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out 29

EDITORIAL DA SEMANA: VIVA A DEMOCRACIA!!

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ELEIÇÕES DE 2018: O POVO E A DEMOCRACIA SÃO OS GRANDES VENCEDORES –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Completado o ciclo eleitoral, com a eleição em dois turnos para Presidente da República e para os governos de diversos estados da federação, há que ser feito um balanço com resultados extremamente positivos do pleito. Não há dúvida de que estas eleições, ao contrário do que se previa há mais ou menos um ano, criou um clima de interesse popular poucas vezes visto entre nós. Um interesse, que teve o mérito de levar a questão política para o centro da vida dos cidadãos e das cidadãs, com tal intensidade que adentrou em todos os setores da sociedade, levando pessoas, grupos, instituições e agremiações partidárias para o necessário debate, e embate, que antecede toda escolha verdadeiramente democrática.

O que para muitos pode parecer prejudicial à democracia, deve ser visto como extremamente positivo, sob o prisma da indiscutível liberdade de expressão, de pensamento e de ação que reina de forma absoluta sobre toda a nação brasileira. A polarização a que fomos levados pelos diversos aspectos e circunstâncias da disputa, principalmente, para o cargo maior da República – o de Presidente – é o resultado da ponderação que cada pessoa fez acerca do que entende ser o melhor para o país. De um lado, um grupo aguerrido em torno de uma visão, segundo a qual a mudança no comando geral da nação é imperiosa e que, independentemente dos riscos (que estão sempre presentes), deve ser promovida, até como lição para um modelo, momentaneamente alijado do poder central. Do outro, um não menos empedernido grupo, lutando para deixar claro que mudanças radicais, podem levar o país para a rabeira da história recente, trazendo consequências bastante graves para a atual e para as futuras gerações, acreditando que, apesar dos erros cometidos, embora não expressamente reconhecidos, quem busca a manutenção do status quo político-partidário, no fundo no fundo, não carrega consigo maiores riscos à tão querida, amada e protegida, democracia.

Há que se verificar que a disputa acirrada, entre candidatos e entre eleitores, de um modo geral, se, de um lado estabelece de forma bastante nítida, campos delimitados para o debate criando, inclusive, animosidades e conflitos pessoais, familiares, profissionais e sociais, de outro, revela o quão apaixonada se tornou uma questão que parecia não mais fazer parte da vida dos brasileiros e das brasileiras: a política nacional. E é exatamente aí, a meu ver, que está o grande brilho da polarização a que chegamos, alimentado pela força energética e substancial da democracia, que permite, primeiro, o surgimento de campos literalmente opostos digladiando entre si, usando como armas a persuasão, a tecnologia e o conhecimento histórico, político e social ainda fresco nas mentes e nos corações sem, no entanto, empolgar o povo para o lado de um enfrentamento físico e bélico, como visto em muitas partes do planeta e, segundo, que, da disputa acirrada, fosse mantido vivo e intacto, o desejo de mudança de rumos, seja lá qual for o candidato vencedor, na voz inconfundível do eleitor e da eleitora que, ao final, e neste momento, é quem tem a primazia da vontade, externada por meio do voto, ainda que NULO ou EM BRANCO.

Não se pode fechar os olhos para o gigantismo dos interesses, dos conflitos e dos desejos envolvidos na questão eleitoral de sempre, de um modo geral, e deste ano eleitoral, de um modo especial. E, diante deste gigantismo quase que, podemos dizer, incontrolável caso, como muitos temiam, ocorresse qualquer desequilíbrio para um ou outro extremo do debate, somente a força da democracia, consubstanciada no conjunto sólido das instituições, é que se revela impávida e colossalmente sobreviva. E isto, além de não ser pouco, é de ser comemorado com muita alegria por todos nós que, ao final, colheremos os frutos nascidos das árvores cujas mudas foram fincadas no chão democrático da pátria, neste final de segundo turno das eleições de 2018.

Os derrotados deste pleito foram projetos – sem adentramos na discussão se bons ou maus – estruturas e ideologias partidárias e mecanismos apresentados como forma de ascensão, de recuperação ou de manutenção ao, e do, poder. E, os vencedores, somos todos nós que, de uma forma ou de outra, comparecemos diante das urnas para indicar a nossa posição perante o cenário que envolve-nos de forma tão intensa e tão avassaladora, cobrando de cada um de nós o pagamento pelos atos e omissões praticados até então por pessoas e agremiações partidárias que, direta ou indiretamente, foram escolhidas, também, por nós.

Com os candidatos vencedores neste 28 de outubro de 2018, aparece reluzente e como chão que lhes servirá de base para suas ações e governanças, a democracia, que todos dizem amar e defender, embora nem sempre trilhem na direção dela.

Portanto, o povo e a democracia são os grandes vencedores das eleições de 2018, apesar de todos os percalços verificados desde o início da campanha eleitoral, com discursos inflamados, debates acalorados, incitações ao enfrentamento, acusações de todos os lados, fake news, descontextualizações, interpretações maldosas de palavras e de gestos e tudo o mais que se possa esperar em um jogo de nível baixíssimo, porque na democracia, com ela, por ela e a partir dela é que todo o cenário político-eleitoral desenvolveu-se e chegou ao final do segundo turno apresentando ao país os candidatos vencedores, tanto para os governos estaduais, quanto para o cargo máximo da nação: o de Presidente da República.

Como povo, somos todos vencedores porque, de uma forma ou de outra, e por meio do voto, demos o nosso recado. Dissemos claramente o que queremos e o que não queremos. Demonstramos de forma cabal até que ponto somos, ou não, influenciados e dirigidos pela mídia, pela retórica, pelo discurso fácil e até pelo engodo dos que acreditam terem a primazia da “verdade”, da “sabedoria” e da fórmula perfeita para o alcance da justiça social, mesmo que decretando a morte da ética e da moral, bem como do respeito às leis e à própria Constituição da República.

Que a nossa vitória conjunta – povo e democracia – possa conduzir-nos para dias mais promissores nos campos da política, da economia, da justiça, da sensatez e da ética, a fim de que tanto nós, quanto os nossos descendentes, tenhamos – e tenham – o privilégio de experienciar a recuperação de toda uma tradição popular que envolve a boa-fé, a disposição para o trabalho honesto e construtivo, o sincero desejo de uma formação educacional e profissional, o respeito a tudo e a todos/todas, sem qualquer forma de discriminação e o amor e a dedicação ao próximo, pois, só assim, teremos coroada a nossa vitória, principalmente, na condição de filhos e filhas de Deus e, como tais, merecedores e merecedoras de tudo o que foi criado por e para todos nós. Com as novas realidades estabelecidas a partir do final destas eleições e com a necessária reconciliação entre todos os opositores, que o País cumpra com seu destino e com sua missão perante as nações e ao mundo. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador cristão, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

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