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nov 19

OS TALENTOS DE CADA UM

LUDOVICO GARMUS

33º DOMINGO DO TEMPO COMUM – TODOS NÓS RECEBEMOS OS TALENTOS –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Senhor nosso Deus fazei que nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa, servindo a vós, o criador de todas as coisas”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Pr 31,10-13.19-20.30-31

Com habilidade trabalham as suas mãos.

O livro dos Provérbios, em vários capítulos, simboliza a Sabedoria na figura da mulher. No último capítulo louva a mulher real, que teme a Deus. A primeira leitura de hoje, dos 21 versos que compõe o poema, extrai 7 versos, suficientes para exaltar a mulher que faz valer seus talentos, como serviço de amor ao seu maridos, aos filhos, aos empregados e empregadas e até mesmo aos pobres e necessitados. Por isso, o poema exalta não tanto na beleza da mulher, mas os talentos e habilidade de suas mãos operosas. Ela compra a lã e o linho e o trabalha com sua mão. Como a tecelã estende a mão para a roca e com os dedos segura o fuso. Com o trabalho de suas mãos veste a si mesmo, veste o marido, os filhos e empregados, e pode estender as mesmas mãos para os necessitados e os pobres. Tal mulher é mais preciosa do que todas as joias. Não se elogia a sua beleza física, mas a dedicação de seu amor. Na sua feminilidade ela se realiza como mulher, como esposa e como mãe porque gera a vida, alimenta e protege a vida, “como quem serve” (cf. Lc 22,27), para fazer a todos felizes. O poema conclui-se dizendo que a beleza e a formosura da mulher são passageiras. Mas a mulher que teme a Deus, pelo amor-cuidado que manifesta em sua vida, merece ser louvada porque encarna a generosidade e a providência divina. – As mãos carinhosas de nossas mães são mãos que nutrem e se doam como as mãos de Jesus que tomou o pão em suas mãos, deus graças a Deus, partiu o pão e disse: Tomai e comei dele todos, isto é o meu corpo entregue para vos dar a vida. – Como nossa sociedade valoriza a mulher que trabalha dupla jornada? E o trabalho braçal dos mais pobres?

SALMO RESPONSORIAL: Sl 127

Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!

2. SEGUNDA LEITURA: 1Ts 5,1-6

Que esse dia não vos surpreenda como um ladrão.

O trecho hoje lido continua as considerações de Paulo aos cristãos de Tessalônica sobre a ressurreição dos mortos e a segunda vinda do Senhor (2ª leitura do 32º Domingo do tempo Comum). De início, o Apóstolo declara não poder acrescentar ao que Jesus já havia dito: “Quanto a esse dia e essa hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai” (Mt 24,36). Quando tudo parece estar em “paz e segurança”, o dia do Senhor virá, de repente, como um ladrão de noite. O que fazer, então, como se comportar? Na admoestação final aos cristãos (v. 4-6) Paulo se inclui, pois esperava que a vinda do Senhor acontecesse estando ele e os irmãos em Cristo ainda vivos (cf. 1Ts 4,13-18). Continuemos vigilantes e sóbrios – diz Paulo – para não sermos surpreendidos por esse dia. Sendo iluminados por Cristo, somos filhos da Luz e não das trevas. Em outras palavras, os cristãos são convidados a viver na tensão escatológica da vinda do Senhor, mantendo vivas a fé e a esperança.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Ficai em mim, e eu em vós hei de ficar, diz o Senhor.

quem em mim permanece, esse dá muito fruto.

3. EVANGELHO: Mt 25,14-30

Como foste fiel na administração de tão pouco,

vem participar de minha alegria.

A parábola dos talentos que hoje ouvimos no Evangelho é a continuidade da parábola das dez jovens (32º domingo). A parábola das dez jovens como a parábola dos talentos estão relacionadas com a segunda vinda do Senhor. Havia, sobretudo na Galileia, pessoas ricas que eram donos de pequenos latifúndios. O patrão tinha seus empregados para cuidar das plantações de trigo ou cevada, oliveiras ou vinhas. Segundo a parábola, o patrão viajou para o estrangeiro, talvez para Roma. Antes de se ausentar, chamou seus empregados para lhes confiar a administração das riquezas que havia acumulado. “A um deu cinco talentos, a outro dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com sua capacidade”. Um talento era uma medida de peso com valor aproximado de 34 kg. Tratava-se de peso em ouro ou prata. O primeiro trabalhou com os cinco talentos e lucrou mais cinco. Da mesma forma, o segundo que recebeu dois talentos, lucrou outros dois. Os dois primeiros foram ousados, até com o risco de perderem tudo, mas dobraram a quantia recebida. O terceiro, que recebeu apenas um talento, com medo de perder o valor recebido, enterrou seu talento até que o patrão viesse. – Após muito tempo, o patrão voltou da viagem e chamou os empregados para prestarem conta dos talentos recebidos. Os dois primeiros se apresentaram com alegria por terem dobrado o valor recebido com seu trabalho. A esses o patrão diz: “Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria”. O terceiro empregado trouxe apenas o talento que havia enterrado e o devolveu ao patrão, desculpando-se porque tinha medo dele por ser severo e explorador do trabalho dos empregados. O patrão o chamou de “servo mau e preguiçoso” e mandou tirar dele o talento e entregar ao empregado que dobrou os cinco talentos. A parábola dos talentos levanta algumas questões: Por que o patrão não entregou a mesma quantia para os três empregados? Por que o talento do terceiro empregado foi entregue que tinha lucrado cinco talentos? Considerando que a parábola fala do Reino de Deus, os talentos confiados aos empregados de acordo com a capacidade de cada um nos levam aos talentos que Deus nos confiou. Com qual dos três empregados eu me assemelho? Faço render os talentos que Deus me confiou para a glória de Deus e em favor de meus irmãos? Sou parecido com a mulher sábia da 1ª leitura, que fez valer seus talentos em benefício de sua família e dos pobres? Na comunidade escondo meus talentos?

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.
 

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