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dez 31

O MENINO CRESCIA EM SABEDORIA

sagrada família - 5

SAGRADA FAMÍLIA: O MENINO SANTO E SEUS PAIS TERRENOS –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO DO DIA: “O Deus de bondade, que nos destes a Sagrada Família como exemplo, concedei-nos imitar em nossos lares as suas virtudes, para que, unidos pelos laços do amor, possamos chegar um dia às alegrias da vossa casa”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Eclo 3,3-7.14-17ª

Quem teme o Senhor, honra seus pais.

Com sabedoria a Igreja introduziu a Festa da Sagrada Família após o Natal do Senhor. A Sagrada Família neste ano é comemorada no domingo, dia 31/12. No Natal celebramos o nascimento do Filho de Deus, que assumiu em tudo nossa humanidade, menos o pecado. No Menino Jesus, Deus começa, de modo visível, a fazer parte da família humana. O Criador, que nos fez à sua “imagem e semelhança”, assume nossa frágil condição humana. Entrou na família humana para que nós pudéssemos participar de sua divindade, como filhos e filhas de Deus. Muito cedo os cristãos começaram a se interessar pela Sagrada Família de Nazaré. O apóstolo Paulo (54 d.C.), na Carta aos Gálatas, assim escreve: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher e sob a Lei (...), a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”. Entre os anos 70 e 85, Mateus e Lucas introduzem seus Evangelhos com a narrativa sobre a origem humano-divina de Jesus Cristo, respondendo à pergunta que muitos cristãos se faziam a respeito da família de Jesus.

Na liturgia de hoje, a primeira leitura nos mostra quais eram as virtudes recomendadas pelo judaísmo, para uma vida familiar feliz e equilibrada. O texto hoje lido é do livro do Eclesiástico, um livro sapiencial escrito pelo ano 200 a.C. Recolhe conselhos sábios, vividos durante séculos no judaísmo e em outros povos. Inicialmente, o texto dirige-se aos filhos, estabelecendo princípios e dando motivações para um bom relacionamento com os pais (3,3-7). Já no início, o texto dá a chave de leitura do que segue: “Deus honra o pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe” (v. 3). Em outras palavras, quando os filhos honram e respeitam os pais estão fazendo a vontade de Deus; como podemos dizer que honramos e respeitamos a Deus, que é nosso Pai e Criador, se não honramos nem respeitamos os pais, que nos deram a vida? Seguem as motivações: Quem honra o pai recebe o perdão dos pecados e evita de cometer de novo; por cima, quando orar a Deus, será atendida sua oração. Quem respeita a mãe ajunta tesouros; provavelmente, os tesouros do amor. Terá a alegria com seus filhos, terá uma vida longa e deixará sua mãe feliz. Na continuação (v. 14-17), vem os conselhos, talvez mais exigentes, do respeito, amparo e amor, que os filhos devem aos pais idosos. Muito oportunos são os conselhos da primeira leitura para os tempos que estamos vivendo...

SALMO RESPONSORIAL: Sl 127

Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos.

2. SEGUNDA LEITURA: Cl 3,12-21

A vida da família no Senhor.

Paulo nunca visitou a comunidade de Colossos, fundada por Epafras e formada, sobretudo, por pagãos convertidos. O próprio Epafras é um convertido de Paulo em Éfeso (1,7) e lhe trouxe informações de Colossos. Paulo estava preso em Éfeso e foi informado por Epafras que reinava certo sincretismo religioso na comunidade. À luz destas informações, vistas como ameaçava à fé cristã, Paulo ditou a carta e, ao final, assinou-a de próprio punho (4,18). No trecho que nos foi lido hoje, Paulo insiste no amor de Deus que deve unir a comunidade e as famílias. Lembra aos colossenses que são amados por Deus, são seus escolhidos para serem santos. Como tais, são revestidos por Cristo para viver a misericórdia, a bondade, a humildade, a mansidão e a paciência, perdoando uns aos outros “como o Senhor os perdoou”. Vivendo unidos pela mesma fé, os cristãos formam um só corpo em Cristo. Quando a palavra de Cristo habita nos corações dos fiéis eles admoestam-se uns aos outros com sabedoria e, juntos, louvam a Deus com hinos, salmos, cânticos espirituais e de ação de graças. Por fim, Paulo se volta à pequena comunidade da família: a mulher cuide bem do marido e o marido trate sua esposa com delicadeza e com amor. Os filhos obedeçam aos pais e os pais os eduquem com firmeza e ternura.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Que a paz de Cristo reine em vossos corações

e ricamente habite em vós sua palavra!

3. EVANGELHO: Lc 2,22-40

O menino crescia cheio de sabedoria.

O menino nascido em Belém foi circuncidado no oitavo dia do nascimento, quando recebeu o nome de Jesus (Festa de 1º de janeiro). A mãe devia passar mais 33 dias para a purificação após o parto. Cumpridos os quarenta dias, José e Maria levam o menino ao Templo para apresentá-lo ao Senhor e cumprir os ritos previstos na Lei. Segundo a Lei, todo o primogênito todo o menino pertencia ao Senhor e devia ser resgatado por um sacrifício cruento. Quando o casal era pobre bastava oferecer um par de rolas ou dois pombinhos. Foi o que Maria e José fizeram. Havia ali um velhinho muito piedoso, chamado Simeão. Inspirado pelo Espírito Santo, ele dizia que não morreria antes de ver o Messias Salvador, a “Consolação de Israel”. Quando Simeão viu José e Maria com o menino, louvou a Deus e disse: “Agora, ó Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz”. - Na Anunciação, o Anjo Gabriel comunicava a Maria quem seria o filho que iria conceber: Filho do Altíssimo, filho de Davi (Messias prometido) e Filho de Deus. Agora, Simeão louva o Senhor e reconhece que a promessa de ver o Salvador se cumpria antes de ele morrer. Cumpria-se também a promessa ao povo de Israel, porque nasceu “a luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”. Maria e José ficaram admirados com as palavras de Simeão, que diz a Maria: O menino “será um sinal de contradição” e Maria haveria de sofrer por causa disso: “uma espada te traspassará tua alma”. Na ocasião, uma mulher chamada Ana, também se aproximou e começou a louva a Deus e falar “a todos a todos que esperavam a libertação de Israel”. Uma pergunta: São os pais que determinam o que serão os filhos?

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.
 

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