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nov 02

EDITORIAL DE FINADOS: A PASSAGEM É PARA TODOS

CHAMADO PARA A VIDA

O TÚNEL ESTÁ SEMPRE ABERTO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Muitas pessoas, que alegam terem passado pelo estado de pré-morte, afirmam que, no momento em que parecia ser o último neste mundo, viram-se diante de um túnel de luz, por meio do qual foram insistentemente convidadas a entrar e a fazerem a passagem para o lado de lá. Segundo diversas destas pessoas, na hora da decisão final, por uma força que não conseguem explicar, foram reencaminhadas para esta instância mortal, com a renovada chance de continuarem suas caminhadas. Ainda segundo tais depoimentos, a possibilidade de retorno, com a consequente continuação da vida tal como conhecida, inspirou-lhes renovado ânimo para, não apenas uma modificação em tudo, mas, principalmente, para a necessária reconciliação com tudo e com todos.

Não se sabe muito bem até que ponto tais depoimentos refletem a veracidade do que ocorre no momento derradeiro de cada um de nós, nem em qual intensidade espiritual e emocional tudo isso se passa. O que não quer dizer que tais depoimentos devam ser colocados em dúvida. Pelo contrário, na dúvida, é mais prudente considerá-los como verídicos!

O fato concreto é que, se tais casos ocorrem, os escolhidos são realmente muito felizes, porquanto ganham uma maravilhosa “segunda chance” para reformularem seus métodos, visões e trajetórias e, sinceramente, acredito que passam, sim, por tais transformações porque, nada mais positivo para a vida do ser humano do que poder experimentar aquilo de que sempre ouviu falar, mas, que, no seu íntimo, ou não acreditou ou fez questão de excluir da realidade da sua vida. Assim, diante da iminência da travessia, a consciência da chegada da hora fatal, pode trazer certo desespero para quem, realmente, não está minimamente preparado. Aí, receber autorização para voltar e reconstruir-se perante tudo e todos é, de fato, prêmio de valor incalculável.

Entretanto, com segunda chance ou não, o mais certeiro de todos os eventos da vida, é a morte, que é uma palavra brusca, forte, dolorosa, medonha mesmo, poder-se dizer, mas, que é o único caminho pelo qual nenhum ser vivente pode deixar de passar, mais cedo ou mais tarde.

Antes de temer o que é melhor chamar de “passagem”, é bom procurar compreender um pouco sobre o fenômeno tão assustador e que tanto horror causa na maioria de nós, pobres mortais.

A morte, para nós ocidentais, soa como algo terrível porque põe fim a uma existência que entendemos ser nossa única chance de felicidade. Acreditamos que, por pior que seja a vida, ainda é muito melhor do que a morte, justamente porque nossa compreensão é muito restrita e, conceitualmente, acreditamos tratar-se de uma espécie de castigo, para nós ou para os nossos entes queridos que ficam chorando a nossa partida.

Na verdade, a vida é um processo cuja origem é Deus e, portanto, sem qualquer interrupção. Quando o Criador decidiu doar a vida a nós humanos, também, permitiu que tivéssemos a oportunidade de sermos parte no projeto da Criação, dando nossa contribuição para que ele seja expansivo e, nunca, regressivo. Tudo caminha para uma expansão tal que, se pudéssemos falar em tempo, diríamos tratar-se de um tempo infinito. Porém, como o tempo para Deus não existe, pelo menos da forma como o conhecemos, podemos dizer que a vida, em si, é eterna. No entanto, é vivida em dois estágios: um aqui, neste plano terreno e, o outro, no lugar cósmico reservado por Deus para que suas criaturas possam usufruir da eternidade, sob as bênçãos divinas ou, em lugar, também cósmico, onde não se trata de usufruir a vida, mas, de suportá-la com todo o peso daquilo que armazenamos no primeiro estágio, ou seja, aqui. Dentro desta lógica, é aqui, no mundo, que colocamos na nossa vida certos adereços que servirão de carga pesadíssima para ser transportada no segundo estágio. Ou, a contrário senso, desgarramos de nós todos os pesos possíveis e, no espaço cósmico reservado pelo Criador, teremos a possibilidade de, tal como as águas puras e cristalinas, seguirmos o curso da vida por toda a eternidade, de forma absolutamente suave, alegre e feliz, louvando eternamente Aquele que tudo fez por todos e por cada um de nós.

Desse modo, o que nos acostumamos a chamar de morte é, de fato, uma travessia de verdade, quando, por meio de um túnel de luz ou de água, passamos desta realidade efêmera e ilusória para uma outra, realmente concreta e absolutamente verdadeira. Pode-se afirmar isso com certa segurança por causa da fé e da esperança que o Senhor plantou em cada um de nós, sem as quais, nada tem ou faz sentido e tudo, tudo, começa aqui e por aqui termina. Mas, para o crente e para aquele que navega nas águas serenas da esperança, todo este existir é apenas passageiro e, em dado momento, somos chamados a atravessar para o lado realmente seguro, feliz e eterno onde, embora não tenhamos consciência, fomos iniciados na vida, na verdadeira e superabundante vida, por lá, ela jamais tem fim ou qualquer interrupção.

No dia em que recordamos de todos aqueles que já passaram por aqui, amigos, familiares e entes verdadeiramente queridos, é bom despertar, também, para o fato de que, em algum momento, seremos convocados à travessia que eles já fizeram, porque o túnel está sempre aberto, a questão é apenas o chamado que, tal qual sussurro ao ouvido, é individual e secreto. Daí que, muitas vezes, a pessoa amada está ao nosso lado, demonstrando estar de partida e, de repente, vai embora, porque ouviu o chamado secreto que só é ouvido naquele momento e que cada de um de nós, mais cedo ou mais tarde vai ouvir também.

Portanto, não tenhamos qualquer receio, porque o chamado é para a vida e não, para a interrupção dela. Tudo vai depender, no entanto, do papel que estamos desempenhando aqui, neste plano ilusório, enganoso e sedutor. Se não nos deixamos enganar – e para que isso não aconteça devemos nos apegar à Palavra de Deus e ao próprio Cristo – nossa passagem será repleta de felicidade e de uma indizível satisfação.

Olhando por este prisma, devemos recordar dos nossos entes queridos com muita alegria, porque fizeram sua passagem e, certamente, e é o que desejamos, estão felizes e alegres no Reino de Deus, lugar de glória e de louvores eternos, onde não mais imperam a maldade, a injustiça, a traição, a mentira e o crime.

Cuidemos para que, enquanto não ouvimos o sussurro, não da morte, mas do anjo de Deus, convidando-nos para a passagem, trabalharmos para o aperfeiçoamento da nossa essência espiritual, imagem e semelhança de Deus, a fim de que sejamos para Ele enviados e de onde, certamente, jamais pensaremos em retornar, porque não existe maior luz, felicidade e saciedade do que estar Naquele e com Aquele donde provém nossa vida, que jorra de forma incessante e superabundante. Assim crendo, a passagem torna-se momento mais do que desejado e não, como ocorre com a maioria de nós, temido. Reflita e mantenha-se na paz do Senhor, pois, em paz e na serenidade, tudo será revelado para todos e para cada um de nós no momento oportuno. Seja feliz, e mantenha a serenidade!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.
   

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