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nov 20

LEMBRA-TE DE MIM, SENHOR

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JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, Rei do universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente”.

1. PRIMEIRA LEITURA: 2Sm 5,1-3

Eles ungiram Davi como rei de Israel.

O texto da primeira leitura lembra como Davi se tornou rei de Israel. O primeiro rei de Israel a ser ungido pelo profeta Samuel foi Saul (1Sm 10,1). Quando Saul cai na desgraça por ter desobedecido às ordens de Deus (1Sm 15,16-23), o profeta Samuel ungiu secretamente a Davi como rei de Israel. Terminados os violentos conflitos entre Saul e Davi, o texto nos conta como Davi é reconhecido pelas tribos como rei de todo o Israel. Na curta leitura são dadas as razões da escolha e unção de Davi como rei:

1º) As doze tribos se apresentam a Davi em Hebron e dizem: “Aqui estamos. Somos teus ossos e tua carne”, isto é, somos teus irmãos.

2º) Lembram a importante liderança de Davi durante o reinado de Saul, sobretudo, nas guerras de libertação contra os filisteus.

3º) Na presença dos anciãos das tribos reconhecem que Davi é o escolhido do Senhor, ungem-no como rei de Israel e Davi faz uma aliança com eles,ou seja estabelece o programa de governo.

A unção de Davi como rei para cuidar do bem-estar do povo de Israel e compromete-se por uma aliança a servi-lo. Em Lucas, após ser batizado por João, Jesus é ungido pelo Espírito Santo e apresentado pela voz do céu: “Tu és o meu Filho amado, de ti eu me agrado” (Lc 3,21-22). Hoje celebramos a festa de Cristo, Rei do Universo. Como rei, Jesus apresenta na sinagoga de Nazaré como seu plano o reinado de Deus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para anunciar a boa-nova aos pobres...” (Lc 4,18). Fiel ao projeto do Reino de Deus, Jesus morre na cruz, coroado de espinhos (Evangelho).

SALMO RESPONSORIAL

Quanta alegria e felicidade, vamos à casa do Senhor.

2. SEGUNDA LEITURA: Cl 1,12-20

Recebeu-nos no reino de seu Filho amado.

Na segunda leitura, o trecho da Carta aos Colossenses começa com uma ação de graças. Na primeira parte (v. 12-14), o Apóstolo reconhece que é do Pai a iniciativa da salvação, descrita como passagem das trevas à luz. “Por meio de seu Filho amado, temos a redenção/salvação e o perdão dos pecados” O Pai nos tornou capazes de entrar em comunhão com ele, porque fez de nós filhos seus e herdeiros de sua luz. A segunda parte (v. 15-20) é um hino pleno de encanto e alegria com o primado absoluto de Cristo. No hino se explanam os motivos da ação de graças a Deus: Por meio de Cristo nos fez participantes da sua luz, isto é, de sua divindade; Cristo é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Por causa de Cristo, por meio dele e para ele foram criadas todas as coisas, visíveis e invisíveis. Cristo existe antes de todas as coisas, portanto, ele é Deus que sustenta a existência de todas as coisas. Como Igreja, nós somos o corpo e Cristo é a cabeça (1ª leitura: “somos teus ossos e tua carne!”). Ele é o primeiro dos ressuscitados. O motivo deste plano maravilhoso que Deus tem para com toda a humanidade é expresso pela encarnação do Filho de Deus – “porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude” – e reconciliar consigo não só a humanidade, mas todos os seres, pelo sangue da sua cruz. Eis porque Cristo é um rei crucificado, coroado de espinhos.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Mc 11,9.10

É bendito aquele que vem vindo, que vem vindo em nome do Senhor;

e o Reino que vem, seja bendito, ao que vem e a seu Reino, o louvor.

3. EVANGELHO: Lc 23,35-43

Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado.

O Evangelho que acabamos de ouvir nos apresenta Jesus crucificado entre dois malfeitores e zombado pelos chefes do povo, pelos soldados romanos e até por um dos malfeitores condenados ao mesmo suplício. As zombarias dos chefes do povo se referem a títulos religiosos como “Cristo (Messias) de Deus” e “o Escolhido”. Quando Lucas escrevia seu evangelho estes dois títulos faziam parte da fé cristã: Pedro confessa que Jesus é “o Cristo de Deus” (9,20); na transfiguração de Jesus uma voz se faz ouvir do meio da nuvem, dizendo: “Este é o meu Filho, o Escolhido, escutai-o” (9,35). Acreditar que Jesus crucificado entre malfeitores era o Messias esperado, para os judeus era um escândalo e para os gregos, uma loucura (1Cor 1,23; At 17,32-33). O motivo de condenação de Jesus pelo tribunal dos judeus (Sinédrio) era o título Messias que lhe davam e porque se dizia “Filho de Deus”. A zombaria dos soldados romanos gira em torno ao título “rei dos judeus”. Foi essa a acuação que o Sinédrio apresentou diante de Pilatos, governador romano. Pilatos, depois de interrogar a Jesus sobre se era rei dos judeus, ficou convencido de sua inocência. Mesmo assim, forçado pelos chefes, juízes e o povo, acabou condenando Jesus ao suplício da cruz, sentença que foi fixada acima de sua cabeça: “Este é o rei dos judeus”. O Messias era o descendente de Davi esperado como salvador do povo, função atribuída também ao rei. Os chefes dos judeus e os soldados ridicularizavam Jesus, suspenso na cruz, porque era incapaz de salvar o povo: Se és o Cristo de Deus, o Escolhido... se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.

Lucas é o único dos evangelistas a registrar o diálogo dos dois malfeitores com Jesus. Um deles retoma o insulto dos chefes dos judeus: “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!” Outro o repreende, reconhecendo que eles dois estão sofrendo o suplício da cruz porque são culpados, mas Jesus é inocente. E acrescenta: “Jesus, lembra-te de mim, quando chegares ao teu reinado”. Reconhece, portanto, que Jesus é um rei que salva. Como resposta Jesus lhe diz: “... ainda hoje estarás comigo no Paraíso”, isto é, nos jardins divinos de Jesus Cristo Rei do Universo.

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

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