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Sementes de vida, ������© tempo de semear

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mai 28

EDITORIAL DA SEMANA: UM OLHAR PARA DEUS

QUEM É DEUS

SOBRE DEUS, O QUE DIZER?

*Por Luiz Antonio de Moura - 

A busca da resposta para a pergunta tema, impõe a tentativa de traçar um perfil de Deus. Do Deus de todos os tempos, sem qualquer separação ou mesmo divisão temporal. Aqui, para nós, não importa falar sobre o Deus do Antigo ou do Novo Testamento; do Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó ou do Deus de Jesus Cristo, posto que, desde o início deve ficar bem definido que Deus é um só e é atemporal.

Há algum tempo tomei conhecimento sobre um homem que afirmava, de forma convicta, não aceitar o Deus do Antigo testamento. Ao ser questionado sobre o porquê de tal convicção, ele dizia que, em Jesus Cristo acreditava um pouco e até sentia alguma simpatia por Ele, mas, pelo Deus do Antigo Testamento, “um Deus mal, guerreiro, vingador e vingativo, que matava inocentes ao fio da espada”, não guardava nenhum sentimento bom, chegando mesmo a declarar certa “ojeriza” por tal Deus.

Pelas declarações daquele homem, pude perceber rapidamente a enorme confusão que grande parte dos seres humanos fazem a respeito de Deus que, por fim, é um só! Bem, é claro que não basta falar que Deus é um só. É preciso deixar claro quem é Deus, onde Ele fica, de que forma atua, e com que objetivos se faz presente no meio dos homens.

A primeira notícia que a Bíblia nos traz sobre Deus é aquela retratada no primeiro capítulo e no primeiro versículo do Livro do Gênesis: “No princípio, Deus criou o céu e a terra”. Ou seja, é-nos revelada a existência de um Deus Criador. Um Deus que, ao contemplar toda a vastidão da terra, informe e vazia, conforme narrado nos primeiros versículos do capítulo 1, do Livro do Gênesis, decide criar. E criar, não com passes de mágica, mas, com sabedoria e conhecimento, distribuindo vida a tudo aquilo que julga ser essencial para o conjunto daquela obra. Deus é, portanto, autor da vida. Deus é vida!

Assim, o autor sagrado afirma que a terra estava envolta em trevas. E Deus diz: “Faça-se a luz”. E existiu a luz! Deus age às claras, não, nas trevas, na escuridão. Feita por Ele e por Ele utilizada para iluminar a terra coberta pelas trevas, Deus é Luz!

Deus é Criador, é vida e é luz!

A Criação, porém, tem seu curso natural, porque, a partir dos primeiros movimentos, e com a criação do firmamento, a quem Ele chama de céu, Deus faz uma organização das coisas, separando terra, águas e firmamento. O firmamento é o lugar destinado aos corpos celestes que, a seu tempo, serão criados também. Porém, é preciso, antes, ajuntar num só lugar todas as águas que estão sob o firmamento, atribuindo-lhes o nome de mares e ordenando o aparecimento do elemento árido, denominado terra. Agora, sim, começa a haver certa ordem: céu, terra e mares! Deus é organizado e organizador. É prático e sabe perfeitamente aonde pretende chegar com estes primeiros e decisivos atos criacionais. Deus é perfeito!

Na sequência da Criação, Deus ordena que a terra produza a erva verde e, principalmente, que dê sementes! Que produza árvores frutíferas, que deem frutos e, destes, as sementes. Deus não apenas dá a vida, mas, e, sobretudo, as condições para a continuidade do processo de criação. Por meio das sementes caídas ou lançadas no solo, a vida se multiplica num eterno produzir e reproduzir. Aqui, Deus apresenta dois intentos: condições de alimentação e proliferação das espécies! Deus não é egocêntrico.

Lançada a vida no solo, Deus dirige o olhar para o firmamento (céu) e ordena o surgimento de luzeiros próprios para o dia e para a noite, demarcando, também, a contagem do tempo. O luzeiro do dia é maior do que o outro, destinado a iluminar a noite, com a adição das estrelas, de modo a separar de forma bastante nítida a luz, das trevas. Deus não esconde nada: existem as trevas, mas, também, a luz. Deus é magnânimo!

Entre a terra e o firmamento, não pode existir um vácuo de vida. Assim, ordena a criação de répteis animados e viventes, de modo que as aves voem sobre a terra e embaixo do céu. A vida se alastra de todas as formas sobre a terra.

Deus é Criador, é vida, é luz, é perfeito, não é egocêntrico, é magnânimo!

A narrativa do Gênesis repara no olhar de Deus na direção das águas. Ora, se a terra produz e se o firmamento já está formado, é necessário que, das águas, exploda, também, a vida. O alimento e as mesmas condições de procriação e de reprodução dos seres. E Deus cria os grandes peixes e todos os demais animais cuja vida é desenvolvida nas profundezas dos mares e dos oceanos, segundo a sua espécie.

Deus olha para todo aquele cenário, que até pouco tempo era inóspito, vazio, negro e sem vida e, agora, depois de tudo o que foi criado, contempla tamanha beleza e, conforme ressaltado pelo autor sagrado, “viu que tudo era bom”. Deus é zeloso! Porque assim ocorreu desde o primeiro dia. Ao final de cada jornada, o autor repete: “E Deus viu que isso era bom”.

Deus ordenou, ainda, que a terra produzisse animais viventes segundo a sua espécie, animais domésticos e selváticos, segundo a sua espécie, e todos os répteis, também, segundo a sua espécie.

Tudo era bom. Tudo estava bom. Se, porém, a terra e as águas estavam prontas para a vida, tanto sob o aspecto produtivo quanto sob o reprodutivo, dispensando o Criador de maiores cuidados, faltava criar um ser capaz de a tudo organizar, manter organizado e, por fim, comandar com vigor e com pleno domínio, de tudo se assenhoreando como verdadeiro proprietário e usufrutuário. Alguém que, diferentemente das ervas, das árvores frutíferas, das aves, dos peixes, dos animais selváticos e domésticos, dos répteis e dos luzeiros do firmamento, fosse dotado de inteligência, de razão e de capacidade de interagir com toda a Criação e com a própria espécie.

Se até o quinto dia Deus pareceu agir por vontade própria na criação e na ordenação de tudo, no sexto dia, porém, Ele revela a ação em plena comunhão com o Verbo e com o Espírito Santo e afirma: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança, e presida aos peixes do mar, e às aves do céu, e aos animais selváticos, e a toda a terra, e a todos os répteis, que se movem sobre a terra” (Gn 1, 26)

E o Autor sagrado afirma que “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou no seu rosto um sopro de vida, e o homem tornou-se alma vivente” (Gn 2, 7).

Deus é o Senhor da Vida!

O que vimos até aqui é apenas uma pálida, e humana, ideia sobre Deus. Dá para perceber, no entanto, que Deus é de todo especial e que, além disso, age com imenso e com intenso amor quando cria todas as coisas, reservando ao ser humano o ponto mais elevado da Criação.

Não existe margem, portanto, para dúvidas quanto à magnanimidade de Deus que, na condição de Pai Nosso, age em nosso benefício e, por esta razão, está sempre pronto para vir ao nosso encontro, para sarar nossas feridas e curar nossas enfermidades, sendo absolutamente equivocada a compreensão de alguns que, olhando de forma fundamentalista para as Sagradas Escrituras, delas extraem uma figura divina totalmente deformada e destoante da verdadeira imagem de Deus, refletida em toda a sua dimensão em Jesus Cristo, Seu filho Unigênito.

É preciso dizer que Jesus traz-nos a revelação do Pai, e é no modo de agir e na forma como cuida das pessoas que Jesus revela a verdadeira face de Deus, porque, pelo mistério da Trindade, podemos perceber a atuação do Pai, do filho e do Espírito Santo, de modo distinto, mas, em comunhão e em perfeita unidade. Pessoas distintas, porém, com a mesma essência. Deus Uno e Trino!

Este texto é parte integrante de um projeto mais abrangente no qual estamos trabalhando, justamente, para tentar reverter a falsa compreensão que muitos possuem a respeito deste Deus, Pai de bondade e de misericórdia que, desde os tempos mais remotos, caminha ao lado dos seres humanos, revelando-se cada vez mais ser o DEUS CONOSCO! O Deus que age e interage conosco de forma plena e permanente e, se não O percebemos ou se não O reconhecemos é porque ainda não conseguimos abrir-nos inteiramente para Aquele que é tudo em todos e por todos porque, em permanente comunhão na Trindade, quer-nos, também, em comunhão n’Ele e com Ele, para o que, precisamos estar totalmente abertos e despojados.

Voltaremos ao tema em breve. Por ora, basta que os leitores/leitoras voltem-se para as Sagradas Escrituras e apreciem a atuação de Deus no meio da Criação, especialmente, dos seres humanos de todos os tempos. Leia, pausadamente, a Bíblia, e reflita sobre tudo. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

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