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fev 11

EDITORIAL DA SEMANA: O TEMPO É ADVERSÁRIO DE QUEM NÃO O COMPREENDE

COMPREENDER O TEMPO

QUEM NÃO COMPREENDE O TEMPO, É DERROTADO POR ELE –

“Todas as coisas têm o seu tempo e todas elas passam debaixo do céu segundo o termo que a cada uma foi prescrito” (Ecl 3, 3). Portanto, é prudente, sensato e sábio compreender e respeitar o tempo e sua dinâmica, sem interferir, por qualquer modo, para acelerar o seu curso, permitindo que todas as coisas, ao final do termo próprio de cada uma, sejam reveladas e produzam os frutos desejados e esperados.”

*Por Luiz Antonio de Moura –

Um dos maiores desafios do estágio atual da civilização pós-moderna é conviver com o tempo, esse fenômeno que, mal compreendido, deixa as pessoas de cabelo em pé, diante da “urgência” com que tudo passou a ter que ser resolvido ou discutido, produzindo resultados da forma mais rápida e fulminante possível, de preferência, na velocidade do pensamento.

Esquecem-se, muitas pessoas, que tempo é o intervalo a ser percorrido entre aquilo que projetamos para o futuro e a efetiva concretização e que, fora das atividades meramente virtuais, no âmbito das efetivamente humanas, este intervalo necessita ser percorrido e esgotado completamente, para que, então, possamos contemplar aquilo que, lá atrás, queríamos ver realizado. No mundo virtual, na era de domínio do chip, tudo ocorre em tempo real, vapt-vupt. Basta dar um comando... e tudo aparece na tela mágica do aparelho eletrônico disponível.

Entretanto, fora deste cenário mágico do “tudo pra já”, proporcionado pela mais alta tecnologia virtual, não existe possibilidade de encurtar o tal espaço a ser percorrido entre o projeto e o resultado final de que falávamos acima. Alguns seres humanos, no entanto, teimam de forma insistente, e até meio ignorante, em fazer do tempo um instrumento a ser manejado ao bel prazer, pretendendo trazer para agora, já, os resultados (quantitativos e qualitativos) que só o regular transcurso do tempo pode proporcionar. Para tais pessoas, e eu conheço algumas, somos nós que manipulamos o tempo e, portanto, temos plenas condições de elastecê-lo ou de encurtá-lo, sem se aterem para o fato de que, qualquer adulteração promovida na natureza trará, inevitavelmente, consequências que, na esmagadora maioria das vezes, são indesejadas e até mesmo prejudiciais.

O processo de adulteração, seja em que campo for, desnaturaliza, consome além do possível, cria esgotamento, ocasiona tensões, prejudica o bem-estar geral e compromete seriamente a qualidade daquilo que, em condições normais, seria produzido com padrão de excelência.

Muitas pessoas, e, novamente, conheço algumas, não conseguem entender que aumentos no volume de projetos envolvem maiores prazos, porque, as distâncias a serem percorridas serão muito maiores e, portanto, consumirão mais tempo. Ou seja, trata-se de verdadeira insensatez, desprovida de inteligência e da própria prática do raciocínio, a fala daqueles que gostam de bradar “faremos mais com menos”, deixando de revelar que, aqui, o “menos” significa qualidade ou qualquer outra perda a ser imposta aos executores que agem em nome ou por pressão daquele que, por não compreender as vicissitudes do tempo, acredita deter em suas mãos o controle de um fenômeno que somente Deus domina plenamente, por ser o Senhor absoluto do passado, do presente e do futuro.

Não deve ser omitido, dos pretensos aceleradores dos ponteiros, que o tempo é o pior e mais cruel dos adversários daqueles que não conseguem compreendê-lo, porque, por não serem dotados da necessária compreensão, acabam sofrendo e impondo sofrimentos aos que os cercam que, não raro, são objetos de comando.

É preciso, não apenas compreender o tempo e sua dinâmica, como respeitá-lo profundamente e deixá-lo fluir da forma mais natural possível, agindo como se o hoje fosse hoje e o amanhã, amanhã. Não dá para viver sobrepondo-se às leis da natureza e, especialmente, ao tempo, na ânsia descontrolada de fazer tudo acontecer agora, já, como se o mundo estivesse marcado para terminar hoje e, ainda, assim, ter que deixar tudo prontinho, como se alguma valia tivesse para quem, eventualmente, sobrevivesse. Cada coisa, e, ao final, tudo, tem o seu tempo certo para acontecer. Não existe forma mágica para semear de manhã e colher à tarde, sob pena de, adulterando todas as lógicas e leis da natureza, colher-se algo terrivelmente descaracterizado e desconfigurado, capaz de investir contra a própria criatura. Os mais sábios, ou ao menos os mais providos de racionalidade, devem refletir sobre estas questões, a fim de servirem como verdadeiros exemplos, contribuindo para a formação de opiniões sadias e sensatas e não, como agem alguns, disseminando exemplos que levam-nos a recordar Jesus, que a respeito dos fariseus, dizia para os seus seguidores: “fazei tudo o que eles vos disserem; mas não imiteis as suas ações” (Mt 23, 3), tamanha a insensatez e a imprudência com que agiam aqueles que não arredavam o pé do templo, acreditando piamente, serem bons exemplos a serem seguidos, mas, que, na prática agiam de forma absolutamente contrária ao que ensinavam.

Relativamente ao tempo, ensina-nos o Eclesiastes: “Todas as coisas têm o seu tempo e todas elas passam debaixo do céu segundo o termo que a cada uma foi prescrito” (Ecl 3, 3). Portanto, é prudente, sensato e sábio compreender e respeitar o tempo e sua dinâmica, sem interferir, por qualquer modo, para acelerar o seu curso, permitindo que todas as coisas, ao final do termo próprio de cada uma, sejam reveladas e produzam os frutos desejados e esperados.

Por que é sábio, sensato e prudente agir assim, em relação ao tempo? porque é assim que o próprio Deus age. Leia-se a Bíblia: “Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu filho, feito da mulher” (Gal 4,4). Ou seja, o próprio Deus esperou calmamente o decurso do tempo para, então, e somente então, enviar o Salvador de todos nós.

Que cada um procure curar sua ansiedade e seu desespero em relação ao tempo, pedindo socorro aos Céus, refletindo sobre o seu proceder e conscientizando-se de que, contra os fenômenos da natureza, o homem não deve investir, seja para prolongar, seja para acelerar, sob pena de arcar com as consequências daí decorrentes, mesmo que recaiam sobre os seus semelhantes como, não raro, acontece.

Este texto, assim como todos os demais até então escritos, pretende abrir espaço para uma profunda reflexão acerca do mal que fazemos a nós mesmos quando, mal compreendendo e até mesmo desrespeitando o dinamismo do tempo, permitimo-nos dominar pela ânsia, pela insensatez e pela imprudência e avançamos contra o seu transcurso, acreditando estarmos agindo bem e sendo bons exemplos quando, na verdade, é totalmente o inverso. Leia, reflita e tire suas conclusões. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

   

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