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fev 05

EDITORIAL DA SEMANA: TEMOS AS REDES, MAS NÃO SABEMOS PESCAR!

REDES SOCIAIS

REDES DE ONTEM E DE HOJE: A PESCARIA DEVE CONTINUAR –

*Por Luiz Antonio de Moura –

O Evangelista São Mateus narra o episódio do primeiro encontro de Jesus com os irmãos pescadores Simão e André, nas imediações do Mar da Galileia, onde desempenhavam as funções que lhes garantia o sustento necessário a si e às próprias famílias. A abordagem narrada por Mateus é bastante interessante, porque Jesus, de pronto, e vendo que aqueles dois irmãos estavam trabalhando, dirige-se a eles de forma destemida e ousada dizendo: “Vinde comigo, e eu farei de vós pescadores de homens” (Mt 4, 19), e mais interessante ainda é a reação de ambos que, nos dizeres do Evangelista, imediatamente, deixaram suas redes para trás e seguiram Jesus, até então, um homem absolutamente desconhecido por eles.

Pescadores, mar, redes, convite! Esta foi a plataforma inaugural utilizada por Jesus para lançar um programa totalmente novo, com vistas a abarcar todos os homens, de todos os tempos, para o Reino de um Deus apenas conhecido pelos relatos das Sagradas Escrituras. Ninguém, jamais, vira a face sagrada do Pai

Jesus, com o passar dos dias, dos meses e dos poucos anos, vai mostrando àqueles pobres e simples pescadores que Ele não tinha qualquer bem material de valor para compartilhar com eles. Tinha, no entanto, algo novo a apresentar: a face, até então oculta e invisível do Pai! Pedro foi o primeiro a se mostrar assustado ao ver a verdadeira face de Deus. Foi assim: diante de imensa multidão, Jesus senta-se em uma das barcas de Simão Pedro e pede para que se afaste um pouco da margem, para que pudesse continuar falando ao povo que se comprimia ao seu redor. Quando acaba de falar ao povo, Jesus volta-se para Pedro e diz: “afasta-te um pouco mais para dentro do mar e lança tuas redes para uma boa pescaria”. Pedro passara a noite toda lançando as redes e não conseguira pescar nada. No entanto, olha para Jesus e diz: “Senhor, tendo trabalhado durante toda a noite, não apanhamos nada; porém, em respeito à tua palavra, lançarei as redes novamente”. Sem receio, mas com certeza do insucesso, Pedro lança as redes e, para sua surpresa e assombro, elas são tiradas das águas com enorme sacrifício, tamanha a quantidade peixes que comportava, quase rompendo as tramas das redes. Foi preciso chamar os amigos que estavam mais atrás para que viessem ajudar na remoção daquela gigantesca pescaria. Tantos peixes que, mesmo dividindo com os amigos, as barcas quase afundavam, tamanho o peso da carga. Pedro, assustado com a cena inimaginável, lança-se aos pés de Jesus e diz: “Retira-te de mim, Senhor, porque eu sou um homem pecador”, pois, tanto ele quanto seus amigos ficaram espantados com o poder de Deus manifestado naquele momento por Jesus. Isso é relatado pelo Evangelista São Lucas, no capítulo 5, versículos 1-9. Jesus, nas palavras de Lucas, tranquiliza Pedro, dizendo: “Não tenha medo, Simão, deste momento em diante, farei de ti pescador de homens”. Foi então que, reafirmando a narrativa de São Mateus, eles deixaram suas redes para trás e seguiram aquele homem com poderes divinos.

Pescadores, mar, barcos, redes, peixes, homens, convite, fé e compromisso! Jesus, naquela hora dá início ao projeto terreno da pregação do Reino de Deus e encontra naqueles pobres pescadores o eixo de ligação entre a mensagem do Reino e o mundo carente e sedento.

Hoje, as redes são outras, são sociais! São redes que não demandam mais o risco de uma noite em alto-mar, nem precisam ser deixadas para trás. E, no entanto, muitos de nós não nos valemos das redes, das quais participamos ativamente, para pescar homens e mulheres para o Reino de Deus. Afirmamos que somos cristãos, que conhecemos Jesus, porém, não deixamos nossas redes costumeiras para trás, para irmos pregar o Reino nos rincões mais distantes do planeta, por meio de simples redes sociais, nas quais passamos diversas horas do dia, ou da noite, de papo-furado, de fofoquinhas sobre este ou aquele político, sobre esta ou aquela personalidade famosa, ou sobre tantas outras coisas, fúteis e inúteis. As redes são outras, sim, mas o convite de Jesus permanece o mesmo: “Vinde comigo, e eu farei de vós pescadores de homens” (Mt 4, 19).

Do mesmo modo, Jesus continua nos instigando a avançar um pouco mais para dentro do mar da vida, para lançarmos nossas redes, a fim de obtermos uma pescaria melhor e mais produtiva. Nós, no entanto, e ao contrário de Simão Pedro, temos medo; não confiamos nem respeitamos a palavra do Cristo e, portanto, preferimos ficar na orla da praia, sonhando, divagando e reclamando. Não temos coragem de ousar! Não temos fé suficiente! não saímos da mesmice de sempre e, assim, não aumentamos nossa pescaria, como fez aquele pescador rude, que deixou-se levar pela Palavra do Mestre e, obediente e respeitoso, viu e colheu os primeiros frutos.

A proposta de Jesus continua sendo a mesma. Nós, no entanto, somos bem diferentes daqueles homens, simples, sim, mas, tementes e confiantes em Deus. O projeto da salvação permanece ativo. Nós, porém, nem avançamos com nossos barcos mar adentro, nem usamos nossas redes para colaborar com o Reino de Deus. As redes das quais dispomos hoje, são muito mais eficazes do que os métodos de divulgação do Reino, utilizados pelos primeiros discípulos de Jesus. São as redes sociais que, num piscar de olhos, atravessam mares, desertos e montanhas e ultrapassam fronteiras de países e de continentes em uma velocidade jamais sonhada pelos habitantes da Galileia, ao tempo de Jesus. Hoje, se for do nosso interesse, fazemos nossa mensagem chegar, simultaneamente, ao Primeiro Ministro do Japão, ao da Índia, ao Presidente da Argentina e ao Papa, no Vaticano, de modo que, num mesmo instante estamos na antessala destas autoridades, levando a mensagem que nos interessar, inclusive, a Boa-Nova do Reino de Deus.

Entretanto, em nossa pequenez, o que fazemos? Preferimos ficar trocando mensagens no WhatsApp ou no Facebook com nossos coleguinhas de trabalho, nossos amiguinhos da academia ou do bar, fazendo fofoquinhas políticas, novelísticas ou esportivas, pescando apenas lambaris, quando poderíamos pescar peixes muito mais graúdos e bem mais valiosos. Poderíamos, por exemplo, nos valer da rede mundial de computadores, vulgarmente conhecida por “internet”, para levar a Palavra de Deus aos homens e às mulheres de todos os recantos do planeta; poderíamos levar mensagens de paz, de união, de fraternidade e de justiça a todos os povos da terra. E muito mais poderíamos fazer se, a exemplo de Pedro, André, Tiago e João, deixássemos nossas redezinhas para trás e seguíssemos Jesus para, através das grandes redes sociais, levarmos a possibilidade de salvação a todos os homens e a todas as mulheres deste mundo.

É preciso repensar o modo como estamos usando as redes de que dispomos, afinal, foram disponibilizadas, também, pela graça de Deus que sempre nos permite aprender e conhecer cada vez mais. No entanto, o aprendizado e o conhecimento adquirido não podem, e não devem, ficar limitados à nossa falta de coragem, de fé, de respeito e de ousadia. Precisamos ser mais ousados, mais firmes e mais perseverantes, para que nossas redes, também, voltem estupendamente lotadas de grandes peixes. Peixes para a vida, e não, apenas para o estômago! Reflitamos e refaçamos nossos rumos. Seja feliz, e boa sorte.

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.
 

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