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Sementes de vida, ������© tempo de semear

Arquivo por categoria: EDITORIAL DA SEMANA

ago 20

EDITORIAL DA SEMANA: SÁBIO É QUEM SABE QUE NADA SABE

TEORIA E PRÁTICA

CIÊNCIA E EXPERIÊNCIA: JUNTAS, SUPERAM DESAFIOS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

É surpreendente o número de pessoas que, deslumbradas com o academicismo no qual estão inseridas desde as fraudas da adolescência, acreditam na possibilidade de mudar os rumos da história sem que, para tanto, tenham que pegar no arado e trabalhar a terra. São pessoas que carregam em si a convicção de que o conhecimento acadêmico, por si só, é capaz de garantir-lhes aquilo que só vem com a conjugação entre a ciência e a experiência: a sabedoria! Desconhecem que uma não sobrevive sem a outra e que, sem ambas, o ser humano é levado de um lado para o outro, como folha seca.

Certo dia, conheci um jovem profissional que, já a partir da apresentação, fez questão de colocar na precedência do nome, o título que carrega por força da função que exerce. Depois, questionou a formação recebida por alguns de seus colegas de ofício, que passaram ou que ainda passam por instituições diferentes das que ele frequentou, desdenhando e até colocando em dúvida os fundamentos do ensino acadêmico ministrado em tais estabelecimentos. Cada vez que eu abria a boca, o jovem sábio interrompia a minha fala com uma pergunta cuja resposta, suponho, havia decorado feito menininho que se prepara para responder ao questionário dado pela professora. Falava com certa desenvoltura e demonstrava uma ortodoxia feroz, com cara de “senhor absoluto da verdade”. Uma verdade que, talvez, ensinaram-lhe para que pudesse, no palco da vida, verificar a aplicabilidade e a dosimetria possíveis e necessárias.

Ouvindo aquele jovem prepotente falando, tive pena dele. Pena, porque traz escrito na testa, acreditando que alguém mais experiente não consiga enxerga-lo, que não tem qualquer experiência de vida, apesar de suas quase três décadas de caminhada por este mundo. Conversando, ou melhor, ouvindo-o falar, percebe-se claramente tratar-se de um filhote da academia, que não conhece o laboratório da vida e que, portanto, não possui a vivência que outros colegas seus, mais velhos e, em decorrência, muito mais sábios, adquiriram em suas longas e sofridas caminhadas.

Aquele jovem, para mim, não trouxe qualquer ineditismo, haja vista já ter me deparado com alguns outros exemplares, ao longo da minha carreira. Pessoas das mais variadas origens e no exercício das mais complexas funções, públicas ou privadas, mas que, no fundo, no fundo, demonstraram padecer do mesmo defeito: não possuírem a necessária experiência para, conjugada com os títulos acadêmicos que ostentam, poderem sentar-se com a humildade dos que, mais sábios que os sábios, reconhecem que nada sabem. É claro que muitos leitores e leitoras poderão estar imaginando que o tempo tudo resolve e que com ele, também, vem a tão propalada experiência. É verdade, só que, dependendo do público alvo deste tipo de profissional, o risco do descaminho, do mau direcionamento, do mau exemplo, sem falar na prepotência, na arrogância e na infidelidade às fontes, pode gerar efeitos extremamente danosos e, com estes, a desilusão, o descrédito, o erro, a injustiça, a impiedade, a falta de misericórdia, e o pior de tudo: o péssimo desempenho da função para a qual é designado por vontade própria, em nome de uma altamente discutível vocação.

Tudo isto, porque as pessoas têm pressa em revelar para o mundo aquilo que deveriam tratar com a máxima cautela: os títulos honoríficos. E isto, antes, de poderem alardear que, depois da academia, vivenciaram experiências valiosíssimas que, ou robusteceram o conhecimento adquirido ou, como ocorre com certa frequência, levaram à necessária adaptação entre o ideal e o real.

E o mais assustador, é constatar que pessoas com este perfil acreditam, sinceramente, estarem nadando e mergulhando nas águas profundas do deserto, imaginando que ninguém percebe que estão dando duras braçadas nas dunas quentes e escaldantes de um cenário criado por elas e para elas, fechando os olhos e fingindo não enxergarem a realidade que se passa a poucos centímetros de onde estão.

Será de grande valia para todos os acadêmicos, das mais diversas áreas do saber, atentarem para o fato de que a ciência e a experiência formam a base sólida da sabedoria, que só é visível a olho nu com o passar do tempo e com a chegada dos cabelos brancos, ou da calvície, e não, como pensam alguns, com a quantidade de títulos que ostentam ou pelo fato de terem frequentado instituições de ensino renomadas, nacionais e/ou internacionais.

De mais a mais, há que se indagar: qual será o melhor título para aquele ou aquela que jaz no túmulo? Como diz o Cohelet (Eclesiastes) “O homem não sabe que fim será o seu, mas, como os peixes são apanhados no anzol e as aves caem no laço, assim os homens são surpreendidos pela adversidade, quando ela der sobre eles de improviso” (Ecl 9, 12).

Portanto, e sem qualquer pretensão, embora usando um pouco da ciência e da experiência, é de se convidar os que escoram-se apenas na ciência a envidarem esforços no árduo trabalho de campo, onde a palavra fácil cede lugar a ação, cujo resultado final é a mistura dos ingredientes da fé, do sofrimento, dos golpes, das angústias, das perdas, das traições, das mentiras, das injustiças, da miséria, da doença e de muito mais. A partir desta vivência e desta experiência da boca fechada e dos pés no chão, é que nascem os verdadeiros sábios.

E, para quem tiver alguma dúvida ou mesmo insegurança para esta vivência/experiência, pesquise a vida e a caminhada de Jesus Cristo que detinha a ciência, mas que, ao mesmo tempo, vivia a experiência da caminhada ao lado do povo humilde e sofrido de então. Aquele jovem judeu de Nazaré não frequentou estabelecimentos de ensino internacionais, não possuía títulos dados pelo judaísmo e, quando sentava para conversar, sabia ouvir com humildade e profundo senso de igualdade, sem, jamais pretender ser chamado de Mestre Jesus.

Sabe-se, também por experiência, que nem todos os jovens acadêmicos agem de modo negativo e que muitos, até, fazem questão de destacar a ausência de experiência na área em que atuam de forma recente ou que estão na iminência de atuar. Entretanto, vale revelar, também para estes jovens e promissores profissionais, que os exemplos negativos precisam ser conhecidos e que, como tais, não devem, de forma alguma, serem seguidos.

Da conjugação entre a ciência e a experiência surgem homens e mulheres capazes de, realmente, trazerem algo de alvissareiro para o mundo tão carente de novas perspectivas, ainda que repetindo ensinamentos e lições muito antigos, mas, capazes de superar os desafios nossos de cada dia. Reflita sobre tudo isso, e não se impressione com aqueles que fazem questão de alardear os títulos e os diplomas que receberam ao longo da vida. Talvez, seja tudo o que lhes resta apresentar! Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

ago 13

EDITORIAL DA SEMANA: DEUS SEMPRE CUMPRE O QUE PROMETE

ESPÍRITO SANTO DE DEUS

ESPÍRITO SANTO: A PROME mimSSA DE DEUS PARA TODOS NÓS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Não pensem os leitores e as leitoras que foi fácil produzir esta reflexão. Não o foi. E não foi, justamente porque quando se fala na promessa de Deus para nós, homens e mulheres, criaturas Suas, quase sempre vem à mente a promessa da salvação, consubstanciada nos mistérios da encarnação, da vida, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em primeiro lugar é necessário atentar para o que diz o Senhor Deus, no Livro de Isaías, no capítulo 55, versículos 10-11: E, assim como desce do céu a chuva e a neve, e não voltam mais para lá, mas embebem a terra, fecundam-na e fazem-na germinar, a fim de que dê semente ao que semeia e pão ao que come; assim será a minha palavra, que sair da minha boca; não tornará para mim vazia, mas fará tudo o que eu quero, e produzirá os efeitos para os quais a enviei”. A leitura e a compreensão desta perícope servem para deixar claro e evidente que a palavra de Deus é infalível e imutável, e o que Ele promete cumprirá, mais cedo ou mais tarde.

Ao profeta Ezequiel o Senhor revelou, por meio do Espírito Santo, muitas coisas ocultas aos homens de então e, por meio do profeta, fez, também, uma promessa solene à casa de Israel, já aprisionada nas garras do exílio babilônico: “Derramarei sobre vós uma água pura, sereis purificados de todas as vossas imundícies, purificar-vos-ei de todos os vossos ídolos. Dar-vos-ei um coração novo e porei um novo espírito no meio de vós; tirarei da vossa carne o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Porei o meu espírito no meio de vós, farei que andeis nos meus preceitos, que guardeis as minhas leis e que as pratiqueis. Habitareis na terra que eu dei a vossos pais; vós sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus” (Ez 36, 25-28).

Ezequiel é profeta do tempo do exílio, sua atividade profética tem início a partir de 597 a.C., depois da queda da Samaria indo, possivelmente, até a queda de Jerusalém, por volta do ano 586 a.C. O capítulo 37 do Livro de Ezequiel é dedicado à visão da restauração de Israel, quando Deus manda que ele profetize sobre os ossos que, recebendo nervos, carnes e espírito, tornarão a viver “e sabereis que eu sou o Senhor”, “quando eu tiver aberto os vossos sepulcros, vos tiver tirado dos vossos túmulos, tiver infundido o meu espírito em vós, e vós tiverdes recobrado a vida; e vós sabereis que eu, o Senhor, é que falei e o executei, diz o Senhor Deus” (Ez 37, 6.13-14).

A promessa de Deus está toda fundamentada na infusão do espírito: “Porei um novo espírito no meio de vós”, “Porei o meu espírito no meio de vós”, “infundirei o meu espírito em vós”, e no restabelecimento da relação entre o Senhor e a casa de Israel: “Vós sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus”. Esta promessa não é feita com vistas apenas ao povo castigado pelo exílio babilônico, mas, é, também, direcionada a todos os homens e a todas as mulheres a partir de então, e por todos os séculos e milênios futuros.

O povo exilado, após longos setenta anos, retorna às origens e reconstrói Jerusalém devastada e o Templo destruído. Entretanto, apenas parte da promessa estava cumprida. O apóstolo Paulo, na carta aos Gálatas, vai dizer que, “quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, feito da mulher, feito sob a lei, a fim de que remisse aqueles que estavam sob a lei, para que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vós sois filhos, Deus mandou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abba, Pai. Portanto, já nenhum de vós é servo, mas filho; e, se é filho, também é herdeiro por Deus” (Gl 4, 4-7). Assim, foi-nos dado um novo coração, de carne, e o Espírito de Deus colocado no meio de nós a fim de que, na condição de filhos chegássemos a ser o seu povo, e Ele, o nosso Deus.

Entretanto, o cumpridor da promessa feita por Deus, é Jesus, que já não se refere mais ao Senhor, a Javé ou mesmo a Deus, mas, ao Pai e, clara e expressamente, fala-nos da vinda do Espírito Santo: “o Paráclito, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14, 26). É justamente este o Espírito prometido por Deus, pela boca de Ezequiel que, nos longínquos dias do exílio babilônico, parecia referir-se aos exilados apenas, mas, que, na plenitude do tempo, tem a chegada anunciada pelo Filho, de quem também procede. Sobre este mesmo Espírito, Jesus vai acalmar os discípulos, ao dizer que: “Quando vos levarem às sinagogas e perante os magistrados e autoridades, não estejais preocupados com o que deveis responder ou com o que haveis de dizer. Porque o Espírito Santo vos ensinará, naquele mesmo momento, o que deveis dizer” (Lc 12,11-12).

Jesus, no entanto, vai mais fundo ao falar sobre o Espírito Santo de Deus. Chama-O Espírito de verdade, que procede do Pai, afirmando que Ele, Espírito Santo, habita convosco e estará em vós”, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14, 17.26), dará testemunho de mim” (Jo 15, 26), “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará no caminho da verdade integral”, “Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará” (Jo 16, 13-14). Mas, a chegada do Espírito Santo é condicionada à ida de Jesus para o Pai, pois, afirma Ele: “A vós convém que eu vá, porque, se eu não for, não virá a vós o Paráclito; mas, se for, eu vo-lo enviarei” (Jo 16, 7).

A chegada do Espírito, afirma Jesus, “convencerá o mundo, quando ao pecado, à justiça e ao juízo. Quanto ao pecado, porque não creram em mim; quanto à justiça, porque vou para o Pai e vós não me vereis mais; e quanto ao juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado” (Jo 16, 8-11).

Jesus, portanto, não apenas reafirma a promessa de Deus: “Porei o meu espírito no meio de vós, farei que andeis nos meus preceitos, que guardeis as minhas leis e que as pratiqueis” (Ez 36, 27) como, também, revela os efeitos a serem produzidos a partir da ida para o Pai e da chegada do Paráclito.

Após a condenação, pelo Sinédrio, a morte na Cruz e a ressurreição, Jesus volta para o Pai, conforme registrado no Livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 1, versículos 9-11. Lucas, em At 2, 1-3, vai dizer que “Quando se completaram os dias do Pentecostes” algo, como línguas de fogo “pousou sobre cada um deles”, depois de um estrondo como o de um vento impetuoso que “encheu toda a casa onde estavam sentados” a partir de quando “Foram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar várias línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” (Lc 2, 4).

Sobre aquele dia espetacularmente maravilhoso, o Apóstolo Pedro toma a palavra para explicar o que estava acontecendo de tão especial, afastando a hipótese aventada por alguns dos presentes, de que aqueles homens (Apóstolos) que falavam em diversas línguas estavam embriagados, dizendo que: “isto é o que foi dito pelo profeta Joel: ‘E acontecerá nos últimos dias (diz Deus) que eu derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; e profetizarão vossos filhos e vossas filhas, e os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão sonhos; e, naqueles dias, derramarei do meu Espírito sobre os meus servos e sobre as minhas servas, e profetizarão’” (At 2, 17-18), recordando Pedro, sobre Jesus, que “Elevado ele, pois, pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai o Espírito Santo, que tinha prometido, ele o derramou como vós vedes e ouvis” (At 2, 33), destacando que a promessa é para todos, “os que estão longe e para quantos o nosso Deus chamar” (At 2, 39), concluindo que “Nós somos testemunhas destas coisas e também o Espírito Santo, que Deus tem dado a todos os que lhe obedecem” (At 5, 32).

É em Pentecostes, e a partir de então, que a promessa de Deus se concretiza de fato e nunca mais o Espírito Santo se afasta do povo, que tem em Deus o único e verdadeiro Senhor.

A promessa de Deus, portanto, é para todos nós que cremos e que testemunhamos, com as nossas vidas, a boa nova do Senhor, trazida por Jesus Cristo, o Filho Unigênito. É importante que todos tenhamos plena consciência de tudo isto, para vivermos e ensinarmos aos nossos sucessores e descendentes que o Deus que nos recebe na condição de filhos (em adoção), é um Deus cuja palavra é, e sempre será, cumprida à risca, pois, conforme afirmado por Ele, “a minha palavra, que sair da minha boca; não tornará para mim vazia, mas fará tudo o que eu quero, e produzirá os efeitos para os quais a enviei” (Is 55, 11).

E, no mais, é-nos cobrado o sagrado dever de não entristecermos o Espírito Santo de Deus, pelo qual estamos marcados com um selo para o dia da redenção, sendo, ainda, obrigação nossa banir do nosso meio toda a amargura, a animosidade, a cólera, a maledicência e a malícia convocados que somos a agirmos, uns para com os outros, com benignidade e com misericórdia, perdoando-nos mutuamente da mesma forma como Deus nos perdoou por meio de Jesus Cristo (cf. Ef 4, 30-31).

Faça uma profunda reflexão sobre este texto, relendo as referências bíblicas indicadas, com os acréscimos a seguir sugeridos, e saiba que o Espírito Santo está à porta da sua vida, pronto para habitar em você e para te ensinar, te recordar, dar testemunho e te guiar pelo caminho que leva ao Pai porque, para o Senhor, nós somos o seu povo, e Ele, o nosso Deus. Seja feliz, e boa sorte!

(Cf. Concordância Bíblica - SBB (1975) - Tradução de João Ferreira de Almeida (chave de pesquisa: Espírito Santo) - Leia também: Is 63,11; Ez 3,14; Ez 8,3; Ez 11,24; Ez 36,27; Ez 37,14; Jl 2, 28; Mt 3,11; Mt 4,1; Lc 10,21; Lc 12,12; Jo 3,5-6.8, 34; Jo 14, 17.26; Jo 16,13; At 2,4.17-18.33.38; At 4,8.31; At 5,32; At 8, 29; At 10, 19; At 15,28; Rm 8, 4-26; 1Cor 2,4 e 12, 13; 2Cor 1,22.3, 17-18; Gl 3,14; 4, 29; 5,16-18; Gl 5,22-25; 6, 8; Ef 1,13;2,22; 4,30; 6,17-18; 1Ts 5, 19; Hb 3,7; 10,15; 1Pd 1,2.12; 4,14).

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

ago 06

EDITORIAL DA SEMANA: A FORÇA DA ESPIRITUALIDADE

Respect and praying on nature background

UMA ESPIRITUALIDADE VOLTADA PARA DEUS E PARA A VIDA –

*Por Luiz Antonio de Moura –

O tema da espiritualidade é sempre atual e presente em diversas rodas de conversas entre pessoas que ocupam o tempo para tratar das coisas que realmente são relevantes na vida. E a importância do assunto supera a mera, e cansativa, discussão religiosa que, normalmente, além de não chegar a lugar algum, cria certo clima de animosidade entre as pessoas que, incautas, permitem-se envolver no que, de início, parece ser um bate-papo saudável.

É crescente a percepção de que, atualmente, as pessoas não querem, em larga maioria, estar vinculadas ao seguimento religioso. E isto ocorre por diversas razões que, aqui, não devem ser apresentadas para não desviar o foco do tema central. O fato é que a religiosidade que conhecemos no passado recente, gostemos ou não, está em baixa.

De outro lado, é visível, também, a crescente procura por uma forma de vida mais voltada para a espiritualidade, na qual as pessoas sintam-se mais confortadas em espírito e, ao mesmo tempo, com a necessidade de repassar as sensações percebidas para outros seres humanos, próximos ou distantes. A justificativa para tal receptividade é bastante interessante: o ser humano não precisa da religião para viver, mas, precisa e sente muita falta do calor espiritual. Do aconchego de Deus; da Luz que vem do Espírito; da voz que fala à alma e do bálsamo da paz. Momentos desfrutados, principalmente, por quem, despojado de toda forma de interesse e de regras, entrega-se ao deleite espiritual, falando e ouvindo com Aquele que jamais abandona o ser humano: o Deus Criador e Senhor absoluto de todas as almas e de todos os espíritos. É Ele que vem ao encontro de todos e de cada um de nós, sempre e cada vez mais, para renovar o convite para a caminhada rumo à eternidade. É Dele que vem a proposta para o retorno à casa do Pai e a promessa de vida em abundância. É Ele quem trouxe, e traz sempre, a possibilidade de salvação para o ser humano afastado e “perdido” em meio ao emaranhado de caminhos indicados para o acesso ao Céu.

Os homens e as mulheres deste século XXI estão marchando, lenta e progressivamente, na direção de uma espiritualidade cada vez mais rica e mais promissora, que os leva a perceberem que nem tudo está dito, e que, mesmo o que é dito, é incompleto e carente de originalidade. Os seres humanos deste tempo, assim como os que estão a caminho, percebem que o mundo é apenas um trampolim para algo muito maior e muito mais intenso do que tudo o que é visto e sentido e, principalmente, pelo que é ensinado como “verdade absoluta”. É na prática de uma espiritualidade – esta sim, original – que os seres humanos encontram-se a si próprios e revelam-se uns para os outros no acolhimento, no carinho, na doação, na caridade, no cuidado e na imitação Daquele que é, e que sempre será, o caminho, a verdade e a vida: Jesus Cristo.

O relógio do tempo não para, entretanto, ele não permite que no coração dos seres verdadeiramente humanos seja apagada a imagem de Deus gravada desde toda a eternidade em cada um de nós. Ele não permite que nos esqueçamos Daquele de onde provém toda a vida e ele não apaga a memória que trazemos da vida antes da vida, assim como não nos afasta do sonho e da esperança da vida após a vida. Tudo isso, todas estas sensações e percepções só são possíveis graças a uma espiritualidade que germina, cresce e produz frutos para muito além das portas institucionais, regidas por normas que colocam os seres humanos muito mais diante de um sistema codificado do que de um Pai que nos ama infinitamente e que espera ansiosamente que cada um de nós faça, refaça e renove a cada dia o diálogo, a vivência e a experiência com Ele.

Não são poucas as pessoas que fizeram, e que fazem, a experiência de uma espiritualidade orientada para o diálogo franco, aberto e permanente com Deus e com os seres espirituais, ou seja, com os anjos, os arcanjos, os serafins e com todos aqueles que tomam assento no Reino dos Céus.

Da mesma forma, são inúmeros os seres humanos envolvidos e seriamente comprometidos com a teologia da vida, com toda a pujança que o termo merece. A vida que brota nas profundezas dos oceanos, nas entranhas das imensas formações rochosas, no cume das montanhas, nas nascentes dos grandes rios, cachoeiras e quedas d’água. A vida que germina no ventre de todas as fêmeas e que explode para o mundo, renovando eras e gerações desde o surgimento de todas as espécies.

É o culto à vida, vinda de Deus e para Ele retornada, que move o coração e a ação de grande parte dos seres humanos desta era que estamos presenciando. Culto que enaltece o Espírito criador e renovador; que louva em espírito o nome de Deus e do seu Filho libertador, e culto que cuida da criação com amor e devoção, por ter origem na sincera preocupação de homens e de mulheres, com o futuro da nave mãe: a terra.

A espiritualidade experimentada nestes tempos renovados pelo Espírito, traz para nós todos o sentimento de ligação e de vinculação entre tudo e todos, inclusive, com o meio ambiente que tanto carece de cuidado, frente ao forte e desumano desenrolar de um capitalismo sem limites e sem fronteiras.

Olhar para a vida, com todas as suas vicissitudes, apreciá-la e dela cuidar com carinho e apreço, desde a necessária e importante prevenção das doenças do corpo e da alma até a própria vida do planeta, é praticar uma espiritualidade totalmente devotada a Deus, que é o autor deste verdadeiro tesouro do qual participamos, aqui e depois. A vida que ora experimentamos não é uma vida finita, que acaba com a morte do corpo, mas, uma vida transitória, que apenas passa deste plano terreno para um outro plano, do qual procedemos e para o qual haveremos de retornar.

A orientação espiritual que devemos seguir é, e sempre deverá ser, aquela descrita nas Sagradas Escrituras, por meio das quais o Senhor nos convida, pela boca do salmista a entoar cânticos de louvor e a cantar salmos “ao nosso Deus ao som da cítara” (Sl 146) porque, segundo o mesmo salmista, o Senhor “sara os atribulados de coração e liga as suas chagas. Fixa a multidão das estrelas, e as chama todas pelos seus nomes. Ampara os humildes, e abate os pecadores até a terra. Cobre o céu de nuvens, e prepara chuva para a terra, para produção da erva que alimenta os homens, dando também aos animais o seu alimento próprio, e aos filhotes dos corvos o que pedem” (Idem).

A este Senhor e Deus, devemos louvar em espírito, pois, conforme ensinado por Jesus, “Deus é espírito e em espírito e verdade é que o devem adorar os que o adoram” (Jo 4, 24).

É esta espiritualidade, totalmente focada no Criador e mantenedor da vida, que estamos tendentes a praticar, em detrimento do mero seguimento de normatizações e de codificações que mais engessam do que libertam o espírito humano. Uma espiritualidade de vida, de louvor, de crescimento e de preparação para a longa caminhada começada neste plano e continuada na etapa seguinte a esta existência. Eis a reflexão proposta, faça-a com o coração e com o espírito totalmente voltados para dentro e para o Alto. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

jul 30

EDITORIAL DA SEMANA: CONVIVER E TOLERAR FAZ PARTE DO JOGO DA VIDA

AMAI-VOS UNS AOS OUTROS

O SACRIFÍCIO EM NOME DA FÉ –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Até que ponto devemos fazer sacrifícios no curso da nossa existência terrena? E quando falamos em sacrifício, estamos nos referindo àqueles aos quais podemos, de forma livre e espontânea, livrar-nos ao nosso bel prazer. São sacrifícios, como por exemplo, ter de tolerar e conviver com pessoas muito próximas, ligadas a nós, muitas vezes, por laços sanguíneos e familiares e/ou conjugais. Claro, porque, por outras formas de sacrifício, ainda mais estando ao nosso dispor o livramento, nada justifica continuar no sofrimento. Mas, quando se trata daquele sacrifício dentro de casa, em uma convivência difícil com os pais, com os irmãos, com o cônjuge ou mesmo com os filhos, como fazer para continuar na luta, sem desistir?

Quando falo com alguém sobre esta questão, sempre é lançado o mesmo desafio: falar é fácil. Há pouco tempo disseram-me: queria ver se fosse com você! Alguém que, certamente, caindo, pensa que todos caem da mesma forma.

O problema não é saber como vou resolver ou enfrentar a questão, ou como posso sugerir a alguém a enfrentá-la. A situação envolvendo a convivência, principalmente, dentro de casa ou no núcleo familiar é por demais desafiante, porque, quase sempre, traz um componente incendiário: a falta de respeito entre os oponentes. E esta falta de respeito, não raro, descamba para o campo das acusações mútuas e, por fim, para a troca de ofensas, quando não, para as agressões físicas. A solução, para os estranhos, parece bastante simples: a fuga! A troca de ambiente. Entretanto, quando se fala da relação com pais idosos e dependentes, a coisa fica um pouco mais complicada. Quando se fala de uma relação conjugal, da qual existem filhos pequenos e muito dependentes do pai ou da mãe, tudo fica um pouco mais difícil. Muitas vezes, os filhos não são nem tão pequenos assim, mas nutrem uma inocente paixão pelo pai ou pela mãe, com tal intensidade, que a saída de um ou de outro pode transformar aquela vidinha iniciante numa vida dura demais para quem não fez por merecer. Dizem, os bravos e fortes, que filhos não seguram casamento. Esta afirmação nem sempre se sustenta, quando o coração fala mais alto e ainda não está comprometido da porta da casa para fora.

O fato é que “sair” nem sempre é a solução. Então, surge a pergunta: “Por que viver desta forma?” ou “ninguém merece passar por isso”, referindo-se a uma convivência conturbada. Humanamente falando, a questão é complexa mesmo e a gente sempre encontra mil razões para mandar tudo pelos ares e sair mundo afora. Não faltam os conselhos e os amigos de ocasião, sempre a darem o impulso que falta para uma decisão mais arrojada e rápida.

Ocorre que, o bom jogador conhece as regras e as técnicas do jogo e sabe que não pode abandonar o campo antes de ser substituído pelo Técnico ou, em último caso, expulso pelo Juiz da partida.

E, enquanto não é substituído ou expulso, sair de campo voluntariamente pode acarretar penalidades muito duras para a carreira de qualquer jogador. Penalidades que a própria vida impõe e cobrará de cada participante do grande jogo da vida. A solução adotada por muitos, e com resultados bastante positivos, utilizada pelos antigos e ainda pelas novas gerações, é a aceitação do jogo em nome da confiança depositada no Grande Técnico que, conhecendo perfeitamente cada um dos jogadores, escala cada um de nós para atuar enquanto for do agrado Dele. Esta confiança, também entendida como “fé” é uma das únicas armas que temos ao nosso dispor para lutar de forma intensa e permanente, unindo forças de todos os lados e buscando saídas e soluções práticas para o sistemático e ininterrupto enfrentamento.

Há que se ter em mente que, não havendo golpes baixos durante a partida, sendo a questão apenas de tolerância e de convivência, a fé e a devoção ao Técnico é bastante forte para sustentar desânimos, arrependimentos e desilusões. No entanto, com golpes baixos (agressões físicas e morais, traições e outros do gênero) é, realmente, difícil o permanecer em campo.

Fora desses extremos, mudar de ambiente significa, quase sempre, mudar de problema, simplesmente porque problemas perseguem os seres humanos que, por natureza somos problemáticos mesmo. Então, o que fazer? Parar, analisar todos os aspectos envolvidos e, em caso de fracasso de uma convivência pactuada em bons termos, tentar uma mudança unilateral de comportamento e de atuação. Em muitos casos, o cerne da questão está em nós, e não, nos outros. Então, por que não refletir sobre a própria forma de viver, de agir e de pensar? Por que não programar o início de uma alteração comportamental, na tentativa de facilitar toda uma transformação e, por fim, toda uma vida que, quase sempre, envolve outras pessoas? Até aqui, pode parecer fácil falar. Mas, alguém precisa falar e, espera-se, alguém haverá de ouvir.

A fé sempre traz consigo a obediência. A fé Naquele que tudo sabe e que tudo pode; obediência aos compromissos que assumimos uns para com os outros ou que, por meio das nossas ações, acabamos por envolver outras pessoas, como no caso dos nossos filhos que, sem pedirem, vieram para o nosso convívio graças aos atos que praticamos em nome de um “amor” que, impensado ou não, foi a desculpa que encontramos para gerá-los.

Por último, o seguimento à Palavra de Cristo: “quem não toma sua cruz e me segue, não é digno de mim. O que se prende à sua vida perdê-la-á; e o que perder a sua vida por meu amor, achá-la-á” (Mt 10, 38-39). Assim, aceitar e conformar-se ao sacrifício por amor ao Cristo, tudo suportando em nome do único e verdadeiro amor, tendo na fé o fortíssimo escudo usado pelos verdadeiros e bravos guerreiros, faz de nós muito mais do que as simples fugas da vida podem fazer. Da batalha, o gosto da vitória, ainda que tardia. Da fuga, o gosto amargo da covardia e da sensação de uma falsa vitória. É muito fácil ganhar o jogo comprado. Difícil é vencer o duríssimo jogo da vida, brandindo as bandeiras da fé e do verdadeiro amor.

Este texto é, como todos os demais que escrevo, um chamamento à reflexão. Não se iluda, porque não escrevo para você. Caso alguma frase ou colocação sirva para a sua vida, tenha certeza, é mera coincidência porque escrevo para o meu site que, mensalmente, é acessado por mais de cinco mil pessoas. Seria vidência eu escrever pensado em você que, infelizmente, nem conheço! Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

jul 23

EDITORIAL DA SEMANA: MENTIRAS DESTROEM O MATRIMÔNIO

SEPARAÇÃO

O CASAMENTO E O POLÍGRAFO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Recentemente, recebi um vídeo no qual eram exibidos os primeiros atos e as primeiras palavras proferidas em uma cerimônia matrimonial. No altar da igreja, o padre com seus paramentos, e os noivos, de frente um para o outro. O padre inicia a cerimônia, com as palavras e as perguntas de praxe. Entretanto, antes de o noivo pronunciar suas primeiras falas, o sacerdote pede que ele aguarde por um instante, até que o operador do polígrafo dê o “ok”. Polígrafo, para quem não sabe, é a famosa máquina da verdade, ou detector de mentiras. Quando a pessoa fala alguma mentira, o aparelho faz soar um “bip, bip, bip”, para chamar a atenção dos demais.

A cena é por demais engraçada, porque o noivo mal abre a boca e o bendito bip soa três vezes. A noiva olha para ele com cara amarrada, mas, a cerimônia prossegue. O rapaz começa a prometer isso e aquilo e, quando chega na frase “prometo estar ao teu lado na saúde e na doença” o bip dispara, e a moça perdendo a paciência desanda a falar impropérios, lembrando ter guardado a virgindade para ele o que, naquele momento, faz o bip soar três vezes seguidas! O rapaz, atônito, olha para a noiva e pergunta admirado: “então, não és virgem?”. Todo mundo fica espantado com aquele bate-boca em pleno altar da igreja, até que a mãe da noiva entra em cena e fala alguma coisa que, também faz soar o bip, cobrando da moça respeito ao pai, que estava ali ao lado, neste momento o bip soa três vezes e o pai da noiva olha para a mulher assustado: “então, não sou o pai dela?”. No meio daquele bafafá, o padre pede silêncio e diz que a única coisa que mais deseja naquele momento é a paz, o que faz o soar o bip mais três vezes. Ou seja, a cena toda se passa em um ambiente repleto de mentiras!

É claro, ou pelo menos parece claro, tratar-se de encenação humorística, com a única finalidade de levar os assistentes às gargalhadas. Entretanto, se pararmos para refletir um pouco sobre o atual destino da grande maioria dos casamentos oficiais, chegaremos facilmente à conclusão de que, quase todos, nascem, crescem e morrem no pântano pegajoso da mentira.

Desde o período do namoro, é uma mentirinha aqui, outra ali; o namorado conta uma lorota; a namorada conta outra; as famílias de um e de outro, completam o arsenal e, finalmente, chega o dia da grande mentira: “vamos ficar noivos!” Aí, entram os amigos e os amigos dos amigos, que comparecem, parecendo que vão apenas para tirar sarro do evento! Ninguém, ou pelo menos muito pouca gente está, realmente, torcendo para que aqueles dois caminhem felizes para o enlace final. Geralmente, e via de regra, é muita bebedeira, música eletrizante e sabe Deus o que mais rola naquele dia e naquele local.

A partir dali, a mentira começa a ganhar corpo: vão discutindo entre si, não raro com os palpites das respectivas sogras, a decoração da casa ou do apartamento, os móveis e utensílios a serem adquiridos e todo o resto. Momentos nos quais um ou outro aceita o que está sendo proposto, apenas para evitar maiores discussões ou dissabores. Dizem gostar do que realmente não estão gostando; chamam de “lindo” aquilo que, no fundo, acham horroroso; afirmam “amar”, aquilo que, na verdade, odeiam. Mas, tudo em nome da tolerância e da bendita “partilha” que, um dia, vai dar o que falar.

Quando estão juntos entre os amigos, sempre surge aquela situação em que um olha para outro com ar interrogativo, como quem pergunta: “você pensa assim?”; “você não vive dizendo que não gosta disso?”; “nós já não concordamos sobre este tema?”, e por aí vai.

Em momentos de total distração, e sem qualquer preocupação, ela pega ele olhando para uma mulher mais bonita e mais charmosa que passa do outro lado da rua. Ou, ele observa certos olhares dela na direção de outros homens. Por fim, e para ajustarem estas “coisinhas bobas”, concordam que existe beleza em todas as criaturas e que não é pecado algum admirar o “belo”. Isso, para porem fim àquelas briguinhas por ciúmes.

Então, chega o dia “D”! O dia em que mentiras e mentirosos decidem se encontrar para selar aquela mentira nascente, e o fazem na presença de alguém que está pouco se lixando para o arsenal de mentiras que está sendo repetido, até porque são palavras escritas por alguém e que precisam ser ditas para, ao final, ser dispensada a famosa benção sobre aqueles dois mentirosos, que são despedidos com a autorização para o beijo fatal. A partir dali, diante de um monte de padrinhos e de outro monte de testemunhas são colocados documentos a serem assinados, como se tivessem o poder de soldar para sempre aquelas duas partes, unidas por algumas promessas, por um par de alianças, algumas palavras do pregador e um simples beijo (Judas, também, beijou Jesus na hora fatal).

Daquele dia em diante, os dois vão ter que se entender dia após dia; noite após noite; ano após ano e, se as mentiras não forem contidas e dissipadas imediatamente, a relação começa a sofrer pequenos arranhões, que vão se transformando em profundas rachaduras, até que a separação apresenta-se como o único remédio viável.

Chega a um ponto em que ela diz: “eu nunca gostei desse seu jeito babaca, de ficar bajulando todo mundo, mesmo quando é ofendido”; e ele retruca: “e você, que vive brigando por causa de qualquer coisinha, parecendo barraqueira esquizofrênica?”; “esquizofrênico é você, que se acha muito bonitinho, com este cabelinho esquisito e esta barriga enorme”; “posso ter barriga, sim, mas, tem gente que gosta”; “Ah é? Quer dizer que tem outra na jogada?”. Enfim, a coisa vai ficando incontrolável, exatamente porque as verdades passam a ser ditas de uma forma como nunca o foram antes. Nestas ocasiões, a mentira morre ou é expulsa daquela relação e, no reinado da verdade, aqueles dois não conseguem mais conviver lado a lado, agindo como se fossem verdadeiros estranhos.

Então, vem a separação e a tal da “partilha” que, agora, é dolorosa. Passado algum tempo, um e outro, quase que inevitavelmente, encontra outra pessoa e, mais maduros, iniciam relações meio tímidas com outras pessoas, mas que, de cara, fazem questão de deixar claro para o outro o seguinte: “olha, vamos deixar muito claro, eu adoro fazer isso ou aquilo; ou, odeio ir lá ou acolá; ou, não gosto de ser vigiado(a); ou, gosto da casa com as cores tais e tais”. Um montão de coisas são colocadas sobre a mesa daquela nova relação, de um lado e do outro, que parece até um negócio absolutamente condicionado, mas que, na verdade, são as verdades de cada um que estão sendo expostas, para que, caso aceitem-se mutuamente, possam ter uma relação duradoura. E, não raro, é o que acontece.

Alguns casos, no entanto, são conhecidos pelo renovado fracasso. Mas, normalmente, decorrem de algumas omissões na hora da negociação, ou, de mentiras mesmo, que entraram na relação e, no final, acabaram minando tudo novamente.

É por estas e por outras, que o casamento deve acontecer como um ato extremamente natural, onde os dois vivam tão intensamente suas individualidades, de forma tão responsável e tão comprometida com valores e princípios que, a partir de um determinado momento, decidam fazer isso juntos, sem que um invada ou perturbe a paz do outro, respeitando-se mutuamente como, de resto, respeitam qualquer outra criatura, independentemente da relação que possam ter.

A sacralização do casamento mediante ato solene e com liturgia já estabelecida por gerações passadas, onde o que realmente importa é a repetição de atos e de palavras, momento no qual todos estão loucos para terminar, para a corrida na direção da comemoração, não sela a união que, em tese, deveria/poderia ser duradoura, porque, na verdade, a união entre duas pessoas para uma vida em comum, pouco ou nada depende de atos solenes, de roupas requintadas, de carrões ou de grandes festejos, mas, sempre, da verdade do real sentimento, da admiração e do respeito que nutrem um pelo outro, a partir de uma vivência que tem inicio já na primeira conversa, no primeiro beijo ou na primeira relação íntima. Estas são as verdades que as instituições religiosas, assim como as famílias tradicionais, rejeitam, mas, que no fundo, no fundo, cimentam a união e esvaziam as Varas Judiciais de Família.

Devemos lutar com todas as nossas forças para que o ato matrimonial continue sendo realizado e celebrado. No entanto, é preciso fazer uma revisão dos critérios adotados, para que o ato seja transformado em fato e, como tal, entre positivamente para a história dos casais e das respectivas famílias.

Parece mais fácil, mais oportuno e mais aconselhável que o ato matrimonial exista para sacramentar uma experiência conjugal já amadurecida e, portanto, com força suficiente para prosseguir, ao invés de continuar sendo como tem sido, um ato que pretende lançar as estruturas de um edifício que mal se sabe a altura que alcançará depois de totalmente pronto. Há que se vencer fundamentalismos, tradicionalismos, caprichos e opiniões contrárias, para que um novo modelo, com força e resistência, seja adotado, fazendo com que o casamento se torne de fato um bloco sólido, baseado no cimento da verdade entre os casais, e não, no barro podre das mentiras de ocasião que, com consentimentos e conivências, mais dia, menos dia, retornam ao pó.

Sacramentar uma experiência bem sucedida tem muito mais valor e muito mais importância do que sacramentar algo ainda prenhe de confirmação pela prática  que, dependente de tudo, pode dar certo ou não. E, em caso negativo, os efeitos colaterais costumam ser terrivelmente danosos, afetando filhos, amigos, famílias, além de, é claro, atingir em cheio os próprios e diretos atores principais do episódio.

Parece ser meio óbvio que Deus abençoa o que Ele quer, e não, o que os homens apresentam diante Dele para ser abençoado. Uma relação bem sucedida, fundada no amor, na amizade e no mútuo respeito demonstra estar marcada com a verdadeira e eterna benção divina. Daí por diante, os homens podem, e devem, sacramentar aquele fato, ao menos em tese, já abençoado por Deus deixando de, ao contrário, e como ocorre hodiernamente, criarem todas as condições de conveniências e de liturgias, para apresenta-las a Deus crendo que serão abençoadas a partir de então. O fracasso dos casamentos ocorridos neste modelo demonstram a incorreção do caminho escolhido e adotado à exaustão pelos homens.

O casamento não é apenas a união entre duas pessoas, mas, destas, também, com Deus. É preciso reconhecer a presença de Deus naquela relação que se quer abençoada para, então, e somente então, crer-se na tão almejada benção. Não são palavras, juramentos, papéis, anéis e beijos que tornarão abençoada uma situação na qual ainda não é comprovada a presença e a permanência de Deus, o que só ocorrerá com a vivência e com a experiência que, assim, poderá ser sacramentada pelos homens, ante a indiscutível benção dos céus.

É preciso coragem e visão profética para uma revisão deste porte no modelo matrimonial vigente. A família e a sociedade ficarão imensamente agradecidas porque, certamente, ambas sairão ganhando. Reflita sobre isto e sobre os diversos modelos de união matrimonial conhecidos, observando em que condições ocorreram aqueles que fracassaram e os que, mesmo em uma segunda ou terceira tentativas, foram excepcionalmente bem sucedidos. Ao final, tire suas próprias e valiosas conclusões. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

jul 16

EDITORIAL DA SEMANA – POR QUE ABANDONAMOS DEUS

DE COSTAS PARA DEUS

MEU DEUS, MEU DEUS, POR QUE TE ABANDONEI?

*Por Luiz Antonio de Moura –

Do alto da cruz, Jesus recorda o Salmo 21 e brada em tom forte: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? (Mt 27, 46). Existe muita diferença entre a situação de Jesus, o santo sofredor, e a do Salmista que chega mesmo a admitir: “O clamor dos meus pecados afasta de mim a salvação.” (Sl 21, 2). Entretanto, é preciso fazer coro com o Salmista e, de forma inversa, questionar: Meu Deus, meu Deus, por que te abandonei? Por que virei as costas para a tua Palavra, acreditando mais nas palavras inúteis e ignóbeis dos homens deste século? E, diante dos teus ensinamentos, por que decidi considerá-los ultrapassados, desatualizados e inadequados para o modo de vida por mim escolhido?

Por que, meu Deus, quando tantos praticam inúmeros sacrifícios para apresentarem a ti uma oferenda perfeita, eu decidi sair em busca da paz e da tranquilidade, que tanto me afastam dos sofredores desta pátria terrestre? Enquanto irmãos e irmãs antigos, verdadeiros santos e santas, de tudo se despojaram por amor a ti, o que me levou a me agarrar a tudo o que de bom a vida me ofereceu, esquecendo-me de quem eu sou, de onde estou e para onde irei em breve? Por que, meu Deus, apresento-me como cristão, se não sou capaz de imitar o Cristo em nada, valendo-me de desculpas infundadas para as distorções que eu mesmo forjo, no trato com as Sagradas Escrituras?

Onde está, meu Deus, a cruz na qual devo ser pregado depois de tapar os ouvidos aos teus clamores? Clamores vindos de todos os lados, pelas bocas de tantos e tantos sofredores aos quais prefiro fingir não estar vendo, para não comprometer a falsa ilusão de que a vida é bela e de que somos nós que criamos e alimentamos tantos problemas. Meu Deus, meu Deus, por que te abandonei quando, faminto, estendeste as mãos para mim? Quando sedento, pediste um simples copo d’água? Quando doente ou preso, deixei de te visitar e de levar um pouco de solidariedade a ti? Por que te abandonei, Deus meu, quando rasgado e sujo, deitado nas calçadas das ruas, passei perto de ti tapando as narinas, para não sentir o terrível odor da minha indiferença?

Abandonei-Te, Deus meu, porque encontrei no mundo e nas pessoas menos sensatas e mais impulsivas, o caminho para a satisfação do meu ego e do orgulho; encontrei a saída fácil para as estradas estreitas e apertadas às quais Tu te referiste quando disseste: “Quão estreito é o caminho que conduz à vida” (Mt 7, 14); tornei-me sábio perante os homens do meu tempo, porque decidi seguir carreira imponente e marcada com o selo do poder efêmero, caminhando por entre meus irmãos como se acima de todos eles eu estivesse, pelo simples trajar de roupas e de insígnias que tornar-se-ão pó junto com o pó do meu corpo; olhei para os bens que o dinheiro permitiu-me adquirir, e dei de ombros para o único e verdadeiro bem, que é a vida contigo, em ti e por ti; deixei-me conduzir pelos prazeres e pelos apetites exigidos pela carne, tornando-me rebelde e insensível ao clamor do espírito, que clama e chora de saudades de ti.

Abandonei-Te, meu Deus, porque não tive coragem para abandonar os vícios. Abandonei-Te, meu Deus, porque fui ambicioso; fui prepotente e amante da luxúria; tornei-me escravo do consumismo; fiz-me de cego diante da injustiça praticada contra meus irmãos; calei minha voz tão forte e poderosa diante do sofrimento imposto aos meus semelhantes; andei surdo ao grito dos famintos, dos pobres e dos necessitados de tudo; defendi o indefensável diante de Ti; fiquei do lado dos mais fortes, dos mais ricos e mais opulentos e afastei-me dos pobres, que Tu tanto amas.

Não estou entre os teus bem aventurados, porque não sou pobre em espírito, nunca fui manso, não choro, não tenho fome nem sede de justiça, não sei o que significa misericórdia, não tenho pureza em meu coração, não sou pacífico e fujo de qualquer perseguição por amor a uma justiça na qual nunca acreditei.

Entretanto, meu Deus, mantenho acesa a pequena chama de fé, que insiste em soprar nos meus ouvidos que Tu podes vir em meu auxílio e podes me resgatar deste abandono que eu mesmo infringi à minha vida porque, se eu te abandonei, Deus meu, Tu jamais me abandonaste. Se fingi, sequer, te conhecer, Tu disseste que eu sou o sal da terra e, mais, que sou a luz do mundo, demonstrando confiar plenamente em mim.

Abandonei-Te, meu Deus, mas quero retornar a ti; quero voltar para ti o meu espírito e dissipar todos os meus vícios, anseios, vontades, vaidades, ambições, desejos, paixões, apegos, apetites, enfim, tudo o que tem me separado de ti que és, eu o reconheço, o caminho, a verdade e a vida. Nada mais importa para mim, a não ser estar contigo e em ti, fonte eterna e inesgotável de felicidade, e então, poderei dizer como o salmista: “A ti se dirigirá o meu louvor numa assembleia grande; cumprirei meus votos em presença dos que o temem” (Sl 21, 26) e assim, certamente, cessará para sempre o abandono que impus a ti, meu Senhor e meu Deus.

Trata-se de um texto de confissão, de arrependimento, de confiança e de retorno para Deus. Retorno para Aquele que é tudo em todos por todo o sempre. É bom refletir sobre cada linha, porque, certamente, dirá muita coisa para cada leitor e para cada leitora que, ao final poderá, se for o caso, retornar para a casa do Pai. Casa ampla e ilimitada, onde cabem todos os filhos e filhas de um Deus-Criador que, acima de tudo e de qualquer coisa, ama-nos com tamanha obsessão, que enviou seu próprio filho para morrer por nós na cruz que, agora, está vazia, porque a vida venceu a morte e deste tesouro, fez de todos nós os verdadeiros herdeiros. Reflita. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um  caminhante e um cultor do silêncio.

jun 25

EDITORIAL DA SEMANA: JOÃO BATISTA E JOÃO DE DEUS, SEMPRE PELO OUTRO!

JOÃO BATISTA - 4

MINHA IDENTIFICAÇÃO COM JOÃO – O BATISTA E O DE DEUS –

*Por Luiz Antonio de Moura - 

A história de João Batista é bastante peculiar, porque, fruto da intervenção divina, tal como ocorreu com Sara e Abraão, em razão da idade avançada dos pais – Isabel e Zacarias – ele, diferentemente de Isaac, assume a missão de abrir o caminho para o Salvador. Isaac, tornou-se protagonista do patriarcalismo e, para sempre, seu nome ficou associado a Deus que, em todas as manifestações, não cessa de identificar-se como o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó.

João Batista, também, não é de menor importância, eis que, também para sempre, é associado ao Filho de Deus, por ser o precursor Daquele de quem não se sente digno de levar as sandálias. João não é o Messias; não é o Cristo; não é aquele que virá para resgatar o homem, mas, aquele que vai iniciar o processo de salvação que culminará com a redenção na cruz. Não é homem de palavras gentis; não sabe bajular o poder dos césares nem dos invasores; não se cala diante do adultério de Herodes e, por sua fé e seus princípios, assume o destino do cárcere e, por fim, da infame degola.

Da boca de João partem terríveis palavras: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que vos ameaça?”; “Toda árvore que não dá bom fruto será cortada e lançada no fogo” (Mt 3, 7.10). Mas, sabe também, transmitir esperança mirando na luz que já antevê à frente: “o que há de vir depois de mim é mais poderoso do que eu” e sabe indicar o caminho para aqueles que querem alcançar a salvação: “apresentai, pois, dignos frutos de penitência”. Na simplicidade de homem rústico criado na dureza dos desertos da vida, sem bens, sem luxo, sem roupas ou calçados finos e sem alimento requintado, João assume posição real, porque brande a espada da fé e da fidelidade a qualquer preço, ainda que ao custo da própria vida.

Mas, a João ainda é reservada por Deus uma missão ainda mais elevada: mostrar aos homens de todos os tempos que o batismo é a porta de entrada do Reino. E, no desempenho desta missão, João vê à frente a figura inconfundível de Jesus que, certo dia, apresenta-se juntamente com os demais populares, para ser, também Ele, batizado pelo Batista. É fácil imaginar a confusão mental que tomou conta de João quando, ciente de que deveria batizar toda aquela multidão, exortando-a com duras palavras ao arrependimento e à penitência, vê diante de si o Cordeiro de Deus, O que tira o pecado do mundo. A reação de João é igual à de qualquer outro homem consciente da sua estatura profética: “Sou eu que devo ser batizado por ti, e tu vens a mim?”.

João, certamente, e naquele momento, percebe o quão grande é a sua tarefa neste mundo, pois, além de conduzir os homens de boa vontade para as portas do Reino, deve deixar bem claro que, também, o Verbo encarnado está posto à entrada deste mesmo Reino e que, quem quiser entrar, só poderá fazê-lo com Ele, que se apresenta como um igual de todos nós, justamente para, conosco, apresentar-Se diante do Pai, para o banquete preparado desde antes de todos os séculos.

João é o precursor, é a boca por meio da qual Deus fala aos homens acerca da chegada da hora em que “o machado já está posto à raiz das árvores”. Não fala de si nem sobre si; não promete nenhuma ação ou milagre, mas, fala sobre Outro e assegura que Dele tudo virá, pois: “Ele tem a pá na sua mão, limpará bem a sua eira e recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha num fogo inextinguível” (Mt 3, 12).

Por fim, João passa como a folha seca que é levada pelo vento, depois de ter cumprido sua missão e, disto, ele próprio tem plena consciência quando, referindo-se a Jesus, afirma convictamente: “É preciso que ele cresça e eu diminua” (Jo 3, 30).

Apraz-me o papel desempenhado por João batista: sempre agir pelo e em favor do outro; sempre visando o crescimento do outro, sem aparecer e sem buscar qualquer notoriedade. Apenas a ação e o serviço, para que o outro sobressaia e possa desempenhar bem a sua missão que, considero ser sempre maior do que a minha! Não preciso, não quero e não faço questão de aparecer, já que quem me convocou para a missão assegura-me posição privilegiada na vida vindoura. Ser como João Batista, missionário competente e destemido, sem compromissos partidários, ideológicos, políticos ou religiosos, e sem pretender agradar a quem quer que seja, a não ser para a própria edificação, comprometido apenas com a verdade e com a justiça que procedem de Deus, é  o foco mirado pelo meu espírito e é olhando fixamente para este alvo que tenho conduzido a minha vida, e a minha caminhada, por todos estes anos nos quais estou aqui, neste plano terreno.

Neste sentido, regozijo-me com as palavras do Santo Padre, quando afirma que “Eis então, qual é o mistério de João: Nunca se apodera da Palavra. João é aquele que indica, que assinala. O sentido da vida de João é indicar Outro” ( Papa Francisco).

Existe, entretanto, outro João cujo conhecimento da vida e da obra marcou minha estadia neste mundo: João Cidade Duarte, ou, como é mais conhecido, São João de Deus. Santo português do século XVI que outra coisa não fez, senão agir em benefício do outro, esquecendo-se de si próprio e lançando-se de corpo e alma na direção dos pobres, dos desvalidos, dos doentes e dos desamparados, tratando de acolhê-los e de providenciar-lhes o tratamento digno.

SÃO JOÃO DE DEUS - MAIO DE 2018

Sobre São João de Deus já escrevi alguns textos, e muitos outros ainda pretendo escrever, porque ele, tal qual o bom samaritano da parábola contada por Jesus, olha e acolhe o outro sem se importar com nada. Absolutamente nada! João de Deus não indaga sobre a religião, o estado civil, a condição social, o grau de estudo, a profissão. Enfim, para ele, o que realmente importa é a prestação de serviço e de socorro àquele a quem não resta mais nenhuma esperança de acolhimento e de dignidade! Como admiro e como procuro colocar em prática esta visão na minha vida. É lógico e evidente, que precisamos saber reconhecer o joio e o trigo. É preciso sermos como Jesus ensinou “mansos como as pombas, mas, prudentes como as serpentes” (Mt 10, 16), porque, como Ele mesmo diz “os filhos deste século são mais hábeis no trato com os seus semelhantes que os filhos da luz” (Lc 16, 8). No entanto, caminhar é preciso e, neste afã, não podemos virar o rosto na direção contrária de quem clama por socorro, seja ele quem for, esteja na condição em que estiver. Olhar para o outro como um seu semelhante é, acima de tudo e de qualquer coisa, reconhecer-se filho de Deus, que é Pai de todos nós e que “faz nascer o sol sobre maus e bons, e manda a chuva sobre justos e injustos” (Mt 5, 45).

João Batista e João de Deus, para mim, ao lado de muitos outros, são modelos e exemplos sobre os quais procuro pautar a minha vida, porque eles, na verdade, vivem e demonstram ser humanamente possível viver, os mandamentos de Deus, reforçados por Jesus Cristo, modelo maior e Mestre de todos nós.

Não desprezemos, pois, os que procuram o enaltecimento próprio, em detrimento do outro; procuram aparecer sempre, ainda que pisando sobre os ombros do outro ou, ainda pior, procuram apenas o bem estar pessoal, pouco se importando com o sofrimento do outro. Na verdade, merecem compaixão, porque são privados da luz e da graça divinas. Luz e graça com as quais somos constante e permanentemente renovados na fé e na fidelidade capazes de, em nome do Cristo Jesus, levar-nos ao Reino de Deus que, gostemos ou não, aceitemos ou não, é também para todos eles.

Na simplicidade do seu coração, procure mirar-se, também, nos exemplos deixados por homens como João Batista e João de Deus. Talvez você consiga perceber o quanto pode fazer em benefício do outro porque o seu prêmio, já está assegurado por Aquele que doou a própria vida, para que você tenha vida em abundância, a vida eterna. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

jun 18

EDITORIAL DA SEMANA: O SENHOR É O MEU PASTOR

O SENHOR É O MEU PASTOR

O SENHOR É O MEU PASTOR, NADA ME FALTARÁ –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Pouca gente pode afirmar desconhecer o tradicional Salmo 23 (22 em algumas traduções), cuja beleza poética, a força teológica e a magnitude da fé e da esperança sobressaem de forma exuberante, a ponto de ser recitado por diversas profissões de fé e até mesmo por quem não professa nenhuma religião.

“O Senhor é o meu pastor, e nada me falta” diz o versículo nº 1. Aqui o Salmista deixa claro a sua condição de ovelha a ser conduzida por Aquele que afirma ser o único e verdadeiro pastor (Jo 10, 11) e, sujeitando-se à divina condução, ele crê firmemente estar em boas mãos, onde de nada será privado. Ele, porém, não fica no vazio do “nada me falta”, mas, leva o leitor mais adiante, ao declarar que, pelas mãos do pastor, é conduzido a um lugar de pastos e de água fortificante. O verdadeiro pastor é aquele que conduz o rebanho, com segurança, para os verdejantes pastos e para lugares onde, da forma mais fácil e segura, pode encontrar água em abundância. Lugar onde a erva e a água são distribuídos com justiça e sem discriminação ou preço de mercado, porque tudo procede do Santo nome do Senhor.

Diante deste cenário de paz, de justiça, de segurança, de alimento e de saciedade, o Salmista se revela pleno e feliz e, para nós, lendo o salmo de baixo para cima, torna-se fácil compreender o porquê da afirmação inicial “O Senhor é o meu pastor e nada me falta”.

Mas o Salmista quer mostrar mais, quer revelar o que se passa por trás das entrelinhas do salmo. Os rebanhos de ovelhas, normalmente, e tratando-se do Oriente, são conduzidos para os elevados e escarpados montes, passando por lugares desérticos e próximos a despenhadeiros e abismos onde, não raro, os animais caem, perdem-se do rebanho e até morrem. Daí Jesus ter perguntado qual homem, se a ovelha cair em um fosso, em dia de sábado, deixará de socorrê-la? (Mt 12, 11). Pois bem, o perigo ao longo da caminhada e da condução do rebanho exige perícia, conhecimento, segurança, compromisso e responsabilidade do pastor, razão pela qual, não pode ser qualquer um, mas, um bom pastor. Um pastor que, se preciso for, dá a vida pelas ovelhas, a exemplo do Senhor Jesus (Jo 10, 11).

Nosso Salmista, colocando-se na condição de ovelha, afirma-se seguro e protegido, declarando que, ainda que caminhe no vale da sombra da morte, não temerá nenhum mal, porque sente a presença segura e reconfortante do pastor que, com a vara e com o báculo, isto é, com dois bastões, um mais curto e o outro mais longo, servindo de instrumentos de segurança e de condução do rebanho, cuida com amor e zelo do rebanho que foi-Lhe confiado.

Mesmo assim, os perigos existem e a cada passo, a cada entrada em território estranho, estão presentes desafios e adversários prontos para surpreenderem ovelhas e pastor. Mas o Salmista afirma que uma mesa é preparada à vista daqueles que podem servir de tropeço e que, por meio da unção do óleo sobre a cabeça o cálice da tranquilidade é transbordante, referindo-se à proteção da tenda preparada pelo pastor para proteger o rebanho durante as intempéries do dia e das surpresas das noites escuras.

Por fim, diz o Salmista: “Tua misericórdia irá após de mim todos os dias da minha vida, a fim de que eu habite na casa do Senhor durante longos dias”, numa demonstração da extrema confiança N’Aquele que caminha à frente do rebanho com fortidão e como que um verdadeiro facho de luz a alumiar o caminho de modo que o rebanho se mantenha unido sob o comando único do pastor, por longos e longos dias.

Quão belas são as palavras e fortes os simbolismos utilizados pelo Salmista para expressar o papel do verdadeiro pastor à frente do rebanho, rumo às verdes pastagens e às fontes de águas fortificantes, tendo, também para todos nós que cremos, forte significado porque caminhamos pelas estradas deste mundo sujeitos a todo tipo de perigos, de desafios e de adversários e, se não tivermos confiança no pastor que nos conduz, o que será de nós?

Assim como o Salmista, precisamos confiar N’Aquele que está à nossa frente, conduzindo-nos às verdes pastagens e assegurando-nos uma caminhada tranquila e sem sobressaltos ou riscos de sermos abocanhados pelo mal que nos cerca e nos espreita a curta distância.

Se o leitor ou a leitora possui uma Bíblia, abra-a no Salmo 23(22) e leia-o na íntegra, meditando sobre cada versículo, para apreender todos os simbolismos e significados que o Salmista deixa para todos nós. Desfrute desta fonte de fé, de esperança e de confiança no Senhor, que é o nosso único e verdadeiro Pastor, em quem devemos confiar toda a nossa vida e a nossa existência. Faça a leitura e reflita. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

jun 11

EDITORIAL DA SEMANA: SOBRE JESUS, FALTA CONHECIMENTO

JESUS NAS BODAS DE CANÁ

SOBRE JESUS, NÃO FALTA RESPEITO, FALTA CONHECIMENTO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Recentemente li em um desses veículos da mídia que temos por aqui, o debate acirrado em torno da “censura” sobre uma representação teatral envolvendo a pessoa de Jesus Cristo que, na obra, é apresentado como “Rainha do Céu”, numa clara pretensão de colocar o Filho de Deus em pé de extrema igualdade com os homens, a ponto de assumir uma imaginada transexualidade.

A questão, pelo que li, ainda está dando o que falar porque, como sempre, envolve exaltados de ambos os lados. Uns, defendem a apresentação da peça teatral, advogando tratar-se de obra de arte e sem qualquer cunho religioso ou mesmo desrespeitoso. Outros, no entanto, querem porque querem barrar a peça, sob o argumento do necessário respeito às mais diversas tradições religiosas. A querela envolve artistas, produtores, administradores públicos, políticos e religiosos.

Como ocorre vez por outra, de tempos em tempos somos surpreendidos por alguns trabalhos, muitas vezes assinados por renomados autores, envolvendo, também, renomados atores, que decidem ousar sua criatividade em cima de figuras representativas da fé de milhões e milhões de pessoas mundo afora e, como vimos há bem pouco tempo, costuma terminar até em atentados terroristas tenebrosos, com a morte de culpados e de inocentes.

O fato é que, no caso da peça teatral em questão – que não vi nem tenho interesse em fazê-lo – a coisa encaixa-se naquela situação que costumamos destacar do “fazer tempestade num copo d’água”. Primeiro porque o próprio Jesus, do alto da cruz, ora ao Pai e pede: “Pai, perdoai-lhes, pois, não sabem o que fazem”, evidenciando ter pleno conhecimento sobre a nossa absoluta ignorância acerca de tudo o que se relaciona com a divindade, com o Céu e com os seus habitantes. Segundo porque, somente quem desconhece profundamente a natureza humana de Jesus, é capaz de compará-lo a nós, seres humanos, acreditando que o Filho de Deus – verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus – é capaz de trazer em si dúvidas, certezas, rejeição ou preferências no âmbito da sexualidade.

A natureza humana de Jesus faz Dele o homem perfeito, da forma pretendida por Deus no momento exato da Criação, ao declarar: “façamo-lo à nossa imagem e semelhança”. Aquele homem retratado no Livro do Gênesis, antes do pecado, isto é, antes de conhecer sobre o bem e sobre o mal, é o homem-Deus querido pelo Criador. É o ser perfeito, sem mácula e sem qualquer vinculação com desejos, com apetites, com inclinações ou com “prazeres”. Tanto é assim, que o primeiro homem não pediu ao Criador que lhe trouxesse companhia humana. Mas, é o próprio Deus que, olhando o homem à distância, percebe faltar-lhe uma companhia da mesma espécie, já que era patente a diferença entre o humano e os demais seres criados. Aquele homem, no entanto, e por razões que não serão analisadas aqui, deixa-se levar pela desobediência e, como dissera o Senhor Deus, passa a conhecer o sofrimento e todos os tormentos que envolvem o homem decaído, até o retorno ao pó donde provém.

Jesus, no entanto, vem para resgatar o homem original e, como Deus-homem, assume a condição daquele que, verdadeiramente, é imagem e semelhança do Criador, tão perfeito, que resgata o próprio homem da sua infelicidade, cujo ápice é a morte.

Portanto, qualquer criatura que pretender atribuir a Jesus esse ou aquele papel, por entendê-Lo humano como qualquer outro humano, mostra, acima de tudo, falta de conhecimento e, assim, livre está de qualquer condenação, porquanto, se Deus não castiga a ninguém, menos ainda, aos ignorantes, devendo ficar claro que, no caso em questão, não se trata de falta de respeito, mas, de falta de conhecimento acerca do próprio Jesus.

É verdadeiramente estéril o debate entre os homens acerca da representação de figuras religiosas o que, infelizmente, tem contribuído para conflitos, não raro sangrentos. Acima de tudo, precisamos compreender que nossas limitações são gigantescas e que nossas “ousadias” ficam muito aquém da capacidade de aranhar a reverência, o respeito e a santidade de qualquer divindade, menos ainda, Daquele que criou-nos conhecendo plenamente a fragilidade do barro utilizado.

Não façamos coro com os debatedores. Deixemo-los à deriva das suas loucuras e dos embates inúteis que travam, pois, como disse o próprio Jesus, “eles não sabem o que fazem”, nem o que dizem. Nada é impuro até que alguém assim o veja e, para quem assim o vê, deixemos que permaneça impuro como quer. De Deus, no entanto, não esperem castigo algum, porque Deus é Pai e, como tal, ama profundamente todos os seus filhos e filhas, mesmo sabendo-nos ignorantes. Reflita sobre isto e siga em frente. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

jun 04

EDITORIAL DA SEMANA: A DIFÍCIL INTERAÇÃO ENTRE OS SERES HUMANOS

CONVIVÊNCIA

AS DIFÍCEIS RELAÇÕES E INTERAÇÕES HUMANAS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Os humanos são os seres mais complexos que existem porque, sejam quem forem – pais, irmãos, cônjuges, amigos, colegas, vizinhos, adversários, amantes ou amados – são capazes dos mais diversos comportamentos e das mais variadas atitudes, deles podendo ser esperada qualquer coisa. Daí a necessidade de estarmos sempre atentos nas necessárias e insubstituíveis relações que mantemos, nunca nos esquecendo de que somos todos iguais, porque, da mesma essência, capacidade e complexidade, sempre estamos interagindo uns com os outros.

Os seres humanos são dotados de capacidade, de competências e de carismas que revelam-nos seres divinamente especiais, com carta branca do Criador para administrar e gerenciar toda a criação. No entanto, dada a complexidade de potências com as quais somos dotados, somos capazes de agir, de falar, de omitir, de pactuar, de corromper e de sermos corrompidos, de amar, de odiar, de fazermos o bem ou o mal, de acolhermos ou de rejeitarmos, de construirmos ou de destruirmos, da forma mais natural possível. Sempre em nome de uma “liberdade” e de um “livre arbítrio” que não são apenas teses filosóficas ou teológicas não, são realidades nas quais estamos envolvidos.

E, deste emaranhado de atributos com os quais fomos premiados pelo Criador nasce a tremenda dificuldade da mútua convivência e da necessária interação. Querer, quando o outro não quer; pensar, quando outro não concorda; concordar, quando o outro discorda; silenciar, quando outro espera uma palavra; falar, quando o outro quer silêncio; esperar do outro o que ele não quer ou não tem condições de dar; dar ao outro o que ele não aceita receber; ajudar, quando o outro dispensa ajuda; omitir-se, quando o outro espera uma atitude; defender, quando o outro quer acusar; apontar erros, quando o outro quer minimizá-los ou até mesmo escondê-los; trabalhar, quando outro quer fazer corpo mole; descansar, quando o outro impõe o trabalho; comprar, o que o outro não quer vender; vender, o que o outro não tem condições de comprar; sorrir, quando o outro quer chorar; chorar, enquanto o outro quer sorrir; preocupar-se com o que o outro sequer dá atenção, e muitas outras situações.

São episódios que, no dia-a-dia da vida vão desafiando nossa capacidade de conviver com os nossos semelhantes, sem desconsiderá-los, desprezá-los e com eles estar em permanente confronto ou conflito. E mais: na lógica cristã, tendo que amarmos uns aos outros, como o Cristo nos ensinou com exemplo de sangue.

E quando se fala no Cristo, a visão acerca do “outro” tem que ser modificada, porque Ele, Jesus, soube melhor que qualquer um de nós, olhar para o outro e aceitá-lo exatamente como ele é, com suas virtudes, defeitos, carências, fraquezas e até mesmo maldades. Ele soube perscrutar a alma de todos os que O cercavam e que com Ele caminhavam e deixou-nos o exemplo. Daí, a necessidade primária que temos de, em primeiro lugar, fazer como Jesus fazia: olhar para o outro, bem no fundo dos olhos. Examiná-lo por dentro, através do olhar profundo e do silêncio. É deste comportamento, aliado da pausa no falar e do não agir de forma intempestiva e açodada, que nasce a compreensão acerca daquele ou daquela que está diante de nós. Seja quem for, venha com as armas que vier, aja da forma que agir. Jesus fez isto de forma admirável quando, diante do sinédrio, observou aqueles clérigos “decidindo o seu destino” e acusando-O de todas as formas: calou-se e observou a contenda entre eles. Percebeu claramente, que de nada adiantaria fazer discursos, pois, ao admitir expressamente ser o Filho de Deus, viu o sumo sacerdote rasgar as vestes, em sinal de desespero diante do que, para ele, era a maior de todas as blasfêmias.

Olhar para o outro, no fundo dos olhos, é enxergá-lo no fundo da alma. Por esta razão, muitas pessoas quando percebem que estão sendo olhadas no fundo dos olhos, abaixam a cabeça ou desviam o olhar para a direita, para esquerda, para cima ou para baixo, porque a alma logo, logo, denuncia que está sendo exposta de forma integral. Ao assim procedermos, não estamos querendo desvendar segredos, não. Estamos, apenas, observando com que tipo de pessoa estamos lidando para, a partir de então, tomarmos todas as precauções possíveis. Primeiro, resguardando-nos das atitudes explosivas e das notórias demonstrações de impaciência. Depois, estamos nos preparando para agir e para falar de modo a não perturbar aquele ser já exasperado, perturbado, indignado, revoltado, estressado, amargurado, decepcionado ou desiludido, grosseiro e até mesmo violento que está à nossa frente.

É preciso olhar para este semelhante da forma mais tranquila possível, aceitá-lo naquele estado em que ele se revela para nós e, de forma equilibrada tentar descobrir do que ele está precisando naquele momento: de silêncio, de paz, de uma palavra amiga, de força, de coragem, de sugestões, enfim, tentar dar a ele exatamente o que ele revela estar precisando ou “exigindo”, sem contendas, conflitos ou confrontos. Mais uma vez, Jesus ensina: “Ouvistes o que foi dito: “olho por olho, dente por dente”. Eu, porém, digo-vos que não resistais ao que é mau; mas, se alguém te ferir na tua face direita, apresenta-lhe também a outra; e ao que quer chamar-te a juízo para te tirar a túnica cede-lhe também a capa” (Mt 5, 38-40).

A proposta de Jesus, muitos dirão, é difícil de ser seguida. Pode ser sim, porém, é a única capaz de aperfeiçoar a nossa relação com os nossos semelhantes, de modo a que consigamos passar por esta prova de fogo a que somos submetidos a partir do momento em que aqui chegamos.

Lidarmo-nos uns com os outros é desafio para toda a vida e, feliz daquele ou daquela que consegue aperfeiçoar-se cada vez mais, tomando o exemplo de Jesus. Pois, assim, conseguirá compreender que faz parte de um todo no qual todos somos iguais, com virtudes, defeitos, carências, carismas, competências e, também, com o contrário de tudo isso. Daí decorrer que precisamos aceitar, compreender e ceder, porque, também nós precisamos ser aceitos, compreendidos e acolhidos com as nossas mais diversas fraturas espirituais, morais, sociais e, digamos, existenciais.

Este texto, como todos os demais que escrevo, é mais um convite à reflexão. Aqui, não estão sendo expostos verdades, teses ou dogmas, mas, o resultado de reflexões que o leitor e a leitora, também, podem e devem fazer, na busca por uma convivência mais humanizada e mais cristianizada com os semelhantes, tendo sempre em vista que a promessa de Jesus, como plano do Pai, é que vivamos eternamente juntos, no Reino que já está preparado para todos nós. Se não conseguirmos viver juntos aqui, como será na eternidade? Reflita e tire suas conclusões. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.
 
   

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