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fev 14

GEMA GALGANI: UMA LINDA ESTRELA NO FIRMAMENTO CELESTE – PARTE II

GEMA GALGANI

SANTA GEMA GALGANI

PARTE II

*Por Luiz Antonio de Moura

         Em continuação ao texto por nós encetado em 06 de dezembro de 2015, sobre Santa Gema Galgani, queremos recordar nosso destaque para a relação íntima que a Santa tinha com Jesus, de tal modo, e em tal profundidade, que os estigmas do divino Mestre começaram ser manifestos em todo o seu corpo – mãos, pés, lado e cabeça – pontos onde Jesus foi severamente ferido, além, é claro, das profundas marcas decorrentes dos açoites sofridos.

            Em Gema, tudo isso pareceu meio esquizofrênico, e alguns chegaram a pensar em loucura ou até em possessão. Entretanto, não foram poucos os sacerdotes que dela se aproximaram para uma investigação mais detalhada.

            Neste trabalho, Padre Caetano do Menino Jesus, missionário Passionista, fez questão de registrar suas impressões, afirmando:

“Eu, abaixo assinado, atesto ter visto no mês de julho do ano de 1899, sobre as mãos da jovem Gema Galgani, certas chagas que nada tinham de natural. Nas palmas, via-se como um pedaço de carne sobreposto, semelhante à cabeça de um prego do tamanho de um vintém; nas costas de ambas as mãos um rasgão bem profundo. A falta de carne nessas feridas ocasionada por um prego pontiagudo que tivesse sido encravado no lado oposto. E e a pessoa que comigo observou, não hesitamos em dizer que eram estigmas produzidos por uma causa toda sobrenatural. De fato, reparando nas mãos da jovem, na quinta-feira de noite, nada víamos; observando-as na manhã de sexta-feira, achamo-las do modo que descrevemos; e de novo examinando no sábado, só restava uma pequena cicatriz avermelhada. Na fé. (Padre Caetano do Menino Jesus, Passionista)”.[1]  

            Padre Germano de Santo Estanislau, biógrafo de Santa Gema que, como destacamos na primeira parte deste trabalho, conheceu-a desde a primeira infância, afirma que, além do Padre Caetano do Menino Jesus, no final de agosto de 1899, chegou em Lucca o provincial dos Passionistas e arcebispo de Camerino, Padre Pedro Paulo da Imaculada, depois de visitar Gema, na casa da família Giannini, com a qual vivia, fez questão de escrever extenso relatório, o qual, em testemunho da verdade, faço questão de reproduzir na íntegra:

            “Tendo ouvido falar desta jovem com quem se davam fatos extraordinários, desconfiei de que se tratasse de simples ilusões femininas e quis assegurar-me com meus próprios olhos. Dirigi-me àquela casa, numa terça-feira e vendo-a, tive a inspiração de suplicar ao Senhor que se dignasse dar-me um sinal palpável se era, com efeito, Ele o autor daqueles fatos maravilhosos; e interiormente, sem comunicá-lo a ninguém, pensei em dois - o suor de sangue e a aparição dos estigmas.

            Chegada a tarde, a piedosa donzela se retirou para fazer suas costumadas orações diante da Imagem de Jesus Crucificado. Depois de alguns minutos, estava arrebatada em êxtase. Entrei e vi com meus próprios olhos que estava toda transfigurada, à semelhança de um anjo, se bem que imersa em profunda dor.

                           Da cabeça, do rosto e das mãos, corria sangue vivo - e julgo que se dava o mesmo em todo o resto do corpo. Continuou assim, a derramar sangue, durante meia hora, embora não escorresse até o chão porque tão logo brotava, tão logo secava.

                      Retirei-me comovido e Gema, quando voltou a si do êxtase, achando-se só com a tia, disse-lhe: “O padre pediu dois sinais a Jesus. Jesus me disse que um já lhe deu; e o outro dar-lhe-á igualmente”.

                       À noite a dita senhora me interrogou com empenho: “Senhor Padre, outro sinal que Vossa Reverendíssima pediu, seriam as chagas?” Eu fiquei atônito, e ela continuou: ‘Digo isto porque, se foi assim, Gema já as têm abertas; caso raro até agora, ela só os têm tido nas quintas e sextas-feiras. Venha e veja!’

                      Fui e encontrei aquela bendita criatura em êxtase, como da primeira vez, com as mãos transpassadas (digo transpassadas!) de um lado a outro, com grandes chagas dentro da carne, donde corria sangue em abundância. Durou o tocante espetáculo uns cinco minutos... [do qual ele faz uma minuciosa e perfeita descrição, coincidindo exatamente com a que eu tinha feito]; e cessando o êxtase, desapareceram o sangue e as feridas, e a pele antes dilacerada, voltou repentinamente ao estado natural tão facilmente que foi suficiente mandar-lhe lavar as mãos para que tudo desaparecesse.

                      Jesus me tinha atendido, e eu agradecendo-Lhe, depus toda a dúvida desfavorável, ficando firme em crer que: digitus Dei est hic. (O dedo de Deus está aqui)"[2]. 

            Diante de tão incisivos relatos, Monsenhor Volpi, confessor de Gema, decidiu secretamente enviar um médico para examiná-la, com a missão de relatar suas impressões acerca dos estigmas já presenciados pelos dois sacerdotes citados acima. Gema, que produzia, também, sua autobiografia, faz uma anotação bastante interessante, por meio da qual revela a relação pessoal que mantinha com Jesus. Afirma ela:

                “Monsenhor julgou acertado mandar-me examinar por um médico sem me avisar, mas Jesus me preveniu com estas palavras: “Diga a teu confessor que em presença do médico nada farei do que ele deseja”. Por ordem de Jesus assim fiz: avisei ao confessor”.[3]

            Realmente, Gema fez chegar até Monsenhor Volpi a mensagem de Jesus, acrescentando que, se desejasse ver com os próprios olhos, e sozinho, tudo seria permitido, destacando no final da mensagem: “tenha certeza de que não se trata de uma doença como supõe”.

            Monsenhor Volpi não se deu por vencido e decidiu visitar a jovem Gema acompanhado por um médico porque, acreditava, se se tratasse de doença ou de, possível autossugestão, ele, sozinho, não poderia dissipar as dúvidas. Assim, de comum acordo com a dona da casa, senhora Cecília Giannini, na sexta-feira seguinte, compareceu à casa, acompanhado do médico.

            O Padre Germano conta que naquela sexta-feira, por volta das dez horas da manhã, Gema retirou-se para o seu quarto e, em seguida, entrou em êxtase, permanecendo neste estado por mais ou menos uma hora, após o que, voltando a si, escreveu ao Bispo Volpi lembrando que, caso quisesse ver os estigmas, que viesse sozinho pois, se viesse acompanhado por alguém, Jesus ficaria profundamente descontente e não lho permitiria ver coisa alguma.

            Por volta de uma hora da tarde, Gema retornou para o seu quarto e, novamente em êxtase, começou a expelir sangue na fronte e nas mãos, na presença de D. Cecília, do sr. Matheus Giannini acompanhado da esposa D. Justina e de outras pessoas da família.

            Por volta das duas horas da tarde, chegaram Monsenhor Volpi e o médico, recebidos por D. Cecília que, muito contente, afirma-lhes terem chegado num momento mais do que propício para os propósitos almejados. O médico, imediatamente, tomou um pano embebecido em água e passou-o sobre as mãos e sobre a fronte de Gema. Padre Germano conta que, de repente, o sangue desapareceu por completo e a pele mostrou-se totalmente sã, sem qualquer marca ou cicatriz, “como se nunca tivesse sido ferida”.[4]

            O médico ainda tentou examinar os pés e o lago de Gema, mas, qual não foi sua surpresa a constatar que estavam completamente sãos, sem qualquer marca ou sinal de ferimento.

            Gema, em sua autobiografia afirma que o médico agiu como entendeu ser correto, “mas tudo se realizou como Jesus tinha predito”. Naquela mesma noite, porém, escreveu para o Monsenhor Volpi afirmando:

“Se Vossa Reverendíssima tivesse vindo só, Jesus o teria satisfeito ontem à tarde. Jesus me avisou que hoje Vossa Reverendíssima devia vir...”

            Durante todo o tempo em que durou aquela visita indesejada, Gema esteve em êxtase e somente quando voltou a si, foi que notou que as pessoas ao seu redor pareciam desapontadas e confusas, ante a total ausência dos prodígios que, sempre, duravam até o dia seguinte, com grande profusão de sangue.

           D.Cecília Giannini, mãe adotiva de Gema, querendo distraí-la um pouco, convidou-a para um breve passeio. No caminho, Gema pede-lhe que a acompanhe até a Igreja de São Simão, alegando necessidade de estar com Jesus. Depois de mais de uma hora diante do sacrário, e já do lado de fora da igreja, Gema mostra à d. Cecília as mãos abertas, derramando sangue, como nas sextas-feiras anteriores. Com o seu consentimento, Gema foi levada à presença do Bispo Volpi, para que pudesse ver com os próprios olhos, não apenas o sangue, mas, também, as feridas de onde escorria.

            Padre Germano de Santo Estanislau afirma que:

“O prudente Prelado disfarçou a sua admiração para não dar à devota jovem o menor motivo de vaidade, contentando-se com observar-lhe as mãos, e despediu-a logo”[5]

            Pelo que dissemos até aqui, o que pode ser conferido na biografia de Santa Gema, escrita por Padre Germano de Santo Estanislau, podemos verificar, ao menos duas coisas: 1) Gema era muito especial e, de fato, mantinha um íntimo relacionamento com Jesus, o que iremos acentuar ainda mais nas próximas edições; 2) os estigmas sagrados a ela conferidos ocorriam com a absoluta permissão de Jesus, haja vista que, diante de uma pessoa estranha à fé e ao Clero, nada acontecia, conforme fora antecipado diretamente à Santa.

            Por tudo o que já foi exposto, é natural que as pessoas tenham curiosidade em conhecer ainda mais a vida desta Imaculada Santa, para o que, sugiro a leitura do livro: SANTA GEMA GALGANI. Padre Germano de Santo Estanislau, C.P. Campinas.  2ª Ed. Ecclesiae: 2014. 342 páginas.

            Porém, para os que não puderem, ou não quiserem adquirir o livro, sugiro que continuem acompanhando nossas publicações sobre Santa Gema, que ocorrem a cada dois meses, sempre no segundo domingo do mês.

_____________________________________________________ [1] ESTANISLAU, Padre Germano de Santo, C.P. SANTA GEMA GALGANI. Campinas.  2ª Ed. Ecclesiae: 2014. Págs. 89/90. [2] Idem págs. 90/91. [3] Ibidem [4] Idem pág. 92 [5] Idem pág. 93 ___________________________________________________
*Luiz Antonio de Moura é graduado em Direito (Universidade Católica de Petrópolis), pós-graduado em Direito do Trabalho (Universidade Estácio de Sá) e em Administração Pública (Fundação Getúlio Vargas-RJ), trabalha no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região - RJ e, atualmente, é aluno de Teologia no Instituto Teológico Franciscano - ITF, em Petrópolis-RJ. Administra o site www.lisaac.blog.br e a página Sementes de vida: É tempo de semear, no Facebook.

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