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fev 19

EDITORIAL DA SEMANA: NOSSOS DESERTOS E TENTAÇÕES

JESUS NO DESERTO - 3

JESUS, O DESERTO E O ADVERSÁRIO: OS MESMOS COMPONENTES DA NOSSA VIDA TERRENA –

*Por Luiz Antonio de Moura –

O tempo da quaresma de todos os anos traz para nós cristãos, de um modo geral, e para os católicos, de modo especial, algumas recordações do Evangelho que dão conta do início da vida pública de Jesus. Não bastassem os apelos relacionados com este tempo (quaresma), como jejum, caridade, perdão, reconciliação, oração etc., sempre somos levados a relembrar a ida do Filho de Deus, conduzido pelo Espírito, para o deserto.

É, pois, no deserto, que Jesus vai se deparar e, de certo modo, se confrontar, com o adversário de Deus, aquele a quem são atribuídos diversos nomes, cada um mais assombroso que o outro, coisa que não farei aqui por considerar absolutamente desnecessário e, também, para não dar mais fama para quem já tem tanta!

Pois bem, o tal adversário é, acima de tudo, astuto, sábio e conhecedor profundo da natureza humana, sabendo que o ser humano, por qualquer estalar de dedos, faz qualquer coisa para se agigantar perante seus semelhantes e, se for o caso, até destruí-los da pior maneira possível, por um punhado de ouro, ou equivalente, e, digamos, por um cargo qualquer que o coloque acima dos demais. Ele, o adversário de Deus, sempre soube de tudo isso sobre nós, humanos, e, ao saber que Jesus tinha dupla natureza (humana e divina) decide comparecer naquele deserto para ver o que conseguiria.

Interessante, e apenas para abrir um parênteses, este mesmo adversário já tinha investido contra Jó, lá no Antigo Testamento, só que, ao invés de oferecer algo, ele apareceu para tirar tudo o que o pobre servo de Deus tinha. Fecha (“).

Agora, no deserto, ele se aproxima sorrateiramente de Jesus, olha-O bem e de forma admirada, percebe que Jesus sente as mazelas da fome prolongada, e diz: “Se és filho de Deus, ordena que estas pedras se transformem em pães”. Ora, para quem tem o poder de um Deus, por que continuar com fome, quando basta apenas um simples gesto para que tudo ao redor se transforme em alimento? O adversário é forte e, bem alimentado, desafia Jesus a saciar a fome de uma vez por todas, como se dissesse: “chega, você já provou que é capaz de fazer jejum, mostra aí um pouco do teu poder”. Jesus, no entanto, olha para ele e afirma: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. Parece que vejo o adversário esboçando um sorriso e, balançando a cabeça, conduz Jesus para o ponto mais alto do templo e lança um novo desafio: “Se és filho de Deus, lança-te daqui abaixo, pois está escrito: ‘Porque mandou aos seus anjos em teu favor, e eles te guardarão em todos os teus caminhos e te levarão pelas mãos, para que teu pé não tropece em alguma pedra’”. Aqui, ele mostra conhecimento sobre a Palavra de Deus e cita textualmente os versículos 11 e 12 do salmo 90. Jesus aceita o confronto e afirma: “Também está escrito: não tentarás o Senhor teu Deus”, reportando-se ao Livro do Deuteronômio, capítulo 6, versículo 16 (Não tentarás o Senhor teu Deus, como o tentaste no lugar da tentação).

O adversário admira-se de ver o conhecimento de Jesus sobre o Antigo Testamento. Sabia que Jesus era Judeu, mas, sem nenhum estudo e sem qualquer formação ou prática religiosa. Fica surpreso com a performance do nazareno!

Porém, não satisfeito, e conhecendo a origem pobre e humilde daquele servo de Deus, conduz Jesus até o ponto mais elevado de um monte, de onde podem ser contemplados diversos dos seus domínios e, mais uma vez, desafia o nazareno: “Tudo isso eu te darei se, prostrado diante de mim, me adorares”. Agora a cena é invertida e é Jesus quem olha para o adversário com ar de escárnio e, chamando-o por um de seus nomes, diz: “Vai-te embora, satanás, porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a ele prestarás culto”, recordando a lei mosaica descrita no Livro do Deuteronômio, no capítulo 10, versículo 20 (Temerás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás).

O Evangelista São Mateus afirma que, naquele exato momento, o adversário sai de cena, dando lugar aos anjos que se aproximam para servirem o filho de Deus em todas as suas necessidades.

A narrativa da tentação é, apesar de tudo, muito bonita: de um lado, Jesus enfrentando os primeiros desafios da vida longe do lar materno, do aconchego e do carinho daquela que sobre dizer “sim” à proposta da salvação e, de outro lado, a presença daquele que sempre surge no momentos mais difíceis da vida humana, para trazer propostas de vaidade, de ambição e de sujeição a qualquer preço. São dois projetos bastante distintos que, não apenas naquele inóspito deserto, mas, também, na vida de todos nós, estão presentes durante toda a nossa estada neste plano terreno: o sofrimento, a dificuldade, a angústia e o sentimento de fidelidade ao Pai e ao seu Ungido, de um lado, e o desejo de fazer diferente, de ser diferente, de querer crescer e de mostrar-se pronto para o que der e vier, para alcançar “prestígio e glória”, sempre em nome da “coragem para enfrentar e vencer desafios”, de outro. É o eterno confronto entre o projeto de Deus para salvar o homem, numa extremidade, e o projeto do adversário para provar que o homem não tem salvação, na outra ponta!

Nesse jogo de ontem, de hoje e de sempre, nem sempre o ser humano consegue imitar Jesus e, infelizmente, acaba cedendo às propostas (tentações) do adversário que sai dando gargalhadas diante da queda dos humanos que, por qualquer provocação, cedem. Se queres, podes comprar: e o sujeito compra, sem importar-se com as consequências; se cuidares bem de mim (dinheiro), dar-te-ei tudo o que precisares, e o sujeito dedica-se ao dinheiro, de corpo e alma; se, prostrado, me adorares, te darei todo o poder sobre tudo e sobre todos, e o homem compromete-se com as instituições, que asseguram-lhe poder e status suficientes para subjugar seus semelhantes, e até explorá-los à vontade. Vaidade, riqueza e poder, os três pilares oferecidos a Jesus, que soube recusá-los por amor ao Pai e por amor à humanidade. Esta mesma humanidade que, hoje mais do que nunca, anseia pelo encontro com o adversário de Deus para, recebendo iguais propostas, entregar-se a ele de braços e mente abertos, acreditando libertar-se de todo o mal que a aflige.

A imagem de Jesus no deserto reflete a nossa imagem nos dias atuais, quando enfrentamos momentos inóspitos e somos tentados aos caminhos mais fáceis e quase sempre formosos, mas, que, irremediavelmente, afastam-nos do projeto de Deus.

Olhando para a nossa vida, para os nossos desertos, com seus inúmeros desafios, e para as diversas tentações a que somos submetidos por um adversário que tem certeza da nossa fraqueza e da nossa queda, precisamos focar em Jesus e pedir para Ele nos libertar das nossas fragilidades, das nossas cegueiras e da nossa falta de fé e que, tal como Ele, saibamos dizer: “Vai-te embora satanás”.

Se não agirmos desta forma, nunca seremos imitadores de Jesus e, pelo contrário, sempre estaremos à disposição do adversário, que já nem se preocupa tanto conosco, pois, sabe que somos presas fáceis da vaidade, do orgulho, da prepotência, da ambição e de um relativismo que de tudo nos liberta e nos desvia do caminho, da verdade e da vida. Ou seja, de Jesus!

Nesta quaresma, reflita sobre os desertos da sua vida e das tentações das quais tem sido vítima, assim como da forma como tem se saído destas armadilhas tramadas pelo adversário de Deus que, contra o homem Jesus, nada conseguiu. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

2 comentários

  1. RedazioneMU

    por lisaac, thank you for this post. Its very inspiring.

    1. lisaac

      Thak’s for your mensage. God bless you!!

      http://www.sementesdapalavra.com.br

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