Lisaac

Sementes de vida, ������© tempo de semear

«

»

abr 01

O SANTO DO MÊS – SÃO MARCOS EVANGELISTA

SÃO MARCOS - 2018

SANTO DO MÊS DE ABRIL –

*Enrico Pepe[1]

25 de abril

São Marcos evangelista (século I)

“Tu quiseste que os santos mistérios de Cristo, teu Filho, princípio de redenção e de vida, fossem conhecidos mediante a Sagrada Escritura por obra de homens iluminados pelo Espírito Santo. Assim, as palavras e os gestos do Salvador, encontrados nas páginas imortais dos evangelhos, são confiados à Igreja e se tornam semente fecunda que nos séculos faz germinar frutos de graça e de glória.”

Marcos, como os outros evangelistas, ouviu e nos transmitiu a pregação apostólica, para nos encorajar no seguimento de Cristo. Seu interesse não foi o de simplesmente passar uma doutrina, como faziam os filósofos, falando a respeito de Jesus, queria nos ajudar no início do caminho da fé para que nos encontrássemos pessoalmente com ele na comunidade eclesial.

SUA VIDA

Ele possuía dois nomes: um hebraico, João, que usava entre os seus conterrâneos; outro, grego, Marcos, para se apresentar no mundo greco-romano. Para aqueles que tinham frequentes contatos com aquele meio ambiente, o uso de dois nomes era comum.

Segundo uma tradição antiquíssima, sua mãe, Maria, no tempo da paixão do Senhor, muito provavelmente já era viúva. Sua família era abastada, tinha um relacionamento íntimo com o Mestre, pois colocava à sua disposição a casa em Jerusalém e o jardim próximo, na colina das oliveiras.

Na grande sala de sua casa foi celebrada a última ceia e naquele mesmo local reuniram-se os apóstolos, da paixão até pentecostes, para se tornar depois a igreja doméstica da primeira comunidade de Jerusalém. Depois da última ceia, quando Jesus e os apóstolos se deslocaram para o monte das oliveiras, João Marcos foi com eles e dormiu nas dependências do pequeno sítio. Inesperadamente foi acordado pela agitação dos guardas que tinham vindo para prender Jesus. Levantou-se e, ainda enrolado em um lençol, foi ver o que estava acontecendo. Os soldados prenderam-no, “mas lançando ele de si o pano de linho, escapou-lhes, despido”.

Marcos acompanhou todos os acontecimentos dolorosos da paixão, e depois os gloriosos da ressurreição e de pentecostes, e passou a fazer parte na comunidade cristã juntamente com sua mãe e Barnabé, seu parente.

Quando este em 44, procedente de Antioquia, aonde tinha sido enviado pelos apóstolos, veio a Jerusalém juntamente com Paulo, Marcos escutou a narração dos acontecimentos que os dois fizeram sobre a difusão do Evangelho naquela cidade cosmopolita e, quando retornaram, quis segui-los.

Uniu-se a eles na primeira viagem apostólica até Cipro, mas quando eles se dirigiram a Perge para atravessar os terrenos pantanosos e escalar as montanhas de Tauro para chegar à Antioquia, Marcos não teve coragem para enfrentar tantas dificuldades e retornou a Jerusalém.

Novamente, em 49, encontrou-se com Barnabé e Paulo, que retornavam a Jerusalém para resolver com os apóstolos a espinhosa questão dos cristãos vindos do paganismo sem se submeter às práticas da Lei mosaica, e soube de quantas maravilhas aconteceram naquelas regiões, de que tanto tinha medo.

Tomou coragem de novo e foi com eles para Antioquia. Quando Paulo e Barnabé prepararam uma outra viagem apostólica para visitar e confirmar as jovens comunidades cristãs, Marcos se ofereceu de novo para acompanhá-los, mas encontrou a rejeição determinada e absoluta de Paulo, que não queria levá-lo, pois ele poderia se tornar um impedimento para a realização de seu programa. Finalmente, ficou decidido que Paulo partiria para a Ásia Menor acompanhado de um outro discípulo, Silas, mais habituado às canseiras, enquanto Barnabé iria a Cipro com Marcos.

Sabemos pelas cartas paulinas que mais tarde Marcos se tornou um fidelíssimo colaborador de Paulo e não teve medo de segui-lo até Roma. Em 61, de fato, estava junto com o Apóstolo que estava preso esperando para ser julgado. Naquela ocasião, Paulo escrevendo aos colossenses, mandou saudações de “Marcos, primo de Barnabé”, e acrescentou: “Se este for ter convosco, acolhei-o bem”.

Paulo ainda falou a respeito de Marcos na segunda vez que foi preso em Roma. Escrevendo a Timóteo, que se encontrava em Éfeso e lhe pedindo que viesse a Roma para ajudá-lo, pediu: “Toma contigo Marcos e traze-o, porque me é útil para o ministério”.

Talvez tenha chegado a tempo de rever o apóstolo dos pagãos e para assistir a seu martírio, mas certamente permaneceu na cidade dos Césares e se colocou a serviço de Pedro, que naquela época também estava na capital do império, e foi-lhe particularmente “útil no ministério”, como seu intérprete.

Segundo uma tradição antiquíssima, Pedro, quando viu que a comunidade estava bem consolidada na fé, enviou o seu caríssimo discípulo à Alexandria do Egito. Lá Marcos teria fundado a igreja e encontrado o martírio. Suas relíquias foram guardadas cuidadosamente pelos cristãos do Egito até o ano de 1419, quando os venezianos, com o pretexto de protegê-las contra o perigo de cair nas mãos dos muçulmanos e de se perderem, acabaram trazendo-as para sua cidade. Hoje elas se encontram na belíssima basílica que traz exatamente o mesmo título de São Marcos.

SEU EVANGELHO

Mas a obra mais bela que Marcos nos deixou é sem dúvida alguma o seu evangelho, considerado atualmente o mais antigo. Ele não viveu com Jesus desde o início como os outros apóstolos, “mas” - escreve Vaccari - “como foi colaborador de Pedro na pregação do Evangelho, assim também foi intérprete e porta-voz autorizado na composição do mesmo e por meio deste nos transmitiu a catequese do príncipe dos apóstolos, tal qual ele pregava aos primeiros cristãos, especialmente na Igreja de Roma”.

Seu estilo não é absolutamente refinado, mas simples e imediato. Marcos escreve quanto escutou ou viu sem se preocupar com a ordem cronológica dos fatos e sem esconder as fraquezas dos apóstolos, nem mesmo as de Pedro, a quem amava com um amor filial. Por isso o seu evangelho é particularmente agradável.

Não só ele teve a coragem de descrever até o que o Crucificado, antes de morrer, “gritou com voz forte: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”, quase como se houvesse uma ruptura entre ele e o Pai, mas logo depois há uma alegria em demonstrar a conversão do centurião aos pés da cruz. Este, de fato, contemplando aquele que no momento não demonstrava nenhum sinal triunfal da sua divindade, antes tinha morrido, esquecido pelo céu e desprezado pela terra, havia exclamado: “Este homem era realmente o filho de Deus!”

Não seria aquela a profissão de fé que daquela hora em diante afloraria frequentemente aos lábios de muitos na Roma dos Césares pela pregação de Pedro e Paulo? Valia a pena registrá-la em seu evangelho, não só por seu profundo significado, mas também porque o primeiro a pronunciá-la foi, de fato, um soldado romano.

_________________________________________

[1] PEPE, Enrico. Mártires e Santos do Calendário Romano. Ave Maria. São Paulo: 2008. 838 páginas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Apoio: