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ago 27

EDITORIAL DA SEMANA: É PRECISO TESTEMUNHAR

MEU CONSOLO

TU ÉS, SENHOR, O CONSOLO DA MINHA EXISTÊNCIA –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Tu és, Senhor, o consolo da minha existência. Por quantas vezes tenho caído e por quantas tenho batido à porta do Teu Espírito, para ser socorrido e curado? Em quantas oportunidades tenho me sentido cansado, aflito e desanimado, e tenho encontrado na Tua Palavra o bálsamo para continuar a longa caminhada? Quantos têm sido os momentos de aproximação da Tua Tenda Sagrada, em busca de um simples copo de fluido espiritual, para o necessário e indispensável reabastecimento do meu ser? Cansado ou aflito, quantas vezes tenho ido à Tua presença, em busca do alívio para a minha alma? Não tenho a resposta para nenhuma destas indagações, Senhor!

Não sei respondê-las, simplesmente porque são incontáveis! Não tenho a menor noção do número de vezes em que, durante minha existência terrena, tenho ido a Ti, usando as muletas da oração, da súplica, das lágrimas, do arrependimento, do medo, da insegurança, da fraqueza, da terrível solidão ou da cadeira de rodas da fé, para buscar aquilo que só Tu podes dar a todas as Tuas criaturas: a inefável presença, o amor do Pai, a companhia do Irmão, o ombro do Amigo e a Palavra do Sábio. Em todas estas inúmeras e incontáveis oportunidades, tenho Te encontrado no mesmo lugar, da mesma forma e com a mesma disponibilidade: no centro do meu ser. Agora, depois de tanto tempo, compreendo perfeitamente o que o Apóstolo Paulo quis dizer, quando pergunta aos cristãos de Corinto: “Porventura não sabeis que os vossos membros são templo do Espírito Santo que habita em vós, que vos foi dado por Deus, e que não pertenceis a vós mesmos?” (ICor 6, 19).

Volto-me para dentro de mim e percebo a fulgurante luz do Teu Espírito, que brilha intensamente e que vive ao meu dispor para ouvir, acalentar, socorrer, iluminar, guiar, recordar as palavras do Cristo, ensinar, inspirar e, o melhor de tudo: falar sobre Ti, Pai eterno e misericordioso, sempre presente porque, onde está o Espírito, estão o Pai e o Filho, no eterno dinamismo pericorético do qual falam os teólogos. Oh, Deus, como é grande a Tua misericórdia, repetimos sempre na oração eucarística. Bem afirmou Jesus, que Teu Reino está no meio de nós, e que Nele somos convidados a tomar o lugar de filhos muito amados. É graça sobre graça. É benção sobre benção! Quem dera, ó Pai, que todos os Teus filhos soubessem, e que acreditassem os que sabem, o quanto Tu amas, individual e coletivamente, a todos nós e como é imensa e intensa a Tua presença nas entranhas de todo o nosso ser. Bem nos disse o Teu Filho Amado que quem observa a palavra que Ele nos deixou, será amado por Ti e que Tua morada será feita nele (Jo 14, 23).

Quem olha para o rico, fica imaginando como proceder para tornar-se igual a ele, disposto que está para fazer tudo o que for preciso, tamanho o anseio de sair da pobreza e da miséria em que vive. Quem olha para a felicidade exibida pelos Teus filhos, ficam a imaginar de onde extraem tanto vigor, tanta força, tanta beleza, tanta disposição, fé e coragem, sem se aperceber de que esta dádiva é disponibilizada para todos os seres humanos, por meio do Teu Filho, que veio para operar o nosso resgate, e que o fez com sucesso inimaginável e indescritível.

No entanto, ó Pai, quem poderá entrar no Teu santuário e provar de todas as tuas delícias e doçuras? Esta pergunta é-nos respondida pelo salmista (Sl 14) que afirma que os felizardos deverão viver na inocência, praticar a justiça, falar a verdade no seu coração, não forjar enganos com a língua e não fazer mal nem prejudicar, por qualquer modo, o seu semelhante nem desacreditá-lo junto aos demais, quem honra e respeita o Senhor e quem não aceita suborno contra o inocente. Estes, diz o salmista, “jamais vacilarão ou serão abalados”.

Amados por Ti, ó Pai, serão todos os que guardam a Palavra trazida por Jesus, pois, conforme dito por Ele: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos nele morada. O que não me ama, não observa as minhas palavras” (Jo 14, 23-24). Portanto, ó Deus, todos os seres humanos estão habilitados a tornarem-se templos vivos do Senhor e, como tais, poderem olhar para dentro de si próprios e verem a luz que eu vejo e receberem o consolo que recebo em minha alma. E aqui, transcrevo como se minhas fossem, as palavras do salmista, ao afirmar: “Tomaste-me pela minha mão direita, conduziste-me segundo tua vontade, e com glória me acolheste. Pois que há para mim no céu, e, fora de ti, que desejei eu na terra?” (Sl 72, 24-25).

Nada mais me apraz senão o buscar insistentemente estar com o Senhor, ainda que minha caminhada seja lenta e compassada, ainda que vacile, titubeie e caia em alguns momentos, nada substitui a sensação indescritível da presença do Teu Espírito a rondar todo o meu ser e a me conceder o calor, o consolo, a força, a energia, a disposição e o sincero desejo do reencontro face a face. Enquanto muitos dos meus irmãos buscam a felicidade nas manhas e nas artimanhas deste tempo tenebroso, que oferece momentos mágicos de alegria e de completude material, minha alegria é estar no Senhor meu Deus que hoje, mais do que sempre, eu percebo o quanto me estima, o quanto tem feito por mim e o quanto anseia pelo abraço caloroso da volta para casa, no estilo do filho pródigo, cuja Parábola Jesus conta de forma tão maravilhosa (cf. Lc 15, 11-32).

Tu és, Senhor, quero repetir à exaustão, o consolo da minha existência. Por Ti, estou aqui. Por Ti, continuo a caminhada no silêncio da longa estrada que me levará de volta para Ti. Em Ti, deposito minha máxima, e humanamente possível, esperança e confiança e apenas uma certeza mantém-me de pé: o cumprimento das Tuas promessas, pois, Tu o disseste e eu creio profundamente: “assim como desce do céu a chuva e a neve, e não voltam mais para lá, mas embebem a terra, fecundam-na e fazem-na germinar, a fim de que dê semente ao que semeia e pão ao que come; assim será a minha palavra, que sair da minha boca; não tornará para mim vazia, mas fará tudo o que eu quero, e produzirá os efeitos para os quais a enviei” (Is 55, 10-11). Nesta sentença e nas palavras do Teu Ungido, estou algemado para sempre, pois, se digno fosse, repetiria as palavras do Apóstolo Paulo: “Com efeito, para mim o viver é Cristo, e o morrer é um lucro” (Fl 1, 21).

Graças Te dou, Senhor de todas as coisas, Pai de eterno amor e de misericórdia infinita, por tudo o que tens feito, desde o princípio, por todos nós, teus filhos e filhas que, mesmo perseguidos pela fúria do pecado e da tentação do mundo, elevamos os nossos olhos para Ti e buscamos em Ti o consolo, a força, o perdão, a coragem e a fé para assegurarmos, em nós e para nós, o cumprimento de todas as Tuas infalíveis e imutáveis promessas, avalizadas por Jesus Cristo que, na cruz, pagou o altíssimo preço da nossa redenção (cf. ICor 6, 20). Nele e por meio Dele, abriste para todos nós as portas do Teu Reino e, dia-a-dia, convida-nos à entrada e à permanência. Aqueles e aquelas que ouvem o teu chamado e aceitam o teu convite, sentem o que eu sinto e que aqui, nestas linhas, testemunho para as gerações futuras.

Este não é apenas mais um dos textos escritos para reflexão. É, antes de qualquer outra coisa, um testemunho vivo sobre a luz que me guia, a força que move todo o meu ser, a fé e a convicção que norteiam minha caminhada por estas paragens. Caminhada que, como qualquer outra que conhecemos, culmina com a chegada, a partir de quando, repetindo Paulo, “então, hei de conhecer perfeitamente, como eu mesmo sou conhecido” (cf. ICor 13, 12). Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

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