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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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jan 15

EU VI O ESPÍRITO DESCER SOBRE ELE!

PAULO DAHER

2º DOMINGO DO TEMPO COMUM - 15.01.2017 –

*Por Monsenhor Paulo Daher –

EM ISAÍAS, 49, 3.5-6, o Senhor disse: “Tu és meu servo, Israel, em quem serei glorificado.” Ele me preparou desde o meu nascimento para isso e que recupere Israel. “Eu te farei luz das nações para que minha salvação chegue aos confins da terra.”

          A Palavra de Deus em muitos momentos nos mostra Deus participando de perto da vida do povo.

            Tudo o que saiu de suas mãos na criação desse universo de modo especial, o ser humano, continua existindo por seu poder divino.

           E o homem que veio de seu coração, fruto de seu amor, o Senhor o tem sempre na palma de sua mão, guiando sempre seus passos.

           Na espera e preparação do povo escolhido para a chegada do Salvador, muitos escolhidos do Senhor sentem-se acompanhados de perto pelo amor de Deus. De muitas maneiras isso é apresentado, chamando-os de: servo fiel, meu filho querido, o ungido do Senhor, luz divina etc.

           Ora esta atenção é dirigida à pessoa escolhida, ora ao povo a quem separou como herança sua.

           Há pessoas de posses que tem um local, uma fazenda, um bosque, um lugar muito especial para se recolher de suas constantes tarefas e preocupações. Como um oásis no deserto. E procuram cuidar bem de tudo, criando um ambiente de paz, de alegria no contato direto com a natureza.

           Algumas vezes a Palavra de Deus apresenta lugares em que por assim dizer, Deus se compraz de visitar, de estar como que despreocupado de todo este universo.

           Além de ser local calmo, tranquilo, afastado do barulho de gente que vai e vem, o silêncio que envolve as sombras da noite ou o local deserto, convida a olhar mais para dentro de nós mesmos para nos conhecermos melhor e reconhecer nossa figura humana ou divinizada pela luz de Deus.

           Os evangelhos mostram algumas vezes Jesus que no fim de um dia trabalhoso, sobe uma montanha, vai para um lugar deserto, para estar sozinho com seu Pai. Eram momentos preciosos para a própria humanidade de Jesus e exemplo para nossa tão corrida vida humana.

             Nossa vida seria melhor e diferente se aceitássemos que cada dia, Deus acorda conosco, nos leva pelas mãos para contemplar o dia que começa, as pessoas que vamos encontrar, e o desejo dele: quero estar sempre contigo, eu te amo, meu filho, conta sempre comigo... 

NA 1ª. CARTA AOS CORÍNTIOS, 1,1-3, S. Paulo se apresenta como apóstolo de Jesus e lembra aos da comunidade cristã que eles foram santificados e chamados junto com todos, os que invocam o nome de Jesus.

            Quem já viveu anos os ensinamentos de Cristo, no envolvimento com o amor de Deus em si, para os outros, e na Igreja, de vez em quando precisa se lembrar desta graça de ser seguidor de Jesus.

           Infelizmente até atitudes santas podem sofrer o cansaço da rotina. É este o sentido destas palavras de S. Paulo à comunidade de Corinto.

            Um retiro espiritual, um encontro, tempo de afastar-nos do dia a dia de trabalho devem ser procurados para refazer nossas forças religiosas.

            Renovar o quadro dos que trabalham na vinha do Senhor faz-se necessário. Conhecemos pessoas muito zelosas que com o tempo acabam sem ânimo para mudar o que não está se adaptando aos novos tempos.

             Nossa Igreja depois do Concílio de Trento (séc. XVI) demorou 400 anos para ter de novo um Concilio universal que foi Vaticano I, (séc. 19).  E o último foi no século XX, 1962... E muita coisa mudou na sociedade que exigia uma visão atualizada dos problemas para encaminhar soluções.

            O fundamento de nossa fé é o mesmo. Mas a maneira de vive-la deve ir se adaptando. Nesses últimos 50 anos pelo progresso e avanço tecnológico muito rápido, a mentalidade e os costumes mudaram.

           Ouvir um sermão do famoso Pe. Antonio Vieira,(séc XVII), pode ser  proveitoso para os que apreciam também a literatura. Mas hoje seria difícil ouvir as duas horas de seu sermão com as figuras literárias bem colocadas, mas que depois de 5 minutos a maioria deixaria de ouvir pelo cansaço.

         Mesmo alguns padres de hoje não conseguem atrair as pessoas para suas palavras muito longas e cansativas. E às vezes fora da realidade.  

                Crianças então mesmo pequenas com seus aparelhinhos atraentes, musicais e inventivos, não se prendem...  A palavra chave do papa João XXIII convocando o Concílio Vaticano II(1962) foi: renovação, é preciso perceber os sinais do tempo...

            O importante é ouvir e aceitar a Palavra de Deus de forma que facilite sua aplicação às nossas vidas hoje, sem aumentar nem diminuir nada de sua verdade fundamental. 

EM JOÃO, 1, 29-34, João vendo Jesus disse: “eis o Cordeiro de Deus que perdoa os pecados das pessoas. Foi dele que eu disse: ’Depois de mim virá quem existia antes de mim. Vim batizar com água, para que Ele fosse reconhecido por todo o povo.  Eu vi o Espírito Santo descer sobre ele como me fora revelado.”

            O Batista não só preparou o povo para receber o Salvador esperado, mas, como já tinha chegado, e era Jesus, e a ele fora revelado antes e durante a visão do batismo. Agora vendo-o, apresenta-o aos que o veem: Eis o Cordeiro de Deus.

            O cordeiro estava prescrito para o sacrifício de reconhecimento do poder de Deus, como também, como oferta pelos pecados.

               A imagem direta deste sentido, encontramos no sacrifício que Abraão iria fazer de seu próprio filho (Gn 2,8). Seria um cordeiro para Deus ou o próprio Filho de Deus, por isso o Batista chama de Cordeiro de Deus, e nossa Igreja também na celebração litúrgica da santa missa antes da comunhão, dá-lhe também o mesmo título e função.

            Cristo unindo sua natureza divina com a humana, em nosso nome se oferece como Cordeiro sacrificial pelos nossos pecados.

             Ao menos tempo Ele mesmo é a causa do perdão para nós, realizada em sua vida, morte e ressurreição.

            Já conhecemos o ritual de batismo principalmente feito com água. Mas em muitos lugares da História da Salvação antes de Cristo, tanto a água purifica e é sinal de escolha, como o sangue. Ambos no sentido de ou princípio de vida ou condição de vida nos seres vivos criados.

            A manifestação da presença do Espírito Santo sempre manifesta a maneira como Deus age em nós, por nós e para nós: com seu Espírito de Amor.

            Talvez concluindo: a manifestação da presença e ação de Jesus como nosso Salvador se coloca oferecendo-se por nós na cruz, e também contando com a mediação de sua Igreja.

           E sempre o mandamento novo que é o Espírito Santo envolve todo gesto de quem se tornou filho de Deus.

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*Monsenhor Paulo Daher é Sacerdote da  Diocese de Petrópolis, e colabora enviando gentilmente seus comentários aos textos litúrgicos da semana.

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