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dez 04

O SANTO DO MÊS

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IMACULADA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA –

O mês de DEZEMBRO é marcante para a história do catolicismo porque, neste mês, mais precisamente no dia 8, celebramos a Imaculada Conceição. Para tanto, mais uma vez, estamos nos valendo das santas e sábias palavras do saudoso Dom Servílio Conti[1] a quem, no decurso de todo o ano, recorremos para trazer para nossos assíduos leitores um pouco do conhecimento acerca da vida, da trajetória e da obra dos santos e das santas que, não apenas marcaram época, mas, que estão sempre vivos e vivas no devocionário popular. No caso, Maria Santíssima, com o Mistério da Sagrada Conceição, tornou-se para todos nós, assim como o foi para todos os Santos, modelo de humildade, de serviço, de obediência e de fidelidade ao Pai, cumprindo com a missão recebida por intermédio do anjo Gabriel. Diz Dom Servílio Conti:

“Hoje não ocorre a memória de nenhum santo, mas a solenidade mais alta e mais preciosa daquela que é chamada a Rainha de Todos os Santos, Maria Santíssima, no mistério de sua Imaculada Conceição. Esta verdade foi proclamada solenemente em 1854, mas a história da devoção a Maria Imaculada é muito mais antiga. Precede de séculos, antes de quase dois milênios, à proclamação do dogma, que, como sempre, não introduziu novidade alguma, mas simplesmente reconheceu uma antiquíssima tradição.

Muitos padres e doutores da Igreja oriental ao exaltar a grandeza de Maria, Mãe de Deus, tinham usado expressões que a colocavam acima do pecado original. Chamavam-na de intemerata, toda bela e formosa, a cheia de graças, o lírio da inocência, a mais pura que os anjos, mais esplendorosa do que o sol. Na Igreja ocidental, a doutrina da Imaculada Conceição encontrava certa resistência, não por aversão a Nossa Senhora, que sempre foi exaltada como a mais sublime de todas as criaturas, mas para salvaguardar a doutrina da redenção operada por Cristo em favor de todas as criaturas.

Duns Scoto, grande teólogo do século XIII, encontrou um silogismo que solucionava a dificuldade de admitir que também Nossa Senhora, como filha de Adão e Eva, devia estar sujeita ao pecado original, mas que foi dele preservada, em previsão dos méritos de Cristo, com antecipada aplicação da redenção universal de Jesus. Era sumamente conveniente que Deus preservasse Maria do pecado original, pois ela era destinada a ser mãe do seu filho. Isso era possível para a onipotência de Deus; portanto, Deus, de fato, a preservou, antecipando-lhe os frutos da redenção de Cristo.

Perante esta sutil, mas irretorquível argumentação, os teólogos concordaram em aceitar esta doutrina. De fato, desde 1300 a doutrina da Imaculada Conceição de Maria no seio materno fez rápidos progressos na consciência dos fiéis, induzindo a Igreja a introduzir no calendário romano já no século XV a festa da Conceição Imaculada de Maria.

José de Anchieta foi o apóstolo desta doutrina no Brasil, que desde o início da colonização dedicou a este mistério inúmeras igrejas, inclusive 35 catedrais.

Em 1830 Nossa Senhora apareceu a Catarina Labouré mandando cunhar uma medalha com a efígie da Imaculada e as palavras: “Maria concebida sem pecado, rogai por nós”. Esta medalha, difundida aos milhões em todo o mundo, suscitou grande devoção a Maria Imaculada, induzindo muitíssimos bispos a solicitar ao papa a definição do dogma que já estava sendo vivido nos corações dos fiéis. Assim, no dia 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX proclamou Maria isenta do pecado original, desde o primeiro instante de sua existência no seio de sua mãe, e isso por força de uma antecipada aplicação dos frutos da redenção de Cristo.

Quatro anos mais tarde, as aparições de Lourdes foram prodigiosa confirmação do dogma. De fato, Maria proclamou-se explicitamente com a prova de incontáveis milagres: “Eu sou a Imaculada Conceição”. Deus quis preparar ao seu Filho uma digna habitação. Cheia de graça, ainda no seio materno, Maria foi concebida sem a mancha do orgulho e do desamor que é o pecado. Em vista disso, a Imaculada foi a primeira a receber a plenitude da bênção de Deus que se manifestou na morte e na ressurreição de Cristo.

Maria, na sua fidelidade ao projeto de Deus, na sua vocação de mãe do Salvador, nos ensina o caminho da santidade; por isso a Igreja hoje nos manda rezar: “Ó Deus, que preparastes uma digna habitação para o vosso Filho, pela Imaculada Conceição da Virgem Maria, preservando-a de todo pecado em previsão dos méritos de Cristo, concedei-nos chegar até vós purificados também de toda culpa por sua materna intercessão”.

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[1] CONTI, Dom Servílio, I.C.M. – O Santo do Dia – 10ª Edição. Petrópolis. Vozes: 2006. 711 páginas.
 

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