Lisaac

Sementes de vida, ������© tempo de semear

«

»

abr 16

EDITORIAL DA SEMANA: VOCÊ TAMBÉM PODE OUVIR A VOZ DE DEUS!

SILÊNCIO PARA OUVIR DEUS

NO SILÊNCIO, A VOZ DE DEUS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

É conhecido o número de pessoas que pedem prova da existência de Deus, sem saberem que podem, elas mesmas, serem protagonistas do pedido que fazem, ouvindo a voz do Criador. É coisa que psicólogos e psiquiatras não entendem e, por não entenderem, lançam as maiores dúvidas possíveis, mas, que, na prática individual e íntima de cada ser humano, traz o conforto e o consolo necessários para a plenitude da alma, cujo sinônimo é a felicidade!

No silêncio do jardim do Éden, narra o Livro do Gênesis, Adão e Eva estavam escondidos, e obviamente quietos, pelo medo, quando são surpreendidos com a voz de Deus: “Onde estás?” (Gn 3, 9), pergunta o Senhor. Na sequência, tem-se o diálogo travado entre o Criador, a mulher, a serpente e o homem.

Moisés estava tranquilamente nos escarpados do montanha, ajuntando o rebanho do sogro, num silêncio aterrador quando, de repente, ouve o estalar de galhos secos sendo queimados. Curioso, e em profundo silêncio, prendendo a própria respiração, aproxima-se e vê a sarça coberta por um fogo alto e forte que, por mais que durasse, não se extinguia. Mais curioso ainda, começa a se aproximar sorrateiramente quando, para seu espanto, ouve a voz de Deus a chamá-lo pelo nome: “Moisés, Moisés (...) não te aproximes daqui: tira as sandálias de teus pés porque o lugar, em que estás, é uma terra santa” (Ex 3, 4-5).

Samuel era ainda um menino, e vivia aos cuidados do profeta Heli quando, numa noite, quando imperava o silêncio absoluto no qual todos estavam deitados para o sono de descanso, ouviu alguém chamá-lo pelo nome: “Samuel, Samuel” (ISm 3, 2-10). Sem reconhecer aquela voz, Samuel correu para o profeta e disse: “tu me chamas? Estou aqui”. Diante da negativa de Heli, Samuel voltou a deitar-se e, mal pegara no sono, ouviu novamente alguém chamando-o pelo nome: “Samuel, Samuel”. Mais uma vez o menino corre para o profeta que afirma não tê-lo chamado. Depois da repetição do fato por três vezes, o profeta compreende ser a voz de Deus que estava se manifestando ao menino e orienta Samuel como deve proceder se, novamente, ouvir alguém chamá-lo pelo nome: “Vai e dorme. E, se te chamarem outra vez, dirás: Fala, Senhor, porque o teu servo ouve”. Assim fez Samuel e, quando ouve a mesma voz chamá-lo pela quarta vez, responde conforme a orientação de Heli e, então, é contemplado com a mensagem de Deus, dando conta da ruína que estava para assolar a família do profeta.

Jesus, em muitas oportunidades, escolhe o silêncio e a paz da noite para retirar-se em oração, nos montes e nas elevações próximas de onde vivia com os apóstolos.

Em todos estes poucos exemplos, é perceptível que Deus não se manifesta em meio a gritarias, algazarras, sons altos, lamentações, pregações exacerbadas e coisas do gênero, mas, no silêncio e na paz. É, pois, nestas circunstâncias e ambientes, que o homem, em profundo silêncio depois de já ter se manifestado ao Senhor, e com o coração e o espírito abertos, ouve a voz de Deus a confortá-lo, a consolá-lo e a orientá-lo diante dos tantos problemas, conflitos e dificuldades narrados pelo orante.

A lógica de Deus é bastante simples: Ele ouve o que temos a dizer, percebe nossas lágrimas, nossos sentimentos e nossas fragilidades e, diante do silêncio que fazemos, Ele entende ser a hora de se manifestar. E assim o faz!

Entretanto, quantas e quantas vezes nos prostramos diante do Senhor para orar, lamentar, chorar, pedir, implorar e, tão logo terminamos o nosso monólogo, levantamos e saímos fungando ou enxugando os olhos sem, sequer, darmos chance para que Deus fale alguma coisa? Imaginemo-nos diante de um amigo que vem à nossa presença para falar conosco, lamentar, chorar, pedir auxílio e, assim que acaba de falar, levanta e sai sem nos conceder a oportunidade de qualquer manifestação.

E o pior de tudo é que, depois, a gente diz: “Rezo, rezo, mas acho que Deus não me ouve. Não obtenho respostas”. Como obter respostas, se, sequer, paramos para ouvi-las? Falamos, falamos e, por fim, deixamos Deus falando sozinho porque, ou não acreditamos que Ele está ali naquele momento diante de nós, ou pensamos que Deus é uma caixa registradora de problemas, cujas soluções são enviadas, depois, via satélite!

Deus é sempre presente! A razão de não O vermos da forma como O imaginamos deve-se ao fato de que Ele é, conforme descrito por Jesus, Espírito e nós, como seres eminentemente materiais e materialistas, estamos acostumados a olhar tudo com os olhos da carne. Não em vão Jesus afirma: “Deus é espírito e em espírito e verdade é que o devem adorar os que o adoram” (Jo 4, 24). Assim, quando nos colocamos diante do Senhor, estamos e somos livres para todo tipo de desabafo, de confissão, de arrependimento e de pedidos de socorro e de auxílio, mas, precisamos compreender que, após a nossa lamúria, devemos lembrar de que o Senhor deseja falar algo ao nosso coração e, assim, é necessário fazermos profundo silêncio para, sem pressa, termos a confirmação de que tudo o que dissemos foi ouvido e que, no tempo Dele, tudo será solucionado a nosso favor, o que não significa que será feita a nossa vontade.

Diante destes exemplos e destas indicações, quando se colocar na presença do Senhor, primeiro, tenha certeza de que Ele está ali, em espírito. Em segundo lugar, saiba que está pronto para ouvir tudo o que for dito. E, por fim, lembre-se de fazer uma pequena pausa, em silêncio, para que Ele possa, se assim o desejar, manifestar-Se da forma que julgar mais apropriada. Ele sempre respeita as nossas limitações intelectuais e espirituais e, por esta razão, a cada um se manifesta de forma diferente. No entanto, Ele nunca fica alheio aos nossos clamores e sempre, de uma forma ou de outra, dá respostas aos nossos questionamentos. Precisamos aprender a ouvi-Lo e a compreendê-Lo, a fim de não cairmos na conversa fácil do abandono e do desinteresse por parte da divindade.

Precisamos, acima de tudo, e de qualquer coisa, compreender que Deus é Pai, Pai Nosso, e que, na condição de Pai, quer sempre estar conosco, ouvir-nos, falar conosco e participar ativamente da nossa existência. Por esta simples razão é que devemos, também, ouvi-Lo. Ao deixarmos de ouvi-Lo, deixamos de ser fieis e passamos a impressão de que o Pai é apenas um "ouvidor" e um "solucionador de problemas". Não é! Deus é infinitamente mais: Ele é, também, Pai, amigo, confidente e companheiro que tem voz e que quer, e deve, ser ouvido. Ouça-O!

Espero que este texto seja esclarecedor e que, doravante, você se sinta plenamente ouvido(a) e correspondido(a) por este Deus que, sendo Uno e Trino, sempre caminha ao lado do ser humano, sejam quais forem as circunstâncias, ainda que para repreender as nossas petulâncias e arrogâncias. Reflita sobre tudo isso e abra seus ouvidos espirituais à voz do Pai que está em toda parte, mas, e, sobretudo, dentro de cada um de nós. Seja feliz, e boa sorte!

__________________________________________________

*Luiz Antonio de Moura é estudante de Teologia no Instituto Teológico Franciscano, em Petrópolis, é um pensador espiritualista e um cultor do silêncio.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Apoio: