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jan 29

EDITORIAL DA SEMANA: O FIM DA ERA DOS DIREITOS

A ELITE NO PODER

A FÚRIA DO CAPITALISMO SOLAPA DIREITOS E SE IMPÕE DE FORMA AMEAÇADORA –

*Por Luiz Antonio de Moura –

A civilização está passando por momentos bastante complexos, que desafiam inúmeras análises. Sociólogos, historiadores e cientistas políticos têm se revezado nesta tarefa, tentando encontrar explicações racionais e lógicas, por um lado, e soluções minimamente aceitáveis, por outro. Nada, no entanto, impede que qualquer ser humano faça suas análises, também, e apresente sua visão sócio-política de tudo o que está acontecendo no mundo neste turbulento, e ainda mais imprevisível, século XXI.

Antes de qualquer avaliação, é preciso lançar um olhar para o acirramento das relações humanas. Como esta relação está deteriorada! A pergunta que parece ser a mais lógica a ser formulada é: por que? Por que as relações humanas ficaram tão perigosas e incrivelmente ameaçadoras? Como dito acima, qualquer pessoa pode dar sua opinião sobre a situação, e eu não me furto de exercer esse direito.

Na minha singela opinião, e considerando que as relações humanas nunca foram das melhores, o marco inicial da piora de tudo pode ser colocado no ano de 1991, quando ocorreu o colapso da URSS e, consequentemente, o desmoronamento do bastião, até então inexpugnável e inquebrantável, de um comunismo consolidado como único, e quase indestrutível, contraponto às indomáveis investidas de um capitalismo selvagem, perigoso, monstruoso e, até certo ponto, dizimador de todas as espécies, já que, sequer, respeita a criação de um modo geral, nem o ser humano, de modo especial.

O falecido Papa, e agora santo, João Paulo II, com toda a sua bagagem teológico-filosófico-intelectual, certamente, não vislumbrou as consequências que adviriam da quebra da espinha dorsal do comunismo que ele, com toda razão, tanto temia, haja vista as experiências dramáticas e traumáticas experimentadas durante os anos que precederam e que sucederam à segunda Grande Guerra Mundial, participando ativamente das estratégias norte-americanas, lideradas por Ronald Reagan, para varrer o ideário comunista da face do planeta.

Jogado por terra o muro de Berlim, em 1989, com o desmantelamento da divisão entre as duas Alemanhas (Oriental e Ocidental), o mundo respira aliviado e chancela a reflexão de Francis Fukuyama no tocante ao rumo da história e ao destino do homem, na direção de tese possivelmente defendida pelo filósofo alemão G. W. Friedrich Hegel, quando aborda o tema da evolução das sociedades humanas admitindo, em tese, a possibilidade de um fim para a própria história. Embora existam controvérsias entre a verdadeira intenção do filósofo alemão e a real compreensão de Fukuyama, a questão central é o fim história a partir da ascensão da democracia liberal face ao comunismo que se despedia do mundo de então.

O fato é que, a partir dos acontecimentos verificados no mundo durante o triênio 1989-1991 – queda do comunismo, reunificação da Alemanha e ascensão isolada do capitalismo – pareceu que a civilização entrava em um cenário no qual todas as ameaças até então terrivelmente assustadoras, estavam com os dias contados. Esfriamento da tensão provocada pela constante ameaça de uma guerra nuclear; fim da guerra fria protagonizada pelas grandes potências bélicas e atômicas; controle dos estoques de armas nucleares; supremacia do capital e, consequentemente, do liberalismo; justiça, igualdade e fraternidade à vista!

Entretanto, o que se viu a partir de então, e o que estamos vendo e vivenciando até hoje é, deveras, assustador também: a supremacia de um modelo de capitalismo selvagem e avassalador. Tão selvagem e tão avassalador que, depois da União Soviética, a única potência comunista reinante no mundo, a China, curvou-se à economia de mercado e ameaça engolir todos os países capitalistas de uma só vez, invadindo o mundo, não com armas nucleares ou com mísseis intercontinentais, mas, com containers cheios de dólares, comprando tudo e todos! Cuba resistiu o máximo que pode. Porém, sem fôlego e sem capital, sentou-se à mesa com os arqui-inimigos de sempre, os EUA, e, agora, implora para que o atual governo americano não revogue os acordos feitos em março de 2016, pelo governante americano de então.

Na Europa, todo o poderio e o domínio é liderado por estratégias bélicas, políticas e econômicas ditadas pela Alemanha, país fragorosamente derrotado na II Guerra Mundial, depois de tentar, pelas mãos de Hitler, controlar todo o planeta com ordens e armas poderosas. Hoje controla, de forma progressiva, ostensiva e absoluta, com notas de Euros!

O Japão, destroçado e aniquilado pelas forças aliadas durante a II Guerra, experimentando desgraçadamente os horrores de duas bombas atômicas, hoje, pela força do dinheiro, é um dos pilares do capitalismo moderno!

Com a expansão e o predomínio econômico-financeiro do bloco de países europeus, não precisamos de muito mais para uma profunda reflexão acerca do poderio do capital - talvez - jamais visto na história da humanidade. Poderio que, de forma imponente, exploradora e mais alienante do que o ideário comunista, vem solapando direitos e ditando um rumo bastante perigoso para a civilização que, formada na maioria absoluta pelas classes menos favorecidas e trabalhadoras, menos cultas e carentes de todos os recursos capazes de proporcionarem uma vida digna ao ser humano, poderá, em muito breve, rebelar-se de forma bastante raivosa e indomável contra uma elite encastelada em promíscuas ilhas da fantasia, a ponto de presenciarmos uma verdadeira carnificina humana sem precedentes na história que, Fukuyama, julgava ter chegado ao fim.

Diante da supremacia absoluta do capital e de um modelo liberal mais radical, mais insensível e mais insensato, levando à estratosfera capitalista uma elite endinheirada, mas, também, sem visão de futuro e sem projetos de um mundo mais humanizado, é possível prever uma guerra mundial travada na base de paus, pedras, facas, correntes, explosões, sabotagens e fogo capazes de, sem armas atômicas e sem mísseis intercontinentais, dizimarem o ser humano da face da terra bastando, apenas, e tão somente, que as massas tomem consciência, depois de tanto desprezo e de tanto descaso, do papel esdrúxulo, ridículo e medíocre que estão sendo forçadas a representar em um mundo no qual as elites estão cada vez mais fechadas em seus universos particulares e reluzentes, mostrando-se cada vez mais no controle total de todos os meios de produção, sem espaço para o diálogo defendido anteriormente pela própria Igreja e pelas forças políticas representativas das classes sociais menos abastadas e trabalhadoras.

Em todo o mundo, embora ninguém admita publicamente, a defesa dos “fracos e dos oprimidos” - alvos preferenciais da Igreja e de partidos políticos de natureza e de origem socialistas e trabalhistas - tem amargado enormes derrotas e sofrido verdadeira caça às bruxas, com denúncias, condenações, prisões, banimentos e proscrições, com a ascensão vertiginosa de uma direita sem visão, sem compromissos sociais, raciais e ambientais e sem princípios éticos ou morais, e com o aniquilamento de uma esquerda, com cada vez menos ideologia e, portanto, com menos compromissos com as massas, que não tem conseguido, sequer, se impor como força política alternativamente proba, ilibada e honesta, capaz de promover a necessária indução da sociedade para a trincheira da paz e da justiça social, bem como do equilíbrio de forças entre o capital e o trabalho, de modo a consolidar o estado de bem-estar tão desejado pelos revolucionários do passado.

O projeto absolutamente repugnante e ignóbil que está em curso na atual história da humanidade, é o da supremacia de uma elite que, muito mais do que nas armas, acredita e aposta todas as fichas no poder absoluto do dinheiro sobre tudo e sobre todos, valendo-se da tripartição dos poderes estatais, vislumbrada por Montesquieu, como mero instrumento de sustentáculo e de garantia dos objetivos mais mesquinhos e mais sórdidos em relação aos seres humanos mais pobres, mais carentes e, portanto, mais desvalidos, sofridos e desamparados, em um mundo no qual conflitos, guerras, terrorismos, atentados, massacres, doenças, fome e perseguições elevam para números assustadores o contingente de refugiados e de nômades que, não raro, encontram a morte no meio da travessia, o que agrada bastante aos donos do poder.

Parece uma visão bastante pessimista, sim, mas, infelizmente, parece, também, ser a realidade atual da civilização.

Pessimismo ou realidade, a situação demanda atenção e reflexão de todas as partes envolvidas, a fim de possibilitar a interrupção da saga desumana do dinheiro, que atua em detrimento do ser humano e da própria sobrevivência dos povos e das nações, e de propiciar a manutenção da luta incansável pelo restabelecimento da paz, da justiça para todos e do equilíbrio social, com vistas à preservação de toda a Criação que, queiramos ou não, está sob os nossos cuidados. Reflita sobre tudo isto, tire suas conclusões e faça a sua parte. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

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