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O SANTO DO MÊS DE MAIO

SANTO ATANÁSIO

SANTO DO MÊS DE MAIO –

*Enrico Pepe[1]

02 de maio

Santo Atanásio – bispo e doutor –

(295-373)

“Além do estudo e do verdadeiro conhecimento das Escrituras temos necessidade de uma vida correta e de uma alma pura, bem como das virtudes segundo Cristo, a fim de que, caminhando na virtude, o intelecto possa alcançar e compreender o que deseja, de tudo o que a natureza humana possa compreender de Deus Verbo. Efetivamente, sem um intelecto puro e uma vida modelada sobre a vida dos santos, não podem ser compreendidas as palavras dos santos... Assim quem quer compreender o pensamento dos teólogos deve purificar e lavar a alma com a sua vida e se aproximar dos santos através da imitação de suas ações, a fim de que unindo-se a eles mediante a conduta da vida, compreenda o que Deus lhes revelou. ”[2]

Para Atanásio, o verdadeiro teólogo deve ser um santo, de outra forma ser-lhe-á impedimento para a compreensão da verdadeira fé. Por isso, desde a juventude ele uniu o estudo à ascética, a contemplação da palavra à sua encarnação. Os seus contatos com Antão, patriarca do monaquismo, não cessavam de o encantar, pois constatava que aquele pobre monge compreendia as verdades da fé muito mais e melhor que tantos outros homens mergulhados nas bibliotecas de Alexandria.

Atanásio viveu em um período histórico muito difícil para a Igreja que, tendo saído das perseguições, enfrentava dois graves problemas: os relacionamentos com a autoridade imperial e a formulação da verdadeira doutrina dentro da cultura greco-romana. Dois problemas que, se não fossem bem resolvidos, poderiam assinalar também a degeneração e o fim do cristianismo.

Constantino havia dado a liberdade à fé cristã, mas, precisando conservar a paz entre os súditos como chefe supremo da sociedade imperial, continuava a se comportar também como “sumo pontífice”, como haviam feito todos os imperadores do passado, e convocava concílios, destituía bispos, apoiava e até mesmo impunha determinadas doutrinas. Como compreender o seu desempenho dentro dos justos limites? E quais eram esses justos limites segundo o cristianismo?

A outra espinhosa tarefa prendia-se mais de perto à vida interna da Igreja e se tratava antes de tudo da formulação da doutrina trinitária. A cultura grega na qual se movia o mundo mediterrâneo havia chegado ao monoteísmo e não encontrava dificuldade em aceitar um cristianismo filho do judaísmo, mas para abraçar a fé em um Deus uno e trino era enorme o passo que deveria dar. Daqui provinha a interrogação sobre quem eram exatamente Cristo e o Espírito Santo.

Ario dava uma resposta simples e bastante compreensível para a mentalidade helenística, mas destruía a peculiaridade do cristianismo. Para ele, Jesus era um homem que Deus elevou à dignidade de seu filho, para fazê-lo nosso mestre: um homem extraordinário sem dúvida alguma, mas não obstante sempre um homem. E se Jesus era um homem, também o seu Espírito não poderia ser senão uma criatura. Deus permanecia na sua grandeza solitária e a mente humana não deveria, pois, fazer grandes esforços para aceitá-lo. Neste contexto doutrinai, o cristianismo, inspirando-se nos ensinamentos do mestre Jesus, alcançava a salvação com suas próprias forças.

Atanásio percebeu logo os dois grandes perigos e lutou durante toda a sua vida, até mesmo quando o mundo inteiro parecia que se tinha tornado irremediavelmente ariano, dando uma contribuição determinante para o triunfo da verdadeira fé. Mas esta luta lhe tornou a vida particularmente uma grande tribulação.

No turbilhão em Alexandria

Nasceu em Alexandria no ano de 293-296 de uma família cristã, recebendo juntamente com a fé uma boa formação literária. Conhecia bem a cultura helênica e a copta, a filosofia e a teologia como eram ensinadas no prestigioso didaskaleion da cidade, a mais famosa escola daquela metrópole. Viveu sua infância e sua adolescência no tempo em que se enfurecia a perseguição contra os cristãos, decretada por Diocleciano, e admirou a coragem dos mártires. Assistiu também à controvérsia dos assim chamados lapsi, cristãos que nas perseguições não tinham tido coragem suficiente de enfrentar a morte, e que em tempos de paz pediam para serem readmitidos na comunhão eclesial. Os bispos mais severos, como Melécio de Licópolis, opuseram-se, dando origem ao partido dos melecianos.

Na juventude Atanásio conheceu Antão e entre os dois nasceu uma profunda amizade espiritual. Não sabemos se passou um período no deserto, mas certamente foi influenciado pelos valores do carisma de Antão e procurou encarná-los na sua vida cotidiana, vivendo como um asceta.

Quando estalou a heresia ariana, ele já era diácono ao lado do bispo Alexandre, bispo que ele acompanhou ao Concílio de Nicéia no ano 325. Uma experiência inesquecível, na qual os padres puderam exprimir claramente e livremente quanto o Espírito queria dizer à Igreja, proclamando que o Filho é “consubstanciai ao Pai”. O imperador soube manter-se no seu lugar, limitando-se a respeitar e a fazer respeitar as decisões do Concilio. Ario não quis se submeter a tal decisão e foi excluído da comunhão eclesial. Atanásio tornou-se conhecido e respeitado por muitos bispos, mesmo sendo um simples diácono. Ele já se impunha pela doutrina e santidade de vida.

Três anos depois, tendo morrido Alexandre, Atanásio foi aclamado seu sucessor e os bispos, que acorreram para consagrá-lo, aprovaram a escolha reconhecendo que ele era “um autêntico cristão, um asceta, um verdadeiro bispo”.

Sempre em perigo

Depois da sua eleição, Atanásio dirigiu-se em visita pastoral à Tebaida entre os monges de São Pacômio. Era importante consolidar a unidade com os monges, pois eles tinham uma grande influência sobre o povo e sua fidelidade à fé nicena podia ser determinante para o bem da Igreja, sem esquecer que seu coração batia muito forte pelo mundo dos ascetas. Pois todos sabiam de sua amizade com Pacômio, que não obstante procurou se esconder temendo que o amigo bispo quisesse ordená-lo sacerdote e envolvê-lo no ministério. Atanásio o compreendeu e lhe perdoou esta fuga.

Enquanto visitava aquele imenso território ao redor de Assuan, os melecianos, guiados por um certo João Arkaf, acusaram-no diante do imperador de ter sido ordenado bispo ainda muito jovem, de ter imposto tributos injustos aos cristãos, de ter quebrado o cálice sagrado de um bispo meleciano e - coisa inaudita - de ter tramado contra a vida do próprio imperador. Não foi difícil, para ele, se defender dessas grandes falsidades. No final do ano de 332, uma nova infamante acusação: ele teria mandado matar o bispo Arsênio de Ipsele. Também dessa vez foi grande a vergonha pela qual passaram os inimigos. Atanásio tinha ao seu lado os monges e Arsênio, que estava escondido em um mosteiro, compareceu vivo e vigoroso no tribunal.

Mas além dos melecianos havia também os arianos para lhe tornar a vida penosa. Estes conseguiram que Ario subscrevesse uma fórmula de fé que poderia, talvez, ser interpretada no sentido ortodoxo, mas sem a palavra “consubstanciai”. O imperador pediu a Atanásio readmiti-lo em sua igreja, mas ele não aceitou. Os bispos arianos e melecianos obrigaram-no a convocar um concilio em Tiro no ano 335. Atanásio partiu acompanhado de mais ou menos cinquenta bispos egípcios, todos fiéis a Nicéia, mas eles foram excluídos da participação nas reuniões conciliares onde se decretou a readmissão de Ario na comunhão eclesial e a condenação de Atanásio. Durante o concilio, Atanásio foi insultado, coberto de injúrias e obrigado a fugir escondido em uma jangada, dirigindo-se a Constantinopla para falar pessoalmente com Constantino.

O exilado

Durante um passeio a cavalo, o imperador ouviu as razões de Atanásio e parecia que havia aceitado, mas no dia seguinte decretou o seu exílio para Treviri nas Gálias (hoje Trier na Alemanha). Era o primeiro exílio, durou dois anos e Atanásio aproveitou-os para tornar conhecido naquelas terras o veneno escondido na falsa doutrina ariana e a fantástica experiência dos monges do Egito.

Enquanto isso, em Alexandria, os melecianos colocavam como bispo João Arkaf que encontrava uma fortíssima oposição da parte dos católicos e pouco depois era expulso. Depois de sua morte ninguém ousou colocar outro bispo na sede de Alexandria, que como seu verdadeiro pastor reconhecia somente Atanásio. E ele, de onde estava, sustentava a comunidade com as suas cartas, enquanto Santo Antão enviava muitas cartas ao imperador pedindo-lhe que restituísse Atanásio à sua sede.

Por ocasião da morte de Constantino em 337, Atanásio, com o consentimento dos imperadores do Ocidente e do Oriente, pôde retornar a Alexandria e foi acolhido com grandes festividades; no ano seguinte convocou um concilio, no qual foi reafirmada a fé nicena e os bispos egípcios proclamaram sua plena confiança em seu patriarca, informando tanto ao papa quanto aos outros bispos. Os arianos protestaram e escolheram outro bispo, um certo Gregório da Capadócia, e entre tumultos populares empossaram-no em Alexandria, pedindo ao papa um concilio geral para examinar o caso de Atanásio. 

A confusão atingiu o seu auge e Atanásio achou oportuno distanciar-se da sua cidade, refugiando-se entre os monges. Em vão a polícia imperial procurou encontrá-lo, porque os monges sabiam escondê-lo, continuamente mudando-o de lugar.

A convite do papa de então, Júlio I, Atanásio dirigiu-se para Roma para participar do concilio convocado por esse pontífice, enquanto os arianos, que o haviam solicitado, recusaram-se a fazer parte dele. O Concilio romano reconheceu a inocência de Atanásio, mas ele não pôde retornar à sua sede. Foi o segundo exílio.

A longa permanência em Roma, do ano 339 a 346, foi - como aquela de Treviri - importante para toda a Igreja, porque Atanásio com a sua presença e a sua palavra fazia todos se conscientizarem do perigo do arianismo que esvaziava a fé cristã do seu conteúdo, reduzindo-a a uma pura doutrina humana, ao mesmo tempo em que ele propagava a experiência do monaquismo egípcio, tanto masculino quanto feminino.

Atanásio, um homem de fé

Na primeira das Cartas a Serapião ele escrevia: “A nossa fé é esta: a Trindade santíssima e perfeita é aquela que é distinta no Pai e no Filho e no Espírito Santo, e não tem nada de estranho ou acrescentado de fora, nem é constituída por Criador e por realidades criadas, mas é inteiramente potência criadora e força operativa. Uma é a sua natureza, idêntica a si mesma. Um é o princípio ativo e outro, a operação. De fato, o Pai realiza cada coisa por meio do Verbo no Espírito Santo e, deste modo, é mantida intacta a unidade da Santíssima Trindade. Por isso na Igreja é anunciado um só Deus que está acima de todas as coisas, atua por tudo e está em todas as coisas (cf. Ef 4,6). Está acima de cada coisa obviamente como Pai, como princípio e origem. Atua por tudo, certamente por meio do Verbo. Finalmente atua em todas as coisas no Espírito Santo... E Trindade não só de nome ou por puro som verbal, mas pela sua existência verdadeira. Como, de fato, o Pai é aquele que é, assim também o seu Verbo é aquele que é Deus acima de tudo. E o Espírito Santo não é insubsistente, mas existe e subsiste verdadeiramente”.[3]

Qual é a relação entre Deus uno e trino e a criação? Atanásio a isso nos responde no nº 42 do Discurso contra os pagãos’.

“Depois de ter feito todas as coisas por meio do Verbo eterno e de ter dado existência à criação, Deus Pai não deixa ir à deriva aquilo que criou, nem o abandona a um cego impulso natural que o faça cair no nada. Mas, bom como é, com o seu Verbo, que é também Deus, guia e sustenta o mundo inteiro, para que a criação, iluminada por sua orientação, pela sua providência e pela sua ordem, possa persistir no ser. Ao invés, o mundo torna-se participante do Verbo do Pai, para ser por este sustentado e não deixar de existir. Isso certamente aconteceria se não fosse conservado pelo Verbo, porque ele é a imagem do Deus invisível gerado antes de toda criatura (Colossenses 1,15); pois por meio dele e nele têm consistência todas as coisas, tanto as visíveis quanto as invisíveis, pois ele é a cabeça da Igreja, como nas Sagradas Escrituras ensinam os ministros da verdade” (cf. Colossenses 1,16-18).

Entre as criaturas há uma na qual Deus quis resplandecer de modo especial: é o ser humano. Atanásio vê nisso a imagem do Verbo, desfigurada pelo pecado, que o Filho de Deus quis restituir à sua originária perfeição, deificando o ser humano. Mas para fazer isso o Verbo deve ser consubstanciai ao Pai.

“Se Cristo não fosse propriamente a imagem substancial do Pai, se não fosse Deus senão pelo modo de dizer, por participação, não teria podido nunca deificar ninguém; porque ele mesmo seria apenas um ser deificado. Quem possui uma coisa unicamente por empréstimo não pode, efetivamente, fazer os outros participantes dela, enquanto que aquilo que possui não é algo seu, mas propriedade do doador, e a esmola que recebeu não serve senão para cobrir a sua indigência e a sua nudez”.[4]

Entre fugas e triunfos

No ano 343, seguindo sugestão do papa e de outros bispos ocidentais, os dois imperadores [do Império Romano, o do Oriente e o do Ocidente] permitiram a convocação de um Concilio em Sárdica (a atual Sofia) para voltar a trazer a paz para Alexandria. Os bispos arianos não queriam iniciar o concilio se antes não fosse confirmada a condenação de Atanásio. Presidia a assembleia, em nome do papa, o bispo Osio de Córdoba. Este, pro bono pacis [por amor à paz], prometeu que, caso Atanásio fosse considerado inocente, não retornaria para a sua sede, mas ele [Ósio] o levaria consigo para a Espanha. Na noite seguinte os bispos arianos abandonaram Sárdica, deixando um escrito no qual reafirmavam suas posições.

O Concilio se manteve, o bispo que havia sido instalado ilegitimamente em Alexandria foi declarado deposto e Atanásio foi convidado a retornar. Todavia, o imperador Constâncio não lhe deu livre passagem até o ano 346. E mesmo quando consentiu, Atanásio mostrou-se muito prudente e só depois de ter consultado o Papa retomou o caminho de volta para a sua igreja. Foi um verdadeiro triunfo: em Antioquia o imperador o recebeu com todas as honras; na Palestina, dezesseis bispos festejaram-no com um sínodo e no dia 21 de outubro de 346 chegou a Alexandria, que o aguardava com grandes festividades.

Gregório Nazianzeno narra que, ao ingressar Atanásio na cidade, fizeram-no montar em um cavalo enquanto diante dele estendiam tapetes multicores e agitavam ramos; era “um caudal de gente, quase um Nilo de vagas douradas, que percorria todo o caminho ao redor do próprio pastor”.

A paz voltou à grande metrópole; Atanásio podia dedicar todas as suas forças à difusão do Evangelho no vasto território; recebeu são Frumêncio, apóstolo da Abissínia, e o consagrou bispo para toda a região da Etiópia; e mais de quatrocentos bispos sentiam-se ditosos por lhe declarar fidelidade.

Infelizmente a paz não durou por muito tempo, porque depois da morte de Constante, o imperador católico, o poder passou para as mãos de Constâncio que não escondia suas simpatias pelos arianos. Recomeçaram as intrigas com acusações junto ao imperador e junto ao papa Libério. O papa tomou a sua defesa, mas Constâncio reuniu um concilio em Aries no ano 352 e o fez novamente condenar.

Depois do pedido do papa, que não aceitou a condenação, reuniu-se um outro concilio em Milão, mas também aí Atanásio foi condenado e Santo Eusébio de Vercelli, São Dionísio de Milão e Lucífero de Cagliari foram exilados. Mais tarde o imperador, decidido a levar ao triunfo definitivamente o arianismo em todo o império, mandou para o exílio também o papa Libério e Hilário de Poitiers.

Quando os enviados do império chegaram a Alexandria para eliminar também Atanásio, não conseguiram encontrá-lo. Nesta terceira vez, exilado desde o ano 356 ao ano 362, ele precisou deslocar-se continuamente de um lugar para outro, mas nenhum dos seus filhos o traiu, ao contrário, ele podia em qualquer lugar que estivesse reafirmar a fé com a palavra e os escritos e fazer que sua voz fosse ouvida em um mundo que, no modo de dizer de são Jerônimo, parecia que tinha se tornado totalmente ariano. Neste período, Atanásio escreveu várias obras, entre as quais a famosíssima Vida de Santo Antão.

No ano 360, Constâncio morreu e o seu sucessor Juliano, que depois se tornou o Apóstata, permitiu a todos os bispos exilados retornarem às suas sedes. Atanásio, em 362, retornou para Alexandria e juntamente com Eusébio de Vercelli, Lucífero de Cagliari e mais cerca de cinquenta bispos vindos da Arábia, da Líbia e do Egito, reafirmou a fé nicena e preparou um plano para trazer a paz às igrejas, sobretudo no Oriente.

Sua obra de pacificação não agradou a Juliano, que pensava reconduzir o império ao seu antigo esplendor restaurando o paganismo, e por duas outras vezes Atanásio teve de retomar o caminho do exílio. O imperador escreveu ao governador do Egito: “Por todos os deuses, coisa alguma eu veria e nada ouviria com maior prazer, feita por ti, do que a expulsão de Atanásio para fora dos confins do Egito, este infame que ousou batizar mulheres gregas insignes sob o meu governo! Seja mandado embora”.

Conquistador de corações

Juliano tinha razão, porque Atanásio não só tinha batizado senhoras da alta aristocracia, mas continuava a conquistar para o cristianismo e para a ascese muitíssimas pessoas. Ele mesmo na História dos arianos narrada aos monges tinha escrito:

“Muitas jovens que se preparavam para o casamento, prontas para as núpcias, se tornaram virgens por Cristo! Muitos jovens, vendo o exemplo delas, abraçaram a vida monástica! Muitos pais persuadiram os seus próprios filhos e muitos convenceram os próprios pais a não abandonar a ascética cristã. Eram muitíssimas as mulheres que convenceram os seus maridos e outros tantos os maridos que persuadiram as próprias esposas a entregarem-se à oração segundo o preceito do Apóstolo. E quantas viúvas, e quantos órfãos, que viviam na fome e na nudez, foram vestidos e saciados pelo amor vivo do povo!”.

Em 363 morria Juliano e Atanásio pôde retornar. O novo imperador Joviano, sinceramente católico, lhe pediu para pacificar a igreja de Antioquia, mas ele não o conseguiu. Joviano em pouco tempo faleceu e o seu sucessor, Valente, retomou a triste política religiosa de Constâncio, e Atanásio espontaneamente deixou a sua cidade. Deflagraram-se conflitos e o imperador foi obrigado a chamá-lo.

A coragem e a persistência de batalhador aos poucos ia se esgotando; o bispo que sabia governar a diocese, mesmo estando no exílio, era na sua sede amado pelos seus diocesanos e até mesmo respeitado pelos seus inimigos. Agora ele podia dedicar os últimos anos de sua vida ao atendimento direto de seu rebanho, sem deixar de escrever livros e cartas e não deixando de dar os seus conselhos ao papa Dâmaso, de Roma, e aos outros irmãos no episcopado, entre os quais gozava da mais elevada estima. São Basílio, que iniciava o ministério episcopal, o considerava como o único com capacidade de dialogar com todos, porque nenhum como ele “tinha a solicitude com todas as igrejas”.

Morreu a 3 de maio de 373. Foi definido por Basílio como “alma grande e apostólica”.

_________________________________________________________ [1] PEPE, Enrico. Mártires e Santos do Calendário Romano. Ave Maria. São Paulo: 2008. 838 páginas. [2] Atanásio. A encarnação do Verbo, nº 57. [3] Id. Cartas a Serapião nº 28. [4] Id., De Synodis nº 51.

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