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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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dez 31

EDITORIAL DA SEMANA: O QUE MUDA DE HOJE PARA AMANHÃ?!

ANO DE 2019

O QUE ESPERAR DO ANO QUE ESTÁ CHEGANDO –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Para nós é quase uma doença incurável: ao final de 365 dias ininterruptos, impreterivelmente, findamos um ciclo, que chamamos de “ano”, e iniciamos outro, que chamamos de “ano novo”, acreditando sinceramente que tudo poderá ser muito diferente do que foi até o último dia daquele ano pesado que acaba de ficar, definitivamente, no passado das nossas vidas. É assim na vida de todos nós, humanos, e, pelo visto, continuará sendo assim até que alguém, talvez de Marte, ensine fórmula mais sábia e mais inteligente para alterarmos nossas expectativas de vida. Enquanto nada muda em relação à fórmula, vamos caminhando e acreditando (viva a fé!) que o ano que chega é bastante promissor e que tudo o que de pior aconteceu no ano findo, não será repetido doravante. Desse modo, de esperança em esperança, vamos alimentando o sistema capitalista que, este sim, promete prosperar cada vez mais, enquanto assistimos, felizes até, a chegada dos cabelos brancos, das rugas, dos netos e bisnetos e vamos acompanhando, lenta e progressivamente, a partida dos parentes e amigos, percebendo que, à frente, a fila está cada vez menor, significando que, em breve, nosso número será chamado às contas finais.

Não havendo outra solução para o dilema da contagem do tempo, e não podendo ficar parados, boquiabertos, olhando para trás e para frente sem retrospectivas e sem novas expectativas, precisamos seguir em frente, acreditando (sempre a fé!) que a partir do primeiro dia do novo ano, tudo será encaminhado para a chegada de dias muito iluminados, cheios de vitórias, de sucessos, de saúde, paz, harmonia e tudo o mais que, quase que de forma automática, desejamos uns para os outros.

O ano de 2018 não foge à regra! Agora, olhando para trás, vemo-lo como um ano terrível, cheio de armadilhas, trapaças, mentiras, violências múltiplas, fome, doença, perda de empregos, perda de vidas, inocentes ou não, derrota em mais uma copa do mundo e, também, derrota de um sistema político impregnado de mazelas e de malfeitos. Tudo isso, com o acréscimo das decepções e das desilusões que, ao fim de tudo, cai sobre muitos de nós, em relação a tudo o que nos cerca.

Mas, o que temos, senão a fé (sempre a fé!), para acreditarmos que o ano de 2019 será bem diferente? Quem garante que o ano que se aproxima não trará as mesmas armadilhas, mentiras, violências múltiplas, fome, doença, perda de empregos e de vidas, inocentes ou não, ou mesmo as decepções e desilusões com o “novo sistema político” que se pretende solucionador de problemas estruturais? Nada ou ninguém pode garantir coisa alguma. Até porque, mudam-se os cenários e os palcos, mudam-se até os locais em que as peças são encenadas sem, no entanto, mudarem os atores e seus instintos que, por mais que se mostrem diferentes são, na essência, absolutamente iguais a todos os demais que, vez por outra, entram em cena como coadjuvantes ou como atores principais.

Assim, o que esperar do ano que se aproxima? Em tese, nada! Na prática, porém, há que se esperar que cada cidadão e cada cidadã (respeitados todos os gêneros), façam a necessária introspecção, a fim de apurar falhas no sistema operacional individual, a partir do qual corpo e alma agem isolada ou coletivamente, criando, recriando, renovando ou mesmo impedindo, novas formas de vida e de convivência, donde, certamente, resultados – positivos ou negativos – serão obtidos e, aí sim, poderão fazer a grande diferença em relação ao ano que escorregou pela ladeira do passado.

Não é de se esperar, nem é bom que assim seja, que governos criem condições melhores de vida; que façam justiça social; que acabem com a violência; que elaborem políticas solidárias capazes de suprirem as necessidades dos mais pobres e mais necessitados; que inviabilizem projetos contra a vida; que façam, enfim, o sol brilhar dia e noite sobre todos.

É preciso que a esperança nasça dentro de cada um de nós, fazendo-nos portadores das sementes das mudanças que queremos. É preciso entender que nós, seres humanos, somos capazes de, unidos em torno de um mesmo ideal, mudar tudo, em todos os lugares, independentemente, do grupo político que chega prometendo mundos e fundos e que todos nós, por experiência própria, sabemos que, o pouco que for feito será, com quase toda certeza, contra os interesses da maioria de nós todos.

Dessa forma, o ano que está chegando só será realmente bom e promissor, se cada um de nós conseguir mudar a si próprio, respeitando mais o próximo em qualquer lugar ou circunstância; sendo solidário com os necessitados de quaisquer bens – materiais, espirituais, pessoais, sanitários ou educacionais; cumprir rigorosamente as leis e exigir que todos façam a mesma coisa, denunciando fraudadores, corruptos e corruptores; agir de forma ética em todos os lugares por onde passar; e, por fim, praticar o mais simples dos atos: não jogar lixo (inclusive, guimba de cigarros) nas ruas, nas calçadas e nos rios e riachos de todos os lugares.

Com tais propósitos, poderemos esperar um ano novo cheio de novidades e de esperanças. Entretanto, se fizermos a passagem do ano, acreditando que os políticos serão ou agirão de forma diferente; que os ministros do governo atuarão com o pensamento voltado para o bem estar do povo; que a justiça punirá os culpados e que absolverá os inocentes na exata medida dos delitos praticados; que os patrões darão mais valor aos seus empregados ou que estes zelarão mais pelo patrimônio dos patrões, chegaremos ao final do ano com as mesmas sensações de sempre: que o ano não foi bom, mas que, o ano novo será bem melhor. E assim, permaneceremos nesta roda que gira, gira mas que não consegue fazer o carro sair do lugar, ao passo que nós, sim, com o girar da roda, estamos caminhando lentamente para o fim, sem nunca termos tido a sensação das mudanças pelas quais esperamos durante toda a nossa existência.

A sugestão é para que cada um faça um sincero e honesto exame de consciência do modo de agir perante tudo e todos e que, ao final, proponha-se o desafio da mudança íntima e pessoal, a partir do que, nova esperança brotará em cada coração, e aí sim, esperar que o ano novo seja muito diferente daquele que passou. Pense sobre isto, reflita e desafie-se. Tudo depende de você, não do governo, dos políticos, do sistema capitalista ou do socialista. Não da alta do dólar ou da bolsa de valores. Lembre-se: as rodas estão aí, e giram para o lado que for determinado por alguém. Enquanto este alguém for o outro, você assistirá as mudanças na vida dele. Quando você fizer as rodas girarem para o lado que desejar, então, suas expectativas e esperanças se tornarão realidades e, com o ano novo, chegará, também, uma nova forma de vida, mais feliz e muito mais promissora. Que 2019 surja na sua vida como um verdadeiro e excelente Ano Novo. Seja feliz, e boa sorte!.

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

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