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O SANTO MÊS – SÃO FRANCISCO DE ASSIS

FRANCISCO - O POBRE DE ASSIS

O SANTO DO MÊS DE OUTUBRO

4 DE OUTUBRO SÃO FRANCISCO DE ASSIS. MEMÓRIA OBRIGATÓRIA –

*Por Frei Alberto Beckhäuser, ofm –

É significativo que o santo não é caracterizado, não é colocado em nenhum grupo de santos. Não é apresentado como religioso nem como diácono. Talvez, qualquer caracterização reduzisse a grandeza deste santo universal, “o homem de Deus”. A Liturgia das Horas remete para o Comum dos Santos Homens: para religiosos. Tem hino próprio para Laudes e Vésperas, bem como antífonas para estas Horas. A Missa tem formulário todo próprio.

Toda a Liturgia realça no “homem de Deus” Francisco de Assis a pobreza e a humildade. Esta compreensão vem belamente expressa na Antífona da entrada: Francisco de Assis, homem de Deus, deixou sua casa e sua herança e se fez pobre e desvalido. O Senhor, porém, o acolheu com amor. Sim, Francisco de Assis foi o santo apaixonado pelo amor, o amor de Deus e o amor do próximo, tanto que exclamava, chorando: “O Amor não é amado, o Amor não é amado!”

São Francisco nasceu em Assis, cidade medieval da Umbria, no centro da Itália, em 1282. O pai, notável comerciante, ambicionava que seu filho continuasse na mesma carreira, mas Francisco não possuía o perfil de comerciante. De gênio alegre e folgazão, sentia em si um forte pendor para os prazeres do mundo.

Quando jovem, sonhou com as glórias militares. Participou de uma guerra entre a cidade de Assis e a vizinha cidade de Perusa, mas não foi feliz. Acabou sendo preso e colocado em dura prisão, onde ficou sofrendo por um ano. Quando dava início a outra aventura militar, sentiu repentina crise de consciência que lhe questionava a validade das ações militares. Voltou logo para sua cidade natal e, aos poucos, foi amadurecendo nele uma radical conversão: Deus o chamava, não às vaidades do mundo, não à glória militar, nem à ambição do comércio, mas à imitação radical do Cristo pobre e crucificado. Depois de usar de misericórdia para com os leprosos (Testamento), converteu-se ao Evangelho e viveu-o com extrema coerência, em pobreza e grande alegria, seguindo o Cristo humilde, pobre e casto, conforme as bem-aventuranças.

A partir de 1208 começou a ser imitado por alguns seguidores e, quando no ano seguinte Inocêncio III aprovava oralmente seu novo estilo de vida cristã, nascia a Ordem dos Frades Menores. A Regra ou Forma de Vida que ele deixou era simples: Vida de oração e contemplação, pobreza, como imitação do Cristo pobre e humilde, no mistério da Encarnação, da Cruz e da Eucaristia, a fraternidade universal, a vida de penitência ou de conversão evangélica permanente e a pregação do Evangelho, tendo como centro o Amor a Deus . ao próximo.

Com a jovem conterrânea Clara, que quis seguir seu ideal, lançou os fundamentos da Ordem II, a das Damas Pobres ou Clarissas. Em 1221 nascia também, à sua sombra, o movimento de leigos denominado Ordem Terceira hoje, Ordem Franciscana Secular. Dois anos antes da morte selou, por assim dizer, sua ânsia de semelhança com Jesus Cristo através dos estigmas. Seu-últimos anos de vida foram atormentados por várias doenças que culminaram na cegueira quase total. Faleceu na tarde do dia 3 de outubro de 1226 com 44 anos de idade.

São Francisco é, sem dúvida, uma das mais atraentes personalidades d: história, um patrimônio de toda a humanidade, homem sem fronteiras que ter atraído a simpatia de todos indistintamente. Já os contemporâneos se impressionaram profundamente com ele. Nos primeiros decênios depois de sua mortos escritores se empenharam em descrever o mistério de sua vida tão rica. Hoje ainda ele continua a entusiasmar os estudiosos. E difícil dizer o que mais fase na em São Francisco. Foi, sem dúvida, o homem apaixonado pelo Deus-Amor, a quem quis corresponder com uma resposta de Amor. E visto como Evangelho vivo. Multidões o contemplam como o “Pobrezinho”, o irmão universal. O historiador alemão Joseph Lortz deu-lhe o título de “Santo Incomparável”.

Como é que o apresenta a Liturgia? Homem de Deus, pobre e desvalido Antífona da Entrada). Homem semelhante a Cristo por uma vida de humildade e pobreza, seguidor de Jesus Cristo na perfeita alegria (Oração coleta). A Oração sobre as oferendas lança Francisco no mistério da Cruz, abraçado com intenso amor. A Antífona da Comunhão volta à bem-aventurança da pobreza vivida por Francisco. A Oração depois da Comunhão volta a realçar o grande amor de São Francisco, chamado na Ordem o Serafim de Assis, e o seu zelo apostólico no empenho pela salvação de todos.

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*BECKHÄUSER, Frei Alberto, ofm. Os Santos na Liturgia – Testemunhas de Cristo. Petrópolis. VOZES: 2013. 391 páginas.

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