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nov 12

O ENCONTRO COM A SABEDORIA E COM CRISTO

LUDOVICO GARMUS

32º DOMINGO DO TEMPO COMUM – O ENCONTRO COM CRISTO –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço”.

1. PRIMEIRA LEITURA Sb 6,12-16

A sabedoria é encontrada por aqueles que a procuram.

Sabedoria é o último livro do Antigo Testamento, escrito no Egito, entre os anos 30 a.C. e 40 d. C. Nos capítulos 6 a 9 o autor personifica a sabedoria, fala dela como se fosse uma pessoa viva e atuante na história de Israel e dos povos. O texto de hoje se dirige aos “reis e juízes dos confins da terra” (Sb 6,1). Na realidade, dirige-se a todas as pessoas que procuram ser sábias e justas. A sabedoria pode ser facilmente contemplada por todos. Ela não é inacessível. Basta amá-la e procurá-la. Ela mesma se antecipa, dando-se a conhecer “por aqueles que a procuram”. Cheia de amor, a sabedoria sai à procura de quem nela pensa e medita. Quem a busca desde a madrugada, vai encontrá-la já sentada à sua porta. É uma atração, uma procura mútua, como a da amada pela amado no livro do Cântico dos Cânticos. A sabedoria é o próprio Deus que procura o ser humano e a ele se revela. É o Deus misericordioso que espera ser procurado: “Buscai o Senhor, enquanto se deixa encontrar, invocai-o enquanto está perto” (Is 55,6). E Tiago nos exorta: “Aproximai-vos de Deus e ele se aproximará de vós” (Tg 4,8a; veja o Evangelho). E Paulo identifica a sabedoria com Cristo, “sabedoria de Deus”.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 62

A minha alma tem sede de vós, e vos deseja, ó Senhor.

2. SEGUNDA LEITURA: 1Ts 4,13-18

Deus trará de volta, com Cristo,

os que através dele entraram no sono da morte.

O apóstolo Paulo e a comunidade dos cristãos de Tessalônica consideravam a segunda vinda do Senhor muito próxima e a esperavam com fervor. O evento escatológico da manifestação do Senhor, no fim dos tempos (parusia), poderia acontecer enquanto eles estivessem ainda vivos. Pode ter surgido então a pergunta: o que haveria de acontecer com os cristãos que já falecidos? Para alguns a alegria da esperança da vinda do Senhor era perturbada pela tristeza: os parentes falecidos haveriam de permanecer na morada dos mortos, enquanto eles mesmo haveriam de ressuscitar? Na resposta, Paulo quer reavivar a fé e a esperança na ressurreição, abaladas por esta dúvida. Primeiro Paulo reafirma a fé na ressurreição dos mortos: Se Cristo morreu e ressuscitou, Deus fará ressuscitar com Cristo também os que morreram em Cristo. Mas os que forem deixados em vida para a vinda do Senhor não levarão vantagem em relação aos que morreram. Pois quando o Senhor vier, os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois, os que foram deixados em vida serão arrebatados, com os já ressuscitados, para estarem sempre juntos com Cristo ressuscitado. Por fim, Paulo convida a todos os cristãos a se exortem uns aos outros com as mesmas palavras que ele lhes escreveu.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

É preciso vigiar e ficar de prontidão;

Em que dia o Senhor há de vir, não sabeis não.

3. EVANGELHO: Mt 25,1-13

O noivo está chagando. Ide ao seu encontro.

Os três últimos domingos do Ano Litúrgico ocupam-se com o destino final do ser humano e do universo. A primeira leitura tem em comum com o Evangelho o tema do encontro: encontro com a sabedoria (Sb 6,12-16) e o encontro com Cristo, o Esposo escatológico (Mt 25,6). A parábola das dez “virgens” nos fala deste encontro escatológico com Cristo Jesus. A mensagem da parábola se baseia numa festa de casamento. Era costume naqueles tempos de o noivo, acompanhado por seus amigos (cf. Jo 3,26-29), dirigir-se até a casa da noiva para buscá-la e introduzi-la como esposa na sua casa. Por sua vez, a noiva, acompanhada pelas suas amigas, aguardava a vinda do noivo para acompanhá-lo, em cortejo com suas amigas, até a nova moradia. As amigas da noiva eram dez “virgens”, isto é, moças solteiras. Todas deviam estar preparadas para receber o noivo e acompanhar a noiva, quando ele viesse. Cansadas de esperar, todas acabaram cochilando. De repente alguém grita: “O noivo está chegando! Ide ao encontro do noivo!”. Todas estavam preparadas, mas nem todas estavam prevenidas. Cinco delas eram imprudentes e não trouxeram uma reserva de óleo consigo. As que trouxeram óleo não puderam dividir, porque poderia faltar óleo e todas ficariam no escuro. E recomendaram às moças imprudentes que fossem comprar óleo. As moças prudentes entraram com os noivos e a sala foi fechada. Quando chegam as moças imprudentes e bateram na porta pedindo para entrar na sala, o noivo diz: “Não vos conheço”.

O que nos diz a parábola? O importante é o encontro do noivo (Cristo) com a noiva (Israel e os cristãos). O óleo fez a diferença entre as moças desprevenidas que não trouxeram uma reserva de óleo consigo, e as prevenidas que tinham a sua reserva. Quando o Evangelho de Mateus foi escrito, parte do povo de Israel não acolheu Jesus Cristo, como o Messias esperado e foram excluídos da festa de casamento. Por outro lado, havia cristãos que deixaram de “vigiar” e de estar preparados para a segunda vinda do Senhor. Daí a conclusão da parábola: “Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora”. – E você está preparado, “vigiando” com o óleo das boas obras, esperando com fé, pronto para receber a Jesus Cristo quando Ele vier?

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

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