Lisaac

Sementes de vida, ������© tempo de semear

«

»

nov 19

IDENTIDADE FRANCISCANA – UMA BUSCA CONSTANTE

francisco-o-pobre-de-assisO QUE SABEMOS SOBRE FRANCISCO - 

PARTE II - 

             Estamos, neste mês de novembro, prosseguindo com a apresentação de mais uma série de dados e informações sobre a vida, a obra e a história de Francisco de Assis. Nesta etapa do trabalho, vamos encontrar apoio em Martino Conti , que apresenta o resultado de estudos e pesquisas sobre o Franciscanismo das origens, como o próprio nome da obra sugere.

      O objetivo, como sempre, é levar aos fieis cristãos mais subsídios para o aprofundamento da vida cristã, tendo como exemplo o Pobre de Assis que, com sua vida, obra e exemplos, deixou-nos um legado capaz de tornar-nos cada vez mais ricos, tamanhos os tesouros colocados ao nosso dispor. Vale a pena conferir:

“I - São Francisco e o seu tempo

O auto testemunho de Francisco no Testamento é plenamente confirmado pelos primeiros documentos de vida franciscana, sejam internos (Tomás de Celano, Juliano de Espira) sejam externos à Ordem (Jacques de Vitry). Nele se encontram elementos válidos para reconstruir em grandes linhas uma biografia sua e para individuar algumas das realidades sócio religiosas que caracterizaram o contexto histórico no qual ele viveu e operou.

No Testamento, de fato, distinguem-se nitidamente dois períodos da vida de São Francisco, um anterior ao seu facere poenitentiam (fazer penitência), que ele identifica com o estar em pecados (cum essem in peccatis), e o outro posterior ao mesmo, expresso por ele com as palavras “demorei só bem pouco e abandonei o mundo” (et postea parum steti et exivi de saeculo) (Test 1-3).

Indicações sócio religiosas, próprias daquele período, encontram-se no Testamento, mas muito mais nas Regras (RNB, RB) e nas Cartas.

7.7. Síntese biográfica de Francisco de Assis

Francisco nasce em Assis no fim de 1181 ou no início de 1182, filho de Pedro Bernardone, um rico proprietário e comerciante de tecidos , e de Joana, chamada senhora Pica, durante uma ausência do pai da Itália, que frequentemente transpunha os Alpes para negócios.

No batismo, a mãe dá-lhe o nome de João. Voltando de sua viagem à França, o pai começa a chamá-lo de Francisco, nome que continuará e com o qual será conhecido e que tornará conhecida Assis, sua cidade natal, em todo o mundo. E a mãe que cuida de sua formação religiosa, enquanto que para aprender a ler e a escrever o envia à escola da igreja de São Jorge, em Assis. Francisco tinha também algum conhecimento da língua francesa (provençal), à qual recorria de boa vontade nos momentos de alegria. Quanto ao latim, podemos considerar que o conhecia bem, mesmo se, como afirmam os seus biógrafos, não o dominasse tão perfeitamente para poder exprimir-se e escrever corretamente naquela língua. Segundo os testemunhos de Hugo de Digne e de São Boaventura, no início, Francisco sabia ler pouco (paucas litteras sciret), mas em se¬guida, na Ordem, realizou notáveis progressos, non solum orando (não só rezando), isto é, celebrando a liturgia das Horas, sed etiam legendo (mas também lendo), isto é, me¬diante as leituras apropriadas. Foi introduzido pelo pai na arte dos comerciantes, arte que ele exercitará com habilidade (cautus mercator) por uma dezena de anos. Com a condescendência dos pais, condivide os ideais dos jovens do seu tempo, e isto até à idade de 25 anos, quando “a mão do Senhor pousou sobre ele e a destra do Altíssimo o transformou”.

Aos vinte anos, Francisco toma parte ativa na guerra comunal entre Assis e Perúgia. Na batalha de Ponte San Giovanni, em novembro de 1202, os assisenses são derrotados, e também Francisco, juntamente com muitos outros, é feito prisioneiro. Permanece no cárcere por um período aproximadamente de um ano (1203/4). De volta a Assis, é atingido por uma longa doença (1204), durante a qual o seu mundo interior começa efetivamente a mudar.

A visão do castelo e das armas reacende em Francisco o ideal de cavaleiro. Na primavera de 1205 decide associar-se a um nobre de Assis que estava fazendo os preparativos para encontrar na Apúlia um certo Gualter de Brienne, na esperança de ser logo condecorado com o cobiçado “grau de cavaleiro”. A quem o interrogava sobre a causa de tanta alegria, ele respondia: “Tenho a certeza de que me tornarei um grande príncipe”.

No caminho de Espoleto, como Paulo no caminho de Damasco (At 9), Francisco é parado pela mão do Senhor que o interpela e o convida a deixar o servo para seguir o senhor. Invertido o caminho, Francisco volta a Assis, onde fica na expectativa de que o Senhor lhe manifeste a sua vontade e o plano que tem sobre ele .

Tendo voltado a Assis, Francisco dá adeus às velhas amizades. Entretém-se de bom grado em uma gruta solitária na periferia da cidade, onde com insistentes orações pede ao Senhor que o faça conhecer a sua via e que o ensine a realizar a sua vontade. A resposta não se faz esperar. Superada a natural repugnância para com os leprosos (Tcst 1-3), Francisco é gratificado por uma primeira aparição de Cristo crucificado que lhe imprime no coração o amor pela sua paixão e, por meio daquela mesma visão, o faz sentir como dirigidas a ele as palavras do evangelho: “Se queres vir após mim, renega-te a ti mesmo, toma a tua cruz e segue-me” (Mt 16,24)”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Apoio: