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fev 04

EDITORIAL DA SEMANA: QUEREM MATAR DEUS

DEUS

“O homem ocidental parece ter tomado seu próprio partido; ele se libertou de Deus, vive sem Deus. A nova regra consiste em esquecer o céu para que o homem seja plenamente livre e autônomo. A nova regra consiste em esquecer o céu para que o homem seja plenamente livre e autônomo.” –

PRONUNCIAR O NOME DE DEUS VIROU MOTIVO DE PIADA –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Não bastasse a sentença de Friedrich Nietzsche, de que “Deus está morto”, acusando-nos por sua morte, hoje em dia estamos sendo sentenciados e condenados ao silêncio, quanto à pronuncia do Santo Nome. Para muitos, pode parecer um exagero tal afirmação, mas, basta ler os jornais, as revistas ou assistir os telejornais ou os programas especializados na saga política. Em todos eles, sem exceção, existe a chacota, o desprezo e até mesmo o desvio de finalidade em relação aos que, corajosamente, ousam falar que tudo e em tudo  fazem, devem, temem e invocam o nome de Deus.

Falar o nome de Deus tornou-se a senha privilegiada para reclamar de uma fantasiosa ditadura moral ou mesmo de uma trama urdida para fazer do Estado o Cenáculo do Altíssimo, como se dele necessitasse para se fazer presente e atuante. Os que pregam o silêncio sobre o nome de Deus, e de tudo quanto a Ele diz respeito, fazem questão de alardear aos quatro ventos que o Estado é laico, como se fosse suficiente para justificar a maldita sentença a pesar sobre as cabeças e os corações de pessoas que, sinceramente, fazem questão absoluta de atribuir ao Deus do Céu todas as conquistas, as derrotas, os conhecimentos e os aprendizados com os quais são, diariamente, premiados, assim como a Ele dedicar seus mais variados e diversificados projetos de vida, sociais, religiosos e/ou políticos.

Estamos próximos do dia em que o questionamento do personagem Nietzschiano será, também, o nosso: “Procuro Deus! Onde está Deus?... Já lhes direi! Nós o matamos, vocês e eu. Somos todos assassinos!”. E assim seremos comparados, porque estamos sendo coniventes, não com os assassinos, mas com os que desejam, de fato, a morte de Deus. Aqueles para os quais trata-se de sofrida tortura admitir que, acima deles, existe alguém que não é mais sábio, mas, a própria Sabedoria; não é mais poderoso, mas, o próprio Poder. Em meio a esta tortura imposta pelo senhor do orgulho, da prepotência, da ambição e da vaidade, os inimigos de Deus não suportam ouvir o Santo Nome e, em razão desta repelência obstinada, acusam os crentes de estarem misturando alhos com bugalhos, restringindo a “pronúncia maldita” aos púlpitos eclesiais.

Não obstante, diante dos terríveis desastres naturais ou das cenas mais horrendas causadas pela violência dos homens, os inimigos do nome de Deus fazem chegar aos nossos olhos e ouvidos as hordas que, de mãos dadas e, com velas e flores nas mãos, erguem a voz para recitar o não menos famoso “Pai Nosso...”, como que para chamar a atenção para o fato de que o Deus tão falado e tão festejado pouco se importa com sua suposta criatura. No fundo, o que querem é questionar uma fé que, na sua ótica obstinada pelo relativismo e pelo tudopodismo sem regra, não tem mais lugar na sociedade do século XXI que, certamente, a história futura intitulará como o século das trevas.

Chama a atenção as palavras do Cardeal Robert Sarah, para quem “O homem ocidental parece ter tomado seu próprio partido; ele se libertou de Deus, vive sem Deus. A nova regra consiste em esquecer o céu para que o homem seja plenamente livre e autônomo. Mas a morte de Deus provoca o sepultamento do bem, do belo, do amor e da verdade; se a fonte não jorra mais, se esta água se transformou pela lama da indiferença, o homem desmorona”[1].

É lícito ao ser humano a busca pela liberdade e pela autonomia sem, no entanto, pretender se livrar justamente Daquele em cujas mãos estão depositados a vida e o destino final de cada um de nós. Depois de milhões e milhões de anos o homem não conseguiu se livrar desta realidade e, por mais que tente, tudo indica à exaustão, que jamais conseguirá. Então, por que enfrentar a crença, a fé e sua profissão, a fidelidade e o culto aberto e espontâneo a Deus? Por que insistir em bater na mesma tecla, rotulando de forma pejorativa, depreciativa e despreziva os que fazem do nome de Deus a razão de suas vidas e de suas existências?

Estas questões estão muito vivas no nosso dia-a-dia atual, porque determinadas autoridades, até de forma corajosa, decidiram e ousaram pronunciar o nome de Deus diante das câmeras e dos holofotes, rendendo-Lhe graças e louvores publicamente, em atitude pouquíssimas vezes vista pela maioria do povo pobre, simples e humilde que, impreterivelmente, age da mesma forma, apesar de todos os pesares.

Não é bom que se combata os que pronunciam o nome de Deus, seja de forma reservada, no recôndito de suas almas, seja diante das câmeras e dos microfones porque, os mesmos que hoje condenam tal atitude, amanhã, em seus leitos fúnebres, poderão querer ouvir o nome de Deus e, certamente, não encontrarão ninguém para dar-lhes eco aos desejos que, hoje, soam como ordens, já que, em sua devastadora maioria, são tidos, imerecidamente, como formadores de opinião.

Este texto tem por finalidade incentivar todos os crentes e tementes ao Senhor, a pronunciarem Seu Santo Nome sempre e em todo lugar, louvando-O e rendendo-Lhe graças por Sua infinita misericórdia, até para com os que não creem e para com os que repelem ouvir o nome de Deus. “Bem aventurada a Nação que tem o Senhor por seu Deus. O povo que Ele escolheu para sua herança” (Sl 32, 12). Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio!

[1] SARAH, Robert e DIAT, Nicolas – DEUS OU NADA – São Paulo. 2016 – Fons Sapientiae. 366 páginas.

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