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jun 11

EDITORIAL DA SEMANA: SOBRE JESUS, FALTA CONHECIMENTO

JESUS NAS BODAS DE CANÁ

SOBRE JESUS, NÃO FALTA RESPEITO, FALTA CONHECIMENTO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Recentemente li em um desses veículos da mídia que temos por aqui, o debate acirrado em torno da “censura” sobre uma representação teatral envolvendo a pessoa de Jesus Cristo que, na obra, é apresentado como “Rainha do Céu”, numa clara pretensão de colocar o Filho de Deus em pé de extrema igualdade com os homens, a ponto de assumir uma imaginada transexualidade.

A questão, pelo que li, ainda está dando o que falar porque, como sempre, envolve exaltados de ambos os lados. Uns, defendem a apresentação da peça teatral, advogando tratar-se de obra de arte e sem qualquer cunho religioso ou mesmo desrespeitoso. Outros, no entanto, querem porque querem barrar a peça, sob o argumento do necessário respeito às mais diversas tradições religiosas. A querela envolve artistas, produtores, administradores públicos, políticos e religiosos.

Como ocorre vez por outra, de tempos em tempos somos surpreendidos por alguns trabalhos, muitas vezes assinados por renomados autores, envolvendo, também, renomados atores, que decidem ousar sua criatividade em cima de figuras representativas da fé de milhões e milhões de pessoas mundo afora e, como vimos há bem pouco tempo, costuma terminar até em atentados terroristas tenebrosos, com a morte de culpados e de inocentes.

O fato é que, no caso da peça teatral em questão – que não vi nem tenho interesse em fazê-lo – a coisa encaixa-se naquela situação que costumamos destacar do “fazer tempestade num copo d’água”. Primeiro porque o próprio Jesus, do alto da cruz, ora ao Pai e pede: “Pai, perdoai-lhes, pois, não sabem o que fazem”, evidenciando ter pleno conhecimento sobre a nossa absoluta ignorância acerca de tudo o que se relaciona com a divindade, com o Céu e com os seus habitantes. Segundo porque, somente quem desconhece profundamente a natureza humana de Jesus, é capaz de compará-lo a nós, seres humanos, acreditando que o Filho de Deus – verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus – é capaz de trazer em si dúvidas, certezas, rejeição ou preferências no âmbito da sexualidade.

A natureza humana de Jesus faz Dele o homem perfeito, da forma pretendida por Deus no momento exato da Criação, ao declarar: “façamo-lo à nossa imagem e semelhança”. Aquele homem retratado no Livro do Gênesis, antes do pecado, isto é, antes de conhecer sobre o bem e sobre o mal, é o homem-Deus querido pelo Criador. É o ser perfeito, sem mácula e sem qualquer vinculação com desejos, com apetites, com inclinações ou com “prazeres”. Tanto é assim, que o primeiro homem não pediu ao Criador que lhe trouxesse companhia humana. Mas, é o próprio Deus que, olhando o homem à distância, percebe faltar-lhe uma companhia da mesma espécie, já que era patente a diferença entre o humano e os demais seres criados. Aquele homem, no entanto, e por razões que não serão analisadas aqui, deixa-se levar pela desobediência e, como dissera o Senhor Deus, passa a conhecer o sofrimento e todos os tormentos que envolvem o homem decaído, até o retorno ao pó donde provém.

Jesus, no entanto, vem para resgatar o homem original e, como Deus-homem, assume a condição daquele que, verdadeiramente, é imagem e semelhança do Criador, tão perfeito, que resgata o próprio homem da sua infelicidade, cujo ápice é a morte.

Portanto, qualquer criatura que pretender atribuir a Jesus esse ou aquele papel, por entendê-Lo humano como qualquer outro humano, mostra, acima de tudo, falta de conhecimento e, assim, livre está de qualquer condenação, porquanto, se Deus não castiga a ninguém, menos ainda, aos ignorantes, devendo ficar claro que, no caso em questão, não se trata de falta de respeito, mas, de falta de conhecimento acerca do próprio Jesus.

É verdadeiramente estéril o debate entre os homens acerca da representação de figuras religiosas o que, infelizmente, tem contribuído para conflitos, não raro sangrentos. Acima de tudo, precisamos compreender que nossas limitações são gigantescas e que nossas “ousadias” ficam muito aquém da capacidade de aranhar a reverência, o respeito e a santidade de qualquer divindade, menos ainda, Daquele que criou-nos conhecendo plenamente a fragilidade do barro utilizado.

Não façamos coro com os debatedores. Deixemo-los à deriva das suas loucuras e dos embates inúteis que travam, pois, como disse o próprio Jesus, “eles não sabem o que fazem”, nem o que dizem. Nada é impuro até que alguém assim o veja e, para quem assim o vê, deixemos que permaneça impuro como quer. De Deus, no entanto, não esperem castigo algum, porque Deus é Pai e, como tal, ama profundamente todos os seus filhos e filhas, mesmo sabendo-nos ignorantes. Reflita sobre isto e siga em frente. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

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