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dez 10

EDITORIAL DA SEMANA: RESPEITO E TOLERÂNCIA É TUDO

RESPEITO E TOLERÂNCIA

VIVER E DEIXAR VIVER, A SAÍDA PARA A CONVIVÊNCIA SADIA –

*Por Luiz Antonio de Moura –

A TV tem sido protagonista de uma chamada de consciência bastante interessante: artistas e celebridades conhecidas aparecem várias vezes durante o dia, em diversas inserções na quais pregam o respeito. Coisas do tipo “eu respeito a cor da sua pele”, “eu respeito a sua opção sexual” ou “eu respeito a sua religião” e, ao final de cada tirada, a frase lapidar: “respeite a minha também”.

De fato, e indubitavelmente, tudo passa pelo respeito, inclusive, no âmbito   audiovisual. Exibir programas, séries, novelas e outros tipos de “entretenimento” que a maioria do povo não aprova ou não gosta, também, deveria ser objeto de respeito. Assim, parece que o respeito pedido e incentivado tem endereço certo e que, ao contrário do que o veículo de comunicação pretende transmitir, não pratica a forma de vida saudável que defende.

Enfim, o fato é que, ainda que inobservado o respeito alardeado, o recado dado deve ser bem entendido e, como tal, amplificado para todos os setores da vida, comunitária ou social. É justamente a partir do respeito, que a vida e a convivência deixam de ser apenas uma imposição do destino para tornar-se uma atividade saudável. Uma atividade natural, que deve ser querida cada vez com intensidade ainda maior, porque viver é um direito natural assegurado a todos nós, seres vivos, racionais ou não.

Olhando sob este prisma, e cavando um pouco nas terras do subconsciente, certamente, vamos recordar e/ou reconhecer situações tais que, em decorrência da intransigência, da intolerância ou mesmo da já mencionada falta de respeito, pessoas vão se tornando insuportáveis umas às outras, justamente, por desejarem envolver-se de tal modo na vida alheia que, em determinado momento, e, a partir de certo ponto, comprometem a própria convivência. Daí para o estabelecimento do conflito e do consequente afastamento, é um pulo!

Para muitas pessoas, parece um verdadeiro tormento aceitar que o filho, a filha, o pai, o irmão ou mesmo o amigo tenham, de uma hora para outra, decidido seguir caminho diferente daquele que, para elas, é o mais justo, mais correto e mais acertado, quando não, o mais digno e moralmente aceitável. Parece faltar à sociedade pós-moderna um pouco mais de discernimento, para compreender que a vida do outro, enquanto não carimbada pela carência de auxílio direto e imediato, é patrimônio íntimo e pessoal, sobre o qual ninguém tem o direito de avançar, sem ser devidamente convocado ou autorizado.

Não são poucos os casos, até mesmo em família, em que as pessoas acabam se desentendendo umas com as outras, simplesmente porque, de uma hora para outra, alguém decide romper certos cordões, reais ou imaginários, ou desfazer alianças, promessas e juramentos, por convicção ou mesmo por loucura, mas, que, quase sempre, significa aquilo que todos, de uma certa forma, desejamos para as nossas próprias vidas: liberdade. E liberdade, como sabemos e espalhamos aos quatro ventos, não tem preço!

Entretanto, por mais que seja custoso, é preciso aceitar e compreender que os direitos são iguais e que todos têm-no, quando o assunto é restrito à própria vida e ao rumo a ser dado a ela. É verdade que a maioria de nós, quando tentamos demover um filho, filha, pai, irmãos ou amigo de determinada ideia, assim agimos com a mais reta e a melhor de todas as intenções querendo, apenas, e tão somente, impedir que aquele ente querido siga em uma direção que, para nós, por convicções ou por experiências adquiridas, será a pior possível.

E, quando contrariados, não poucas vezes, sentimos-nos desprestigiados, desprezados e abandonados mesmo, por aquele ou por aquela por quem nossa amizade e nosso amor é tão grande, que acabamos por confundir com o domínio e o controle que, sobre o outro, nenhum de nós tem, ou deve ter, justamente, em decorrência da liberdade, direito natural de todos os seres humanos. Assim, e nestas ocasiões, é necessário fazermos pequena pausa para a busca do equilíbrio capaz de recompor todas as coisas e de reconstruir todas as pontes.

Não podemos nos deixar levar apenas pelo impulso, muitas vezes venenoso, dos sentimentos meramente humanos, porque eles, na maioria das vezes, enganam-nos tanto o quanto julgamos estarem enganados aqueles a quem pretendemos ajudar com nossas intervenções.

A chegada a tais conclusões não decorre de leituras de livros de autoajuda ou de psicologia, mas, da longa caminhada pela espinhosa estrada da vida. Estrada que, não raro, lança a gente com a face na lama ou na poeira e faz com que a gente, como que num puxão para frente, se levante e continue caminhando,  correndo e tropeçando, engasgados, tossindo, soluçando e, muitas vezes, chorando mesmo, mas, sem tempo para se recompor. É assim que a vida nos prepara, nos molda e nos dá aquilo que, tempos depois, alguém intitula como “experiência de vida”. Seja lá o que for, o fato é que, quando vemos, descobrimos que aprendemos alguma coisa diferente.

Portanto, se durante a sua caminhada você consegue ouvir alguém, preste atenção: pare de tentar induzir o outro a seguir na direção que você julga ser a melhor, a mais correta, a mais acertada, a mais justa, a mais santa, a mais moralista ou a mais politicamente correta. Respeite a liberdade alheia. Respeite o direito que o outro tem de decidir, de forma absolutamente livre, o rumo que deve dar à própria vida. Aja assim, e, com toda certeza, se sentirá muito bem consigo mesmo(a) porque, talvez pela primeira vez na vida, consiga perceber que o seu respeito é muito mais importante do que o seu conselho.

A vida é feita de convivência e esta, de respeito e de tolerância. Sem isso, não se pode dizer que existe uma convivência, mas, um aprisionamento no qual as pessoas, sociais, comunitárias ou familiares, são obrigadas a estarem juntas, em razão de alguma pressão, interna ou externa.

Onde existe respeito e tolerância, a convivência se revela de forma natural e, eventuais afastamentos ou separações, acabam por causar mais pesar do que aquela satisfação que invade a alma do aprisionado que encontra a porta da liberdade aberta à sua frente.

E não é para ninguém pensar que estas palavrinhas tão simples – respeito e tolerância – podem ser adquiridas na lojinha da esquina, ou após assistir aos reclames da TV. Não! Respeito e tolerância são atributos da alma que, ensinados ainda na infância, acompanham-nos por toda a vida, e depende de nós regá-los diária, insistente e pacientemente, para que cresçam e produzam o excelente, saboroso, apetitoso e doce fruto da convivência.

Porque, da boa convivência, seja em que ambiente for, outros tesouros brotam e novos frutos são produzidos, em um interminável ciclo virtuoso que fará com que todos, nós e os outros, sintam, e sintamos, o prazer de viver. Portanto, respeite e seja tolerante. Viva e deixe viver. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

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