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mai 22

FAMÍLIA: CAMINHOS E DESAFIOS

FAMÍLIA - UM PROJETO DE DEUS

O QUE É FAMÍLIA – PARTE III - 

*Por Pastor Elton Pothin - 

CONSTRUINDO A FAMÍLIA NO SÉCULO XXI  - 

Como vimos até este momento nos artigos anteriores, a família mudou, mas continua sendo a base de toda vida. Escreve Roseli Kühnrich de Oliveira: “Apesar das diferenças de culturas, crenças e hábitos, o conceito de família permanece e há de sobreviver, embora de maneira diferenciada dos modelos que herdamos”. (Revista Novo Olhar nº 35, p. 15). 

Vera Nunes diz: “Família é isso: é o que nos dá segurança diante das adversidades da vida, é o que nos nutre primeiro no sentido concreto do auto conservativo orgânico e simultaneamente no sentido emocional. É o esteio onde aprendemos a construir laços de afeto, onde nos constituímos enquanto sujeitos singulares e onde aprendemos a vier em um contesto social.” (Revista Novo Olhar nº 35, p. 13). 

Um grande erro quando falamos em família está no nosso conceito de família: imaginamos a família perfeita – os adultos responsáveis se relacionando bem, com amor. Os filhos, netos educados, queridos, todos se dando bem. 

Ora, família perfeita não existe. Família sem problemas não existe! Isso porque a família é composta de seres humanos imperfeitos! 

Também um modelo de família pode ser imposto como único perfeito e ideal. Diversos modelos são possíveis, como vimos. 

Aqui, lembramos a Sagrada Escritura, que nos diz de forma clara: “Se dizemos que não temos pecados, estamos nos enganando, e não há verdade em nós. Se dizemos que não temos cometido pecados, fazemos de Deus um mentiroso, e a Sua mensagem não está em nós” (1 João 1.8,10 NTLH). 

Como a família vai ser perfeita se é feita por pessoas imperfeitas? 

Aceitar a imperfeição é o primeiro passo. Neste sentido, gostaria de lembrar a todos a parábola dos porcos-espinhos: 

“O inverno prometia ser muito frio. As geadas apareceram cedo. Já em meados de abril, os casacos tiveram que sair do armário para aquecer as pessoas. Além do inverno, apareceram as doenças típicas dessa estação. 

Também os animais estavam sofrendo bastante. Alguns já apareceram mortos depois de uma noite muito fria. Morreram indefesos diante das baixas temperaturas e do algo grau de umidade. 

Foi aí que um grande grupo de porcos-espinhos decidiu fazer algo para garantir a sobrevivência. Alguém sugeriu que ficassem juntos e bem perto uns dos outros. O calor de seus corpos poderia aquecer uns aos outros, de forma que todos ficassem aquecidos nas noites frias. E assim fizeram. 

Passou o tempo, e começaram as reclamações. Um reclamava daqui, outro dali, um não queria ficar perto deste, preferia aquele, e assim por diante. A situação foi se agravando. Uns começaram a falar mal dos outros. Quanto mais se tornavam nervosos, os seus espinhos ficavam ouriçados, até que esses espinhos começaram a ferir uns aos outros. Já não podiam ficar juntos. Por causa dos seus espinhos. 

Feridos e magoados uns com os outros, resolveram se separar. Não dava mais para continuar juntos. Por isso, foram se afastando uns dos outros até a completa separação. 

Mas o inverno continuava. As noites eram muito frias. Alguns porcos-espinhos chegaram a morrer congelados. E a cada noite a situação ficava mais difícil. Logo, resolveram reunir-se outra vez para tratar do problema. Decidiram que, para viver juntos e sobreviver àquele inverno, precisariam tomar algumas precauções. Viveriam unidos, mas conservariam respeito uns para com os outros. Todos deveriam entender que ali uns precisavam dos outros”. (100 estórias de vida e sabedoria, p. 35). 

A chave para o relacionamento familiar está nesta parábola no seu final: “conservariam respeito uns para com os outros”.

Respeito pela imperfeição do outro. Respeito pelo jeito de ser do outro. Respeito pela diversidade. Todos buscando o bem comum. Respeito pela individualidade de cada um sem individualismo. 

Individualidade é diferente de individualismo. 

Individualidade: característica própria de cada um, jeito de ser próprio, personalidade, originalidade própria de uma pessoa. 

Individualismo: egocentrismo; atitude de quem vive exclusivamente para si, que demonstra pouca ou nenhuma solidariedade. Que pensa somente em si mesmo, na satisfação de seu desejo sem considerar a coletividade. 

Neste sentido, Rosângela Barbiani diz: “os valores de referência são “o individualismo; a competição, o ter sobre o ser, ficando a família fragilizada porque acaba também se transformando em ‘unidade de renda e de consumo’. A família passa a ter que prover as demandas de consumo ao invés das necessidades sociais de seus membros. Um exemplo claro dessa inversão de valores é o fato de as crianças e os adolescentes exigirem dos seus pais cada vez mais a satisfação de seus desejos materiais, como se nessa ação estivessem representados o afeto, o amor, a estima pelos filhos”. (Revista Novo Olhar nº 35, p. 13) 

Respeito, tolerância, busca do bem comum. Abandono do individualismo. 

Atitudes que irão construir uma família feliz, não importa como esta família se constitua.

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*Pastor Elton Pothin, é natural de Arroio do Tigre-RS, formou-se em Teologia pela Faculdade de Teologia da Escola Superior de Teologia da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil em São Leopoldo/RS, em julho de 1993. Atuou como Pastor nas Comunidades de Teutônia/RS; Martin Luther (Joinville/SC) e, ultimamente, está à frente da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Petrópolis-RJ.

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