1,17-18

Que o Pai do Senhor Jesus Cristo nos dê do saber o espírito;

Conheçamos, assim, a esperança à qual nos chamou, como herança!

EVANGELHO: Mt 16,21-27

Se alguém quer me seguir renuncie a si mesmo.

Domingo passado ouvimos Pedro confessando Jesus como o Cristo e Filho de Deus. Jesus, então, falava em edificar sua Igreja sobre esta confissão de Pedro e lhe prometia o poder de ligar e desligar, as chaves do Reino dos Céus; isto é, confiava-lhe a direção de sua Igreja. Pedro e os apóstolos tinham os seus próprios sonhos e expectativas a respeito de Jesus, agora, reconhecido como o Messias esperado. Mas, hoje, no evangelho que acabamos de ouvir, Jesus começa a explicar-lhes de que forma ele será o Messias. A viagem que faziam a Jerusalém não terminaria em triunfo, mas na sua rejeição pelos chefes do povo e na sua condenação à morte. Pedro, elogiado no domingo anterior, sente-se no direito de censurar Jesus por ideias tão negativas e assustadoras. Mas Jesus o repreende severamente: “Vai para longe, Satanás!” Não era Pedro que devia guiar Jesus, mas, sim, colocar-se no seguimento do Mestre. Pedro pensava como os homens pensam e não como Deus. Em seguida, Jesus se volta para os discípulos e expõe qual é o pensamento de Deus: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por amor de mim, vai salvá-la”. Lucas diz que Jesus falou isso para “as multidões que o seguiam”; portanto, também para nós. Quando o evangelho de Mateus foi escrito, após o ano 70, seguir a Jesus significava carregar a sua cruz, o desprezo, as perseguições e a própria morte [1ª leitura]. Mas a meta final desta viagem a Jerusalém é a ressurreição de Cristo. Assim o é também para todos nós: “Porque o Filho do Homem virá na glória de seu Pai... e retribuirá, a cada um, de acordo com a sua conduta”.

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 *Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.
   

ago 27

TU ÉS PEDRO!

LUDOVICO GARMUS

21º DOMINGO DO TEMPO COMUM – TU ÉS O CRISTO, O FILHO DO DEUS VIVO –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm

ORAÇÃO: “Ó Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num só desejo, daí ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que, na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Is 22,19-23

Eu o farei levar aos ombros a chave da casa de Davi.

Isaías denuncia Sobna, que administrava o palácio real (casa real de Davi), por causa de sua política externa equivocada e do desvio de bens públicos. Anuncia que Deus cassará seu ofício e transferirá o “poder das chaves” para Eliacim, que será o novo administrador. – Como o administrador age em nome do rei e participa de seu poder, assim também Pedro participa do poder de Cristo, descendente de Davi, e age em seu nome (Mt 16,19).

SALMO RESPONSORIAL: Sl 137 (138)

Ó Senhor, vossa bondade é para sempre!

Completai em mim a obra começada!

2. SEGUNDA LEITURA: Rm 11,33-36

Tudo é dele, por ele, e para ele.

Em Rm 9–11. Paulo sente dor e espanto pelo fato de o povo judeu herdeiro legítimo das promessas não ter acolhido Jesus como o Salvador e Messias prometido. Mas vê nisso a sabedoria de Deus, que abriu o caminho da salvação antes para os pagãos, através de seu ministério. Tem esperança, porém, que um dia também os judeus, como povo eleito que são, acolherão a salvação, pois Deus jamais rejeita os que ele escolheu.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja;

E os poderes do reino das trevas jamais poderão contra ela!

3.EVANGELHO: Mt 16,13-20

Tu és Pedro, e eu te darei as chaves do Reino dos céus.

Depois que Jesus foi rejeitado pelos seus conterrâneos em Nazaré (13,54-58) e ficou sabendo da morte de João Batista, procura estar a sós e refletir sobre sua missão (14,1-13). Então, há uma virada na atividade de Jesus. Desacreditado pelos escribas e fariseus (Mt 16,1-4) e mal entendido pelos próprios discípulos (16,5-12), Jesus se retira para a região isolada de Cesareia de Filipe, a fim de dedicar mais à formação dos discípulos. É neste “retiro” que lhes pergunta sobre as expectativas do povo ao seu respeito: “Quem as pessoas dizem que é o Filho do Homem?”

Nas respostas, alguns viam uma continuidade entre a pregação de Jesus e a de João Batista; outros achavam que era o Elias esperado Dia do Senhor, para o fim dos tempos, que traria a renovação total do povo de Deus (Ml 3,22-24); outros viam em Jesus um profeta, corajoso como Jeremias, que enfrentava as autoridades religiosas e civis.

Quando Jesus pergunta: “Quem dizeis que eu sou?” é Pedro que toma a iniciativa e diz: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. – Esta confissão de fé tornou-se a pedra fundamental da Igreja de Jesus Cristo, como lhe prometeu Jesus. Nesta nova Igreja Pedro recebe o poder de “ligar a desligar” (Mt 16,19) e de “apascentar as ovelhas e os cordeiros” (Jo 21,15-17). Exige dele apenas que o ame e seja fiel à sua missão. Pedro, em nome de Jesus, conduzirá a Igreja de Cristo, mas quem vai construí-la é o próprio Cristo. Pois a Igreja é constituída dos que nele creem: “E vós também, como pedras vivas, tornai-vos um edifício espiritual” (1Pd 2,5). – Pedro é um homem como nós, frágil, humano, pecador; mas foi escolhido por Jesus para guiar a sua Igreja. Jurou que seria sempre fiel a Jesus, mas o negou três vezes. Mesmo assim, Jesus o escolheu e rezou por ele para confirmasse seus irmãos na fé (Lc 22,31-34). Eis a missão de Pedro e do Papa Francisco, que também se confessa frágil e pecador e pede nossas orações. Ele nos confirma na fé, como o fez na IMJ e na recente visita aos católicos da Coreia do Sul.

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

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