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mai 14

EDITORIAL DA SEMANA: EM ESTRUTURAS PODRES, NÃO CABEM MAIS REMENDOS!

ESTRUTURA PODRE

O DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA, CEDO OU TARDE DEVE ACONTECER –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Nada dura para sempre neste mundo! Por mais que gostemos ou queiramos preservar determinadas coisas, situações, relações ou laços afetivos, infelizmente, chega a hora do desenlace ou, o fim, para os mais dramáticos. Não é uma regra absoluta, mas, são raras as exceções de durabilidade e mesmo de estabilidade de certas estruturas. A maioria de nós conhece, certamente, situações, relações e afetividades que deram certo e que perduram por anos a fio, sem interrupções, mas, reconhece serem poucos os casos. A percentagem maior está sempre do outro lado, do lado das interrupções e dos rompimentos, amigáveis ou não, conscientes ou não. Casos como o de amigos ou de amigas que, por causa de determinadas rusgas ou mesmos desencontros ideológicos ou comportamentais, foram se distanciando lentamente até, por fim, perderem totalmente o contato e a própria relação, sem ódio, mágoa ou ressentimentos, mas, que, simplesmente, viraram cinzas. Casos familiares ou conjugais que o tempo, sempre o tempo, vai corroendo de tal forma que, em dado momento, só restam retalhos enferrujados e apodrecidos. Retalhos que, ao menor toque, desintegram-se nas mãos que deles se aproximam.

Por mais que nossa índole seja a da preservação, nem sempre conseguimos vencer o processo de desgaste que envolve todas as circunstâncias da vida, principalmente, quando acrescentado o componente humano. Nunca ouvimos falar que alguém tenha rompido relações com o ex-cão, o ex-gato ou qualquer ex-animal. Justamente porque o ser humano é quem é capaz de criar, manter e, também, de deteriorar todas e quaisquer situações bastando, apenas, um simples e leve despertar da consciência. Um despertar que revela o quanto esta ou aquela situação está aniquilada; um despertar que mostra quantas tentativas de preservação, de aproximação, de recomposição e mesmo de convivência foram feitas, até a conclusão de que o tecido está irremediavelmente decomposto e sem a menor chance de receber qualquer remendo ou reparo. E não, por má vontade ou por falta de persistência ou de insistência das partes envolvidas, mas, e principalmente, porque nada mais resta de original naquele tecido. Como tentar costurar algo em uma teia de aranha? É completamente impossível.

A concretização de situações semelhantes sempre aponta, como solução mais provável, a separação, a divisão, a interrupção, o abandono, o afastamento e a partida para novas composições. Composições em bases mais sólidas e nascidas da uma experiência anterior que, jamais, pode ser desprezada. É justamente por meio das experiências adquiridas que conseguimos vencer antigos e novos desafios e, no momento em que tomamos consciência de que alguma ou algumas das nossas relações estão combalidas e sem possibilidade de recomposição, é chegada a hora de partirmos para novas aproximações. Afinal, tratando-se de relações humanas, não falta a matéria-prima necessária para novas e promissoras construções, sejam em que níveis forem.

Não se está, aqui, a defender a tese da separação, do rompimento ou das divisões irremediáveis. O que está-se sugerindo é que, tomando-se consciência de que tais situações chegaram ao nível considerado como irrecuperável, não vale a pena continuar lutando, porque a luta será inglória e aí, sim, vai-se perdendo substancia e essência física, orgânica e espiritual e o dano pessoal pode se tornar fatal para qualquer das partes envolvidas. Isso vale para relações conjugais, de amizade, societárias, religiosas e, enfim, para todos e quaisquer tipos de relações nas quais os seres humanos estejam atuando como motores propulsores.

Precisamos estar atentos, e conscientes, para a vida contínua e permanentemente envolvida em processos desgastantes e, consequentemente, conflituosos que, em muitos casos, só são mantidos em nome de certos dogmas sociais, religiosos, humanitários e fraternos, mas, que, no fundo, no fundo, representam o lado oposto de tudo isso, levando-nos ao paredão da vida onde, no final de tudo, acabamos sendo fuzilados porque, enquanto havia tempo, não fomos capazes de, tomando consciência do abismo no qual estávamos caídos, romper com tudo e com todos e partirmos para uma nova forma de vida e para uma nova metodologia relacional.

É necessário, acima de tudo, ter e tomar consciência de que rompimentos, separações, afastamentos, desligamentos ou seja lá o nome que se queira dar, não é sinônimo de fuga, de medo, de fraqueza ou de covardia, mas, de sabedoria! Sabedoria para perceber que somente os insensatos acreditam poder furar uma parede de granito com o próprio dedo, sem acabar perdendo a mão inteira. Isso, também, não significa falta de persistência ou de insistência na busca pela vitória que, no dito popular, é concedida apenas aos “fortes e destemidos”. Não, nada disso é verdade! Na realidade, fomos criados para a vitória, não importando onde, quando ou contra quem. Vencer é o que importa e esta vitória, muitas vezes, é sobre nós mesmos e sobre os nossos maus hábitos e nossas deficiências. O que não podemos, nem devemos, é passarmos a vida inteira acreditando que vamos conseguir modificar situações sobre as quais o tempo, sempre o tempo, já revelou que nunca seremos vitoriosos. Pra quê insistir e persistir na restauração de peças apodrecidas, se existem outras que, com pouca ação e pouco trabalho podem ser totalmente renovadas e aproveitadas por longo período?

Reflita sobre este texto e, caso se identifique com situações semelhantes, tome consciência de que tudo pode ser modificado, ainda que pela destruição das estruturas velhas e pela construção de outras, novas e promissoras e, talvez, mais condicionadas aos possíveis e necessários “remendos” de adaptação trazendo-nos, não, a felicidade, por ser ilusória e passageira, mas, e, sobretudo, a paz e a tranquilidade que tantos de nós persegue com afinco e com dedicação. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

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