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Sementes de vida, ������© tempo de semear

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dez 31

EDITORIAL DA SEMANA: O QUE MUDA DE HOJE PARA AMANHÃ?!

ANO DE 2019

O QUE ESPERAR DO ANO QUE ESTÁ CHEGANDO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Para nós é quase uma doença incurável: ao final de 365 dias ininterruptos, impreterivelmente, findamos um ciclo, que chamamos de “ano”, e iniciamos outro, que chamamos de “ano novo”, acreditando sinceramente que tudo poderá ser muito diferente do que foi até o último dia daquele ano pesado que acaba de ficar, definitivamente, no passado das nossas vidas. É assim na vida de todos nós, humanos, e, pelo visto, continuará sendo assim até que alguém, talvez de Marte, ensine fórmula mais sábia e mais inteligente para alterarmos nossas expectativas de vida. Enquanto nada muda em relação à fórmula, vamos caminhando e acreditando (viva a fé!) que o ano que chega é bastante promissor e que tudo o que de pior aconteceu no ano findo, não será repetido doravante. Desse modo, de esperança em esperança, vamos alimentando o sistema capitalista que, este sim, promete prosperar cada vez mais, enquanto assistimos, felizes até, a chegada dos cabelos brancos, das rugas, dos netos e bisnetos e vamos acompanhando, lenta e progressivamente, a partida dos parentes e amigos, percebendo que, à frente, a fila está cada vez menor, significando que, em breve, nosso número será chamado às contas finais.

Não havendo outra solução para o dilema da contagem do tempo, e não podendo ficar parados, boquiabertos, olhando para trás e para frente sem retrospectivas e sem novas expectativas, precisamos seguir em frente, acreditando (sempre a fé!) que a partir do primeiro dia do novo ano, tudo será encaminhado para a chegada de dias muito iluminados, cheios de vitórias, de sucessos, de saúde, paz, harmonia e tudo o mais que, quase que de forma automática, desejamos uns para os outros.

O ano de 2018 não foge à regra! Agora, olhando para trás, vemo-lo como um ano terrível, cheio de armadilhas, trapaças, mentiras, violências múltiplas, fome, doença, perda de empregos, perda de vidas, inocentes ou não, derrota em mais uma copa do mundo e, também, derrota de um sistema político impregnado de mazelas e de malfeitos. Tudo isso, com o acréscimo das decepções e das desilusões que, ao fim de tudo, cai sobre muitos de nós, em relação a tudo o que nos cerca.

Mas, o que temos, senão a fé (sempre a fé!), para acreditarmos que o ano de 2019 será bem diferente? Quem garante que o ano que se aproxima não trará as mesmas armadilhas, mentiras, violências múltiplas, fome, doença, perda de empregos e de vidas, inocentes ou não, ou mesmo as decepções e desilusões com o “novo sistema político” que se pretende solucionador de problemas estruturais? Nada ou ninguém pode garantir coisa alguma. Até porque, mudam-se os cenários e os palcos, mudam-se até os locais em que as peças são encenadas sem, no entanto, mudarem os atores e seus instintos que, por mais que se mostrem diferentes são, na essência, absolutamente iguais a todos os demais que, vez por outra, entram em cena como coadjuvantes ou como atores principais.

Assim, o que esperar do ano que se aproxima? Em tese, nada! Na prática, porém, há que se esperar que cada cidadão e cada cidadã (respeitados todos os gêneros), façam a necessária introspecção, a fim de apurar falhas no sistema operacional individual, a partir do qual corpo e alma agem isolada ou coletivamente, criando, recriando, renovando ou mesmo impedindo, novas formas de vida e de convivência, donde, certamente, resultados – positivos ou negativos – serão obtidos e, aí sim, poderão fazer a grande diferença em relação ao ano que escorregou pela ladeira do passado.

Não é de se esperar, nem é bom que assim seja, que governos criem condições melhores de vida; que façam justiça social; que acabem com a violência; que elaborem políticas solidárias capazes de suprirem as necessidades dos mais pobres e mais necessitados; que inviabilizem projetos contra a vida; que façam, enfim, o sol brilhar dia e noite sobre todos.

É preciso que a esperança nasça dentro de cada um de nós, fazendo-nos portadores das sementes das mudanças que queremos. É preciso entender que nós, seres humanos, somos capazes de, unidos em torno de um mesmo ideal, mudar tudo, em todos os lugares, independentemente, do grupo político que chega prometendo mundos e fundos e que todos nós, por experiência própria, sabemos que, o pouco que for feito será, com quase toda certeza, contra os interesses da maioria de nós todos.

Dessa forma, o ano que está chegando só será realmente bom e promissor, se cada um de nós conseguir mudar a si próprio, respeitando mais o próximo em qualquer lugar ou circunstância; sendo solidário com os necessitados de quaisquer bens – materiais, espirituais, pessoais, sanitários ou educacionais; cumprir rigorosamente as leis e exigir que todos façam a mesma coisa, denunciando fraudadores, corruptos e corruptores; agir de forma ética em todos os lugares por onde passar; e, por fim, praticar o mais simples dos atos: não jogar lixo (inclusive, guimba de cigarros) nas ruas, nas calçadas e nos rios e riachos de todos os lugares.

Com tais propósitos, poderemos esperar um ano novo cheio de novidades e de esperanças. Entretanto, se fizermos a passagem do ano, acreditando que os políticos serão ou agirão de forma diferente; que os ministros do governo atuarão com o pensamento voltado para o bem estar do povo; que a justiça punirá os culpados e que absolverá os inocentes na exata medida dos delitos praticados; que os patrões darão mais valor aos seus empregados ou que estes zelarão mais pelo patrimônio dos patrões, chegaremos ao final do ano com as mesmas sensações de sempre: que o ano não foi bom, mas que, o ano novo será bem melhor. E assim, permaneceremos nesta roda que gira, gira mas que não consegue fazer o carro sair do lugar, ao passo que nós, sim, com o girar da roda, estamos caminhando lentamente para o fim, sem nunca termos tido a sensação das mudanças pelas quais esperamos durante toda a nossa existência.

A sugestão é para que cada um faça um sincero e honesto exame de consciência do modo de agir perante tudo e todos e que, ao final, proponha-se o desafio da mudança íntima e pessoal, a partir do que, nova esperança brotará em cada coração, e aí sim, esperar que o ano novo seja muito diferente daquele que passou. Pense sobre isto, reflita e desafie-se. Tudo depende de você, não do governo, dos políticos, do sistema capitalista ou do socialista. Não da alta do dólar ou da bolsa de valores. Lembre-se: as rodas estão aí, e giram para o lado que for determinado por alguém. Enquanto este alguém for o outro, você assistirá as mudanças na vida dele. Quando você fizer as rodas girarem para o lado que desejar, então, suas expectativas e esperanças se tornarão realidades e, com o ano novo, chegará, também, uma nova forma de vida, mais feliz e muito mais promissora. Que 2019 surja na sua vida como um verdadeiro e excelente Ano Novo. Seja feliz, e boa sorte!.

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

dez 31

EVANGELHO: O CAMINHO PARA A SALVAÇÃO

REVEILLON - 2019

OITAVA DO NATAL – SEGUNDA-FEIRA – 31/12/2018 –

Evangelho (Jo 1,1-18)

O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo  segundo São João.

— Glória a vós, Senhor.

1No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus. 2No princípio estava ela com Deus. 3Tudo foi feito por ela, e sem ela nada se fez de tudo que foi feito. 4Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. 5E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la. 6Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. 7Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz: 9daquele que era a luz de verdade, que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano. 10A Palavra estava no mundo – e o mundo foi feito por meio dela –, mas o mundo não quis conhecê-la. 11Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram. 12Mas a todos os que a receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome, 13pois estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus mesmo. 14E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como Filho unigênito, cheio de graça e de verdade. 15Dele João dá testemunho, clamando: “Este é aquele de quem eu disse: ‘O que vem depois de mim passou à minha frente, porque ele existia antes de mim’”. 16De sua plenitude todos nós recebemos graça por graça. 17Pois por meio de Moisés foi dada a lei, mas a graça e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo. 18A Deus ninguém jamais viu. Mas o unigênito de Deus, que está na intimidade do Pai, ele no-lo deu a conhecer.

– Palavra da salvação!      

— Glória a vós, Senhor.

 

FONTE:   https://www.paulus.com.br/portal/liturgia-diaria/1-quinta-feira#.W8JdJ_KZ3IU

dez 31

LITURGIA: PARTILHA E APROXIMAÇÃO

LITURGIA DO NATAL - 4

TEMPO DO NATAL – SEGUNDA-FEIRA – 31/12/2018 –  

LEITURA DA PRIMEIRA CARTA DE SÃO JOÃO – (1Jo 2,18-21) –

18Filhinhos, esta é a última hora. Ouvistes dizer que o anticristo virá. Com efeito, muitos anticristos já apareceram. Por isso, sabemos que chegou a última hora. 19Eles saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos, pois, se fossem realmente dos nossos, teriam permanecido conosco. Mas era necessário ficar claro que nem todos são dos nossos. 20Vós já recebestes a unção do Santo, e todos tendes conhecimento. 21Se eu vos escrevi, não é porque ignorais a verdade, mas porque a conheceis e porque nenhuma mentira provém da verdade.                 - Palavra do Senhor!

– Graças a Deus. 

                                 FONTE: https://www.paulus.com.br/portal/liturgia-diaria/25-terca-feira-2#.XCFDqMDQjIU

dez 24

EDITORIAL DA SEMANA: NÃO É BOM QUE O HOMEM ESTEJA SÓ

A LUZ INTERIOR

NÃO É BOM QUE O HOMEM ESTEJA SÓ –

*Por Luiz Antonio de Moura –

O tema não é novo em nossos escritos, mas, decidimos voltar a ele porque parece-nos ser de grande importância o aprofundamento em torno de uma questão vital para o ser humano: a presença constante do Espírito de Deus, no templo sagrado da criatura humana.

É importante repetir a sentença divina proferida após a criação do homem: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2,18), ainda que, na sequência, o narrador bíblico atribua ao Criador as palavras “façamos-lhe uma semelhante a ele” tendo, então, da costela do homem, formado a mulher.

A situação vivida por Adão e Eva, a questão do “osso dos meus ossos e carne da minha carne”, assim como a ingestão do fruto proibido, até a expulsão do Paraíso, são suficientemente conhecidas por todos nós e, caso não, é só ler o final do capítulo 2 e o capítulo 3 do Livro do Gênesis para inteirar-se de tudo.

O que realmente chama a nossa atenção na frase: “Não é bom que o homem esteja só”, é o procedimento de Deus a partir de então, em relação àquele homem que, se no primeiro momento, encanta o Criador, em seguida decepciona-O ao ponto de expulsá-los (homem e mulher) do Paraíso Terrestre. Pois, já um pouco antes da expulsão, Deus tece “túnicas de peles” e veste-os, para que não saíam completamente nus, totalmente desamparados. Foram embora daquele oásis, mas, levaram consigo a preocupação, o carinho e, certamente, o Espírito de Deus.

De dois filhos – Caim e Abel – que nascem de Adão e Eva, o Senhor valoriza mais a produção de Abel, que é pastor, o que foi suficiente para atrair a ira de Caim, lavrador que, enciumado, arma uma trama e mata o irmão, manchando a terra, pela primeira vez, com o sangue inocente. Pois nem assim, Deus se afasta e, num gesto de extrema bondade, aproxima-se de Caim e, depois de ouvir-lhe a confissão do crime que acabara de cometer, coloca nele um sinal para que, “qualquer um que matar Caim será castigado sete vezes mais” (Gn 4, 15-16) e Caim sai do lugar e vai tocar sua vida.

E o narrador bíblico conta que o Senhor deu ao primeiro casal a graça de gerarem um outro filho, para o lugar de Abel. Ora, o que percebemos já nestas poucas linhas é que Deus expulsa o ser humano do Paraíso Terrestre, mas, vai atrás dele, para acudi-lo nos momentos mais difíceis, cumprindo o que havia pressentido desde o início: “Não é bom que o homem esteja só”.

Na narrativa sobre o dilúvio – real ou mito – Deus fala diretamente com o ancião Noé porque, preocupado em manter intacta aquela família abençoada e mais todas as espécies criadas, dá as coordenadas para a construção de uma enorme Arca na qual, de cada espécie, um casal, além da esposa e dos filhos e noras de Noé, todos ficariam abrigados da fúria das águas que caíram tenebrosamente durante quarenta dias e quarenta noites (Gn 6, 9-22.7, 1-12), levando o extermínio a tudo o que se movia sobre a terra, tanto homens quanto animais. Depois da devastação pelas águas, que cobriram toda a terra por cento e cinquenta dias (Gn 7,27), Deus coloca-se ao lado de Noé, da família e de todas as espécies salvas, abençoa-os e diz: “Crescei e multiplicai-vos e enchei a terra” (Gn 9,1).

A Bíblia não omite nenhuma passagem na qual o Senhor está presente ao lado dos seres humanos. Nós é que, para encurtar caminhos, damos aqui alguns saltos. Assim, bem mais tarde, vamos encontrar o Criador falando a Abraão (que no início tinha o nome de Abrão), com quem, a exemplo do ocorrido com Noé, faz aliança. Com Abraão é diferente. Primeiro Deus fala com ele e manda-o sair da terra, de perto do pai e dos parentes, para ir rumo a uma terra ainda a ser designada. De tanta confiança, Abraão segue a ordem do Criador. Mas, a vida de Abraão é marcada, principalmente, pela ausência de uma prole, que Deus insiste e assegurar-lhe, será mais extensa do que as estrelas do céu e do que os grãos de areia das praias. Para consolidar ainda mais a promessa, Deus envia três anjos a Abraão, no Vale de Mambré e ali, o Senhor assegura ao ancião que em um ano, Sara, a estéril, dará à luz um filho do Patriarca.

Aqui, ao custo da redução do texto, vale lembrar o quanto Abraão deve ter se sentido solitário, ouvindo a voz de Deus constantemente, fazendo-lhe promessas de uma posteridade incontável, mesmo sendo marido, e velho, de uma estéril. Mas, o Senhor não o deixa “só”, envia-lhe os três anjos com ordem e poder para assegurar-lhe que tudo seria cumprido a seu tempo.

Não bastasse a presença dos anjos, portadores de boas notícias, Abraão decide interceder pelo povo de Sodoma e de Gomorra (Gn 18,16-33), travando uma insistente intercessão por uma gente já marcada para ser dizimada. Deus é companheiro e é paciente!

Também por nós não é desconhecida a passagem em que Moisés, “solitário” na montanha, na condução do rebanho do sogro, pressente a presença do Criador, nas chamas inextinguíveis da sarça. Inebriado com o trabalho e, possivelmente, meditando sobre sua vida, Moisés aproxima-se da sarça ardente  e ouve a voz que chama-o pelo nome: “Moisés, Moisés” (Ex 3,4) e, a partir de então, ambos andarão juntos, na condução de todo um povo escolhido: na saída do Egito; na travessia do Mar Vermelho; no Maná no deserto; na água do rochedo; nas codornizes; a nuvem e a coluna de fogo; as tábuas da Lei. Sempre a presença de Deus, impedindo que o homem esteja só”.

O Profeta Samuel, ainda menino-adolescente, sozinho em seu ambiente de dormir, no templo do Senhor, ainda sob os cuidados do sacerdote Heli, tem o sono interrompido pela voz de Deus que, sucessivamente, chama-o pelo nome: “Samuel, Samuel” (ISm 3,3.6) e que, conforme pressentido por Heli, fará de Samuel um grande profeta e com ele andará por toda a vida, fazendo o mesmo com inúmeros outros profetas que, cada qual no seu tempo, são interpelados pelo Senhor que, não apenas se revela presente, mas, e, sobretudo, caminha com eles na direção, na condução e no ensinamento do povo escolhido.

Não é bom que o homem esteja só, diz o Senhor e, Ele mesmo, se faz presença na vida deste homem. Ele próprio se apresenta diante do ser humano como que para dizer: estou aqui, em ti e contigo. Vamos avante, sem medo!

Estes são apenas uns poucos exemplos. A Bíblia está repleta com muitos e muitos outros exemplos da presença, e da comunicação direta de Deus, junto ao ser humano, homens e mulheres, de forma indiscriminada.

Mesmo mais tarde, quando do mistério da encarnação, Deus se faz representar pelo anjo junto a Maria e, pela virtude do Espírito Santo, na concepção da Virgem.

Revelando-se, e revelado, como Pai, Deus se faz presente junto ao Filho que, na condição plenamente humana submete-se ao batismo, no Jordão. Mais tarde, o mesmo Deus se manifesta no monte Tabor, quando da transfiguração de Jesus. Sempre o mesmo Deus zeloso, presente, amoroso e paciente.

Ele jamais deixa o homem sozinho porque, como sempre, entende não ser bom que o homem esteja só. Confiantes nesta presença constante e permanente, em todas as nossas atribulações, podemos e devemos contar com o Deus que habita em nós, templos vivos do Espírito Santo. Não falamos isso apenas com respaldo na fé, que pode ser colocada em dúvida, mas, acima de tudo, na palavra de Jesus, que é Deus. É Ele quem fala da presença que temos em nós e assegura-nos que, diante dos nossos embaraços, nada devemos temer, “Porque o Espírito Santo vos ensinará, naquele momento, o que deveis dizer” (Lc 12,11-12); depois, declara que, quando o Pai enviar o Espírito Santo “ele vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14, 26); adiante, Jesus afirma que o Espírito Santo “vos guiará no caminho da verdade integral” (Jo 16, 13), destacando que, ainda que o mundo não o conheça, “vós o conheceis, porque habita convosco e estará em vós” (Jo 14,17)

O Capítulo 2 do Livro dos Atos do Apóstolos narra a descida do Espírito Santo, no primeiro Pentecostes depois da Ressurreição de Jesus.

Paulo, o Apóstolo tardio, vai exortar os cristãos de Corinto a manterem-se íntegros porque, questiona-os Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém violar o templo de Deus, Deus o destruirá. Com efeito, é santo o templo de Deus, que vós sois” (ICor 3, 16-17).

A pergunta frequente quando tratamos sobre esta habitação divina no ser humano é se o Espírito habita em todos, de forma indiscriminada. O Apóstolo Paulo é quem elucida a questão, ao responder aos cristãos de Tessalônica: “Em verdade Deus não nos chamou para a imundície, mas para a santidade. Aquele, pois, que despreza isto, não despreza um homem, mas Deus, que também deu o seu Espírito Santo para habitar em nós” (Its 4, 7-8).

E, se ainda assim, alguma dúvida permanece, é bom confiar na mensagem do Evangelho de João, onde está escrito que Jesus disse: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos nele morada” (Jo 14,23).

Portanto, o templo do Espírito Santo deve estar conformado à Palavra e aos ensinamentos divinos, tendo no homem um fiel seguidor, a fim de que mais e mais possa sentir em si a divina presença, não apenas mediante sucessivas vitórias, mas, e, sobretudo, na portabilidade das virtudes espirituais, armas com as quais é possível enfrentar todas as intempéries. E assim, e de modo efusivo, dar cumprimento à vontade de Deus: Não é bom que o homem esteja só”.

Reflita sobre este texto e perceba que Deus não acha bom que estejas só. Ele quer estar contigo, quer caminhar ao teu lado, quer habitar em ti, quer ouvir tua voz e quer falar contigo e, então, somente Nele esperarás. E, os que Nele esperam, “adquirirão sempre novas forças, tomarão asas como de águia, correrão e não se fatigarão, andarão e não desfalecerão” (Is 40, 31). Pense sobre isto, creia e não permita que o seu templo interior fique ou permaneça desabitado. Namastê. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

dez 19

CONVITE À REFLEXÃO: VOCÊ USA MÁSCARAS?

MÁSCARAS

O DELIBERADO USO DE MÁSCARAS: PERDA DA ORIGINALIDADE –

*Por Luiz Antonio de Moura – 

Existem algumas questões envolvendo os seres humanos, nós todos, portanto, que chamam a atenção para a prática de atos, ou até mesmo para as formas de vida adotadas, parecendo-nos, em muitos casos, estarmos vivendo ao lado de seres de outros planetas, de outras galáxias!

Quantas vezes não nos interrogamos acerca dos porquês, das razões que levam estes ou aqueles a agirem da forma que agem ou a praticarem os atos que praticam? Em quantas oportunidades não nos decepcionamos com a forma com que pessoas conhecidas ou muito próximas, parentes mesmo, agem na vida e na relação com os demais semelhantes? E quanto a nós mesmos: quantas atitudes tomamos que, mais tarde, ao olharmos para trás, questionamos as razões que nos levaram a agir de tal ou qual forma?

Estas questões podem parecer simples, de fácil compreensão, quando nos valemos da vala comum do “somos humanos”, de “matéria frágil” ou mesmo do “todo mundo tem defeitos” ou, ainda, “o ser humano é complexo mesmo” e por aí vai. Na verdade, o que se percebe de forma bastante clara e evidente, é que, sabendo-nos propensos aos mesmos erros e acertos uns dos outros, procuramos adotar procedimentos defensivos que, a qualquer momento e em qualquer circunstância, podem socorrer também a nós.

Entretanto, algumas reflexões impõem-se pela necessidade de tentarmos compreender um pouco mais as razões que afastam-nos das nossas próprias origens. Somos nascidos em condições bastante favoráveis para uma vida simples, humilde e plenamente capaz de possibilitar-nos uma convivência humanizada com todos os nossos semelhantes. Temos, em acréscimo, e para os que creem, uma origem primitiva divina, donde trazemos em nosso DNA espiritual a imagem e a semelhança do Criador. Então, é de se questionar: o que ocorre conosco que, não muitos anos depois do jubiloso nascimento, estamos total, absolutamente, e muitas vezes absurdamente, mudados?

Não existem respostas fáceis e definitivas, quando assunto é o ser humano. Existem, no entanto, possibilidades. Umas, absurdas e sem qualquer conexão com a realidade e, outras, no entanto, mais razoáveis e, portanto, mais plausíveis.

Nossos irmãos gregos (os da antiguidade) criaram para si e para a cultura então vivida, o valioso instrumento da máscara. Peça utilizada nas celebrações devotadas ao deus grego do vinho, da festa e da fecundidade, Dionísio que, na mitologia romana é conhecido como Baco. Por meio de tais instrumentos, devidamente colocados à frente do rosto, transformando toda a aparência facial, eram produzidas peças teatrais envolvendo a tragédia ou a comédia. Por trás da máscara, uma pessoa comum, que nada tinha a ver com o representado. A máscara, no entanto, dava o tom daquele que estava sendo trazido a público para ser conhecido e traduzido em toda a sua pujança, para o bem, para o mal ou mesmo para a diversão e a alegria, sem revelar, de forma alguma, a verdadeira identidade da “persona” que a ostentava.

Se fizermos uma pequena, mas significativa, comparação com o que vivemos nos dias que correm, chegaremos à conclusão de que o ser humano de hoje vale-se do mesmo instrumento, com uma pequena diferença: hoje, a máscara é interna. Não mais esconde o rosto físico, mas, o psíquico. Assim, vamos encontrar pessoas, conhecidas nossas. Bastante conhecidas. Pessoas que conhecemos, às vezes, desde que nasceram, mas, que, infelizmente, pelas máscaras psíquicas que adotaram para as suas vidas, não conseguimos mais identifica-las com aquelas com as quais, no passado, tínhamos ou mantínhamos uma relação tão frutífera, tão saudável e tão promissora. Aqui, lamentavelmente, estamos falando da quase totalidade da humanidade.

Pessoas que, por razões diversas e muitas vezes desconhecidas, adotam as máscaras da seriedade. Uma seriedade que não ostentavam na juventude. Eram alegres, brincalhonas, acessíveis mas que, agora, são sérias, mal humoradas, fechadas em si e indispostas para o diálogo.

Pessoas que adotaram a máscara do poder. Em razão de um cargo ou de uma função pública de relevo, acreditam-se superiores a todos os demais seres humanos. Acreditam piamente serem dotadas de potencial decisório, com carga suficiente para explodir tudo à sua volta, num simples piscar d’olhos. A máscara do poder decorre, também, e em muitos casos, do acesso fácil ao dinheiro e à riqueza, assim como do acúmulo de patrimônio. Aquele ou aquela que detém os cofres bancários cheios de grana ou d’outra forma, possuem patrimônio vistoso, acreditam “poderem” absolutamente tudo e, por conseguinte, nada temem – nem a justiça divina, nem a dos homens!

Pessoas que adotam as máscaras do conhecimento, em razão do grau acadêmico que obtiveram, dos cursos dos quais participaram nas mais diversas universidades e centros acadêmicos do mundo contemporâneo. Outras, sem qualquer reconhecimento da realidade na qual estão mergulhadas, não têm muito o que ostentar, mas, ainda assim, querem aparecer para o mundo exterior como profundas conhecedoras de todo o universo científico que gira ao redor de si.

Há que  se recordar, ainda, das máscaras da santidade, da bondade e da caridade, da benevolência, da mansidão, da justiça social, da ética, do respeito aos direitos alheios, da humildade e da simplicidade. Das máscaras da democracia, do perdão, da fé, da vida em comunidade. Enfim, diversas máscaras adotadas pelos seres humanos, utilizadas com a finalidade de aparecerem diante dos mascarados da plateia, de uma forma totalmente falsa, farsante e fraudulenta, com o propósito de serem ao mesmo tempo, confusos e confundidos.

Máscaras que fazem-nos totalmente diferentes daquilo que, realmente, somos desde a origem, retirando de nós a capacidade de sermos simples, humildes, pacíficos, risonhos, abertos, alegres e espontâneos como as crianças. Máscaras que rasgam a nossa inocência espiritual, levando-nos à descrença em tudo e em todos; que rompem com o sentido do perdão, fazendo-nos buscadores da vingança, legal ou pessoal; que aniquilam o sentimento original do amor, dando lugar à paixão e ao ódio; que impedem o convívio com os nossos iguais sem qualquer forma de discriminação, levando-nos a segregar, a sectarizar ou mesmo ao mais profundo isolamento. Máscaras que adotamos a partir de certo momento da vida e que, depois, acreditamos delas não termos mais condições de libertar-nos, por causa da sobre máscara do orgulho, da arrogância e da prepotência. Máscaras, máscaras e máscaras que arrebatam-nos das nossas origens e que nos arremessam para o mundo irreal da imortalidade, da eterna juventude, da onipotência humana, da ilimitada capacidade de ação e do pior de tudo, da total desconsideração para com o infalível relógio do tempo.

Todas estas máscaras, e mais algumas que podem ter ficado de fora, são as responsáveis diretas pela maioria das angústias por nós vividas. São elas que nos afastam do colo de Jesus, que acolhia com amor indizível a todas as criancinhas, e que fazem de nós os algozes do próprio Filho de Deus que, no Calvário, viu-se diante de turba furiosa e sedenta de sangue e de dor que, pouco depois, percebeu o erro cometido – “na verdade este homem era justo” (Lc 23, 47).

Por fim, muitas e muitas histórias têm final feliz. São incontáveis os casos de queda ou de retirada das máscaras que, quando acontece, trazem paz, felicidade e completude para as, até então, vítimas de um teatro que, embora não sendo grego, é repleto de tragédia. Quando caem as máscaras que, como visto, hoje são psíquicas, sobressai o ser humano real, íntegro e plenamente capaz de ser reconhecido como imagem e semelhança do Criador. Um ser humano não mais parecido com o representado, mas, identificado com o realisticamente projetado por Deus para, no futuro, viver com e como Deus.

A sugestão é para que identifique a máscara que usa diante do mundo e das pessoas e, caso queira fazer uma experiência nova de vida, uma experiência promissora e avassaladora, retire e lance para longe de si tal máscara, e verá como tudo será muito diferente a partir de então. O tempo é sempre propício. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

dez 17

EDITORIAL DA SEMANA: SÃO JOÃO DE DEUS NÃO PODE SER CONFUNDIDO

SÃO JOÃO DE DEUSSÃO JOÃO DE DEUS NÃO PODE SER CONFUNDIDO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Nestes dias confusos e turbulentos pelos quais estamos passando é preciso, desde já, separar o joio do trigo, porque a fé das pessoas deve ser respeitada em toda a sua extensão, terrena e cósmica. Pessoas que adotam pseudônimos de santos(as) ou de quaisquer outros humanos que já tenham cumprido a missão terrena, precisam viver e agir em total conformidade com aqueles(as) dos quais adotaram o nome.

O caso da hora é o de alguém, contemporâneo nosso que, sabe-se lá por qual razão, decidiu usar o nome de “João de Deus” para, na sua lógica racional-espiritual, praticar o bem por meio de trabalhos mediúnicos. Até aí, nada demais! O problema surge quando, por trás do nome, existe uma personalidade que, verdade ou não, é envolvida em escândalos que, em termos nominais, mancha apenas o nome adotado. E o nome “João de Deus” é originário do Santo Português – São João de Deus – nascido a 08 de março de 1495, na Vila de Montemor-o-Novo, cidade portuguesa, no Distrito de Évora, região Alentejo. Santo que praticou o bem a partir do recolhimento, das ruas e praças, de pobres, abandonados e infestados por toda espécie de doença, do corpo e da alma.

A vida e a obra de São João de Deus não é contada apenas pelo povo de um lugarejo; nem ele vivia cercado de afagos de reis e de rainhas, ou mesmo de personalidades ricas e importantes de sua época. São João de Deus vivia e agia justamente nos locais onde a classe abastada fingia desconhecer; de  onde os sãos e remediados faziam questão de tomar distância. Não se podendo, portanto, confundir o São João de Deus português, que a todos acolhia com imenso carinho, preocupação e cuidado, com qualquer outra pessoa que decida adotar seu nome, ainda que para fazer o bem, porém, envolta em sérias suspeitas de desregramento e de desrespeito aos irmãos e irmãs que batem-lhe à porta.

João de Deus, o Santo, viveu na mais absoluta pobreza, fazendo da mendicância a profissão capaz de dar a ele e aos seus acolhidos, as condições básicas necessárias para a manutenção da vida e a busca pela cura do corpo e da alma.

Quem poderia imaginar, por exemplo, que o pequeno João de Deus, nascido em uma habitação modesta da Rua Verde, um dia diria para o mundo e para a história que “os doidos não devem ser tratados com pancadas e açoites, mas, sim, com brandura e boas palavras”?, ele mesmo, anos mais tarde, internado como louco, pelo simples fato de, no meio da praça de Bivarrambla, atirando-se de cara na lama, ter confessado diante de toda a gente, dizendo: “Tenho sido um pecador muito grande para com o meu Deus, e tenho-O ofendido nisto e naquilo. Ora, que merece um traidor que tal fez? – Que de todos seja ferido e maltratado, e tido pelo mais vil do mundo, e ser lançado na lama e no lodaçal, para onde se atiram as imundícies”[1].

Diante da gente irada com tais confissões, João sai correndo pelo lugarejo, perseguido pelo povaréu, até que, alguém dele se compadecendo, leva-o para o Hospital Real “onde recolhem e tratam os loucos da cidade”.

Na verdade, João Cidade não era louco; não estava louco, senão de amor por Deus e, por tal razão, profundamente arrependido por todos os pecados que a memória faziam-no recordar. Entretanto, ainda assim, os enfermeiros que lidavam com ele no período da internação, não apenas viam-no como louco, mas, pior ainda: como homem mau. Não que ele praticasse qualquer ato abominável, mas, somente porque, diante do tratamento que via ser dispensado aos demais internos, com açoites e outros castigos, rapidamente levantou a voz na defesa daqueles desvalidos, bradando em alto e bom som: “Oh! Traidores, inimigos da virtude! Por que tratais tão mal e com tanta crueldade a estes pobres miseráveis e meus irmãos, que estão nesta casa de Deus na minha companhia? Não seria melhor que vos compadecêsseis deles e dos seus sofrimentos, e os limpásseis e lhes désseis de comer com mais caridade e amor do que fazeis, já que os Reis Católicos deixaram para isso rendas suficientes?[2].

Ainda no recolhimento do hospital, João recebe um discípulo do Padre Mestre Ávila, enviado com a missão de semear naquele coração ferido a convicção de que, como valoroso soldado, deveria expor a própria vida ao seu Rei e Senhor, “e que aceitasse com humildade e paciência os sofrimentos que a divina Majestade lhe enviara”, conclamando-o a tudo aceitar como forma de treinamento da virtude para que, quando saísse daquela masmorra hospitalar, tivesse condições de pelejar contra os inimigos, sempre confiando do Senhor, “que nunca vos abandonará”.

Mas João, certamente confiando na Palavra do seu Rei e Senhor – “Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”  –   pedia com insistência “Jesus Cristo me conceda tempo e me dê a graça de eu ter um hospital, onde possa recolher os pobres desamparados e faltos de juízo, e servi-los como desejo”[3]. Passado algum tempo, e mais calmo e conformado à vontade do Senhor, João sai daquele hospício e, finalmente, depois de alguma caminhada e de mais alguns sofrimentos, como a fome e a desnudez tendo que, no frio intenso e descalço, sair para pedir esmola para o sustento próprio, retorna a Granada e, nos arredores da mesma praça de Bivarrambla, consegue alugar uma casa, com a ajuda de algumas pessoas devotas e piedosas que o ajudavam em seus trabalhos.

É ali, e partir dali e de outras partes, que João começa a receber os pobres desamparados, doentes e entrevados, providenciando mantas usadas para dormirem e, também, a assistência espiritual por meio de qualquer sacerdote que se dispusesse a acompanhá-lo para ouvir as confissões dos pobres e desamparados sedentos, também, da paz de espírito.

Devoto apaixonado da Paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, João queria que seus semelhantes, também, pudessem auferir todos os benefícios de tão caro sacrifício e, adotando a sexta-feira como dia especial da devoção, visitava às casas públicas das mulheres, para tentar “arrancar dali alguma alma das garras do demônio, em que estão metidas tais mulheres”[4]. A caridade do grande servo do Senhor era tanta, e ele vivia com tamanha consideração para com tudo o que recebera dos Céus, que sempre parecia-lhe ser muito pouco tudo o que fazia e dava, “julgando-se sempre em dívida para com os outros. Era assim que vivia, com aquela ânsia dos santos de se dar a si mesmo, de mil maneiras, por amor d’Aquele que tão magnífico e generoso tinha sido para com ele.”[5]

A fama de João aumentou tanto, diante do bem que fazia aos pobres, doentes e desamparados que, pessoas devotas e distintas resolveram comprar-lhe uma casa da Rua “De Los Gomeles” que tinha sido um mosteiro de religiosas, para onde foram transferidos todos aqueles socorridos pelo servo do Senhor. Era tanta gente que procurava por ele que, juntos, mal cabiam em pé. Pacientemente, João sentava-se no meio deles, para ouvir as necessidades de cada um e sempre dar alguma esmola ou aconselhamento, não deixando ninguém sair de mãos vazias.

João de Deus viveu a misericórdia de forma intensa e retributiva por tudo o que do Senhor recebia. Certa vez, alcançou do Senhor a cura de uma mulher que tinha uma enorme ferida na perna. João, visitando esta enferma, e sem ter o que fazer por ela, lançou a boca naquela chaga aberta e, por dias seguidos, chupava os excessos e toda a podridão de carne que ali existia, cuspindo fora todo aquele mal. Conta a Condessa de Nova Goa – Raquel Jardim de Castro – que, foi assim que “Nosso Senhor se dignou sarar completamente a enferma, cremos que para a livrar de tão horrível mal e a ele (João) de tão dificultosa prática”[6].

João de Deus não pensava  em alcançar salvação apenas para si. Andava pelas ruas da cidade exortando a todos a fazerem o bem a si mesmos. “Fazei o bem a vós mesmos!”, dizia ele, e muitos acolhiam o seu chamado.

Raquel Jardim de Castro declara não saber dizer com precisão, entre a caridade e a paciência, qual destas virtudes resplandecia mais em São João de Deus, reconhecendo nele o conhecimento da seguinte verdade: “Para se atingir a perfeição, não basta fazer o bem; é preciso saber suportar o mal”[7]

Falar sobre São João de Deus é tarefa para uma vida inteira, tendo em vista o tanto e o quanto que ele fez e ensinou. Entretanto, de todo o legado do santo, existe algo que pode santificar-nos a todos: a compreensão e a vivência da misericórdia ensinada e vivida por Jesus Cristo, conforme testemunhado nos Evangelhos. São João de Deus, na exata medida do santos e das santas, compreendeu e viveu a misericórdia e deixou para todas as gerações que o sucederam o exemplo. Cabe aos homens e às mulheres de cada tempo perseguirem a mesma compreensão e praticarem-na da forma mais adequada aos desafios de cada época, sempre mirando-se na parábola do bom samaritano, que enxerga-se a si próprio na pessoa do outro que carece de amparo, de socorro e de acolhimento. São João de Deus é modelo exemplar das virtudes evangélicas. Devemos conhecê-lo melhor e, dentro das nossas limitações, imitá-lo da forma mais perfeita possível por que ele, irmão de Cristo, aprendeu do próprio Senhor e deixou-nos uma herança de valor inestimável, conclamando-nos a fazermos o bem a nós mesmos!

Assim, é preciso, conforme dito no início, separar o joio do trigo, até para manter intacta, incólume e inatacável a vida e a obra de um Santo, cujo exemplo deixado remete-nos apenas para o bem e para o bom caminho. Caminho que leva à santidade e à vida eterna, e não, aos tribunais e às prisões, em decorrência de escândalos. Que a fé popular mantenha-se viva, porém, voltada para a direção correta.

É preciso que as pessoas saibam, e que não façam confusão, que a obra e os Lares de São João de Deus espalhados pelo Brasil e pelo mundo, nada têm a ver com obras de caridade praticadas por pessoas que adotam o nome do Santo português para darem uma aura de santidade àquilo que fazem, embora envolto em mistérios e em práticas suspeitas. Que os devotos de São João de Deus possam compreender a gigantesca diferença existente e manter a fé na obra e no exemplo deixados pelo nosso São João de Deus, santo português do século XVI.

______________________________________________________________________

*Luiz Antonio de Moura, estudioso e pesquisador da vida de São João de Deus , é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

_____________________________________________ [1] CASTRO, Francisco de. História da Vida e Obras de São João de Deus. Editorial Franciscana. Évora: 1980. Pág. 62. [2] Idem, pág. 65 [3] Idem, pág. 68 [4] Idem, pág. 85 [5] Idem, pág. 93 [6] CASTRO, Raquel Jardim de. “S. João de Deus – Um Herói Português do Sec. XVI. Lisboa. Rei dos Livros: 1995. 295 págs. [7] Idem. pág. 145.

nov 18

SALMO É LUZ. SALMO É VIDA. SALMO É LOUVOR!

SALMOS - 2017

SALMO DO DIA – DOMINGO – 18/11/2018 – CANTANDO OU RECITANDO, APROXIMA-TE DO SENHOR –

SALMO – Sl 15,5.8.9-10.11

R. Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

5Ó Senhor, sois minha herança e minha taça,

meu destino está seguro em vossas mãos!

8Tenho sempre o Senhor ante meus olhos,

pois se o tenho a meu lado não vacilo.

R. Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

9Eis por que meu coração está em festa,

minha alma rejubila de alegria,

e até meu corpo no repouso está tranquilo;

10pois não haveis de me deixar entregue à morte,

nem vosso amigo conhecer a corrupção.

R. Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

11Vós me ensinais vosso caminho para a vida;

junto a vós, felicidade sem limites,

delícia eterna e alegria ao vosso lado!

R. Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

  ____________________________________________   FONTE: http://liturgiadiaria.cnbb.org.br/app/user/user/UserView.php?ano=2018&mes=4&dia=7

ago 31

A PALAVRA DE DEUS CHEGA ATÉ VOCÊ

NOVA LOGO DO BLOG

A PALAVRA PARA VOCÊ –

SEXTA-FEIRA – 31/08/2018 –

II LIVRO DOS REIS - Capítulo 23, 1-11 –

 – JOSIAS RENOVA A ALIANÇA COM DEUS – PARTE I –

1O rei convocou à sua presença todos os anciãos de Judá e de Jerusalém,2e subiu ao templo do Senhor com todos os homens de Judá e todos os habitantes de Jerusalém, os sacerdotes, profetas e todo o povo, pequenos e grandes. Leu então, diante deles, o texto completo do livro da Aliança que fora descoberto no templo do Senhor.3O rei, de pé na tribuna, renovou a aliança em presença do Senhor, comprometendo-se a seguir o Senhor, a observar os seus mandamentos, suas instruções e suas leis, de todo o seu coração e de toda a sua alma, e a cumprir todas as cláusulas da aliança contida no livro. Todo o povo concordou com essa aliança.4O rei ordenou em seguida ao sumo sacerdote Helcias, aos sacerdotes da segunda ordem e aos porteiros, que jogassem fora do templo do Senhor todos os objetos fabricados para o culto de Baal, de asserá e de todo o exército dos céus; fê-los queimar fora de Jerusalém, nos campos do Cedron, e mandou levar as suas cinzas para Betel.5Despediu os sacerdotes dos ídolos que os reis de Judá tinham estabelecido para oferecer o incenso nos lugares altos, nas cidades de Judá e nos arredores de Jerusalém, assim como os sacerdotes que ofereciam incenso a Baal, ao sol, à luz, aos sinais do zodíaco e a todo o exército dos céus.6Mandou tirar do templo do Senhor o ídolo asserá e levá-lo para fora de Jerusalém, para o vale do Cedron, onde o queimaram. Depois de tê-lo reduzido a cinzas, mandou-as lançar sobre os sepulcros do povo.7Destruiu os apartamentos das prostitutas que se encontravam no templo do Senhor, onde as mulheres teciam vestes para asserá.8Convocou todos os sacerdotes das cidades de Judá, profanou os lugares altos onde os sacerdotes tinham oferecido incenso, desde Gabaa até Bersabéia, e destruiu o lugar alto das portas, à entrada da casa de Josué, prefeito da cidade, que ficava à esquerda de quem entra na cidade por essa porta.9Entretanto, os sacerdotes dos lugares altos não subiam ao altar do Senhor em Jerusalém, mas comiam somente dos pães ázimos no meio de seus irmãos.10Profanou também Tofet, no vale do filho de Enom, a fim de que ninguém fizesse passar pelo fogo seu filho ou sua filha em honra de Moloc.11Fez desaparecer também os cavalos que os reis de Judá tinham dedicado ao sol, à entrada do templo do Senhor, junto do pavilhão do eunuco Natã-Melec, no recinto, e queimou os carros do sol.

 

  FONTE: http://claret.org.br/biblia __________________________________________ *Leitura do Livro de Samuel.      

jan 12

ESPAÇO TEOLÓGICO: CAMINHO PARA O CONHECIMENTO

ESPAÇO TEOLÓGICO

ESPAÇO TEOLÓGICO – CRESCENDO EM CONHECIMENTO - 

*Por Luiz Antonio de Moura –

Iniciamos o ano de 2018 com forte tendência, não apenas de manutenção, mas, e, sobretudo, de aprimoramento do site www.sementesdapalavra.com.br por meio do qual temos conseguido chegar a diversos pontos geográficos, alcançando pessoas dos mais diversos matizes e das mais diversificadas profissões de fé o que, graças a Deus, é motivo de orgulho e de satisfação para nós, cujo objetivo é, e sempre foi, levar Palavra de Deus a todos os homens de boa vontade, independentemente da religião que professam.

Pois bem, com tais propósitos e objetivos, estamos verificando a necessidade de abrir espaço de indubitável importância para o cuidado e o zelo da fé da qual somos portadores por obra e graça de Deus, sem as quais seríamos como folhas secas caídas nos bosques da vida. O espaço ao qual nos referimos é aquele destinado à teologia, aonde pretendemos apresentar aos nossos leitores, seguidores e colaboradores não o nosso, mas, o entendimento e o conhecimento teológico sobre os mais diversos aspectos da Palavra de Deus, a partir da leitura de obras de teólogos do porte, por exemplo, de L. Alonso Schökel, J. L. Sicre Diaz, Joseph Ratzinger, Karol Wojtyla, Andrés Torres Queiruga, Karl Barth, Karl Rahner, Jürgen Moltmann, Isidoro Mazzarolo e muitos outros que, no conjunto, são os grandes responsáveis pela compreensão que temos acerca da criação, da formação do chamado “povo de Deus”, ainda no tempo dos Patriarcas e, posteriormente, a partir da história pré e pós-exílica de Israel, passando pelos profetas e, tudo encadeado, chegando ao Novo Testamento e à Nova Aliança apresentada e representada por Jesus Cristo.

Nas palavras e nos ensinamentos dos teólogos acima nomeados, além de outros que serão apresentados oportunamente, pretendemos levar aos leitores, seguidores e colaboradores do site uma visão teológica que lhes possibilite compreender com maior nitidez e clareza a extensão dos projetos criacional e salvífico de Deus, tendo o ser humano como objeto central, sim, mas, ao mesmo tempo, em permanente interação com tudo e com todos os demais seres vivos que o cercam, de modo a que o fracasso de um, significa também, o fracasso dos demais. Assim, o trinômio Deus-homem-vida passa a ser considerado como existência única e esta compreensão, por certo, fará de todos nós pessoas especialmente preparadas para a vida futura, aquela que ultrapassa os limites do túmulo e que nos fará ingressar no grande oceano divino, onde todas as nossas águas serão integradas às águas eternas, numa mistura que unificará o homem com a vida e estes com Deus de forma permanente e, portanto, eterna.

Por meio das diversas inserções teológicas apresentadas por renomados teólogos, atuais e antigos, procedentes dos mais diferentes matizes do pensamento, pretendemos facilitar o entendimento dos cristãos de modo a se adequarem plena e perfeitamente à mensagem de Jesus: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, pois, ao ser humano não pode ser, jamais, negada a oportunidade do conhecimento, principalmente, quando indispensável para uma vivência ajustada aos planos do Criador que têm por finalidade a recondução do homem às hostes do paraíso inicialmente preparado para a criatura cuja primazia é reconhecida por Deus desde o momento inicial, conforme narrado no Livro do Gênesis.

Então, eis o desafio a que nos propomos desde este início do ano de 2018, cuja primeira publicação está prevista para fevereiro, renovada a cada dois meses, dada a necessidade da pesquisa e da formatação dos textos a serem utilizados.

Esperamos, sinceramente, atingir os objetivos apresentados, para o que contamos com a inestimável e insubstituível presença e inspiração do Espírito Santo.

_________________________________________

*Luiz Antonio de Moura estuda Teologia no ITF-Petrópolis, é um caminhante, um pensador espiritualista e um cultor do silêncio.

nov 04

UM POEMA PARA REFLETIR

FREI ARIOVALDO -3

E A CASA NÃO CAIU 

*Por Frei José Ariovaldo da Silva, ofm – 

Banho tomado

após suada caminhada,

em minha cama agora espraiado,

do jeito que nasci,

janela aberta para um céu ensolarado

e apressadamente varrido

por louco vento Leste-Oeste, penso eu,

miro blocos de nuvens revoltas, agitadas,

cruzando-se, tropeçando-se em desespero,

empurradas para um rumo que não sabem.

Encantado,

no movimento delas embarquei

e, tomado de súbita ótica ilusão,

senti a casa tombando sobre mim.

Assustei-me e, neste susto mentiroso,

lembrei-me de outros, tantos outros,

que ventos loucos da humana mente

fizeram meu corpo sobre mim cair.

Hoje, depois de tantos medos,

vem a ilusão e me diz

que dela virei aprendiz:

de mim desnudo, na fé,

toquei a orla de meus segredos,

literalmente de pé,

sou livre, feliz.

_________________________________________________
*Frei José Ariovaldo da Silva é frade franciscano (OFM); doutor em Liturgia pelo Pontifício Instituto Litúrgico de Roma; professor do Instituto Teológico Franciscano (Petrópolis, RJ); membro da equipe de reflexão da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB; membro do Centro de Liturgia “Dom Clemente Isnard”, ligado ao Instituto Pio XI (UNISAL – São Paulo); foi membro da Comissão para Acabamento da Basílica de Aparecida; assessor de Liturgia, conferencista, escritor

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