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out 08

EDITORIAL DA SEMANA: QUEM DECIDE É O POVO

ELEIÇÕES 2018 - 2

DEMOCRACIA: QUEM DECIDE É O POVO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Estamos, mais uma vez, vivendo o clima eleitoral. Diversos candidatos apresentam-se diante da sociedade para serem eleitos como chefes dos Poderes Executivos federal e estaduais e como membros dos respectivos Poderes Legislativos. Mas, desta vez, algo de novo está no ar! Parece que o povo acordou e compreendeu que é ele quem tem o poder de decisão final sobre quem, de fato e de direito, ocupará tais funções públicas, sem se deixar levar pelos conteúdos propagandísticos que sempre. Os chamados “santinhos”, distribuídos nas ruas, são recusados em massa, ou atirados na primeira lixeira que aparece na frente do cidadão.

Desde a redemocratização do país, e mais precisamente a partir das eleições de 1989, é a mídia nacional quem tem atuado fortemente para influenciar a decisão  final dos eleitores e, por conta de debates, entrevistas, divulgação de resultados de pesquisas encomendadas, tem levado os eleitores a votarem na direção que mais lhes interessa. O voto não é de cabresto, não é imposto, mas, é fortemente influenciado, direcionado e induzido, fazendo com que muitos eleitores desacreditem do sistema eleitoral.

Desta vez, está sendo diferente! O eleitor decide que vai votar nos candidatos que ele, eleitor, escolhe e não, nos que a grande mídia e as ideologias enraizadas querem. Quem está acompanhando, minimamente que seja, o andar da carruagem eleitoral, está observando que tudo, no campo da indução está se repetindo, até de maneira mais inusitada: temos líderes que, mesmo fora da circulação midiática, estão trabalhando diuturnamente para elegerem seus protegidos diretos. Outros, os que podem circular livremente pelas ruas e pelos meios de comunicação, têm feito o que sempre souberam fazer melhor do que ninguém: propaganda absolutamente enganosa, prometendo coisas que a própria Constituição afasta das suas competências. Mas, fazem isto, porque acreditam piamente que o povo é desinformado, e mal informado, e porque têm convicção de que a maioria absoluta do povo é noveleira e que tudo o que a novela ensina, o povo aprende. Ledo engano!

Pela primeira vez na história recente do país, uma eleição mostra que é o povo quem decide quais serão os seus governantes e representantes legislativos. E mais: o povo decide afastar sistemas bastante enraizados na política nacional, sem se importar com os tradicionais rótulos “de direita” ou “de esquerda”. A soberania popular, que é dotada de sabedoria, compreende que o que está em jogo, no momento vivido pela nação, é a fome e a sede de poder de quem sempre viveu nas sombras e que, como verdadeiros morcegos, foge da claridade e da transparência, disseminando medos, folclores, narrativas assustadoras e tudo o mais que podem disseminar, apresentando-se como verdadeiros guardiões dos interesses e das necessidades populares.

Chega-se ao momento em que os eleitores decidem dizer um basta a isso tudo e assumem, soberanos que são, uma postura diferente, encarando as críticas feitas por quem entende de tudo, menos, de povo. Teses consagradas a respeito dos espectros políticos dominantes, vencedores ou vencidos, vão para o ralo da história, como se nada fossem, simplesmente porque desconsideram a sempre presente sabedoria popular. Uma sabedoria capaz de impor mudanças; capaz de impor derrotas aos sistemas consolidados; capaz de indicar representantes rechaçados pela grande mídia, pela intelectualidade que se autoproclama como detentora da última palavra sobre o que é bom e o que é mau para a sociedade. Enfim, uma sabedoria que decide se impor por meio de apenas duas teclas: nome do candidato – confirma.

Depois destas eleições, certamente, ocorrerão sérias mudanças na condução da política nacional: partidos derretidos por seus próprios líderes passarão por necessária reciclagem, donde talvez renasçam com mais vigor, mais transparência, mais compromisso com a nação e com a verdade; líderes esmigalhados pela repetição de discursos treinados ao longo de décadas, precisarão retornar aos bancos acadêmicos (os que estudaram) para fazerem a prova que nunca fizeram, tendo como tema-foco a compreensão do coração do povo. Estes líderes, é bom que seja dito, não caminham sozinhos, são seguidos por lideranças religiosas de alto coturno; são assessorados por inquestionáveis membros da academia, pessoas que conhecem profundamente o país e o mundo, que falam diversos idiomas e que possuem amigos em muitas outras nações; que conhecem perfeitamente as necessidades materiais dos cidadãos e das cidadãs, de todas as idades; que têm o mapa do país na palma das suas mãos. Tudo isso é verdade! Eles sabem de tudo e conhecem tudo. Porém, desconhecem o coração do povo. Não sabem o que se passa no íntimo das almas. Não sabem o que cada cidadão e cada cidadã, do mais novo ao mais velho, do mais bem aquinhoado ao menos favorecido, sente em relação a cada um deles e mais, em relação aos seus velhos, manhosos e mentirosos discursos. Daí terem se associado entre si, valendo-se de bandeiras distintas e das mais diversas cores e símbolos, mas com idêntica ideologia, para dominarem e subjugarem de forma permanente toda uma nação.

Por esta razão, surpreendem-se com a manifestação voluntária dos eleitores que, desta vez, estão decididos a jogar por terra sistemas bem fincados no chão duro da política nacional sem, aparentemente, darem ouvidos ao que os “sábios” da academia política e da mídia reinante estão alardeando aos quatro ventos.

Não há como desconhecer que, enfim, chegamos à democracia, onde o povo, contra tudo e contra todos, tapa os ouvidos, vira a cara e decide quem serão os seus representantes de fato e de direito, sem se importar se a decisão é de centro, de direita ou de esquerda; se é progressista ou conservadora; se é santa ou profana. O povo decide mostrar a sua cara. Uma cara que, certamente, não é a conhecida pelos intelectuais e pelos doutores da academia ou do sistema midiático. Não é a cara desejada, trabalhada e esperada pela mídia, formadora e fortemente indutora de opiniões e de conceitos. Mas, é a cara de quem tem alma, tem sentimento, tem sonhos enraizados dentro de si, tem convicções que reinam no mais profundo das suas consciências. É uma cara que os grandes da nação nunca pensaram que viesse a ser mostrada justamente em uma eleição, onde eles sempre reinaram de forma absoluta, sendo eleitos ou elegendo os seus apadrinhados, financeiros ou políticos.

Chegamos, finalmente, na plenitude da democracia! Tomara que os vencidos entendam isso de uma vez por todas e que os vencedores compreendam que poderão ser derrotados em breve, caso repitam os erros cometidos por seus adversários.

Nunca pensei que fosse viver para ver o dia da rebeldia e da destruição, sem armas e sem quebradeira, mas, vivi! Vivi e estou vendo a rebeldia contra projetos de poder absoluto e de dominação e a destruição de sistemas antigos e enferrujados.  Vivemos, eu e você, que está lendo este texto. Parabéns para todos nós, que somos povo; que vivemos no meio do povo; que sentimos tudo o que o povo sente; que sabemos tudo o que o povo sabe; que fazemos tudo o que o povo faz e que, agora, decidimos fazer a diferença e mostrar a nossa cara e mais: decidimos mostrar que, na democracia que eles tanto defendem, somos nós, povo, que decidimos quem serão os nossos representantes, seja no Poder Executivo federal ou no estadual, seja no Legislativo de cima, do meio ou no de baixo. Tomara que não nos esqueçamos, jamais, destas eleições e que eles também não se esqueçam da lição. Sejamos felizes, e tenhamos muita sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.
 

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