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MINHAS OVELHAS ESCUTAM A MINHA VOZ

LUDOVICO GARMUS

26º DOMINGO DO TEMPO COMUM – OS COBRADORES DE IMPOSTOS E AS PROSTITUTAS TERÃO PREFERÊNCIA –

* Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, que mostra seu poder no perdão e na misericórdia, derramai sempre em nós a vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais”.

1. PRIMEIRA LEITURA: Ez 18,25-28

Quando o ímpio se arrepende da maldade que praticou,

conserva a própria vida.

Ezequiel fala ao povo que foi levado para o exílio. Os exilados tinham perdido a Terra Prometida, o reino de Judá e o templo de Jerusalém. Longe de sua terra, consideravam-se injustamente punidos por Deus. Consideravam-se inocentes, pensando que estavam pagando pela culpa de seus pais: “Os pais comeram uvas verdes e os dentes dos filhos ficaram embotados” (Ez 18,2). O Profeta responde que Deus pune nos filhos a culpa dos pais, mas cada um é responsável pelo seu próprio pecado. A solução não é acusar os outros, mas examinar o próprio coração, reconhecer os próprios pecados e arrepender-se para obter a vida: “Pois eu não sinto prazer na morte de ninguém... Convertei-vos e vivereis!” (18,32). Deus é misericordioso, sempre disposto a perdoar a quem se arrepende e está disposto a mudar de conduta.

SALMO RESPONSORIAL: Sl 24,4bc-5.6-7.8-9

Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão!

2. SEGUNDA LEITURA: Fl 2,1-11

Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus.

Paulo escreve da prisão. Mesmo assim, sua carta é perpassada de alegria que brota de sua união com Cristo. Com esse espírito, exorta a comunidade a viver em harmonia a fé, na união do amor fraterno. Não querendo ser o maior, mas o menor entre os irmãos; buscando não o próprio interesse, mas o dos outros (Fl 2,1-5). Como modelo apresenta o próprio Cristo Jesus. Como Filho de Deus, podia ter escolhido o caminho do poder, mas, esvaziou-se e assumiu a condição de servo. Colocou-se no mesmo chão em que nós vivemos. Mais ainda: Apresentou-se como quem é “manso e humilde de coração” (Mt 11,29), pondo-se a serviço de todos: “Eu estou no meio de vós como quem serve” (Lc 22,27). Identificou-se não com os poderosos, mas com a maioria das pessoas, sujeitas à dominação, exploradas, desprezadas, marginalizadas; tornou-se solidário com todos os “crucificados” da história humana. Como o Servo do Cântico de Isaías, foi obediente até a morte de cruz. Por isso o Pai o ressuscitou dos mortos. O caminho de Cristo tornou-se o caminho do cristão. Paulo, mesmo preso, está cheio de alegria porque procura viver o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus e convida os cristãos a imitar o seu modelo, Jesus. Paulo contava com a possibilidade de ser condenado à morte; por isso, o texto que ouvimos é uma espécie de testamento espiritual.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Jo 10,27

Minhas ovelhas escutam a minha voz,

minha voz estão elas a escutar;

eu conheço, então, minhas ovelhas,

que me seguem, comigo a caminhar.

3. EVANGELHO: Mt 21,28-32

Arrependeu-se e foi. Os cobradores de impostos e as prostitutas

vão entrar antes de vós no Reino do céu.

Jesus estava discutindo com os sumos sacerdotes e anciãos, que vieram questionar sua autoridade por ter armado uma “confusão” com os vendedores no templo. Neste contexto Jesus lhes conta a parábola dos dois filhos. O pai tinha uma vinha, isto é, um sítio onde se plantavam cereais e frutas como a oliveira, a figueira e a videira. O sítio precisava de cuidados e o pai pediu ao primeiro filho: “Filho, vai trabalhar hoje na vinha!” Mas o filho respondeu com grosseria “não!”; depois se arrependeu e foi trabalhar. Pediu a outro filho a mesma coisa e ele logo disse: “Sim, Senhor, eu vou!” Mas não foi. Quando Jesus perguntou aos adversários qual foi o filho que fez a vontade do pai, a resposta era evidente: “O primeiro”. – O primeiro filho pecou por falta de educação, mas, arrependido, acabou cumprindo a vontade do pai. O segundo filho foi até educado com o pai, mas não cumpriu sua vontade. É sobre o segundo filho que se concentra o foco da parábola, que Jesus aplica aos seus adversários: “As prostitutas e os cobradores de impostos vos precedem no Reino dos Céus”. Porque ouviram aos apelos de conversão de João Batista e se converteram, o que não aconteceu com os adversários de Jesus. No sermão da montanha Jesus disse: “Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21). – Seria bom nos colocarmos na pele dos sumos sacerdotes e anciãos e nos deixarmos julgar pelas palavras de Jesus.

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.
   

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