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mar 12

EDITORIAL DA SEMANA: NA BÍBLIA ESTÁ A CHAVE

A BÍBLIA COMO CHAVE

NA BÍBLIA, A CHAVE QUE ABRE TODAS AS PORTAS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Imagine adquirir, por herança, uma mansão muito, muito grande e ricamente ornamentada, com muitos quartos, salas e salões, copas, cozinhas, banheiros dos mais variados tipos e gostos, com diversas saídas para jardins e áreas de lazer, escritórios particulares e outros aposentos dos mais variados, tudo muito bem protegido, cujo acesso é feito por meio de portas eficazmente trancadas, não apenas por segurança, mas, também, para preservar a paz e a intimidade dos moradores e dos eventuais visitantes. Num primeiro olhar, o adquirente fica maravilhado com todo aquele cenário, porém, vê-se impossibilitado daquele gozo, por não ter em mãos uma simples ferramenta: a chave que abre a porta principal! Alguém, no entanto, diz: “uma única chave abre todas as portas, o segredo está no número de voltas, para a direita ou para esquerda, que devem ser dadas em cada uma das trancas”. Ora, parece bastante claro que o adquirente fica louco para encontrar a “bendita chave”, para ter acesso a todo aquele mundo maravilho sobre o qual ele apenas ouviu falar e, eventualmente, viu fotografias. Ao tomar conhecimento acerca do local onde pode encontrar aquela chave, ele deixa tudo para trás, e vai em busca daquela ferramenta que poderá levá-lo ao desfrute de toda uma riqueza que, por direito, é totalmente sua.

Agora, imagine, que a referida mansão não é mais um imóvel, um bem material, mas, a própria vida! Quantas possibilidades, quantas portas, quantas riquezas, quantos compartimentos e sentimentos, quantas salas cofres, esconderijos dos mais variados segredos, e, depois, uma vida após outra. Como acessar tudo isso da forma mais proveitosa possível? Como abrir cada uma destas portas, sem necessidade do arrombamento que, sempre, causa muitos estragos e, normalmente, destrói todo o conteúdo, fazendo esvair-se por completo o interesse do adquirente?

Se, no caso da mansão, apenas uma simples chave, observadas as regras de uso, destranca todas as portas, levando o proprietário ao pleno gozo e usufruto do imóvel adquirido, no caso da vida, com todas as portas circunstanciais, emblemáticas e problemáticas, a chave está escondida no meio de um emaranhado de palavras, de histórias, de poemas, de Leis e de preceitos, de orações, de profecias, de bênçãos e de maldições encerradas, todas, em um mesmo lugar: a Bíblia Sagrada!

Esta revelação, em princípio, assusta a muitas pessoas. Muita gente, depois de ter acesso à Bíblia, interrompe a busca pela chave com a mesma afirmação: “A Bíblia é muito complicada! Leio, leio e leio, e não consigo entender quase nada. Não consigo compreender a lógica da repetição de narrativas que, não raro, são divergentes entre si” e, com esta constatação, prefere abandonar a pesquisa e continuar vivendo à esmo, agindo como um atirador que, não tendo mira, atira para todos os lados, para ver se acerta em alguma coisa. De tempos em tempos até descobre ter acertado algo, mas, a maioria dos tiros dados são totalmente inúteis, justamente porque o atirador não consegue identificar o alvo. E, não consegue, exatamente porque não sabe o que é alvo. E, assim, nem para onde atirar!

Entretanto, na Bíblia está a chave para a vida. A chave que abre todas as portas desta vida e prepara para a passagem para a vida além túmulo. No entanto, é preciso conhecer o alvo para poder acertá-lo. No caso, primeiro é preciso saber o que é “chave”, para poder procurá-la e, ao encontrá-la, reconhecê-la de imediato. Feito isto, abrir as portas é questão de treino e de tempo.

Por ora, vamos passar as características da “chave”, para que a busca possa ser iniciada. Depois, vamos apresentar algumas sugestões de busca, para que o leitor e a leitora tenham condições de partir para a missão, com segurança.

A chave é um instrumento que, não obstante o tamanho, destrava fechaduras. Também, aqui, não importam as dimensões da tranca. O que importa é saber reconhecer o objeto “chave”. Em se tratando de Bíblia, a chave é formada por um conjunto de informações que, bem manuseado, abre passagens internas e, ao mesmo tempo, destrava portas externas. Portas que frequentemente precisam ser ultrapassadas para possibilitar o acesso a diversos compartimentos, ou mesmo a diversos outros caminhos. São como os tais cômodos da nossa mansão inicial.

As informações que formam esse conjunto denominado “chave” são: 1) Deus é o centro de toda a Bíblia e, sempre, caminha ao lado dos seres humanos; 2) quem escreve os diversos Livros da Bíblia é inspirado diretamente por Deus, cujo único objetivo é orientar e guiar o ser humano no caminho de volta para o paraíso perdido com o pecado original; 3) dentre todas as divisões observadas na Bíblia, duas possuem significado decisivo: as antigas Alianças, feitas entre Deus e os homens, no Antigo Testamento e a nova Aliança, trazida por Jesus Cristo e configurada no Novo Testamento; 4) dois Testamentos, um mesmo objetivo: a libertação e a salvação do homem, enquanto espírito vivente; 5) o conjunto de Livros que compõem a Bíblia é fruto de uma organização literária, e não, sequencial. Ou seja, não existe uma sequência histórica lógica dos fatos narrados; 6) pelo mistério da encarnação, o Verbo de Deus se faz homem e habita no meio de nós, revelando-nos o Deus Uno e Trino – Pai, e Filho e Espírito Santo; 7) o Livro do Apocalipse – último da Bíblia – é a descrição das revelações feitas a João, na Ilha de Patmos, que são narradas por meio de uma visão estritamente apocalíptica da época, não significando, necessariamente, uma profecia a ser cumprida exatamente na forma e com o conteúdo das visões.

É importante que o leitor e a leitora da Bíblia compreendam que estas informações, no conjunto, corporificam a chave que abre todas as portas, sejam as internas, da própria Bíblia, ou mesmo as externas, relativamente à vida de cada um de nós. Posteriormente, trataremos sobre as diversas formas de utilização desta chave para que possa, efetivamente, destravar trancas muito bem fechadas. Conforme já antecipado, identificando a chave, o uso e o proveito decorrem do treino e do tempo. No início, abre-se a porta principal! Que alegria! Entra-se na mansão. Depois, calma e serenamente, outras portas vão sendo destrancadas e, um dia, nasce a convicção de que diversas outras portas também estão sendo destravadas. Entretanto, somente a passagem pela porta que conduz à vida eterna, é que proporcionará o conhecimento e o pleno domínio sobre todo o conjunto da obra.

Por ora, basta ao leitor e à leitora abrir a Bíblia e iniciar a busca pela chave, procurando identificar, com clareza, cada uma das informações acima descritas para, em pouco tempo, perceber que, diante de si, está o tão desejado instrumento, cujo manuseio já abrirá algumas das principais portas.

Leia este texto com atenção e, de forma lenta, serena e pausada procure entender que tudo o que está escrito na Bíblia é fundamento para a ação de Deus junto a todos os seres humanos, e para a devida correspondência destes para com Deus, em um processo de trancas e de destrancas, que só terá fim quando for empreendida a passagem final desta, para a outra vida. Faça deste exercício o desafio da sua vida: encontrar e reconhecer a verdadeira chave. Depois, entre na mansão. A partir de então, o interesse, a curiosidade e o entusiasmo darão o impulso necessário na direção das demais portas. Faça esta maravilhosa experiência. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é estudante de Teologia no ITF-Petrópolis, um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

   

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