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Sementes de vida, ������© tempo de semear

Arquivo por categoria: EDITORIAL DA SEMANA

out 15

EDITORIAL DA SEMANA: A QUEM SERVIREMOS?

O POVO DE DEUS

SEREI O SEU POVO E ELE SERÁ O MEU DEUS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Quando falamos sobre povo, normalmente, referimos-nos “à sociedade”, como forma de abarcar todo um contingente populacional, com a diversidade cultural e cultual e com a multiplicidade racial, étnica, social e etária, que lhe são próprias. Enfim, por meio deste termo, referimos-nos a todo grupamento humano contido em determinada cidade, região ou país.

Entretanto, no meio deste imenso contingente humano, existe uma parte significativa de seres humanos que Deus reservou para si desde o princípio conhecido, tratando-o como “povo eleito”, “povo escolhido” ou, simplesmente, “povo de Deus” e fazendo com ele algumas Alianças. As mais antigas, descritas e desenvolvidas pelos patriarcas, pelos Juízes, pelos reis e pelos Profetas, conforme as narrativas do Antigo Testamento. A mais recente, e definitiva, é feita por meio do Verbo (Palavra) encarnado que, por ser o próprio Deus, é a Eterna Aliança. Seja no tocante às primeiras ou à última das Alianças, o plano de Deus é a salvação do seu povo. Povo que, se, inicialmente, era restrito a Israel, posteriormente, passou a ser formado por todos os seres humanos que aceitaram, ou que ainda aceitam, a Jesus Cristo como o Filho Unigênito de Deus, acolhendo a mensagem do Reino por Ele trazida e cumprindo os mandamentos que Ele, de modo enfático, afirma ter vindo dar cumprimento e aperfeiçoar.

Este é, mais ou menos, o retrato do que podemos denominar como “povo de Deus”. Não se trata de um povo qualquer, mas, de um povo com o qual Deus se envolve pessoalmente e com ele se relaciona de forma intensa e permanente, com ele se preocupando e a ele prestando todo o auxílio e a assistência necessária para a concretização da salvação, a partir da experiência da cruz.

Este povo seleto de Deus é descrito em todas as Sagradas Escrituras, do Antigo ao Novo Testamento, o que é fortemente testemunhado por meio dos Atos dos Apóstolos, sobre o qual alguém já disse que deveria chamar-se “Atos do Espírito Santo”, tamanha a ação do Espírito de Deus, e permeia todas as Cartas Apostólicas, culminando no Livro do Apocalipse de São João (cf. cartas às sete igrejas – Ap 2, 1-29.3, 1-22).

Portanto, estamos diante de duas realidades bem definidas: um povo santo e um Deus que caminha ao lado, e com este povo.

Por meio do Profeta Ezequiel, o Senhor promete um coração de carne e um espírito renovado à geração vinda do exílio e, já aí, afirma: “vós sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus”. “Farei” diz o Senhor “que andeis nos meus preceitos, que guardeis as minhas leis e que as pratiqueis. Purificar-vos-ei de todas as vossas imundícies” (Ez 36, 27-29).

Parece claro, portanto, que o Deus-Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) caminha com, e ao lado, do seu povo. Mas, que povo é este? É qualquer povo? É um povo que vive do jeito que entende ser o melhor para si e para a sua descendência? É um povo que presta culto a outros deuses? É um povo que viola o sagrado direito à vida, que pratica a injustiça e que é conivente com o mal praticado no mundo? É o povo inovador, que a cada dia joga as leis do Senhor no lixo da história e adota formas de vida que afrontam os ensinamentos de Deus? É o povo que, a exemplo dos hebreus recém-saídos do Egito, constrói bezerros de ouro todos os dias, para adorá-lo, incitando seus semelhantes a fazerem o mesmo? Para a tristeza de muitos, a resposta é sempre negativa. Em relação a este tipo de povo, Deus falará pela boca do Profeta Amós: “eu conheço as vossas muitas maldades e os vossos graves pecados; sois inimigos do justo, aceitais dádivas e oprimis os pobres à porta. Por isso o prudente se calará naquele tempo, porque é tempo mau” (Am 5, 12-13).

O povo escolhido pelo Senhor é aquele que é separado, como as ovelhas o são dos demais animais, porque, diz o Altíssimo: “Sereis para mim santos, porque eu, o Senhor, sou santo e vos separei de todos os outros povos, para serdes meus” (Lv 20, 26) e, ainda, conforme dito por Moisés: “tu és um povo consagrado ao Senhor teu Deus. O Senhor teu Deus te escolheu para seres um povo particular, entre todos os povos que há na terra” (Dt 7, 6).

Portanto, o “povo de Deus”, o “povo eleito”, é aquele que trilha nos caminhos traçados pelo Senhor e não, um povo de nariz empinado que, nos moldes da atualidade, quer aposentar Deus, retirando-O do seu meio para poder caminhar segundo os seus próprios e tresloucados instintos.

Jesus, por sua vez, avançará ainda mais na relação entre Deus e seu povo, afirmando que: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada” (Jo 14, 23). E o Apóstolo Paulo, mais tarde, vai chamar a atenção dos cristãos de Corinto para a habitação do Espírito Santo, ao afirmar: “Porventura não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, não vos pertenceis a vós mesmos?” (ICor 6, 19-20).

Jesus adotou um critério bastante prático, embora radical, para resolver a questão latente no meio do povo escolhido: a fidelidade a Deus ou ao mundo. “Ninguém” disse Ele, “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou há de afeiçoar-se a um e desprezar o outro” (Mt 6, 24). Em resumo: ninguém pode amar a Deus e seguir o mundo, com os seus caprichos, modismos e todos os demais “ismos” que conhecemos muito bem. Ninguém pode agir assim, sem renegar um lado ou o outro!

E, ainda, para a tristeza de muitos, não basta apenas declarar afeto a um lado ou ao  outro, há que se entregar de forma integral porque, conforme é dito ao anjo da Igreja de Laodicéia: “conheço as tuas obras, que não és nem frio nem quente; oxalá foras frio ou quente; mas, porque és morno, nem frio nem quente, começar-te-ei a vomitar da minha boca (...)” (Ap 3, 15). Portanto, o povo de Deus, que não é definido por nenhum parâmetro quantitativo, deve assumir esta condição de forma integral, de todo o seu coração, com todo o seu entendimento e com toda a força da sua alma (Dt 6, 5-8) e aí, sim, Deus abraçará as suas causas, ouvirá, sim, o seu clamor, e sempre virá em seu socorro.

Dessa forma, e bem resumidamente, não existe fundamento para, como fazem alguns,  afirmar que Deus não se envolve nas questões e nos conflitos humanos, deixando ao homem o poder de decidir os rumos que pretende tomar, ainda mais, quando se trata da questão sob o aspecto coletivo que, necessariamente, envolve santos e pecadores, culpados e inocentes, bons e maus, joio e trigo.

O mundo no qual estamos inseridos, seja lá qual for o lado de filiação por nós escolhido, carece da presença de Deus e, para tanto, de orações constantes e permanentes para que o Senhor intervenha em favor dos que não têm voz, vez ou espaço, cujos clamores são lançados ao vento e, com ele, dissolvem no vazio do nada. Mas, não devemos nos iludir nem iludir os nossos semelhantes: se não caminharmos nos caminhos do Senhor, observando todos os seus preceitos, não seremos ouvidos e, assim, marcharemos cabisbaixos, embora empertigados, para a nossa própria ruína.

Deus, é Senhor absoluto da vida e se decidirmos abraçar a morte ou as teorias que a defendem, das formas mais diversas e diversificadas possíveis, estaremos esbofeteando a face do Criador. Ninguém, por exemplo, pode ser a favor do aborto e, ao mesmo tempo, contra a pena de morte (ou vice e versa), porque, em ambas as situações, a vida está sendo abatida por meio da intervenção e da força humanas. Ninguém pode defender os direitos humanos, sem abraçar  publicamente a causa dos que jazem nos corredores dos hospitais, sem socorro, ou, sem gritar para que os encarcerados tenham direito de cumprir a pena de forma dura, sim, como a lei exige (dura lex, sed lex), mas, digna, como o exigem, por exemplo, o humanismo e o cristianismo reinantes. Qualquer defensor da vida, em qualquer circunstância, deve abraçá-la, também, em qualquer circunstância. Não podemos abraçar um mal menor, para derrotarmos um mal maior. O mal é sempre o mal e quem o escolhe volta-se contra Deus. A escolha deve ser, sempre, sempre, o mal ou Deus, e Deus não compactua com o mal, em qualquer das suas formas. Não existe o meio termo!

No tempo em que vivemos, muitos desafios estão sendo postos à nossa frente. Entretanto, é sempre uma questão de escolha clara, concreta e transparente. Os desafios que nos são colocados devem ser enfrentados à luz da Palavra de Deus, e não, à luz da palavra dos hipócritas e dos demagogos de plantão, que, invariavelmente, possuem vínculos de sangue com alguns dos diversos sistemas de poder que existem no mundo. Sistemas cujos únicos objetivos são a dominação, a exploração e o enriquecimento. São sistemas de subjugação do povo que, em razão das necessidades essenciais para a sobrevivência, por conveniência ou ambição de natureza econômico-política ou, ainda, por mera boa-fé, aceita de bom grado tudo o que as correntes dominantes apresentam como sendo a “verdade”, esquecendo-se de que a verdade é uma só: Jesus Cristo (Jo 14, 6).

Assim, antes de abraçarmos as teorias políticas dominantes, e dominadoras, bem como as que querem alcançar tais patamares, sob os mais diversos matizes ideológicos, devemos abraçar a Palavra de Deus e o Evangelho de Jesus Cristo para, então, podermos bradar aos quatro ventos: “nós somos o seu povo, e Ele é o nosso Deus”, sem o que, permaneceremos na casa da escravidão por longo tempo ainda.

Como é praxe acontecer em nosso meio, e, principalmente nos dias que correm,  autores de textos como este são tachados de “ultraconservadores” ou de “extremistas da direita”, quando não, de coisas muito piores, mas, como discípulo, trago sempre no coração a palavra do Mestre “Se eles me perseguiram a mim, também vos hão de perseguir a vós; se eles guardaram a minha palavra, também hão de guardar a vossa. Mas tudo isso vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou” (Jo 15, 20-21).

Não permita que, do seu coração, sejam removidas as sementes da Palavra de Deus, semeadas pelo Criador, cuja finalidade é a salvação a que você tem direito como parte indissociável do povo santo e eleito, apesar dos pecados e das indignidades cometidas por todos nós. Confiemos no Senhor e a Ele entreguemos as nossas vidas, nosso futuro e o futuro do nosso povo e da nossa nação e Ele, certamente, atuará, como narrado no Livro do Êxodo (Êx 3, 7-8) e, ao ouvir o nosso clamor, descerá para libertar-nos do mal ao qual estamos sujeitos. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

out 08

EDITORIAL DA SEMANA: QUEM DECIDE É O POVO

ELEIÇÕES 2018 - 2

DEMOCRACIA: QUEM DECIDE É O POVO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Estamos, mais uma vez, vivendo o clima eleitoral. Diversos candidatos apresentam-se diante da sociedade para serem eleitos como chefes dos Poderes Executivos federal e estaduais e como membros dos respectivos Poderes Legislativos. Mas, desta vez, algo de novo está no ar! Parece que o povo acordou e compreendeu que é ele quem tem o poder de decisão final sobre quem, de fato e de direito, ocupará tais funções públicas, sem se deixar levar pelos conteúdos propagandísticos que sempre. Os chamados “santinhos”, distribuídos nas ruas, são recusados em massa, ou atirados na primeira lixeira que aparece na frente do cidadão.

Desde a redemocratização do país, e mais precisamente a partir das eleições de 1989, é a mídia nacional quem tem atuado fortemente para influenciar a decisão  final dos eleitores e, por conta de debates, entrevistas, divulgação de resultados de pesquisas encomendadas, tem levado os eleitores a votarem na direção que mais lhes interessa. O voto não é de cabresto, não é imposto, mas, é fortemente influenciado, direcionado e induzido, fazendo com que muitos eleitores desacreditem do sistema eleitoral.

Desta vez, está sendo diferente! O eleitor decide que vai votar nos candidatos que ele, eleitor, escolhe e não, nos que a grande mídia e as ideologias enraizadas querem. Quem está acompanhando, minimamente que seja, o andar da carruagem eleitoral, está observando que tudo, no campo da indução está se repetindo, até de maneira mais inusitada: temos líderes que, mesmo fora da circulação midiática, estão trabalhando diuturnamente para elegerem seus protegidos diretos. Outros, os que podem circular livremente pelas ruas e pelos meios de comunicação, têm feito o que sempre souberam fazer melhor do que ninguém: propaganda absolutamente enganosa, prometendo coisas que a própria Constituição afasta das suas competências. Mas, fazem isto, porque acreditam piamente que o povo é desinformado, e mal informado, e porque têm convicção de que a maioria absoluta do povo é noveleira e que tudo o que a novela ensina, o povo aprende. Ledo engano!

Pela primeira vez na história recente do país, uma eleição mostra que é o povo quem decide quais serão os seus governantes e representantes legislativos. E mais: o povo decide afastar sistemas bastante enraizados na política nacional, sem se importar com os tradicionais rótulos “de direita” ou “de esquerda”. A soberania popular, que é dotada de sabedoria, compreende que o que está em jogo, no momento vivido pela nação, é a fome e a sede de poder de quem sempre viveu nas sombras e que, como verdadeiros morcegos, foge da claridade e da transparência, disseminando medos, folclores, narrativas assustadoras e tudo o mais que podem disseminar, apresentando-se como verdadeiros guardiões dos interesses e das necessidades populares.

Chega-se ao momento em que os eleitores decidem dizer um basta a isso tudo e assumem, soberanos que são, uma postura diferente, encarando as críticas feitas por quem entende de tudo, menos, de povo. Teses consagradas a respeito dos espectros políticos dominantes, vencedores ou vencidos, vão para o ralo da história, como se nada fossem, simplesmente porque desconsideram a sempre presente sabedoria popular. Uma sabedoria capaz de impor mudanças; capaz de impor derrotas aos sistemas consolidados; capaz de indicar representantes rechaçados pela grande mídia, pela intelectualidade que se autoproclama como detentora da última palavra sobre o que é bom e o que é mau para a sociedade. Enfim, uma sabedoria que decide se impor por meio de apenas duas teclas: nome do candidato – confirma.

Depois destas eleições, certamente, ocorrerão sérias mudanças na condução da política nacional: partidos derretidos por seus próprios líderes passarão por necessária reciclagem, donde talvez renasçam com mais vigor, mais transparência, mais compromisso com a nação e com a verdade; líderes esmigalhados pela repetição de discursos treinados ao longo de décadas, precisarão retornar aos bancos acadêmicos (os que estudaram) para fazerem a prova que nunca fizeram, tendo como tema-foco a compreensão do coração do povo. Estes líderes, é bom que seja dito, não caminham sozinhos, são seguidos por lideranças religiosas de alto coturno; são assessorados por inquestionáveis membros da academia, pessoas que conhecem profundamente o país e o mundo, que falam diversos idiomas e que possuem amigos em muitas outras nações; que conhecem perfeitamente as necessidades materiais dos cidadãos e das cidadãs, de todas as idades; que têm o mapa do país na palma das suas mãos. Tudo isso é verdade! Eles sabem de tudo e conhecem tudo. Porém, desconhecem o coração do povo. Não sabem o que se passa no íntimo das almas. Não sabem o que cada cidadão e cada cidadã, do mais novo ao mais velho, do mais bem aquinhoado ao menos favorecido, sente em relação a cada um deles e mais, em relação aos seus velhos, manhosos e mentirosos discursos. Daí terem se associado entre si, valendo-se de bandeiras distintas e das mais diversas cores e símbolos, mas com idêntica ideologia, para dominarem e subjugarem de forma permanente toda uma nação.

Por esta razão, surpreendem-se com a manifestação voluntária dos eleitores que, desta vez, estão decididos a jogar por terra sistemas bem fincados no chão duro da política nacional sem, aparentemente, darem ouvidos ao que os “sábios” da academia política e da mídia reinante estão alardeando aos quatro ventos.

Não há como desconhecer que, enfim, chegamos à democracia, onde o povo, contra tudo e contra todos, tapa os ouvidos, vira a cara e decide quem serão os seus representantes de fato e de direito, sem se importar se a decisão é de centro, de direita ou de esquerda; se é progressista ou conservadora; se é santa ou profana. O povo decide mostrar a sua cara. Uma cara que, certamente, não é a conhecida pelos intelectuais e pelos doutores da academia ou do sistema midiático. Não é a cara desejada, trabalhada e esperada pela mídia, formadora e fortemente indutora de opiniões e de conceitos. Mas, é a cara de quem tem alma, tem sentimento, tem sonhos enraizados dentro de si, tem convicções que reinam no mais profundo das suas consciências. É uma cara que os grandes da nação nunca pensaram que viesse a ser mostrada justamente em uma eleição, onde eles sempre reinaram de forma absoluta, sendo eleitos ou elegendo os seus apadrinhados, financeiros ou políticos.

Chegamos, finalmente, na plenitude da democracia! Tomara que os vencidos entendam isso de uma vez por todas e que os vencedores compreendam que poderão ser derrotados em breve, caso repitam os erros cometidos por seus adversários.

Nunca pensei que fosse viver para ver o dia da rebeldia e da destruição, sem armas e sem quebradeira, mas, vivi! Vivi e estou vendo a rebeldia contra projetos de poder absoluto e de dominação e a destruição de sistemas antigos e enferrujados.  Vivemos, eu e você, que está lendo este texto. Parabéns para todos nós, que somos povo; que vivemos no meio do povo; que sentimos tudo o que o povo sente; que sabemos tudo o que o povo sabe; que fazemos tudo o que o povo faz e que, agora, decidimos fazer a diferença e mostrar a nossa cara e mais: decidimos mostrar que, na democracia que eles tanto defendem, somos nós, povo, que decidimos quem serão os nossos representantes, seja no Poder Executivo federal ou no estadual, seja no Legislativo de cima, do meio ou no de baixo. Tomara que não nos esqueçamos, jamais, destas eleições e que eles também não se esqueçam da lição. Sejamos felizes, e tenhamos muita sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.
 

out 01

EDITORIAL DA SEMANA: O ANTIGO TESTAMENTO É A PORTA DE ENTRADA

BÍBLIA - ANTIGO TESTAMENTO

ANTIGO TESTAMENTO: UMA LEITURA SEMPRE NECESSÁRIA!

*Por Luiz Antonio de Moura –

Infelizmente, a maioria dos fiéis, em grande parte nos meios cristãos, perdeu o interesse pelo Antigo Testamento, acreditando que, depois de Jesus, a Lei e os Profetas viraram coisas de um passado absolutamente remoto, inacessível e totalmente dispensável. Com isto, guardadas as devidas reverências, muitos falam sobre as Escrituras apenas a partir do que leem no Novo Testamento e nas tão profundas Cartas do Apóstolo Paulo, deixando de lado, no entanto, a verdadeira razão de ser da Nova Aliança pactuada por Deus com os homens, por meio do Cristo Jesus. E a razão é, justamente, o esgotamento de uma Aliança (a primeira), cuja finalidade principal foi preparar o caminho da Redenção, prometida por Deus ainda no jardim do Éden. Mas, este é um tema ainda a ser explorado. Por ora, a questão passa pelo interesse, ou não, por toda a saga descrita no Antigo Testamento, base, como dito, para o estabelecimento da Nova Aliança.

A leitura da Bíblia, a partir do Pentateuco – conjunto dos cinco primeiros livros (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) – vai fornecer a exata medida para a compreensão de tudo o que Jesus disse e fez, desde o início da vida pública.

Não vou, aqui, por razões óbvias, fazer detalhamento comparativo entre uma geração e outra. Mas, quero destacar, apenas, dois pontos que me parecem importantes neste momento: a poderosa influência do patriarcado, liderado pelo trio Abraão, Isaac e Jacó e a força da Lei mosaica, a cimentar todo o arcabouço social, jurídico e cultual. A soma deste conjunto vai produzir a plataforma sobre a qual Jesus vai, bem mais tarde, instaurar a Nova e Eterna  Aliança entre Deus e seu povo. É a partir, principalmente, desta leitura e da compreensão sobre esta formação, que será possível assimilar quase todas as palavras, as ações e os ensinamentos de Jesus. Sem isto, sem um olhar integrativo, ficamos, como alguns fundamentalistas, presos em narrativas engessadas, seja no Antigo ou mesmo  no Novo Testamento sem, no entanto, compreendermos o principal: a origem e os fundamentos da fé que hoje professamos.

Do principal patriarcado narrado no Livro do Gênesis, sobressai a figura ímpar de Abraão. É com ele que o Senhor quer estabelecer um diálogo que vai muito além de uma simples conversa entre amigos. Com Abraão, Deus inicia uma proposta de confiança mútua, na qual faz com que aquele simples homem do campo, em determinado momento da vida, abandone o pai, o irmão e os negócios prósperos da família e siga na direção de uma terra absolutamente desconhecida, pois, assim fala o Senhor a Abraão: “Sai da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, e vem para a terra que eu te mostrar” (Gn 12, 1). Ora, qual de nós, por maior que seja a fé, atenderia a um chamado desta natureza e magnitude? E mais: o mesmo Deus promete a Abraão uma descendência extraordinária e uma bendição toda especial. Eu farei de ti” diz o Senhor, “um grande povo, e te abençoarei, e engrandecerei o teu nome, e serás bendito” (Gn 12, 2). Ali nasce uma Aliança que, na linha reta do tempo, vai chegar na Galileia, muitos séculos depois, ecoando a voz do profeta Isaías - "Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel" (Is 7, 14) - e encontrando a Virgem Maria, que ouvirá do Anjo Gabriel a afirmação: “achaste graça diante de Deus, eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Este será grande, será chamado Filho do Altíssimo e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; reinará sobre a casa de Jacó eternamente, e o seu reino não terá fim” (Lc 1, 30-33). Alguns meses depois desta fala do Anjo, a própria Maria dirá que “de hoje em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada. (Porque o Senhor) tomou cuidado de Israel, seu servo, lembrando da sua misericórdia; conforme prometera a nossos pais, a Abraão e à sua posteridade para sempre” (Lc 1, 48.54-55).

A Abraão Deus promete uma posteridade incontável, ao dizer: “eu te abençoarei, e multiplicarei a tua estirpe como as estrelas do céu, e como a areia que há sobre a praia do mar” (Gn 22, 17). Lendo estas perícopes, logo é de se perceber que em Abraão concretiza-se uma Aliança duradoura e, em Jesus, uma Aliança eterna.

Mas não é só: o Anjo Gabriel, no momento da Anunciação, falando sobre Jesus, afirma que Ele “reinará sobre a casa de Jacó eternamente, e o seu reino não terá fim”. A leitura da saga de Abraão vai conduzir o estudioso ao conhecimento de que Jacó é, nada mais nada menos do que, neto de Abraão, eis que filho de Isaac que, por sua vez, é filho de Abraão e de Sara, a estéril. Por esta razão, afirmo com convicção, que o cristão precisa, sim, ler com atenção e de forma continuada e permanente, os grandes Livros que compõem o Antigo Testamento, para descobrir o entrelaçamento que existe entre aquele e o Novo Testamento, para não ficar na mesmice de repetir palavras atribuídas a Jesus, sem conhecer a verdadeira origem e o fundamento sagrado de todas elas. Vamos caminhar mais um pouco!

Jacó, como afirmado acima, é filho de Isaac e de Rebeca que, por sua vez, é filha de Batuel, sobrinho de Abraão. Este parentesco não vem ao caso, neste momento. O que interessa dizer agora, é que Jacó, por determinação do Senhor, adotará o nome de Israel (Gn 35, 9-10). Um nome do qual surgirá uma grande nação e, daí, o povo de Deus. Pois bem, deste mesmo Jacó nascerão doze filhos: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zabulon, Dan, José, Benjamim, Neftali e Aser. E estes serão os nomes das doze tribos de israel. Sabendo-se que, o lugar de José na composição das tribos, será reservado aos filhos Efraim e Manassés. Muito mais tarde, Jesus, cuja origem genealógica é da casa de Davi, que é da tribo de Judá, um dos doze filhos de Jacó, vai escolher dentre os seus mais fieis seguidores “doze Apóstolos”, em uma clara reverência à casa de Jacó. São informações que vão se cruzando ao longo de toda a Bíblia e que, portanto, tornam quase obrigatória a leitura constante, tanto do Antigo quanto do Novo Testamentos.

Uma outra comparação interessante de ser apreciada é o Magnificat, a oração de louvor que Maria recita quando, já grávida, visita a prima Isabel (ver Lc 1, 46-55). Oração de louvor bastante semelhante a que é feita por Ana, mulher de Elcana, mãe do menino Samuel, futuro profeta de Deus (ver ISm 2, 1-10).

Outro olhar paradigmático entre o Antigo e o Novo Testamentos é o clamor de Jesus na cruz: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste” (Mt 27, 46), que nada mais é do que a memória que Ele faz do Salmo 21 (22) que diz “Ó Deus, Deus meu, olha para mim, por que me desamparaste?”.

Depois da ressurreição, Jesus aparece aos Apóstolos e, durante longa conversa, afirma: “Isto são as coisas que eu vos dizia, quando ainda estava convosco, que era necessário que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, nos profetas e nos salmos” (Lc 24, 44). Na tarde do dia da ressurreição Jesus aproxima-se de dois discípulos que que caminhavam na direção de Emaús e, depois de conversar longamente com eles, mostra-lhes como havia sido cumprido tudo o que fora dito nas Escrituras, iniciando por Moisés e passando por todos os profetas (Lc 24, 25-27).

Muitas e muitas outras leituras integrativas e associativas podem ser feitas entre as palavras e as ações de Jesus com textos do Antigo Testamento.

É, também, famosa a fala de Jesus sobre a Lei de Moisés: “Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas; não os vim destruir, mas sim para os cumprir” (Mt 5, 17) e, a partir desta fala, Jesus vai recordando diversos mandamentos fixados na lei, acrescentando: “Eu, porém, vos digo”, demonstrando que os termos da Lei podem ser renovados, desde que mantida a essência da vontade do Pai (ver Mt 5, 17-48).

É de ser lembrado que Jesus, ao chegar em Nazaré, e entrando na Sinagoga, é convidado a examinar e ler o Livro do Profeta Isaías, onde está escrito: “O Espírito do Senhor repousa sobre mim; pelo que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a sarar os contritos de coração, a anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a recuperação da vista, a por em liberdade os oprimidos e a pregar o ano favorável do Senhor” (Lc 4, 16-21). Ao final, enrolado o Livro, Jesus afirma: “Hoje cumpriu-se esta escritura (profecia) que acabais de ouvir”. A leitura feita por Jesus, naquele tempo, está registrada no Livro de Isaías, capítulo 61, versículos 1 a 3 (Is 61, 1-3).

Quando um doutor da lei pergunta quem é o seu próximo, ouve de Jesus: O que é que está escrito na lei? Como lês tu?” (Lc 10, 25-27). A narrativa feita por Lucas reproduz fielmente o que está escrito no Capítulo 6, versículos 4 a 5, do Livro do Deuteronômio (Dt 6, 4-5): “Ouve, ó Israel (shemá Israel), o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e com toda a tua força”. Portanto, segundo as narrativas dos evangelistas, o próprio Jesus, em diversas oportunidades,  reporta-se às Sagradas Escrituras que, então, eram o que hoje são para nós: o Livro da Lei, o Antigo Testamento.

Do pouco que vimos, é de se concluir ser extremamente importante que os cristãos, principalmente os católicos, não deixem de lado a leitura dos diversos Livros que compõem o Antigo Testamento, a fim de poderem obter uma maior compreensão sobre tudo o que se passa a partir dos mistérios da Anunciação, da encarnação, do nascimento e da vida, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Dar maior ênfase apenas aos escritos produzidos depois de Jesus é como tapar o olho direito e tentar caminhar apenas com o esquerdo: a visão será fortemente prejudicada, porque não terá a mesma amplitude que tem o uso de ambos os olhos.

Isso tudo, sem mencionar de forma detalhada, o caminho errante tomado pelo povo de Deus, seja na Samaria ou em Judá, bem como as consequências daí originadas, cuja mais prolongada é a saga do exílio, por onde, por longos setenta anos, o povo teve que reaprender a andar nos caminhos prescritos pelo Criador, a fim de que pudesse sair da escravidão na Babilônia e reconstruir o Templo, em Jerusalém. Tudo isso é lição para nós e para o nosso tempo, que não pode permanecer no desconhecimento, sob pena de cairmos nos mesmos abismos que, outrora, o povo de Deus caiu.

E, uma última palavra: não tenha receio de ler o Antigo Testamento, em especial, e a Bíblia, de um modo geral. Compreenda que tudo o que está escrito faz parte de um conjunto de narrativas vindas de diversas tradições e de épocas muito antigas, cujos autores (hagiógrafos) são inspirados diretamente pelo Senhor Deus que, de forma perfeita, escolhe-os para torná-las (as narrativas)  públicas, fazendo com que cheguem aos seres humanos de todas as épocas, assim como chegaram até a nossa geração e, certamente, seguirão o curso natural na linha do tempo, cujo fim só o Senhor sabe se, e quando, ocorrerá.

Por mais extenso que pareça, este texto é muito curto para demonstrar de forma mais ampla a espetacular integração entre ambos os Testamentos. Entretanto, pelos poucos exemplos descritos, já dá para incentivar os leitores e as leitoras a uma experiência mais aprofundada com as Sagradas Escrituras (ambos os Testamentos). Faça isso, você obterá grande crescimento espiritual, e sentirá de perto todos os efeitos daí decorrentes. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.
 

set 24

EDITORIAL DA SEMANA: A BÍBLIA APONTA DIREÇÕES

BÍBLIA - CONJUNTO DE NARRATIVAS

A BÍBLIA É UM CONJUNTO DE NARRATIVAS PROATIVAS

*Por Luiz Antonio de Moura –

Não é pequeno, nem insignificante, o número de pessoas que fogem da intimidade e da leitura da Bíblia, sob os mais diversos argumentos. Mas, o argumento que mais se ouve é: “é um livro muito complicado”. Outro argumento bastante difundido, também, é: “a Bíblia é um relato de guerras e de mortes, onde Deus aparece como terrível vingador”. E por aí vai. Cada pessoa que não possui o hábito de ler as Sagradas Escrituras, apresenta argumentos por meio dos quais tenta se justificar. Pode ser, até, que alguém, realmente, por força de tais argumentos evite, ou até mesmo deixe de ler a Bíblia.

Entretanto, faço parte do imenso grupo de pessoas que encontram na Bíblia a resposta do passado, para o presente e para o futuro, simplesmente porque a Bíblia, ao contrário do que muitos afirmam, não é apenas um livro, mas, um conjunto de livros ordenados para uma finalidade única: revelar o plano salvífico de Deus! Plano que é executado em duas etapas: a primeira, por meio da Revelação contida no Antigo Testamento e, a segunda, por meio de Jesus Cristo, que é a própria salvação prometida por Deus.

Este conjunto de livros não foi escrito por uma única pessoa, de uma determinada religião, numa determinada época, em face de uma realidade vivida naquele momento. Ao contrário, tratam-se de livros escritos por diversas mãos e em épocas muitos diferentes, originadas em tradições bastante distintas que, não obstante, em alguns casos, recordam e escrevem sobre os mesmos fatos.

O leitor e a leitora da Bíblia não devem, em primeiro lugar, assustarem-se com o que leem. É preciso, sempre, avaliar se o escrito sob exame descreve fato real ou se, mítico, aponta para algo muito maior. Em resumo, a Bíblia é um conjunto de narrativas que, independentemente de serem reais, ou não, têm por finalidade indicar o caminho para os seres humanos em cada uma das etapas da sua existência e da sua longa caminhada.

Assim, por exemplo, vamos encontrar no Livro do Gênesis, a narrativa acerca da criação. Esta narrativa apresenta um conjunto fabuloso de atividades executadas por Deus, num tempo recorde de “seis dias”. É espantoso pensar que, mesmo Deus, que não é nenhum mágico, possa ter trabalhado tanto durante um período de tempo tão curto, produzindo coisas extremamente fantásticas em, apenas, “seis dias”, reservando o “sétimo dia” para o descanso, como se fosse possível que Deus ficasse cansado! Bem, pensará o leitor racional, se Deus não é mágico, como pode ter sido tão rápido e eficiente na execução de obra tão monumental?

Uma outra questão que desafia a lógica humana é a que está relacionada com a criação do primeiro homem. Deus decidiu criar o ser humano à sua imagem e semelhança, concedendo-lhe o domínio absoluto sobre toda a criação e, depois, por causa de uma simples fruta (seja maçã, pera ou melancia), expulsa sua criatura daquele oásis de paz, de riqueza e de beleza. Como pode ter acontecido um fato como este, tão banal, em princípio?

Depois, mais adiante, o Criador, sem ter dado nenhuma lei para o ser humano, protege Caim contra eventuais vingadores, por ter assassinado o irmão Abel, justamente, o mais querido e amado por Deus.

Em uma outra narrativa, vamos encontrar Moisés, valendo-se apenas de um cajado, abrir o Mar Vermelho, para a travessia de uma multidão de mais de mil pessoas, que fugia, com pressa, de um faraó alucinado, poderoso e vingativo, determinado a reaver tudo o que perdera para Deus.

E, em mais uma de uma série infindável, a narrativa da história de Jó. Imagine só: Deus, ao receber seus anjos no céu recebe, também, satanás que vai até lá justamente para falar com o Criador sobre o servo Jó, fiel e devoto que, com a anuência de Deus, torna-se presa fácil de satanás que, além de tirar tudo o que o pobre servo possuía, lança sobre ele uma terrível lepra que o apodrece do alto da cabeça até a ponta dos pés.

Todas estas narrativas, independentemente de serem, ou não, verdadeiras, apontam para direções certeiras. Quer-se dizer o seguinte: as narrativas bíblicas possuem muito mais importância e significado do que o que elas relatam especificamente. Melhor dizendo: Deus, certamente, não criou o mundo em seis dias como nós os conhecemos. Seis dias contados de segunda-feira a sábado, descansando no domingo. Não! O que a narrativa da criação quer deixar claro, é que Deus é Senhor absoluto do tempo e do espaço e que, se a divindade trabalha para atingir seus objetivos, os homens devem agir de igual forma. E mais: nesta narrativa da criação está embutida, também, a questão do trabalho extenuante a que os homens eram submetidos, quando ela foi escrita. É uma forma de mostrar que, se o próprio Deus reserva para si um dia para o descanso, é lícito que os pobres mortais gozem de idêntico reconhecimento.

A situação vivida no paraíso, também, é uma narrativa que aponta para algumas questões bem definidas: uma delas, está relacionada com as consequências de todos os atos que praticamos e que, infelizmente, algumas pessoas, chamam de “castigo de Deus”. No caso, o Criador adverte a criatura para não comer determinado fruto, indicando-lhe a consequência da desobediência: “em qualquer dia que comeres dele, morrerás indubitavelmente” (Gn 2, 17). Observe-se que Deus não aponta como consequência a expulsão do paraíso, mas, a morte, que decorre da perda do estado de inocência. Não, de uma inocência moral, mas, de uma inocência formal: agir contra a ordem de Deus. E, a partir daí, vamos encontrar nas narrativas bíblicas uma infinidade de situações nas quais os seres humanos padecem muito, em decorrência direta de outras tantas desobediências e transgressões aos preceitos divinos. E, se olharmos para o nosso entorno, vamos identificar inúmeras situações vividas pelos nossos contemporâneos humanos. A expulsão do paraíso é um estilo literário próprio para designar a impossibilidade de permanência daqueles que já estão maculados pela maldade (desejo de ser igual a Deus), em um ambiente absolutamente puro e imaculado.

Ao assegurar a Caim que aquele que o matasse, seria castigado sete vezes mais, colocando nele um sinal distintivo (Gn 4, 15), Deus quer deixar claro que a ninguém é lícito praticar a vingança e que, aquele que O desobedecer, sofrerá consequências terríveis, advindas do próprio ato. O “sete vezes mais” significa uma consequência ampla, haja vista que o número 7, biblicamente falando, significa plenitude e amplitude. Portanto, não podemos enxergar, na narrativa sobre Caim, um Deus complacente com o assassinato e, sequer, vingativo, mas, algo muito maior e muito mais abrangente: a retirada das mãos e do domínio dos homens da prática da vingança, da qual decorrerão outras tantas consequências, na formação de uma espiral de violência interminável.

A Travessia do Mar Vermelho é mais uma narrativa que, independentemente de ter sido, ou não, real, aponta para o poder absoluto de Deus que é capaz de tudo para defender o justo oprimido e perseguido, diante de algozes que, na hora “H”, serão dizimados, assim como o exército do faraó o foi, pela força invencível das águas. E esta força invencível é Deus, que é soberano e que vale-se da sua potência (leia-se o Magnificat – Lc 2, 51-52) para defender o justo, o perseguido, o explorado e toda uma gama de inocentes sofredores.

Por último, nesta série, a narrativa sobre o servo Jó, homem justo e fiel que, vítima da trama do inimigo, é colocado em condição deplorável, depois de tornar-se um homem rico e bem sucedido, proprietário de terras, de animais, de escravos, de muitos bens, de uma família grande e igualmente bem sucedida e de todo tipo de riqueza e de conforto. Pois bem, para nós é irrelevante saber se Jó é personagem real, ou não, porque a narrativa sobre ele tem por finalidade revelar que o fato de ser fiel, devoto e temente a Deus não deixa ninguém imune às intempéries da vida que, em muitos casos, surgem, sim, como obra do mal, para por à prova a nossa fé e a nossa fidelidade ao Criador que, assim como no caso de Jó, sempre restitui em maior quantidade tudo o que é, injustamente, subtraído de nós. O exemplo de Jó é sempre vivo e pertinente na vida dos homens e das mulheres de todos os tempos.

Obviamente que, neste curto espaço, não pretendemos esgotar todas as possibilidades interpretativas ou exegéticas das narrativas escolhidas como exemplos, mas, apenas, e, tão somente, indicar que, por meio delas, somos encaminhados para situações realmente vividas pelos homens e pelas mulheres de todas as épocas. Assim, conforme já dito, é irrelevante saber se as narrativas bíblicas são reais ou não, o que é extremamente importante e relevante é identificar a direção para onde elas apontam e como, por meio delas, Deus pretende nos instruir para uma caminhada fértil e saudável.

Por fim, e apenas para confirmar o que dizemos, é bom lançar um olhar semelhante para o Novo Testamento e para forma utilizada por Jesus para ensinar o povo do seu tempo: valeu-se de parábolas! Parábolas são, também, narrativas exemplificativas, tiradas da realidade vivida e conhecida dos ouvintes para servirem, didaticamente, como instrumentos de ensino. Veja-se, por exemplo, a parábola do filho pródigo: certamente que a história descrita por Jesus não aconteceu de fato. Mas, trata-se da descrição de uma situação que se passa em um ambiente bastante conhecido do povo: um pai; dois filhos; um mais dedicado do que o outro; um mais ambicioso do que o outro; um mais aventureiro e irresponsável do que o outro; uma herança a ser repartida; um mundo de atrações e de prazeres para quem detém riquezas; as graves consequências sofridas por aquele que gasta tudo o que tem de forma irresponsável e tresloucada; um pai sofrido pela partida do filho; o arrependimento daquele que sofre as consequências dos seus impensados atos; o perdão carinhoso do pai, que recebe o filho de volta, com festa e banquete; e, por último, a crítica do filho justo e fiel que vê o faltoso ser recebido com tamanha comemoração. No mesmo sentido caminham todas as demais parábolas narradas por Jesus: a parábola do semeador; a do bom samaritano; a do joio e do trigo; a do grão de mostarda; a dos servos devedores; a dos operários da vinha; a dos maus vinhateiros. Faça estas leituras com interesse e atenção.

Portanto, o que se pretende com mais este texto sobre temas bíblicos, é deixar claro que a Bíblia não é nenhum bicho-papão e que, ao contrário, deve ser lida com cada vez mais frequência, pois, nela está contida a Sabedoria de Deus que, outra coisa não deseja, senão revelar-nos todos os seus mistérios. Mas, para que isso aconteça, é necessário que sejamos fiéis, devotos, tementes e seguidores dos ensinamentos e dos preceitos divinos, além, é claro, de sermos constantes na oração e na leitura das Sagradas Escrituras. Não basta, portanto, ler de vez em quando, quando algum sofrimento ou angústia batem à porta. É preciso constância e habitualidade.

Não deixe de ler a Bíblia todos os dias da sua vida (estamos no mês dedicado a ela). Lendo muito ou pouco, leia-a com atenção, interesse e constância. Seus olhos, iluminados pelo Espírito de Deus, de forma lenta e progressiva, identificarão os caminhos traçados pelo Criador para uma caminhada próspera, verdadeiramente feliz e condutora para o Reino de Deus, que já está no meio de nós. Faça isso. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.
 

set 17

EDITORIAL DA SEMANA: CAMINHAR EM SILÊNCIO

CAMINHAR EM SILÊNCIO

CAMINHAR EM SILÊNCIO:  O SEGREDO PARA A FELICIDADE –

*Por Luiz Antonio de Moura –

O tema-título envolve dois processos distintos de vida que, necessariamente, devem ser vividos na unidade: caminhada e silêncio! A caminhada exige preparo, treino, força, fé, coragem e determinação. Muitos, saem afirmando que estão em caminhada, mas, não muito tempo depois, caem e deixam-se abater porque a caminhada é dura e difícil. Ela envolve perdas e entregas e, no início, poucos são os que aceitam estas regras de bom grado. Resistem o quanto podem, debatem-se furiosamente, rebelam-se contra tudo e contra todos. Não aceitam perder e recusam-se às entregas. Aí, vem a dor, a desilusão, a amargura, tudo em decorrência das feridas advindas da caminhada mal engendrada, mal assimilada e iniciada por quem não detém os necessários treino e preparo, acima referidos.

A boa notícia, é que a caminhada é longa e, portanto, permite que o caminhante vá aprendendo com o passar do tempo, ainda que a custo de muitos dissabores. Muitos, sábios que são, aprendem rapidamente os meandros do caminho com suas ameaças, acidentes e sutilezas e, assim, sofrem bem menos. Outros, no entanto, levam mais tempo no gueto da resistência e, por serem tão implacáveis consigo próprios, acabam ferindo-se de forma bastante intensa. Mas, considerado o longo percurso a que já nos referimos, sempre há tempo para a recomposição e para o rearranjo do trajeto e da trajetória.

Aquele ou aquela que, ao longo da caminhada, compreende, por si mesmo ou por outrem, a importância e o valor do silêncio da alma e do coração, consegue desvencilhar-se de muitas armadilhas, porque, o silêncio atrai Deus e, vindo, Ele começa a remodelar toda a estrutura daquela vida, até então, bruta, dura e até mesmo cruel, que não deixa margem para que o ser se sobreponha ao ter, ao expor-se, ao vangloriar-se, ao exibir-se, destruindo-o na origem. Entretanto, para quem adere ao silêncio, e mais ainda, para quem com ele já tem alguma experiência e intimidade, a situação muda bastante de configuração.

Desta forma, a caminhada forjada em perdas, em entregas e na vivência com o silêncio – dos olhos, dos ouvidos, da língua e do coração – começa a revelar uma frutificação que, embora provoque lágrimas, traz a sensação de vitória. Isto porque, é no silêncio que Deus se aproxima para fazer-se ouvir pelo ser humano, e desta voz vem a direção a ser seguida. Assim, o caminhante que tem em si o mapa do caminho a ser percorrido, parte em silêncio e, nestas condições, ultrapassa todos os limiares da existência, até o encontro face a face com o Criador.

Não é uma proposta fácil! Trata-se de modelo de vida bastante difícil. Um modelo que, segundo o Cardeal Robert Sarah – Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos do Vaticano – somente os monges e as monjas é que conseguem vivê-lo na forma mais aperfeiçoada, tamanhos os sacrifícios exigidos.

Entretanto, depois de longo trecho já percorrido, parece haver certa convicção de que fora da caminhada ordenada e vivida continuamente, o que predomina entre os seres humanos não é uma caminhada, propriamente dita, mas, um andar em círculos que, normalmente, vai do nada a lugar algum e, finalmente, culmina com o fim desta existência que, para muitos, é o que Deus fez de melhor para o ser humano. Acreditam nisso, porque, na andança em círculos e movidos por toda espécie de ruídos – sonoros, visuais e emocionais – sem nenhuma chance para o necessário silêncio, não ouvem nem a si mesmos, nem a Deus e, deste modo, passam pela vida e, quando dão-se conta, chegam na reta final sem compreenderem o que chamam de mistério da morte. É mistério, sim, mas, mistério a ser desvendado por quem viveu na plenitude desejada pelo Criador, caminhando, perdendo, entregando e entregando-se e ouvindo a voz que, continuamente, fala ao coração do ser humano que impõe a si e à própria vida o silêncio.

Quem afirma ser caminhante, acreditando que basta viver a rotina diária, com todas as suas peculiaridades, atrações, afeições e apetites, sem entregar-se a si mesmo nas mãos de Deus e sem doar-se em favor de quem estende-lhe as mãos sedentas, não sabe o que é caminhar!

Quem se pretende caminhante, defendendo a justiça humana, baseada na vingança da lei dos homens, e acreditando que o céu e o inferno são aqui mesmo, onde paga-se pelos atos praticados, não conhece o caminho.

E, quem se cala para ouvir o que o mundo tem a dizer, concordando com ele em tudo e agindo segundo as suas prescrições, desconhece o ponto de chegada e, por esta razão, chama a morte de “mistério”.

A caminhada, para ser bem sucedida, deve ser percorrida no silêncio. Não no silêncio apenas da língua, mas, também, no silêncio dos olhos, dos ouvidos, do corpo e do coração. Um silêncio que é muito mais preparatório do que propriamente uma simples condição de vida. Preparatório para Deus, que quer atuar em toda a existência do ser humano, mas, que só consegue fazê-lo quando o ambiente é propício. Os ruídos do mundo, com sons estridentes e falatórios eletrizantes, com imagens desvirtuadas dos caminhos da verdade e da vida e com sugestões que povoam as mentes de forma bastante prolongada, a induzirem os seres humanos para lugares totalmente afastados da verdadeira e duradoura paz e da eterna felicidade, são impeditivos da presença do Espírito de Deus no templo sagrado situado no interior de cada ser humano.

Assim, quem quer ser verdadeiramente caminhante, no rumo e na direção do Eterno sendo, inclusive, por Ele guiado, deve estar preparado para as pedras e para os espinhos ao longo da jornada; deve perder-se no todo, que é Deus e deve entregar-se total e absolutamente Àquele que é tudo em todos. Ao agir desta forma, inevitavelmente, terá o silêncio por companheiro, pois, é uma caminhada íntima e pessoal na qual poucos querem arriscar os bens temporais conquistados neste mundo. E, nesta caminhada com este silêncio enaltecedor, o Espírito de Deus é a grande luz, o vento suave e o bálsamo refrescante capazes de transformar esta vida efêmera e sofrida, numa maravilhosa estrada para a eternidade, cuja passagem definitiva deixa de ser mistério, porque é feita ao lado Daquele que é o caminho, a verdade e a vida. Deste modo, a caminhada e o silêncio são ofertas a serem apresentadas diante Daquele que, de braços abertos, espera que, com Ele, possamos encontrar a porta de entrada para o Reino que está preparado para todos nós, desde o início dos tempos.

Fechar a boca, os olhos e os ouvidos e abrir o coração é o passo inicial, e decisivo, para quem pretende ser verdadeiro caminhante, pois, quem caminha pretende chegar e, para chegar, precisa ouvir a voz Daquele que nos conduz, e que só se faz ouvir quando nada mais ocupa o seu espaço único e sagrado na vida de cada um de nós.

Este, como todos os demais, é apenas mais um singelo convite à reflexão para a vida em plenitude. Faça a sua reflexão e verifique como está a sua caminhada. Em que condições você está caminhando, para frente, na direção de Deus, ou, em círculos, atendendo aos chamados estonteantes de um mundo que, tudo pode oferecer, porém, não pode assegurar a permanência de nada? Reflita. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

set 10

EDITORIAL DA SEMANA: EXISTE UMA SOLUÇÃO

BÍBLIA - A PALAVRA DE DEUS PARA NÓS

O LIVRO DA VIDA – 

*Por Luiz Antonio de Moura –

Em março de 2010 foi lançado no Brasil o filme “O Livro de Eli”, no qual o ator Denzel Washington, interpreta o papel de um homem extremamente apegado a um livro que, nas condições em que se encontra o mundo de então – totalmente devastado por uma guerra sem precedentes – torna-se um objeto altamente cobiçado por alguém que pretende dominar o que restou do planeta e acredita firmemente que o tal livro é detentor de segredos capazes de manter os seres humanos sob o domínio de quem os detiver. A história é por demais interessante e, quem não assistiu, ainda tem chance de fazê-lo, porque pode ser encontrado para venda ou para locação.

O Livro pelo qual Eli (Denzel Washington) era tão apegado, a ponto de tê-lo memorizado por completo, era a Bíblia Sagrada. Interessante que, quando assisti pela primeira vez, achei o filme bastante legal e até bem bolado, mas, não senti a mesma importância de quando tive necessidade de assisti-lo novamente. Digo necessidade, porque, como um relâmpago de clareia o céu de um extremo ao outro, vi minha mente ser clareada no momento em que, relendo o II Livro dos Reis, capítulo 22, versículo 8 em diante, que trata do Livro da Lei, que é reencontrado durante o reinado, em Judá, do rei Josias, e que traz, tanto para o rei quanto para o povo em geral, recordações da Aliança de Deus com o povo hebreu que, por perdida e esquecida no tempo, fez com que aquela gente ficasse totalmente desviada do caminho ensinado pelo Senhor, por meio de Moisés que, inclusive, recebeu os Dez Mandamentos e transmitiu-os a todo o povo. Diante da descoberta daquele verdadeiro tesouro, o rei Josias, depois de mandar ouvir a profetisa Holda, renova a Aliança com Deus e, juntamente com o povo, os anciãos e os sacerdotes, decide abandonar todos os caminhos até então trilhados, para adequarem suas vidas e seu modo de viver aos ensinamentos do Senhor. A partir de então, voltam, inclusive, a celebrar a Páscoa “em honra do Senhor vosso Deus, do modo que está escrito no livro desta aliança” (IIRs 23, 21), e fizeram-no como nunca o tinham feito antes, conforme narrado no capítulo 23, versículos 22 e 23.

A partir deste ponto, tive o que se chama atualmente de insight e, imediatamente me veio à memória a pequena lembrança que tinha do tal filme sobre “O Livro de Eli”. Por esta razão, tive necessidade de assisti-lo de novo.

Sugiro a quem puder que faça esta experiência com o espírito reflexivo: leia, na Bíblia Sagrada, o Segundo Livro dos Reis, capítulos 22 e 23 e depois assista o filme, ou faça o inverso, conforme preferir. Por fim, trabalhe suas conclusões.

O fato é que, tanto a história descrita no filme, quanto a narrada na Bíblia, revelam o quanto de vida, não, de segredos, existe nas páginas do Livro Sagrado. Dizem os intérpretes da Bíblia que o livro encontrado no tempo do rei Josias foi o Livro do Deuteronômio. Este livro compõe o Pentateuco – conjunto dos cinco primeiros livros da Bíblia (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) – que, para os Judeus, é a Torá ou Livro da Lei. É no Deuteronômio que constam os Dez Mandamentos recebidos por Moisés, pela segunda vez, e transmitidos a todo o povo que caminhava em direção à terra prometida. Ali todos ficam sabendo o que diz o Senhor: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da escravidão. Não terás em minha presença deuses estranhos. Não farás para ti escultura, nem imagem alguma de tudo o que há no alto do céu ou em baixo na terra, ou que habita nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, e nem lhes prestarás culto” (Dt 5, 7-9), e por aí seguem as demais prescrições divinas, devidamente ordenadas.

A questão comparativa entre esta leitura e o filme sobre “O Livro de Eli”, é que, tanto em um caso, quanto no outro, descobre-se que no “Livro Sagrado” está o caminho para o reencontro e para a reconciliação do povo com o seu Deus Único e Verdadeiro, com a grande diferença de que, no filme, um ser humano quer fazer-se de deus para dominar o povo sofrido e oprimido enquanto que, no verdadeiro Livro, o povo decide submeter-se integralmente ao Senhor Deus.

De toda sorte, a lição a ser extraída de ambos, é que o Livro Sagrado é o verdadeiro oráculo de Deus, por meio do qual os homens de todos os tempos, e nas mais diversas circunstâncias, buscam, como que em uma bússola, encontrar o norte para suas vidas e, quando dele se desviam, perdem-se em adorações, cultos e práticas reprováveis e insuficientes para tirá-los, “da casa da escravidão”. No tempo do desvio e da escravidão, vidas são ceifadas pela doença, pela fome, pela violência, pelos fenômenos sociais, genéticos e naturais e por todo tipo de desgraças que, como ocorre atualmente, levam grande massa de povo a perguntar por onde anda Deus, que não se sensibiliza com o que está acontecendo.

No entanto, a pergunta a ser feita não parece ser “onde está Deus, que não se sensibiliza com o que está acontecendo?”, mas, por onde tem andado o povo que afirma ser de Deus? O povo que, mesmo sabendo onde está o Livro da Lei, evita examiná-lo em profundidade e a ele submeter-se e que, quando o faz, procura interpretá-lo e agir da forma mais confusa possível, impondo aos seus semelhantes correntes mais pesadas ainda, de modo a mantê-los mais escravizados do que antes. O Livro da Lei não está perdido, precisando ser reencontrado. Ao contrário, está aí, à disposição de todos quantos queiram apreciá-lo e consultá-lo.

Faltam, no entanto, homens como o Eli do filme e como o rei Josias para, abraçando o Livro da Lei com amor, fé e convicção, levá-lo diante do povo e convocá-lo para o restabelecimento do diálogo e da submissão à Palavra de Deus, fora de quem inexiste a tão desejada libertação da “casa da escravidão” na qual tantos e tantos irmãos nossos estão detidos e quase sem nenhuma esperança de resgate, porque, eles próprios renegam o Criador e o Verbo encarnado, Jesus Cristo, único e verdadeiro Senhor.

Assim como na história vivida no filme, o Livro da Lei é o único capaz de iluminar a caminhada do povo rumo à verdadeira liberdade, porque Deus não quer ver o seu povo escravizado na casa do pecado, do vício, da idolatria, da corrupção, da mentira, do adultério e de todo tipo de desvio moral, como temos visto e presenciado na atualidade atormentada por tantos males, consequências diretas do proceder humano, não, castigo, como pregam muitos.

Talvez o Livro da Lei esteja na estante da sua casa, perdido em meio a tantos outros livros, à espera de ser “reencontrado”, para uma simples leitura. Reencontre-o sem demora e faça as necessárias leituras. Pode ser o início da sua libertação da casa da escravidão. Sua e de toda a sua família. A chave está em suas mãos, utilize-a o quanto antes, se for o caso, e liberte-se das correntes que te aprisionam. Se você não está feliz com a sua vida, saiba que Deus também não está, mas, depende de uma atitude positiva da sua parte. Tome-a. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

   

set 03

EDITORIAL DA SEMANA: UMA VISÃO SOBRE O ABORTO

ABORTO - UMA TESE CONTRÁRIA

O QUE DIZER SOBRE O ABORTO?

*Por Luiz Antonio de Moura –

A questão relativa ao aborto foi transformada em uma das maiores polêmicas político-social-jurídico-científico-religiosas dos últimos tempos, em diversos países do mundo e, de modo particular, no Brasil. Sendo aqui, talvez, uma das maiores, desde a briga de igual monta envolvendo a legalização e a institucionalização do divórcio, pela lei civil pátria, a partir de meados da década de 1970. A título de participação democrática, ou, de envolvimento, mesmo, de toda uma coletividade em torno destas polêmicas, diversos setores e grupos (sociais, religiosos, científicos, jurídicos e políticos) foram, e continuam sendo, chamados ao debate, não raro, bastante acalorado e palco de trocas de farpas que, muitas vezes, machucam bastante. Deste palco, costumam sair arranhadas e feridas pessoas que lá comparecem com o inocente propósito de defenderem, não apenas seus pontos de vistas, mas, muito mais do que isto: agirem na defesa de uma convicção bastante e profundamente enraizada na alma, originada da formação religiosa, jurídica, social ou mesmo principiológica.

Acompanho, mais ou menos atento, estes debates desde a questão do divórcio e, depois destes longos anos (décadas, na verdade), chego à conclusão de que, no fundo, no fundo, eles servem muito mais para dividir e para justificar o afastamento de multidões da religião, e o que é pior, do ambiente sagrado e, consequentemente, da oitiva continuada da Palavra de Deus, do que propriamente para impedir aquilo que, ao que parece, parte significativa da sociedade já decidiu querer para a sua vida e seu futuro. Por causa da oposição de grande parte das religiões ao divórcio, e, da quase totalidade delas ao aborto, pessoas totalmente descomprometidas com quaisquer outros interesses que não os próprios, partem para o ataque direto aos cristãos e não-cristãos, de um modo geral, e aos religiosos e religiosas, de modo especial, atingindo diretamente as instituições e seus líderes que, em razão da posição que ocupam, não se fazem de omissos e partem para o contra-ataque, dando origem a um cenário cismático, em uma sociedade já tão fragmentada como é, por exemplo, a brasileira.

Conheço muitos católicos que, por causa da não aceitação do divórcio pela igreja católica, por exemplo, e do repúdio sistemático sofrido em decorrência da nova união conjugal que estabeleceram, trocaram de religião ou, o que foi muito pior, abandonaram o seguimento a qualquer centro de religiosidade, criando os filhos na mesma direção e contribuindo, sem o perceberem, para o caos social hoje vivido e enfrentado por casados e descasados, ou seja, por todos nós. O tema do divórcio, como se sabe, jamais saiu totalmente do debate e do embate religioso e, portanto, continua a dividir seriamente os cristãos de um modo geral, e os católicos, de modo particular, em razão da compreensão (ou falta dela) que cada grupo religioso tem a respeito da questão que, de tão profunda, encontra sérias divergências, inclusive, na alta hierarquia da própria Igreja Católica, que tem no atual Papa um referencial perturbador da vida dos extremamente conservadores que, invocando o santo nome de Deus, defendem medidas excludentes que afetam diretamente todos os que não rezam pela cartilha por eles proposta. Sabe Deus como terminará tudo isso!

Já no tocante ao aborto, parece haver uma forte queda-de-braço entre núcleos religiosos, cristãos e não-cristãos, e diversos segmentos e movimentos sociais, científicos, jurídicos e políticos, onde cada qual defende com unhas e dentes seus interesses, princípios e convicções, sem qualquer mostra de um termo pacífico e, minimamente, convergente. Não é necessário dizer que, na terrível batalha, os defensores do aborto batem com força na ala cristã e não-cristã que se coloca em oposição à tese e, com isso, e mais uma vez, o prejuízo atinge toda a religiosidade de um povo que, infelizmente, ainda não compreende perfeitamente a separação entre Estado e Igreja, e pretende, a qualquer preço, decidir sua vida e seu futuro na busca, ainda que forçada, de uma convergência em torno das propostas que apresenta. Trata-se de uma luta encenada para lavar as consciências: de um lado, a do Estado, que pretende abrir o debate em torno de um tema, deveras, espinhoso, mas que, assim o faz em nome de uma causa pública altamente duvidosa e de uma democracia que ele, Estado, insiste em afirmar ser ampla, geral e irrestrita. E, de outro lado, a consciência dos fiéis religiosos que não querem ser tachados de omissos, mas que, também, sabem de antemão que, ao final, serão derrotados. Exatamente, como ocorreu no caso do divórcio.

E, da mesma forma, grandes rupturas serão originadas a partir do final deste embate no qual, não tenho dúvidas, vencerão os defensores do aborto. Até porque, o Estado é o maior interessado em tudo isso, apenas, procurando agir oculto pela máscara da defesa do que entende ser um livre direito de escolha. E aí, por meio desta ação mascarada, cria o ambiente propício para um debate público que, ao final, só servirá mesmo para criar divisões mais profundas no seio da sociedade. O diabo é, também, pai da divisão!

Muitos, dentre os opositores ao aborto, por sua vez, aproveitam o palco criado para eles, como forma de desencargo de consciência e, assim, sobem ao ringue para, no papel de defensores de uma moralidade, também, altamente duvidosa, caírem vitimados pelos “defensores da morte”, pretendendo serem lembrados para sempre como guardiões da vida.

Pessoalmente, minha posição é contrária ao aborto, por entender que a vida, a partir da fecundação do óvulo, está plenamente presente e que, ceifar esta vida, sejam lá quais forem as motivações apresentadas, importa em grave violência contra um ser absolutamente indefeso e inocente de qualquer acusação. Não pediu para ser gerado, não contribuiu para o ato e, sequer, existia antes de qualquer coisa. Apenas, em determinado momento, é ali colocado para cumprir uma missão vital. Não é em vão, que o atual Código Civil Brasileiro, seguindo os passos do Código de 1916, assegura, por meio da lei, os direitos do nascituro “desde a concepção” (Art. 2º). Vale dizer: desde a concepção a lei reconhece a plausibilidade da existência de um iminente sujeito de direito, ainda que, portador de personalidade condicionada – nascer com vida (cf. a primeira parte do Art. 2º). O “nascimento com vida”, de que trata o Código Civil é uma presunção que decorre, justamente, do conjunto de incertezas que envolve todo o processo de gestação, do início – concepção – ao fim – nascimento – sem, por qualquer modo, pretender sugerir que a vida tem início apenas a partir de então. O aborto põe fim a esta presunção, pois, impede, de antemão, o nascimento com vida e, portanto, a existência de um sujeito de direito.

Apesar deste entendimento e desta compreensão, penso tratar-se de um debate público, e, portanto, de uma encenação, dos quais cristãos e não cristãos não devem participar de forma direta, entrando na seara de grupos para os quais o que menos importa são os princípios, a fé ou as convicções religiosas, ou mesmo os fundamentos filosófico-científicos, mas, apenas, e tão somente, os interesses e convicções pessoais e profissionais, sem mencionar as financeiras. Acredito incumbir a todos os segmentos religiosos e cultuais o árduo trabalho na formação mais aprofundada dos seus fiéis seguidores, instruindo-os na fé que professam e fundamentando a oposição ao aborto, nos princípios basilares que movem e guiam mentes e corações valendo-se, aí sim, dos fundamentos jurídicos, filosóficos, religiosos, sociais, antropológicos e científicos de que são portadores. Penso ser papel fundamental das igrejas, nas mais diversas denominações, assim como das demais instituições religiosas que se colocam contrariamente ao aborto, trabalharem firme e decididamente na instrução de todos os seus fiéis seguidores para a defesa inarredável da vida, justamente, por ela, embora originada em Deus, ser coadministrada pelo ser humano que, graças à generosidade do Criador, compartilha desta divina tarefa e, como tal, não pode repudiá-la de forma tão simplista e até mesmo agressiva.

Perceba-se que o Estado não é contra o aborto. Ele quer, simplesmente, ter a primazia de praticá-lo sob a alegação de que, da forma como é feito, prejudica e coloca em risco milhares de outras vidas o que, realmente, é verdade. Em toda esta celeuma em momento algum o Estado apresenta uma solução antiabortiva ou em defesa da vida. Pelo contrário, ele quer ter o direito de concretizar aquilo que entende ser uma opção da mulher. Ora, está mais do que claro que estamos tratando de situação em que partes absolutamente livres, Estado e milhares de cidadãs, querem negociar entre si a concretização de algo que, como se diz em espanhol, nosotros, não temos a menor chance de vitória, porque eles, juntos, detém todos os meios necessários para tanto. Apenas nos convocam para o embate e o debate públicos, como forma de “explicitarem” que não decidiram sozinhos, não pairando dúvidas de que, ao final, terão aprovada a tese que defendem.   

Então, penso eu, seria de muito mais valia, a união de todos os cristãos e não-cristãos contrários ao aborto – ainda que totalmente legalizado pelo Estado – na formação de núcleos educacionais voltados para defesa da vida, já a partir da concepção, instruindo todas e todos os fiéis sobre o valor inegociável da vida, para o que, certamente, poderão contar com diversos segmentos científicos, médicos, jurídicos, filosóficos e acadêmicos que, em razão da fé e das convicções mais íntimas que professam, têm muita e inestimável contribuição a dar. Dentro desta lógica, seria plenamente cumprida a lição de Jesus, de dar  a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, evitando-se o confronto direto com aqueles que, decididamente, já sabem o que querem e que só fazem questão de ouvirem as opiniões contrárias, para terem argumentos para o ataque, inclusive, às instituições religiosas que tanto repudiam e contestam, e com as quais não possuem vínculos diretos ou  compromissos de seguimento.

Nenhum dos evangelistas narra qualquer debate público entre Jesus e o Imperador romano, sobre questões políticas, religiosas, doutrinárias, sociais ou  mesmo tributárias, ficando bastante evidente que este tipo de procedimento – debate público – é altamente devastador para a manutenção da fé e dos princípios que mantêm-na viva. Ao contrário, o Mestre de Nazaré sempre procurou instruir seus seguidores na Palavra de Deus, ensinando-lhes a forma correta de procederem diante de um mundo – como sempre – em constante e permanente ebulição. É chegada a hora e o tempo de aprendermos algo mais com Jesus.

Portanto, acredito que, a partir de uma incisiva marcha educacional e instrutiva, as instituições religiosas contrárias ao aborto, cristãs ou não, estarão cumprindo o múnus que lhes compete, na condução do povo de Deus sem, no entanto, fechar as portas para quem quiser retornar, mas, deixando o Estado agir da forma que melhor entender, ele e todos os seus adeptos e, também, fieis seguidores.

Este entendimento não sugere retirar das instituições religiosas o direito de, publica e publicitariamente, manifestarem a contrariedade ao aborto, apenas, e tão somente, propõe que não participem do palco montado para abalar, ainda mais, as estruturas das religiões, da fé e da convicção de homens e de mulheres cuja formação e a consciência indicam outro modo de proceder.

Este é mais um convite à reflexão. Não precisa ser contra ou a favor. Apenas reflita e tire suas próprias conclusões e trabalhe em prol daquilo que melhor atende a sua consciência e as suas convicções, sem atentar física ou verbalmente contra quem pensa de modo diferente. Segue o seu caminho e pare de se preocupar com as convergências. Afinal, você tem ou não tem certeza da exatidão do que defende? Viva e deixa viver. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é bacharel em direito, estudante de teologia, pensador espiritualista, caminhante e cultor do silêncio.

ago 27

EDITORIAL DA SEMANA: É PRECISO TESTEMUNHAR

MEU CONSOLO

TU ÉS, SENHOR, O CONSOLO DA MINHA EXISTÊNCIA –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Tu és, Senhor, o consolo da minha existência. Por quantas vezes tenho caído e por quantas tenho batido à porta do Teu Espírito, para ser socorrido e curado? Em quantas oportunidades tenho me sentido cansado, aflito e desanimado, e tenho encontrado na Tua Palavra o bálsamo para continuar a longa caminhada? Quantos têm sido os momentos de aproximação da Tua Tenda Sagrada, em busca de um simples copo de fluido espiritual, para o necessário e indispensável reabastecimento do meu ser? Cansado ou aflito, quantas vezes tenho ido à Tua presença, em busca do alívio para a minha alma? Não tenho a resposta para nenhuma destas indagações, Senhor!

Não sei respondê-las, simplesmente porque são incontáveis! Não tenho a menor noção do número de vezes em que, durante minha existência terrena, tenho ido a Ti, usando as muletas da oração, da súplica, das lágrimas, do arrependimento, do medo, da insegurança, da fraqueza, da terrível solidão ou da cadeira de rodas da fé, para buscar aquilo que só Tu podes dar a todas as Tuas criaturas: a inefável presença, o amor do Pai, a companhia do Irmão, o ombro do Amigo e a Palavra do Sábio. Em todas estas inúmeras e incontáveis oportunidades, tenho Te encontrado no mesmo lugar, da mesma forma e com a mesma disponibilidade: no centro do meu ser. Agora, depois de tanto tempo, compreendo perfeitamente o que o Apóstolo Paulo quis dizer, quando pergunta aos cristãos de Corinto: “Porventura não sabeis que os vossos membros são templo do Espírito Santo que habita em vós, que vos foi dado por Deus, e que não pertenceis a vós mesmos?” (ICor 6, 19).

Volto-me para dentro de mim e percebo a fulgurante luz do Teu Espírito, que brilha intensamente e que vive ao meu dispor para ouvir, acalentar, socorrer, iluminar, guiar, recordar as palavras do Cristo, ensinar, inspirar e, o melhor de tudo: falar sobre Ti, Pai eterno e misericordioso, sempre presente porque, onde está o Espírito, estão o Pai e o Filho, no eterno dinamismo pericorético do qual falam os teólogos. Oh, Deus, como é grande a Tua misericórdia, repetimos sempre na oração eucarística. Bem afirmou Jesus, que Teu Reino está no meio de nós, e que Nele somos convidados a tomar o lugar de filhos muito amados. É graça sobre graça. É benção sobre benção! Quem dera, ó Pai, que todos os Teus filhos soubessem, e que acreditassem os que sabem, o quanto Tu amas, individual e coletivamente, a todos nós e como é imensa e intensa a Tua presença nas entranhas de todo o nosso ser. Bem nos disse o Teu Filho Amado que quem observa a palavra que Ele nos deixou, será amado por Ti e que Tua morada será feita nele (Jo 14, 23).

Quem olha para o rico, fica imaginando como proceder para tornar-se igual a ele, disposto que está para fazer tudo o que for preciso, tamanho o anseio de sair da pobreza e da miséria em que vive. Quem olha para a felicidade exibida pelos Teus filhos, ficam a imaginar de onde extraem tanto vigor, tanta força, tanta beleza, tanta disposição, fé e coragem, sem se aperceber de que esta dádiva é disponibilizada para todos os seres humanos, por meio do Teu Filho, que veio para operar o nosso resgate, e que o fez com sucesso inimaginável e indescritível.

No entanto, ó Pai, quem poderá entrar no Teu santuário e provar de todas as tuas delícias e doçuras? Esta pergunta é-nos respondida pelo salmista (Sl 14) que afirma que os felizardos deverão viver na inocência, praticar a justiça, falar a verdade no seu coração, não forjar enganos com a língua e não fazer mal nem prejudicar, por qualquer modo, o seu semelhante nem desacreditá-lo junto aos demais, quem honra e respeita o Senhor e quem não aceita suborno contra o inocente. Estes, diz o salmista, “jamais vacilarão ou serão abalados”.

Amados por Ti, ó Pai, serão todos os que guardam a Palavra trazida por Jesus, pois, conforme dito por Ele: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos nele morada. O que não me ama, não observa as minhas palavras” (Jo 14, 23-24). Portanto, ó Deus, todos os seres humanos estão habilitados a tornarem-se templos vivos do Senhor e, como tais, poderem olhar para dentro de si próprios e verem a luz que eu vejo e receberem o consolo que recebo em minha alma. E aqui, transcrevo como se minhas fossem, as palavras do salmista, ao afirmar: “Tomaste-me pela minha mão direita, conduziste-me segundo tua vontade, e com glória me acolheste. Pois que há para mim no céu, e, fora de ti, que desejei eu na terra?” (Sl 72, 24-25).

Nada mais me apraz senão o buscar insistentemente estar com o Senhor, ainda que minha caminhada seja lenta e compassada, ainda que vacile, titubeie e caia em alguns momentos, nada substitui a sensação indescritível da presença do Teu Espírito a rondar todo o meu ser e a me conceder o calor, o consolo, a força, a energia, a disposição e o sincero desejo do reencontro face a face. Enquanto muitos dos meus irmãos buscam a felicidade nas manhas e nas artimanhas deste tempo tenebroso, que oferece momentos mágicos de alegria e de completude material, minha alegria é estar no Senhor meu Deus que hoje, mais do que sempre, eu percebo o quanto me estima, o quanto tem feito por mim e o quanto anseia pelo abraço caloroso da volta para casa, no estilo do filho pródigo, cuja Parábola Jesus conta de forma tão maravilhosa (cf. Lc 15, 11-32).

Tu és, Senhor, quero repetir à exaustão, o consolo da minha existência. Por Ti, estou aqui. Por Ti, continuo a caminhada no silêncio da longa estrada que me levará de volta para Ti. Em Ti, deposito minha máxima, e humanamente possível, esperança e confiança e apenas uma certeza mantém-me de pé: o cumprimento das Tuas promessas, pois, Tu o disseste e eu creio profundamente: “assim como desce do céu a chuva e a neve, e não voltam mais para lá, mas embebem a terra, fecundam-na e fazem-na germinar, a fim de que dê semente ao que semeia e pão ao que come; assim será a minha palavra, que sair da minha boca; não tornará para mim vazia, mas fará tudo o que eu quero, e produzirá os efeitos para os quais a enviei” (Is 55, 10-11). Nesta sentença e nas palavras do Teu Ungido, estou algemado para sempre, pois, se digno fosse, repetiria as palavras do Apóstolo Paulo: “Com efeito, para mim o viver é Cristo, e o morrer é um lucro” (Fl 1, 21).

Graças Te dou, Senhor de todas as coisas, Pai de eterno amor e de misericórdia infinita, por tudo o que tens feito, desde o princípio, por todos nós, teus filhos e filhas que, mesmo perseguidos pela fúria do pecado e da tentação do mundo, elevamos os nossos olhos para Ti e buscamos em Ti o consolo, a força, o perdão, a coragem e a fé para assegurarmos, em nós e para nós, o cumprimento de todas as Tuas infalíveis e imutáveis promessas, avalizadas por Jesus Cristo que, na cruz, pagou o altíssimo preço da nossa redenção (cf. ICor 6, 20). Nele e por meio Dele, abriste para todos nós as portas do Teu Reino e, dia-a-dia, convida-nos à entrada e à permanência. Aqueles e aquelas que ouvem o teu chamado e aceitam o teu convite, sentem o que eu sinto e que aqui, nestas linhas, testemunho para as gerações futuras.

Este não é apenas mais um dos textos escritos para reflexão. É, antes de qualquer outra coisa, um testemunho vivo sobre a luz que me guia, a força que move todo o meu ser, a fé e a convicção que norteiam minha caminhada por estas paragens. Caminhada que, como qualquer outra que conhecemos, culmina com a chegada, a partir de quando, repetindo Paulo, “então, hei de conhecer perfeitamente, como eu mesmo sou conhecido” (cf. ICor 13, 12). Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

ago 20

EDITORIAL DA SEMANA: SÁBIO É QUEM SABE QUE NADA SABE

TEORIA E PRÁTICA

CIÊNCIA E EXPERIÊNCIA: JUNTAS, SUPERAM DESAFIOS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

É surpreendente o número de pessoas que, deslumbradas com o academicismo no qual estão inseridas desde as fraudas da adolescência, acreditam na possibilidade de mudar os rumos da história sem que, para tanto, tenham que pegar no arado e trabalhar a terra. São pessoas que carregam em si a convicção de que o conhecimento acadêmico, por si só, é capaz de garantir-lhes aquilo que só vem com a conjugação entre a ciência e a experiência: a sabedoria! Desconhecem que uma não sobrevive sem a outra e que, sem ambas, o ser humano é levado de um lado para o outro, como folha seca.

Certo dia, conheci um jovem profissional que, já a partir da apresentação, fez questão de colocar na precedência do nome, o título que carrega por força da função que exerce. Depois, questionou a formação recebida por alguns de seus colegas de ofício, que passaram ou que ainda passam por instituições diferentes das que ele frequentou, desdenhando e até colocando em dúvida os fundamentos do ensino acadêmico ministrado em tais estabelecimentos. Cada vez que eu abria a boca, o jovem sábio interrompia a minha fala com uma pergunta cuja resposta, suponho, havia decorado feito menininho que se prepara para responder ao questionário dado pela professora. Falava com certa desenvoltura e demonstrava uma ortodoxia feroz, com cara de “senhor absoluto da verdade”. Uma verdade que, talvez, ensinaram-lhe para que pudesse, no palco da vida, verificar a aplicabilidade e a dosimetria possíveis e necessárias.

Ouvindo aquele jovem prepotente falando, tive pena dele. Pena, porque traz escrito na testa, acreditando que alguém mais experiente não consiga enxerga-lo, que não tem qualquer experiência de vida, apesar de suas quase três décadas de caminhada por este mundo. Conversando, ou melhor, ouvindo-o falar, percebe-se claramente tratar-se de um filhote da academia, que não conhece o laboratório da vida e que, portanto, não possui a vivência que outros colegas seus, mais velhos e, em decorrência, muito mais sábios, adquiriram em suas longas e sofridas caminhadas.

Aquele jovem, para mim, não trouxe qualquer ineditismo, haja vista já ter me deparado com alguns outros exemplares, ao longo da minha carreira. Pessoas das mais variadas origens e no exercício das mais complexas funções, públicas ou privadas, mas que, no fundo, no fundo, demonstraram padecer do mesmo defeito: não possuírem a necessária experiência para, conjugada com os títulos acadêmicos que ostentam, poderem sentar-se com a humildade dos que, mais sábios que os sábios, reconhecem que nada sabem. É claro que muitos leitores e leitoras poderão estar imaginando que o tempo tudo resolve e que com ele, também, vem a tão propalada experiência. É verdade, só que, dependendo do público alvo deste tipo de profissional, o risco do descaminho, do mau direcionamento, do mau exemplo, sem falar na prepotência, na arrogância e na infidelidade às fontes, pode gerar efeitos extremamente danosos e, com estes, a desilusão, o descrédito, o erro, a injustiça, a impiedade, a falta de misericórdia, e o pior de tudo: o péssimo desempenho da função para a qual é designado por vontade própria, em nome de uma altamente discutível vocação.

Tudo isto, porque as pessoas têm pressa em revelar para o mundo aquilo que deveriam tratar com a máxima cautela: os títulos honoríficos. E isto, antes, de poderem alardear que, depois da academia, vivenciaram experiências valiosíssimas que, ou robusteceram o conhecimento adquirido ou, como ocorre com certa frequência, levaram à necessária adaptação entre o ideal e o real.

E o mais assustador, é constatar que pessoas com este perfil acreditam, sinceramente, estarem nadando e mergulhando nas águas profundas do deserto, imaginando que ninguém percebe que estão dando duras braçadas nas dunas quentes e escaldantes de um cenário criado por elas e para elas, fechando os olhos e fingindo não enxergarem a realidade que se passa a poucos centímetros de onde estão.

Será de grande valia para todos os acadêmicos, das mais diversas áreas do saber, atentarem para o fato de que a ciência e a experiência formam a base sólida da sabedoria, que só é visível a olho nu com o passar do tempo e com a chegada dos cabelos brancos, ou da calvície, e não, como pensam alguns, com a quantidade de títulos que ostentam ou pelo fato de terem frequentado instituições de ensino renomadas, nacionais e/ou internacionais.

De mais a mais, há que se indagar: qual será o melhor título para aquele ou aquela que jaz no túmulo? Como diz o Cohelet (Eclesiastes) “O homem não sabe que fim será o seu, mas, como os peixes são apanhados no anzol e as aves caem no laço, assim os homens são surpreendidos pela adversidade, quando ela der sobre eles de improviso” (Ecl 9, 12).

Portanto, e sem qualquer pretensão, embora usando um pouco da ciência e da experiência, é de se convidar os que escoram-se apenas na ciência a envidarem esforços no árduo trabalho de campo, onde a palavra fácil cede lugar a ação, cujo resultado final é a mistura dos ingredientes da fé, do sofrimento, dos golpes, das angústias, das perdas, das traições, das mentiras, das injustiças, da miséria, da doença e de muito mais. A partir desta vivência e desta experiência da boca fechada e dos pés no chão, é que nascem os verdadeiros sábios.

E, para quem tiver alguma dúvida ou mesmo insegurança para esta vivência/experiência, pesquise a vida e a caminhada de Jesus Cristo que detinha a ciência, mas que, ao mesmo tempo, vivia a experiência da caminhada ao lado do povo humilde e sofrido de então. Aquele jovem judeu de Nazaré não frequentou estabelecimentos de ensino internacionais, não possuía títulos dados pelo judaísmo e, quando sentava para conversar, sabia ouvir com humildade e profundo senso de igualdade, sem, jamais pretender ser chamado de Mestre Jesus.

Sabe-se, também por experiência, que nem todos os jovens acadêmicos agem de modo negativo e que muitos, até, fazem questão de destacar a ausência de experiência na área em que atuam de forma recente ou que estão na iminência de atuar. Entretanto, vale revelar, também para estes jovens e promissores profissionais, que os exemplos negativos precisam ser conhecidos e que, como tais, não devem, de forma alguma, serem seguidos.

Da conjugação entre a ciência e a experiência surgem homens e mulheres capazes de, realmente, trazerem algo de alvissareiro para o mundo tão carente de novas perspectivas, ainda que repetindo ensinamentos e lições muito antigos, mas, capazes de superar os desafios nossos de cada dia. Reflita sobre tudo isso, e não se impressione com aqueles que fazem questão de alardear os títulos e os diplomas que receberam ao longo da vida. Talvez, seja tudo o que lhes resta apresentar! Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

ago 13

EDITORIAL DA SEMANA: DEUS SEMPRE CUMPRE O QUE PROMETE

ESPÍRITO SANTO DE DEUS

ESPÍRITO SANTO: A PROME mimSSA DE DEUS PARA TODOS NÓS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Não pensem os leitores e as leitoras que foi fácil produzir esta reflexão. Não o foi. E não foi, justamente porque quando se fala na promessa de Deus para nós, homens e mulheres, criaturas Suas, quase sempre vem à mente a promessa da salvação, consubstanciada nos mistérios da encarnação, da vida, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em primeiro lugar é necessário atentar para o que diz o Senhor Deus, no Livro de Isaías, no capítulo 55, versículos 10-11: E, assim como desce do céu a chuva e a neve, e não voltam mais para lá, mas embebem a terra, fecundam-na e fazem-na germinar, a fim de que dê semente ao que semeia e pão ao que come; assim será a minha palavra, que sair da minha boca; não tornará para mim vazia, mas fará tudo o que eu quero, e produzirá os efeitos para os quais a enviei”. A leitura e a compreensão desta perícope servem para deixar claro e evidente que a palavra de Deus é infalível e imutável, e o que Ele promete cumprirá, mais cedo ou mais tarde.

Ao profeta Ezequiel o Senhor revelou, por meio do Espírito Santo, muitas coisas ocultas aos homens de então e, por meio do profeta, fez, também, uma promessa solene à casa de Israel, já aprisionada nas garras do exílio babilônico: “Derramarei sobre vós uma água pura, sereis purificados de todas as vossas imundícies, purificar-vos-ei de todos os vossos ídolos. Dar-vos-ei um coração novo e porei um novo espírito no meio de vós; tirarei da vossa carne o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Porei o meu espírito no meio de vós, farei que andeis nos meus preceitos, que guardeis as minhas leis e que as pratiqueis. Habitareis na terra que eu dei a vossos pais; vós sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus” (Ez 36, 25-28).

Ezequiel é profeta do tempo do exílio, sua atividade profética tem início a partir de 597 a.C., depois da queda da Samaria indo, possivelmente, até a queda de Jerusalém, por volta do ano 586 a.C. O capítulo 37 do Livro de Ezequiel é dedicado à visão da restauração de Israel, quando Deus manda que ele profetize sobre os ossos que, recebendo nervos, carnes e espírito, tornarão a viver “e sabereis que eu sou o Senhor”, “quando eu tiver aberto os vossos sepulcros, vos tiver tirado dos vossos túmulos, tiver infundido o meu espírito em vós, e vós tiverdes recobrado a vida; e vós sabereis que eu, o Senhor, é que falei e o executei, diz o Senhor Deus” (Ez 37, 6.13-14).

A promessa de Deus está toda fundamentada na infusão do espírito: “Porei um novo espírito no meio de vós”, “Porei o meu espírito no meio de vós”, “infundirei o meu espírito em vós”, e no restabelecimento da relação entre o Senhor e a casa de Israel: “Vós sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus”. Esta promessa não é feita com vistas apenas ao povo castigado pelo exílio babilônico, mas, é, também, direcionada a todos os homens e a todas as mulheres a partir de então, e por todos os séculos e milênios futuros.

O povo exilado, após longos setenta anos, retorna às origens e reconstrói Jerusalém devastada e o Templo destruído. Entretanto, apenas parte da promessa estava cumprida. O apóstolo Paulo, na carta aos Gálatas, vai dizer que, “quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, feito da mulher, feito sob a lei, a fim de que remisse aqueles que estavam sob a lei, para que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vós sois filhos, Deus mandou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abba, Pai. Portanto, já nenhum de vós é servo, mas filho; e, se é filho, também é herdeiro por Deus” (Gl 4, 4-7). Assim, foi-nos dado um novo coração, de carne, e o Espírito de Deus colocado no meio de nós a fim de que, na condição de filhos chegássemos a ser o seu povo, e Ele, o nosso Deus.

Entretanto, o cumpridor da promessa feita por Deus, é Jesus, que já não se refere mais ao Senhor, a Javé ou mesmo a Deus, mas, ao Pai e, clara e expressamente, fala-nos da vinda do Espírito Santo: “o Paráclito, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14, 26). É justamente este o Espírito prometido por Deus, pela boca de Ezequiel que, nos longínquos dias do exílio babilônico, parecia referir-se aos exilados apenas, mas, que, na plenitude do tempo, tem a chegada anunciada pelo Filho, de quem também procede. Sobre este mesmo Espírito, Jesus vai acalmar os discípulos, ao dizer que: “Quando vos levarem às sinagogas e perante os magistrados e autoridades, não estejais preocupados com o que deveis responder ou com o que haveis de dizer. Porque o Espírito Santo vos ensinará, naquele mesmo momento, o que deveis dizer” (Lc 12,11-12).

Jesus, no entanto, vai mais fundo ao falar sobre o Espírito Santo de Deus. Chama-O Espírito de verdade, que procede do Pai, afirmando que Ele, Espírito Santo, habita convosco e estará em vós”, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14, 17.26), dará testemunho de mim” (Jo 15, 26), “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará no caminho da verdade integral”, “Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará” (Jo 16, 13-14). Mas, a chegada do Espírito Santo é condicionada à ida de Jesus para o Pai, pois, afirma Ele: “A vós convém que eu vá, porque, se eu não for, não virá a vós o Paráclito; mas, se for, eu vo-lo enviarei” (Jo 16, 7).

A chegada do Espírito, afirma Jesus, “convencerá o mundo, quando ao pecado, à justiça e ao juízo. Quanto ao pecado, porque não creram em mim; quanto à justiça, porque vou para o Pai e vós não me vereis mais; e quanto ao juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado” (Jo 16, 8-11).

Jesus, portanto, não apenas reafirma a promessa de Deus: “Porei o meu espírito no meio de vós, farei que andeis nos meus preceitos, que guardeis as minhas leis e que as pratiqueis” (Ez 36, 27) como, também, revela os efeitos a serem produzidos a partir da ida para o Pai e da chegada do Paráclito.

Após a condenação, pelo Sinédrio, a morte na Cruz e a ressurreição, Jesus volta para o Pai, conforme registrado no Livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 1, versículos 9-11. Lucas, em At 2, 1-3, vai dizer que “Quando se completaram os dias do Pentecostes” algo, como línguas de fogo “pousou sobre cada um deles”, depois de um estrondo como o de um vento impetuoso que “encheu toda a casa onde estavam sentados” a partir de quando “Foram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar várias línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” (Lc 2, 4).

Sobre aquele dia espetacularmente maravilhoso, o Apóstolo Pedro toma a palavra para explicar o que estava acontecendo de tão especial, afastando a hipótese aventada por alguns dos presentes, de que aqueles homens (Apóstolos) que falavam em diversas línguas estavam embriagados, dizendo que: “isto é o que foi dito pelo profeta Joel: ‘E acontecerá nos últimos dias (diz Deus) que eu derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; e profetizarão vossos filhos e vossas filhas, e os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão sonhos; e, naqueles dias, derramarei do meu Espírito sobre os meus servos e sobre as minhas servas, e profetizarão’” (At 2, 17-18), recordando Pedro, sobre Jesus, que “Elevado ele, pois, pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai o Espírito Santo, que tinha prometido, ele o derramou como vós vedes e ouvis” (At 2, 33), destacando que a promessa é para todos, “os que estão longe e para quantos o nosso Deus chamar” (At 2, 39), concluindo que “Nós somos testemunhas destas coisas e também o Espírito Santo, que Deus tem dado a todos os que lhe obedecem” (At 5, 32).

É em Pentecostes, e a partir de então, que a promessa de Deus se concretiza de fato e nunca mais o Espírito Santo se afasta do povo, que tem em Deus o único e verdadeiro Senhor.

A promessa de Deus, portanto, é para todos nós que cremos e que testemunhamos, com as nossas vidas, a boa nova do Senhor, trazida por Jesus Cristo, o Filho Unigênito. É importante que todos tenhamos plena consciência de tudo isto, para vivermos e ensinarmos aos nossos sucessores e descendentes que o Deus que nos recebe na condição de filhos (em adoção), é um Deus cuja palavra é, e sempre será, cumprida à risca, pois, conforme afirmado por Ele, “a minha palavra, que sair da minha boca; não tornará para mim vazia, mas fará tudo o que eu quero, e produzirá os efeitos para os quais a enviei” (Is 55, 11).

E, no mais, é-nos cobrado o sagrado dever de não entristecermos o Espírito Santo de Deus, pelo qual estamos marcados com um selo para o dia da redenção, sendo, ainda, obrigação nossa banir do nosso meio toda a amargura, a animosidade, a cólera, a maledicência e a malícia convocados que somos a agirmos, uns para com os outros, com benignidade e com misericórdia, perdoando-nos mutuamente da mesma forma como Deus nos perdoou por meio de Jesus Cristo (cf. Ef 4, 30-31).

Faça uma profunda reflexão sobre este texto, relendo as referências bíblicas indicadas, com os acréscimos a seguir sugeridos, e saiba que o Espírito Santo está à porta da sua vida, pronto para habitar em você e para te ensinar, te recordar, dar testemunho e te guiar pelo caminho que leva ao Pai porque, para o Senhor, nós somos o seu povo, e Ele, o nosso Deus. Seja feliz, e boa sorte!

(Cf. Concordância Bíblica - SBB (1975) - Tradução de João Ferreira de Almeida (chave de pesquisa: Espírito Santo) - Leia também: Is 63,11; Ez 3,14; Ez 8,3; Ez 11,24; Ez 36,27; Ez 37,14; Jl 2, 28; Mt 3,11; Mt 4,1; Lc 10,21; Lc 12,12; Jo 3,5-6.8, 34; Jo 14, 17.26; Jo 16,13; At 2,4.17-18.33.38; At 4,8.31; At 5,32; At 8, 29; At 10, 19; At 15,28; Rm 8, 4-26; 1Cor 2,4 e 12, 13; 2Cor 1,22.3, 17-18; Gl 3,14; 4, 29; 5,16-18; Gl 5,22-25; 6, 8; Ef 1,13;2,22; 4,30; 6,17-18; 1Ts 5, 19; Hb 3,7; 10,15; 1Pd 1,2.12; 4,14).

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

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