Lisaac

Sementes de vida, ������© tempo de semear

Arquivo por categoria: REFLETINDO SOBRE A PALAVRA

mai 13

REFLETINDO SOBRE A PALAVRA – ASCENSÃO DO SENHOR

LUDOVICO GARMUS

DOMINGO DA ASCENSÃO –

* Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus todo-poderoso, a ascensão do vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, como membros de seu corpo, somos chamados na esperança a participar da sua glória”.

1. LEITURA: At 1,1-11

Foi levado ao céu e sentou-se à direita de Deus.

Lucas escreveu dois livros: o Evangelho e os Atos dos Apóstolos. Nestes livros ele divide a história da salvação em três tempos: a) o tempo da promessa é o Antigo Testamento até o final da atividade de João Batista; b) o tempo da realização da promessa, que é a vida pública de Jesus, desde o batismo de João Batista, quando Jesus é ungido pelo Espírito Santo, até a Ascensão ao céu; c) o tempo da Igreja, que se inicia com o dom do Espírito Santo. No trecho da Palavra de Deus que hoje escutamos Lucas lembra o seu primeiro livro no qual mostrou “tudo o que Jesus começou a fazer e ensinar”. Isto é, desde o batismo de Jesus até o dia em que “foi elevado ao alto”. Mas esta frase também sugere que, no segundo livro, os Atos dos Apóstolos, vai falar daquilo que a Igreja, movida pela força do Espírito Santo, continuou a “fazer e ensinar”. – O tempo da Igreja é inaugurado pelo próprio Jesus Ressuscitado, que durante quarenta dias instrui os apóstolos sobre as “coisas referentes ao Reino de Deus”. Entre elas, Jesus recomenda que não se afastem de Jerusalém, até receberem o Espírito Santo. Alguns ainda lhe perguntavam: “Senhor, é agora que vais restabelecer o reino de Israel?” Em vez do reino de Israel, Jesus lhes traça o programa do anúncio do Reino de Deus (missão), depois que recebessem o Espírito Santo: “Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, Judeia e Samaria, até os confins da terra”. Enquanto os apóstolos estão fitando os céus para onde Jesus se afastava, dois anjos lhes aparecem e dizem: “Por que ficais aqui parados, olhando para o céu?” É um chamado de volta à realidade do dia-a-dia. Jesus vai voltar um dia, sim, mas agora é o momento de cumprir a ordem de executar a missão delineada por Jesus: Com a força do Espírito Santo, eles devem ser testemunhas do Ressuscitado, em Jerusalém, na Judeia e Samaria, até os confins da terra. – O Papa Francisco nos pede para não ficarmos apenas parados, esperando a vinda do Senhor no fim dos tempos, mas nos desafia a sermos uma Igreja em saída.

2. SEGUNDA LEITURA: Ef 1,17-23

E o fez sentar-se à sua direita nos céus.

O Apóstolo nos convida a abrirmos o coração, para sabermos qual a esperança que o chamado divino nos dá, qual a riqueza de nossa herança com os santos e que imenso poder Deus exerce naqueles que nele creem. A força do Espírito Santo, derramado em nosso coração, é que nos envia em missão. O Espírito Santo é a força de Cristo, que o Pai “ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus”. O triunfo de Cristo, a Cabeça, é também o triunfo dos fiéis, que são “membros do seu corpo” (Oração).

3. EVANGELHO: Mc 16,15-20

Foi levado ao céu e sentou-se à direita de Deus.

Nos manuscritos mais antigos, o Evangelho atribuído a Marcos termina em 16,8: Na manhã do primeiro dia da semana, as mulheres visitam o túmulo e encontram-no aberto. Um anjo lhes explica que Jesus não estava mais ali, porque havia ressuscitado. O anjo, então, lhes ordena que avisem aos discípulos e a Pedro sobre o ocorrido e que devem ir à Galileia, onde verão o Ressuscitado. Mas elas fogem apavoradas sem dizer nada a ninguém. Este era o final original de Marcos, como consta nos códices manuscritos mais antigos. A síntese dos relatos sobre as aparições do Ressuscitado (v. 9-14), o relato da missão dada aos apóstolos e a ascensão de Jesus ao céu (v. 15-20), hoje proclamado, são tardios. Foram acrescentados mais tarde (II séc.), valendo-se das narrativas de outros evangelhos, sobretudo, João e Lucas. – O autor deste acréscimo lembra a aparição de Jesus a Maria Madalena, mas os discípulos não lhe dão crédito. O mesmo acontece quando os discípulos de Emaús lhes contam que tinham visto Jesus ressuscitado. A insistência na incredulidade dos discípulos é uma advertência a nós que somos convidados para crermos nas testemunhas da ressurreição, sem que tenhamos visto pessoalmente o Senhor (cf. Jo 20,25.29). Como em Mt 20,16-20, Jesus repreende a incredulidade dos onze; mesmo assim, os envia em missão: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura”. Aponta como caminho da salvação a fé em Jesus Cristo e o batismo, e confere aos apóstolos o poder de fazer milagres. Por fim, lembra a ascensão de Jesus ao céu e como os discípulos cumpriram sua missão, com a assistência do Senhor, que confirmava a Palavra anunciada com milagres. O autor não fala diretamente do Espírito Santo, mas supõe sua ação permanente na missão da Igreja. A ascensão de Jesus ao céu marca o fim de sua missão aqui na terra e o começo da missão de seus discípulos (cf. Elias e Eliseu: 2Rs 2,9-18). “Por que ficais aqui, parados, olhando o céu?” – perguntavam os anjos aos apóstolos. Sejamos uma Igreja em saída, nos diz o Papa Francisco.

___________________________________________
* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

mai 06

REFLETINDO SOBRE A PALAVRA

LUDOVICO GARMUS

6º DOMINGO DA PÁSCOA – AMAI-VOS UNS AOS OUTROS –

* Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Deus todo-poderoso, dai-nos celebrar com fervor estes dias de júbilo em honra do Cristo Ressuscitado, para que nossa vida corresponda sempre aos mistérios que celebramos”.

1. PRIMEIRA LEITURA: At 10,25-26.34-35.44-48

O dom do Espírito Santo

também foi derramado sobre os pagãos.

Lucas, nos Atos dos Apóstolos, descreve como o Evangelho foi anunciado depois de Pentecostes, primeiro aos judeus (At 2). Depois, o diácono Estêvão começa a ser pregar o evangelho aos judeus de língua grega, que o apedrejam na presença de Paulo (At 6–7). Em seguida, o diácono Filipe prega aos samaritanos, separados do judaísmo oficial, e ao camareiro etíope, um pagão simpatizante do judaísmo (At 8). Domingo passado, Lucas nos falava de Paulo, que antes havia apoiado o apedrejamento de S. Estêvão, mas agora era um convertido à fé cristã. Depois que Barnabé o apresentou aos apóstolos, Paulo começou a pregar em Jerusalém aos judeus de língua grega (At 9). Na leitura de hoje, porém, Lucas quer mostrar que a iniciativa de Paulo, ao pregar o evangelho aos judeus de língua grega e aos pagãos, teve o apoio dos apóstolos e do próprio Pedro, chefe dos apóstolos. Levado pelo Espírito Santo, ele começou a pregar a fé em Cristo Ressuscitado aos pagãos. Quando é acolhido pelo comandante romano, Cornélio, Pedro conta-lhe a visão que teve em Jope; este, por sua vez, explica que o havia chamado para conhecer melhor a Jesus Cristo. Pedro então reconhece que “Deus não faz distinção de pessoas”, mas acolhe qualquer pessoa de qualquer nação, que teme a Deus e pratica a justiça. Enquanto Pedro falava, o Espírito Santo desceu sobre todos os ouvintes, assim como havia acontecido no Cenáculo no dia de Pentecostes. Ao ver o fenômeno, os judeu-cristãos que o acompanhavam ficaram perplexos e Pedro mandou que a família toda fosse batizada em nome de Jesus Cristo. Não havia como não serem batizados, pois o próprio Espírito Santo já havia sido derramado sobre eles. O espanto dos acompanhantes tornou-se uma crítica em Jerusalém à iniciativa de Pedro, e ele teve que se explicar aos judeu-cristãos de Jerusalém (cf. At 10–11). Lucas dá amplo espaço a esta narrativa, pela importância que o evento teve ao abrir uma nova fase para a difusão do cristianismo entre os pagãos. Com essa nova abertura ao mundo grego, aos poucos vai se concretizando o plano traçado por Jesus Ressuscitado, antes de sua Ascensão ao céu: “Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, até os confins da terra” (At 1,8). Uma Igreja em saída é a novidade que o Espírito Santo nos propõe hoje pela boca do Papa Francisco.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 97

O Senhor fez conhecer a salvação

e revelou sua justiça às nações.

2. SEGUNDA LEITURA: 1Jo 4,7-10

Deus é amor.

A primeira Carta de João, desde o início, é perpassada pelo tema do amor. Também o trecho que acabamos de ouvir é marcado pelo mesmo tema. Em apenas quatro versículos, as palavras “amar” ou “amor” aparecem dez vezes. O próprio Apóstolo João dirige-se aos irmãos de fé com palavras carinhosas, como “filhinhos”, “caríssimos” – isto é, muito amados. A comunhão de amor entre os cristãos expressa a comunhão de amor entre o Pai e seu Filho Jesus Cristo. Somente quando vivemos o amor fraterno entre nós, podemos dizer que conhecemos a Deus e dele nascemos. Assim nos tornamos seus filhos, “pois Deus é amor”. Não fomos nós que tomamos a iniciativa deste diálogo de amor. Foi Deus, a fonte do Amor, quem nos amou por primeiro, “enviando seu Filho único ao mundo para que tenhamos vida por meio dele”. Para que recebermos esta vida, o Filho único de Deus entregou sua própria vida por nós, morrendo “pelos nossos pecados”.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Quem me ama realmente guardará minha palavra,

e meu Pai o amará, e a ele nós viremos.

3. EVANGELHO: Jo 15,9-17

Ninguém tem maior amor

do que aquele que dá a vida pelos amigos.

O evangelho que hoje ouvimos é uma explicitação da alegoria da videira e seus ramos, meditada no Domingo passado. Antes Jesus dizia: “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós”; somente assim poderemos produzir os frutos que Deus de nós espera. Hoje, nos é explicado o que significa este “permanecer” em Cristo e produzir fruto. É a nossa ligação contínua a Cristo e ao Pai pelo amor: “Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor”. Este amor que recebemos do Pai por meio de Jesus Cristo, simbolizado pela relação agricultor-videira-ramos, não é uma conquista nossa, mas uma livre escolha e dom de Deus, que nos amou primeiro: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi... para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça”. Jesus está se despedindo dos discípulos, após a última ceia; por isso podemos pedir o que quisermos e nos será concedido. Jesus, porém, nos deixa o mandamento do amor: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. Esta é a condição para sermos atendidos em nossas orações.

_____________________________________________________________

* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

abr 29

REFLETINDO SOBRE A PALAVRA

LUDOVICO GARMUS

5º DOMINGO DA PÁSCOA – PERMANECEI EM MIM –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm

ORAÇÃO: “Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem no Cristo a liberdade verdadeira e a herança eterna”.

1. PRIMEIRA LEITURA: At 9,26-31

Contou-lhes como tinha visto o Senhor no caminho.

Domingo passado ouvimos o discurso de Pedro, explicando ao povo que foi em nome de Jesus de Nazaré, “aquele que vós crucificastes e que Deus ressuscitou dos mortos”, que o paralítico foi curado. Na leitura de hoje Lucas nos apresenta Paulo, o futuro evangelizador dos gentios. Paulo, que antes aprovou o apedrejamento de Estêvão e perseguia os cristãos, agora volta a Jerusalém e procura juntar-se à comunidade cristã. Mas é visto com desconfiança. Barnabé, que era de origem grega como Paulo. Apresentou-o aos apóstolos e “contou-lhes que Paulo tinha visto o Senhor no caminho e de sua “coragem em anunciar o nome Jesus em Damasco. E assim Paulo foi acolhido pela comunidade de Jerusalém e começou a com entusiasmo aos helenistas; estes, porém, queriam matá-lo, como o fizeram com Estêvão. Mas os irmãos de fé o puseram a salvo, encaminhando-o a Cesareia Marítima e depois a Tarso, sua cidade natal. Lucas quer assim mostrar Paulo como alguém que está em comunhão com a Igreja-mãe de Jerusalém. A versão de Paulo sobre sua conversão e missão entre os pagãos é um pouco diferente (Gl 1,18-21). Ele diz que, em Jerusalém, “viu” apenas Pedro. Com isso afirma que sua maneira de pregar o evangelho era aprovada pelo chefe dos apóstolos. Paulo, portanto, estava unido à Igreja-mãe, como o ramo que produz fruto está unido à videira (evangelho, v. 5).

SALMO RESPONSORIAL: Sl 21

Senhor, sois meu louvor

em meio à grande assembleia!

2. SEGUNDA LEITURA: 1Jo 3,18-24

Este é o seu mandamento:

que creiamos e nos amemos uns aos outros.

O autor desta carta insiste no que é essencial da vida cristã: nossa fé em Jesus Cristo e a vivência do amor fraterno. Nisto se resumem os mandamentos que devemos observar para agradar a Deus (evangelho). Não basta dizer que amo a Deus. É preciso concretizar este amor, amando de verdade os irmãos: “Não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade!” É a vivência da fé em Cristo e a observância do amor fraterno que nos liga a Deus: “Quem guarda os seus mandamentos permanece com Deus e Deus permanece com ele”. Seremos como os ramos ligados à videira, que é de Deus (evangelho).

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO:

Ficai em mim, e eu em vós hei de ficar, diz o Senhor;

quem em mim permanece, esse dá muito fruto.

3. EVANGELHO: Jo 15,1-8

Quem permanece em mim, e eu nele, produz muito fruto.

Na alegoria da videira, o evangelho de hoje explicita a união de Jesus com o Pai e nossa união com Deus, enquanto estamos unidos com Jesus. No AT Israel é a videira – a vinha que, apesar de bem cuidada por Deus, não produziu os frutos dela esperados (cf. Is 5,1-7). Jesus é a videira verdadeira que pertence a Deus, o agricultor. Jesus é de Deus. Dele são também os ramos, isto é, os fiéis, enquanto estão ligados a Jesus. Pela palavra de Jesus (v. 3), o Pai como agricultor faz a limpeza da vinha (a poda): corta fora os ramos sem vida e limpa os ramos que têm a seiva, para que produzam mais frutos. O cristão produz bons frutos enquanto recebe a seiva da videira, isto é, se deixa conduzir pelas palavras de Jesus. Por isso, para produzir bons frutos é necessário estar ligado a Cristo: “Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer”. Permanecendo em Jesus e nas suas palavras (o mandamento do amor), nos tornamos seus discípulos e glorificamos o Pai. Ele é o agricultor que se alegra com os bons frutos produzidos pelos ramos ligados à videira, que é seu Filho Jesus. O fruto que o Pai espera de nós é a fé que nos liga a Cristo, e a observância do mandamento do amor, que nos une como irmãos.

__________________________________________________

* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

abr 15

REFLETINDO SOBRE A PALAVRA – ELE RESSUSCITOU

LUDOVICO GARMUS

3º DOMINGO DA PÁSCOA – APÓS A MORTE, A RESSURREIÇÃO!

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm

ORAÇÃO: “Ó Deus, que vosso povo sempre exulte pela sua renovação espiritual, para que, tendo recuperado agora com alegria a condição de filhos de Deus, espere com confiança o dia da ressurreição”.

1. PRIMEIRA LEITURA: At 3,13-15.17-19

Vós matastes o autor da vida,

mas Deus o ressuscitou dos mortos.

Depois que Pedro e João curaram o paralítico, este os acompanhava por toda parte; isso atraiu muita gente para ver o maravilhoso acontecimento. Então Pedro tomou a palavra para explicar o acontecido. Não foram eles que o curaram, e sim, Jesus. Este Jesus, que o povo e as autoridades haviam rejeitado diante de Pilatos. Preferiram que lhes soltasse Barrabás, um assassino, e condenasse à morte Jesus, o “Santo e Justo”, o próprio “Autor” ou princípio “da vida”, por meio do qual Deus concede a Israel a conversão e o perdão dos pecados (5,31). Escolheram um assassino, que tira a vida, e rejeitaram a Jesus, aquele que dá a vida. – Os vários títulos dados a Jesus fazem parte da pregação dos primeiros cristãos. – O mais importante, porém, é o anúncio da ressurreição de Jesus, rejeitado “por ignorância” pelo seu povo. Pedro explica que, assim, Deus quis cumprir o sofrimento do Messias, anunciado pelos profetas. Ao dizer que Jesus foi rejeitado pelo seu povo “por ignorância”, Pedro se coloca no mesmo nível dos que ele acusa. Talvez, se lembrasse que ele próprio havia negado Jesus no tribunal judaico; mas arrependeu-se e foi perdoado. Experimentou a misericórdia divina e, por isso, exorta os ouvintes: “Arrependei-vos e convertei-vos, para que vossos pecados sejam perdoados”. No domingo passado (Jo 20,19-31) perdoou os discípulos que o traíram, negaram e abandonaram; deu-lhes também o Espírito Santo para perdoarem os pecados. Hoje, Pedro coloca-se como pecador perdoado, que anuncia a boa-nova do perdão e da reconciliação aos seus ouvintes.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 4

Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face!

2. SEGUNDA LEITURA: 1Jo 2,1-5ª

Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados,

e também pelos pecados do mundo inteiro.

Com palavras paternais, o autor da Carta exorta os cristãos do final do I século a não pecarem. Tem consciência que as pessoas podem tornar-se infiéis à primeira conversão, quando abraçaram a fé cristã e receberam o perdão dos pecados. Lembra, contudo, que, se alguém pecar, pode confiar em Jesus Cristo, o intermediário junto ao Pai, e ser novamente perdoado. Mas quem conhece/experimenta a misericórdia do perdão de Deus é convidado a observar os seus mandamentos, a fim de que nele se realize o seu amor divino.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Lc 24,32

Senhor Jesus, revelai-nos o sentido da Escritura,

fazei o nosso coração arder, quando nos falardes.

3. EVANGELHO: Lc 24,35-48

Aleluia, Aleluia, Aleluia.

Assim está escrito: o Messias sofrerá

e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia.

Lucas fala de três manifestações de Jesus ressuscitado: Na primeira, algumas mulheres que seguiram Jesus desde a Galileia, visitam o túmulo e encontram-no vazio; dois anjos lhes explicam o que aconteceu: “Ele não está aqui, mas ressuscitou como havia prometido”. Elas não veem a Jesus. Mesmo assim, comunicam a notícia aos apóstolos, mas eles não acreditam (24,1-12). Depois, Jesus se manifesta a dois discípulos no caminho de Emaús. Quando estes voltam a Jerusalém e comunicam o acontecimento aos onze e aos discípulos reunidos, estes o confirmam: “O Senhor ressuscitou de verdade e apareceu a Simão” (24,13-35). Por fim, no evangelho de hoje (v. 36-48), enquanto os apóstolos ouviam o relato dos discípulos de Emaús, Jesus aparece e os saúda: “A paz esteja convosco!” Mas eles se assustam, pensando ver um fantasma. Para tirar-lhes as dúvidas e confirmar que ressuscitou “de verdade”, Jesus mostra-lhes as mãos e os pés chagados. Como, apesar da alegria e surpresa, alguns ainda duvidassem, Jesus pede-lhes algo para comer e come diante deles (cf. At 10,41). Para crer na ressurreição, não basta um túmulo vazio. Agora eles têm provas que confirmam a identidade do Cristo ressuscitado com o Jesus histórico, que conviveu com seus discípulos na vida pública e morreu na cruz. Além destas provas, o próprio Jesus recorda o que havia dito sobre sua morte e ressurreição e abre-lhes a inteligência para compreenderem o que as Escrituras dele falavam. Por fim, aponta-lhes a futura missão: Como testemunhas qualificadas, deveriam anunciar em seu nome a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém (cf. At 1,8). – A fé na ressurreição de Cristo a uma vida nova de cristãos reconciliados com Deus e com os irmãos.

____________________________________________

* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

abr 08

REFLETINDO SOBRE A PALAVRA

LUDOVICO GARMUS

2º DOMINGO DA PÁSCOA – MEU SENHOR E MEU DEUS –

* Frei Ludovico Garmus, ofm

ORAÇÃO: “Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal, aumentai a graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o batismo que nos lavou, o espírito que nos deu nova vida, e o sangue que nos redimiu”.

1. PRIMEIRA LEITURA: At 2,32-35

Um só coração e uma só alma.

Nos Atos dos Apóstolos, Lucas dirige-se de modo especial aos cristãos de origem pagã, que viviam fora da Palestina, depois do ano 80. Jerusalém já tinha sido destruída no ano 70, mas para Lucas a comunidade que ali vivia depois de Pentecostes continuava sendo um modelo para os cristãos da 2ª geração. Era uma comunidade movida pela fé no Cristo ressuscitado e animada pelo Espírito Santo, sobre ela derramado. Viviam em comunhão fraterna, eram ouvintes assíduos no ensinamento dos apóstolos, nas “reuniões em comum, no partir do pão e nas orações” e na partilha dos bens com os mais pobres, esperando que Cristo voltasse logo (At 2,42.44-45). Para viver esta partilha de bens com os necessitados, havia os que vendiam até suas propriedades e depositavam o valor aos pés dos apóstolos. Luca cita o exemplo de Barnabé, que será o futuro companheiro de Paulo nas viagens missionárias. Chega a exagerar, dizendo que “não havia necessitados entre eles”. Sabemos, porém, que havia muitos pobres em Jerusalém; para socorrê-los foram então escolhidos sete diáconos, para melhor atender os cristãos de língua grega (6,1-7). Mais tarde, por ocasião de uma grande seca, a comunidade de Antioquia enviou auxílio à de Jerusalém (11,27-30) e Paulo fez coletas para socorrer os pobres da Igreja-mãe (2Cor 8–9). Lucas quer dizer com isso que os primeiros cristãos colocavam o amor fraterno em primeiro lugar e não os bens deste mundo. Por isso os apresenta como modelo. Quem se coloca no “caminho” da vida cristã transforma a sua vida para viver, em comunidade, a vida fraterna e o Reino de Deus sonhado por Jesus.

SALMO RESPONSORIAL

Dai graças ao Senhor, porque ele é bom;

eterna é a sua misericórdia.

2. SEGUNDA LEITURA: 1Jo 5,1-6

Todo aquele que nasceu de Deus vence o mundo.

O cristão é convidado a viver a comunhão de amor com Deus e com os irmãos. O critério para sabermos se estamos em comunhão com Deus é o amor vivido com os irmãos (4,19-21). No texto que ouvimos, o autor da Carta nos diz que o amor que vivemos com Deus e com os irmãos é um dom do próprio Deus. Amamos a Deus porque, pelo batismo, nascemos de Deus. Este amor nasce da fé em Jesus, o Messias e Filho de Deus (cf. Jo 20,30-31). A fé nos torna filhos de Deus e nos leva a observar os seus mandamentos, especialmente, o mandamento do amor (cf. Jo 13,14-15.34-35).

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Aleluia, Aleluia, Aleluia!

Acreditaste, Tomé, porque me viste.

Felizes os que creram sem ter visto.

3. EVANGELHO: Jo 20,19-31

Oito dias depois, Jesus entrou.

O Evangelho que acabamos de ouvir fala de duas aparições do Ressuscitado, no “primeiro dia da semana”. Foi a partir deste dia que começou a fé em Cristo ressuscitado. Desde então, a vida pública de Jesus, seus ensinamentos aos discípulos e os “sinais” em favor dos doentes, pobres e pecadores ganharam um sentido. As manifestações do Ressuscitado acontecem quando os discípulos estão reunidos. Por isso, este dia passou a ser chamado “dia do Senhor”, dies Domini, ou Domingo, dia preferido para as reuniões em que se celebra a Eucaristia e se comemora a ressurreição do Senhor Jesus (cf. At 20,7-12; 1Cor 16,2; Ap 1,10). A presença de Jesus ressuscitado “invade” a reunião dos discípulos ainda com medo dos judeus, e lhes comunica a paz. Agora Jesus se reconcilia com os discípulos que o abandonaram, perdoando-lhes a infidelidade. A paz comunicada por Jesus é fruto do perdão divino, que reconcilia a pessoa consigo mesma, com o próximo e com Deus. Concede-lhes o poder de perdoar na comunidade em nome de Jesus. Jesus não restringe este poder aos dirigentes da Igreja. Concede-o a cada cristão: “Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido...” Um dos dons principais que Deus nos concede é o perdão de nossos pecados. A comunidade pós-pascal é uma comunidade reconciliada com Deus e com os irmãos. É uma comunidade onde reina o amor e a paz, fruto da fé no Ressuscitado a ser comunicada aos outros. Por isso Jesus os envia em missão: “Recebei o Espírito Santo” (...). “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados...” – Tomé, porém, não estava presente na primeira manifestação do Ressuscitado e permanecia incrédulo aos que lhe diziam: “Vimos o Senhor!” Só acreditarei, dizia Tomé, se puder tocar as chagas de suas mãos, dos pés e do lado. Oito dias depois, de novo, Jesus se põe no meio dos discípulos reunidos, comunica-lhes a paz, e convida Tomé tocar suas chagas. Tomé reconhece a Jesus e o adora: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus o repreende: “Acreditaste porque me viste?” Assim, Tomé começou a fazer parte das testemunhas privilegiadas da ressurreição do Senhor; são testemunhas porque puderam ver e tocar o Ressuscitado, e comer com ele. Mas João, no final do 1º século, escreve para cristãos que não conheceram a Jesus histórico, nem ouviram as testemunhas privilegiadas da ressurreição, que já tinham morrido. Mesmo assim creram. A estes cristãos, e a nós, Jesus diz: “Bem aventurados os que creram sem terem visto”. Felizes somos também nós, que cremos em Cristo Ressuscitado, sem tê-lo visto.

_____________________________________________

*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

mar 18

REFLETINDO SOBRE A PALAVRA: O GRÃO DE TRIGO

LUDOVICO GARMUS

5º DOMINGO DA QUARESMA – O GRÃO DE TRIGO PRECISA CAIR NA TERRA –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Senhor nosso Deus, dai-nos por vossa graça caminhar com alegria na mesma caridade que levou o vosso Filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Jr 31,31-34

Concluirei uma nova aliança, e não mais lembrarei o seu pecado.

Jeremias já era profeta quando, em 622, o rei Josias, apoiado pelos sacerdotes e os anciãos, renovou a Aliança com Deus, centralizou o culto no templo de Jerusalém e proibiu o culto a outros deuses. Mas esta aliança, feita outrora no deserto por de Moisés, foi muitas vezes violada por Israel. Mesmo durante a vida de Josias ela foi rompida, por patrões, que atendendo as exigências da Lei, tinham libertado seus escravos, mas tornaram a escravizá-los, quando os babilônios aparentemente levantaram o cerco de Jerusalém. Mas, Jerusalém foi tomada e destruída pelo inimigo e muitos foram levados para o exílio. Aqui, Jeremias promete não mais uma renovação da aliança do Sinai, tantas vezes violada, mas uma nova aliança. Deus a fará com os sobreviventes do reino de Israel, destruído pelos assírios e do reino de Judá, pelos babilônios. Os termos da aliança não serão mais escritos em pedra (como a aliança do Sinai), mas inscritos no coração de cada pessoa. Deus levará de volta o seu povo ao deserto para “falar-lhe ao coração” (cf. Os 2,16). Vai arrancar o coração de pedra e substituí-lo por um coração de carne, humano e sensível, capaz de receber o Espírito do Senhor (cf. Ez 36,26-27). A Lei não precisará mais ser ensinada, mas será vivida porque todos “conhecerão” e terão a experiência do amor misericordioso de Deus, que tudo perdoa.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 50(51)

Criai em mim um coração que seja puro.

2. SEGUNDA LEITURA: Hb 5,7-9

Aprendeu a obediência e tornou-se causa de salvação eterna.

O texto que ouvimos é uma interpretação da cena da agonia de Jesus no Horto das Oliveiras, descrita pelos evangelistas. O autor não esconde a angústia de Jesus frente à morte, que faz parte da vida humana, nem as preces, súplicas e lágrimas para que o Pai o livrasse desta hora (evangelho: “Pai, livra-me desta hora”). Destaca, porém, que Jesus aprendeu a ser obediente e assim tornou-se causa de salvação para os que o imitam na obediência. É como Paulo diz na Carta aos Hebreus: “Ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifícios nem oblações, mas preparaste-me um corpo...Eis-me aqui, ó Deus, venho para fazer a tua vontade’” (Hb 10,5-7). Afirma que a oração de Jesus foi atendida pelo Pai (5,7), sem livrá-lo da morte, mas glorificando-o pela ressurreição (cf. Fl 2,5-11; Is 52,13–53,12).

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO:

Glória a vós, ó Cristo, verbo de Deus.

Se alguém me quer servir, que venha atrás de mim;

e onde eu estiver, ali estará meu servo.

3. EVANGELHO: Jo 12,20-33

Se o grão de trigo cair na terra e morrer, produzirá muito fruto.

Alguns judeus de origem grega se dirigem a Filipe e André porque “queriam ver a Jesus”. Ambos eram de Betsaida, a região mais helenizada da Galileia. André fazia parte dos seguidores de João Batista e, encaminhado pelo Batista, é o primeiro a seguir a Jesus. Filipe é o primeiro discípulo que Jesus chama diretamente para segui-lo. André já tinha chamado seu irmão Simão Pedro para conhecer a Jesus (Jo 1,40-42). Filipe, por sua vez, tinha chamado Natanael para conhecer Jesus de Nazaré (Jo 1,45-51). Eles vão até Jesus e expõem o pedido dos gregos. Jesus, porém, lhes dá uma resposta que inicia uma virada no Evangelho de João: conclui a primeira parte do Evangelho (Jo 1,19–12,50: “Livro dos Sinais”) e dá início ao “Livro da Exaltação (13–20): “Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado”. Jesus várias vezes já havia falado desta sua “hora” (Jo 2,4; 4,21.23; 5.25.28; 7,30; 8,20). É a hora da glorificação do Filho do Homem. Esta glorificação coincide com sua exaltação e morte na cruz e culmina com a ressurreição. A chegada desta “hora” é comunicada por Filipe e André em primeiro lugar aos gregos que desejavam ver a Jesus. No “Livro dos Sinais” Jesus se dirigia, sobretudo, aos judeus. Chegando a “hora” de sua exaltação dirige-se a todos, especialmente, aos gregos: “É necessário que o Filho do Homem seja levantado para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna” (evangelho do 4º Domingo!). Também os pagãos! O Filho do Homem entrega sua vida, morre como o grão de trigo, para produzir fruto. Para estar com Jesus o discípulo deve ter a mesma disposição do Mestre: “Quem se apega à sua vida, perde-a, mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo, conserva-a para a vida eterna”. Estar com Jesus é estar com Ele em sua agonia (cf. Mt 26,36-46). O Evangelho de João vê Jesus através de sua glorificação, mas não esconde o drama humano de sua existência (cf. 2ª leitura).

______________________________________________________

* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

mar 11

DEUS AMOU TANTO O MUNDO

LUDOVICO GARMUS

IV DOMINGO DA QUARESMA – QUEM CRÊ, APROXIMA-SE DE CRISTO –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, que por vosso Filho realizais de modo admirável a reconciliação do gênero humano, concedei ao povo cristão correr ao encontro das festas que se aproximam, cheio de fervor e exultando de fé”.

1. PRIMEIRA LEITURA: 2Cr 36,14-16.19-23

A ira e a misericórdia do Senhor se manifestam

pelo exílio e a libertação do povo.

A leitura de hoje faz uma reflexão teológica sobre a história do povo de Deus. As infidelidades das autoridades e do povo provocaram a ira divina, causando a destruição de Jerusalém e o exílio. O povo de Israel não deu atenção às advertências dos profetas e foi infiel à Aliança com seu Deus. Segundo o Deuteronômio, a observância das leis da Aliança traz o bem-estar e a proteção divina. A infidelidade, porém, provoca a desgraça (cf. Dt 28), como de fato aconteceu. Mas Deus quis que no final triunfasse sua misericórdia: De fato, ao domínio dos babilônios, que destruíram a Cidade Santa e levaram as lideranças para o exílio, seguiu-se o regime dos persas. O rei Ciro permitiu o retorno dos exilados à Judá e a reconstrução do Templo. Com a seguinte mensagem de salvação conclui-se a Bíblia Hebraica: “Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do céu, deu-me todos os reinos da terra, e encarregou-me de lhe construir um templo em Jerusalém, que está no país de Judá. Quem dentre vós todos pertence ao seu povo? Que o Senhor, seu Deus, esteja com ele, e que se ponha a caminho” (36,23. – Nós somos convidados a caminhar com Cristo até Jerusalém, onde Ele morre por nosso amor, para participarmos de sua ressurreição na Jerusalém Celeste.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 136 (137),1-2.3.4-5.6

Que se prenda a minha língua ao céu da boca,

se de ti, Jerusalém, eu me esquecer.

2. SEGUNDA LEITURA: Ef 2,4-10

Uma vez mortos para os pecados, pela graça fostes salvos.

No texto que ouvimos Paulo insiste na gratuidade da salvação em Cristo. Nele Deus nos amou apesar de sermos pecadores. Unidos a Cristo pela fé, Deus nos dá também a vida com Cristo. Como Cristo ressuscitou, pela nossa união com Ele já participamos de certa forma de sua ressurreição. Paulo reafirma que somos salvos pela fé, como dom da graça divina e não pelas obras que praticamos. A salvação é fruto da misericórdia divina, manifestada em Cristo. Por outro lado, Paulo afirma que Deus nos criou em Cristo para praticar o bem, para as obras boas que espera que façamos. Como o dono da vinha que esperava colher os frutos da figueira, Deus espera que produzamos frutos de amor e solidariedade com o próximo. Assim, o cristão, seguindo o exemplo de Cristo que veio para servir, poderá contribuir para que diminua a violência e a desigualdade social em nosso país.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Louvor e honra a vós, Senhor Jesus.

Tanto Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único;

Todo aquele que crer nele, há de ter a vida eterna.

3. EVANGELHO: Jo 3,14-21

Deus enviou o seu Filho ao mundo

para que o mundo seja salvo por ele.

No diálogo com o fariseu Nicodemos Jesus recorda um fato ocorrido com Israel, na caminhada pelo deserto. Houve uma praga de serpentes venenosas que picavam os que murmuravam contra Moisés e contra Deus, de modo que muitos morreram. Moisés suplicou e Deus mandou que fizesse uma serpente de bronze e a colocasse no alto de um poste. E todo aquele que olhasse para a serpente era salvo da morte. Assim, disse Jesus, era necessário que Ele fosse levantado (exaltado) na cruz para que todo aquele que nele crer ganhe a vida eterna. Para João o tema da morte de Jesus na Cruz e a consequente exaltação na glória pela sua ressurreição. Essa necessidade de ser ”levantado” está ligada ao amor de Deus, que “entrega” o seu Filho Unigênito para a salvação dos homens. Para ser salvo é preciso crer no Filho de Deus, aproximar-se da Luz que veio a este mundo. A intenção divina não é condenar ninguém, mas salvar a todos. A pessoa que não crê em Cristo, odeia a Luz e pratica o mal, é que se condena. Quem crê, aproxima-se de Cristo e pratica as boas obras. Não são elas que salvam, e sim a fé. Mas as boas obras, “realizadas em Deus”, manifestam o amor de Deus.

________________________________________

*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

mar 04

REFLETINDO SOBRE A PALAVRA: A LEI E O TEMPLO

LUDOVICO GARMUS

3º DOMINGO DO QUARESMA – A LEI E O TEMPLO –

* Frei Ludovico Garmus, ofm

ORAÇÃO: “Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei a confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Ex 20,1-3.7-8.12-17

A Lei foi dada por Moisés.

Depois da espetacular passagem pelo mar Vermelho, os hebreus são guiados por Moisés, enfrentam vários perigos (inimigos, falta de água e comida) e chegam aos pés do Monte Sinai. Ali se celebra a Aliança de Israel com Deus, que exige a observância de mandamentos, para Ele ser o Deus de Israel e eles, o seu povo. Logo no início Deus se apresenta como o Deus que libertou seu povo da escravidão. Os mandamentos, portanto, visam preservar a liberdade, para que Israel nunca mais volte a ser um povo de escravos, mas sirva e adore unicamente o Deus libertador. O 1º mandamento se restringe ao v. 3, que é uma afirmação do monoteísmo, no meio de uma civilização politeísta. O que seria o 2º mandamento original, os v. 4-6, foram omitidos na catequese do cristianismo, por motivos práticos; referem-se à proibição de fazer e adorar imagens de outros deuses. Já que Deus é um só, não existem outros deuses e suas imagens nada mais representam. Os v. 9-11 também foram omitidos, pois apenas especificam o mandamento do sábado (v. 8). Por sua vez, o 10º mandamento foi subdividido em dois: não desejar a mulher do próximo (=adultério), nem cobiçar os bens do próximo. Esta divisão já aparece em Dt 5,21. Por isso, no Catecismo da Igreja Católica, o v. 14 (não cometer adultério) foi mudado para “não pecar contra a castidade”. Os três primeiros mandamentos falam da nossa relação com Deus. Jesus resume os três primeiros mandamentos num único, o maior e primeiro mandamento: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o coração...”; os outros mandamentos compõem o segundo: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22,36-40).

SALMO RESPONSORIAL: Sl 18

Senhor, tens palavras de vida eterna.

2. SEGUNDA LEITURA: 1Cor 1,22-23

Pregamos Cristo crucificado, escândalo para os homens;

mas para os chamados, sabedoria de Deus.

A presença de Paulo em Atenas chamou a atenção dos sábios do Areópago, que o convidaram para que lhes falasse mais sobre Jesus e a ressurreição, pensando que ia anunciar uma nova divindade. Mas quando lhes fala de um Deus encarnado, que morre e ressuscita, rejeitam sua pregação. Por isso, ao chegar a Corinto, está mais convencido ainda que sua pregação é a sabedoria da cruz. Por isso, continua com fervor anunciando a sabedoria de Deus, que é Cristo crucificado, tanto aos judeus, que “pedem sinais milagrosos”, como para os gregos, “que procuram sabedoria”. A fé na ressurreição não pode ser separada da Cruz de Cristo.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Glória e louvor a vós, ó Cristo.

Tanto Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único:

Quem nele crer terá a vida eterna.

3. EVANGELHO: Jo 2,13-25:

Destruí este templo, e em três dias eu o levantarei.

Quando João escreve seu evangelho, o Templo já tinha sido destruído. Talvez por isso, João coloca logo no início de seu evangelho a cena da expulsão dos vendilhões do Templo, que os outros evangelistas situam após a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. O tema central de hoje é a adoração de Deus, “em espírito e verdade”, no Cristo morto e ressuscitado. O tema já é preparado quando Jesus chama Natanael, que se espanta por tê-lo visto debaixo da figueira. Jesus então diz: “Na verdade eu vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem” (Jo 1,51). O lugar privilegiado para o encontro com Deus não será mais o Templo e, sim, Jesus, “o Filho único do Pai”, “a Palavra que se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Antecipando a destruição do Templo, com chicote na mão, Jesus expulsa todos, junto com bois, ovelhas, pombas e cambistas, dizendo: “Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio”. O que importa para a verdadeira adoração – diz Jesus à Samaritana – não é este ou aquele templo, “porque os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade; são estes os adoradores que o Pai deseja” (Jo 4,23). Quando os judeus questionam sobre o seu gesto e lhe perguntam: “que sinal nos mostras para agir assim”, Jesus aponta sua futura morte e ressurreição: “Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei”. Depois da sua ressurreição os discípulos entenderam que Jesus estava falando do Templo do seu corpo.

O que eu faço para que meu corpo e meu coração sejam uma “casa” para Deus nela morar? Como posso contribuir para que minha família e minha comunidade de fé sejam um templo vivo de Deus?

________________________________________________________________

* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

fev 25

REFLETINDO SOBRE A PALAVRA – O FILHO AMADO DO PAI

LUDOVICO GARMUS

2º DOMINGO DA QUARESMA – ESTE É O MEU FILHO AMADO –

* Frei Ludovico Garmus, ofm

ORAÇÃO: “Ó Deus, que nos mandastes ouvir o vosso Filho amado, alimentai nosso espírito com a vossa palavra, para que, purificados pelo olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão da vossa glória”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Gn 22,2-9a.10-13.15-18

O sacrifício de nosso pai Abraão.

Abraão nos é apresentado não apenas como o antepassado do povo judeu, mas como um exemplo de fé confiante e inabalável em Deus. Deixa uma terra em que morava, porque acreditou na promessa que Deus lhe daria uma nova terra e uma numerosa descendência. Abraão morreu antes de ganhar esta terra prometida; pelo fim de sua vida conseguiu apenas comprar um pedacinho de chão, para sepultar sua esposa Sara. Sara era estéril; por isso cedeu a Abraão a escrava Agar para, ao menos, adotar Ismael, o filho de sua escrava Agar, como seu filho. Mas não era esse o herdeiro prometido. Finalmente, cumpre-se a promessa divina e nasce Isaac, filho de Sara. Tudo corria bem e Isaac crescia saudável e feliz. Isaac era o único herdeiro que Abraão tinha. Podemos imaginar o conflito que explode na alma de Abraão quando Deus exige que ele ofereça seu filho único em sacrifício [a palavra “filho” ocorre sete vezes no texto!]. O dramático silêncio durante a viagem até o monte Moriá é rompido apenas pela pergunta de Isaac: “Pai, temos o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto”? E Abraão responde: “Deus providenciará o cordeiro para o holocausto, meu filho”. No momento, porém, que Abraão ia sacrificar seu filho o anjo do Senhor grita do céu: “Abraão! Abraão! Não estendas a mão contra teu filho... Agora sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu filho único”. – Deus aboliu o costume cananeu de sacrificar o filho primogênito, que em Israel era substituído por um cordeiro. Deus, porém, “não poupou seu próprio Filho” (2ª leitura), porque pela morte de Jesus quis nos ganhar com seu amor. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá sua vida pelos seus amigos” (Jo 15,13).

SALMO RESPONSORIAL: Sl 115

Andarei na presença de Deus,

junto a ele na terra dos vivos.

2. SEGUNDA LEITURA: Rm 8, 31b-34

Deus não poupou seu próprio Filho.

Paulo se espanta com o insondável amor de Deus para conosco, uma âncora segura de nossa salvação. Por isso exclama: “Se Deus é por nós, quem será contra nós? Em Deus podemos confiar, porque “não poupou se próprio filho, mas o entregou por todos nós”. Entregou à morte seu Filho Jesus Cristo, que morreu por nós, ressuscitou, está junto do Pai. Cristo está junto do Pai não como juiz para condenar, e sim, como nosso intercessor: “Ninguém tem maior amor do que aquele que á a vida por seus amigos” (Jo 15,13). Quem crê no mistério da morte e ressurreição do Filho de Deus, nada tem a temer.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Louvor a vós, ó Cristo, rei da eterna glória.

Numa nuvem resplendente fez-se ouvir a voz do Pai:

Eis meu Filho muito amado, escutai-o, todos vós.

3. EVANGELHO: Mc 9,2-10

Este é o meu Filho amado.

Pouco antes do texto que ouvimos Jesus dizia aos discípulos: “O Filho do homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, sumos sacerdotes e escribas, devia ser morto e ressuscitar depois de três dias” (Mc 8,31). E convidava os discípulos a seguir o mesmo caminho: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (8,34). Jesus estava numa viagem para celebrar a Páscoa e anunciava que, em Jerusalém, os anciãos, os sumos sacerdotes e os escribas o rejeitariam e condenariam à morte (Mc 8,31-33). No caminho, subiu a uma alta montanha, levando consigo como testemunhas Pedro, Tiago e João. Enquanto Jesus orava, transfigurou-se diante deles e suas roupas ficaram brilhantes. Também Moisés e Elias, testemunhas da Lei e dos Profetas, apareceram ao lado de Jesus e conversavam com ele. Diante desta visão, Pedro esqueceu a viagem a Jerusalém, onde Jesus previa sua morte, e disse: “Mestre! É bom ficarmos aqui! Vamos fazer três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias”. Mas uma nuvem encobriu a visão e uma voz do céu se fez ouvir: “Este é o meu Filho amado, escutai-o”.

O mistério do Filho do Homem, o Servo Sofredor, aos poucos vai se revelando. Mas era uma revelação apenas para os três privilegiados, que foram proibidos de falar disso antes que Jesus ressuscitasse dos mortos. Os discípulos, já antes da Transfiguração, não entendiam que o Mestre devia morrer e ressuscitar. Também depois da sublime visão, na descida do monte continuavam a se perguntar o que significaria “ressuscitar dos mortos”. Os discípulos, porém, descartavam a morte do Mestre. Tinham o plano de proclamar a Jesus como Messias-Rei, durante a celebração da Páscoa. O apóstolo Paulo, convertido e iluminado pelo Espírito Santo, entendeu muito bem o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo (2ª leitura). – E nós, qual é o Jesus que abraçamos e queremos seguir?

____________________________________________________________
*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

fev 18

REFLETINDO SOBRE A PALAVRA

LUDOVICO GARMUS

1º DOMINGO DA QUARESMA: A RESTAURAÇÃO DA HUMANIDADE EM CRISTO E O BATISMO –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta Quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a seu amor por uma vida santa”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Gn 9,8-15

Aliança de Deus com Noé, salvo das águas do dilúvio.

O livro do Gênesis faz a sua releitura do mito babilônico do dilúvio, que assolou a humanidade primordial. Na versão bíblica, o dilúvio é visto como um castigo de Deus, que “se arrepende” de ter criado os seres humanos, pois “seus corações tendiam unicamente para o mal” (Gn 6,5-6). A maldade e violência humanas chegaram a contaminar toda a terra. Por isso, Deus decide exterminar a humanidade, junto com os animais que vivem sobre a terra (Gn 6,7). E o texto apresenta o motivo: “Decidi pôr fim a toda criatura mortal, pois a terra está cheia de violência por sua causa [da humanidade corrompida]. -Mas ao mesmo tempo, Deus escolhe o justo Noé e sua família e lhe ordena que construa uma grande barca (arca) para salvar sua família e todas as espécies de animais. Terminado o dilúvio, Noé oferece um sacrifício a Deus. Deus, então, promete nunca mais exterminar homens e animais com um dilúvio, “pois a tendência do coração humano é má desde a infância” (Gn 8,21-22). Deus toma a iniciativa de fazer uma aliança com Noé e seus descendentes e com todos os animais. Sem exigir nada em troca, promete nunca mais exterminar a vida sobre a terra com um dilúvio. Compromete-se a manter a regularidade das estações do ano e um clima propício para a vida de homens e animais sobre a terra: “Enquanto a terra durar, semeadura e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite jamais hão de acabar” (Gn 8,22). Da parte de Deus a continuidade da vida sobre a terra está garantida, pela aliança que estabelece com a humanidade e com todos os seres vivos. Se o arco-íris tem a função de lembrar a Deus o seu compromisso com a vida Gn 9, é também um sinal para os seres humanos que Deus colocou como cuidadores de toda a vida na Terra (Gn 1,27-31). As mudanças climáticas provocadas pela nossa civilização consumista são um alerta para cuidarmos mais de nosso planeta, e fazermos a nossa parte para que a vida seja possível.

A liturgia de hoje inicia uma grande catequese batismal. Liga as águas do dilúvio, do qual surgiu a nova humanidade, com os novos tempos da boa-nova do Reino, anunciado por Jesus e com o nosso batismo (2ª leitura), que nos dá “uma boa consciência” e a vida divina.

Na homilia, pode-se explorar também o tema da CF-2018: Violência e Fraternidade”, ligando com a violência que praticamos também contra a vida no planeta Terra.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 24

Verdade e amor são os caminhos do Senhor.

2. SEGUNDA LEITURA: 1Pd 3,18-22

O Batismo agora vos salva.

A catequese batismal da leitura que ouvimos transmite alguns elementos do credo: Cristo morreu por nossos pecados, desceu à morada dos mortos (3,18-19), ressuscitou (3,18.21), foi exaltado ao lado de Deus (3,22) e virá julgar os vivos e os mortos (4,5). O batismo purifica a consciência e nos orienta para onde Cristo nos quer levar. Cristo, ao morrer, desceu à morada dos mortos para salvar também os que não foram salvos por ocasião do dilúvio( 1ª leitora).

Aclamação ao Evangelho: Louvor e glória a ti, Senhor, Cristo, Palavra de Deus.

3. EVANGELHO: Mc 1,12-15

Foi tentado por Satanás, e os anjos o serviam.

Após ser batizado por João Batista, Jesus é conduzido pelo Espírito ao deserto, onde permanece em oração durante quarenta dias. É tentado por Satanás, mas vence as forças do mal. Refaz a caminhada de Israel no deserto (40 anos), mas permanece fiel. Vive entre os animais selvagens, um sinal que a era messiânica, anunciada por Isaías (11,6-8), está começando. Tudo parece indicar que em Jesus veio o novo Adão, que corrige o pecado do primeiro Adão. Marcos lembra que, no momento do batismo de Jesus, os céus se abriram e o Espírito Santo desceu sobre Ele. A missão de João Batista termina quando ele é preso. Então, começa a de Jesus, que anuncia: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho” (4ª Feira de Cinzas). João preparou a vinda do Reino de Deus. O anúncio de Jesus não é mera continuação da pregação do Batista. Com Jesus temos a plenitude da boa-nova. A vinda do Reino de Deus exige conversão, mudança de atitude, como é proposta pela liturgia da Quaresma. Práticas que sinalizam a conversão neste tempo são a esmola, o jejum e a oração. Que estas práticas nos ajudem a tornar realidade o que pedimos na oração do dia: “Ao longo da Quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a seu amor por uma vida santa”.

___________________________________________________________

* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

Posts mais antigos «

Apoio: