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ago 13

EDITORIAL DA SEMANA: DEUS SEMPRE CUMPRE O QUE PROMETE

ESPÍRITO SANTO DE DEUS

ESPÍRITO SANTO: A PROME mimSSA DE DEUS PARA TODOS NÓS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Não pensem os leitores e as leitoras que foi fácil produzir esta reflexão. Não o foi. E não foi, justamente porque quando se fala na promessa de Deus para nós, homens e mulheres, criaturas Suas, quase sempre vem à mente a promessa da salvação, consubstanciada nos mistérios da encarnação, da vida, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em primeiro lugar é necessário atentar para o que diz o Senhor Deus, no Livro de Isaías, no capítulo 55, versículos 10-11: E, assim como desce do céu a chuva e a neve, e não voltam mais para lá, mas embebem a terra, fecundam-na e fazem-na germinar, a fim de que dê semente ao que semeia e pão ao que come; assim será a minha palavra, que sair da minha boca; não tornará para mim vazia, mas fará tudo o que eu quero, e produzirá os efeitos para os quais a enviei”. A leitura e a compreensão desta perícope servem para deixar claro e evidente que a palavra de Deus é infalível e imutável, e o que Ele promete cumprirá, mais cedo ou mais tarde.

Ao profeta Ezequiel o Senhor revelou, por meio do Espírito Santo, muitas coisas ocultas aos homens de então e, por meio do profeta, fez, também, uma promessa solene à casa de Israel, já aprisionada nas garras do exílio babilônico: “Derramarei sobre vós uma água pura, sereis purificados de todas as vossas imundícies, purificar-vos-ei de todos os vossos ídolos. Dar-vos-ei um coração novo e porei um novo espírito no meio de vós; tirarei da vossa carne o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Porei o meu espírito no meio de vós, farei que andeis nos meus preceitos, que guardeis as minhas leis e que as pratiqueis. Habitareis na terra que eu dei a vossos pais; vós sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus” (Ez 36, 25-28).

Ezequiel é profeta do tempo do exílio, sua atividade profética tem início a partir de 597 a.C., depois da queda da Samaria indo, possivelmente, até a queda de Jerusalém, por volta do ano 586 a.C. O capítulo 37 do Livro de Ezequiel é dedicado à visão da restauração de Israel, quando Deus manda que ele profetize sobre os ossos que, recebendo nervos, carnes e espírito, tornarão a viver “e sabereis que eu sou o Senhor”, “quando eu tiver aberto os vossos sepulcros, vos tiver tirado dos vossos túmulos, tiver infundido o meu espírito em vós, e vós tiverdes recobrado a vida; e vós sabereis que eu, o Senhor, é que falei e o executei, diz o Senhor Deus” (Ez 37, 6.13-14).

A promessa de Deus está toda fundamentada na infusão do espírito: “Porei um novo espírito no meio de vós”, “Porei o meu espírito no meio de vós”, “infundirei o meu espírito em vós”, e no restabelecimento da relação entre o Senhor e a casa de Israel: “Vós sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus”. Esta promessa não é feita com vistas apenas ao povo castigado pelo exílio babilônico, mas, é, também, direcionada a todos os homens e a todas as mulheres a partir de então, e por todos os séculos e milênios futuros.

O povo exilado, após longos setenta anos, retorna às origens e reconstrói Jerusalém devastada e o Templo destruído. Entretanto, apenas parte da promessa estava cumprida. O apóstolo Paulo, na carta aos Gálatas, vai dizer que, “quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, feito da mulher, feito sob a lei, a fim de que remisse aqueles que estavam sob a lei, para que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vós sois filhos, Deus mandou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abba, Pai. Portanto, já nenhum de vós é servo, mas filho; e, se é filho, também é herdeiro por Deus” (Gl 4, 4-7). Assim, foi-nos dado um novo coração, de carne, e o Espírito de Deus colocado no meio de nós a fim de que, na condição de filhos chegássemos a ser o seu povo, e Ele, o nosso Deus.

Entretanto, o cumpridor da promessa feita por Deus, é Jesus, que já não se refere mais ao Senhor, a Javé ou mesmo a Deus, mas, ao Pai e, clara e expressamente, fala-nos da vinda do Espírito Santo: “o Paráclito, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14, 26). É justamente este o Espírito prometido por Deus, pela boca de Ezequiel que, nos longínquos dias do exílio babilônico, parecia referir-se aos exilados apenas, mas, que, na plenitude do tempo, tem a chegada anunciada pelo Filho, de quem também procede. Sobre este mesmo Espírito, Jesus vai acalmar os discípulos, ao dizer que: “Quando vos levarem às sinagogas e perante os magistrados e autoridades, não estejais preocupados com o que deveis responder ou com o que haveis de dizer. Porque o Espírito Santo vos ensinará, naquele mesmo momento, o que deveis dizer” (Lc 12,11-12).

Jesus, no entanto, vai mais fundo ao falar sobre o Espírito Santo de Deus. Chama-O Espírito de verdade, que procede do Pai, afirmando que Ele, Espírito Santo, habita convosco e estará em vós”, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14, 17.26), dará testemunho de mim” (Jo 15, 26), “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará no caminho da verdade integral”, “Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará” (Jo 16, 13-14). Mas, a chegada do Espírito Santo é condicionada à ida de Jesus para o Pai, pois, afirma Ele: “A vós convém que eu vá, porque, se eu não for, não virá a vós o Paráclito; mas, se for, eu vo-lo enviarei” (Jo 16, 7).

A chegada do Espírito, afirma Jesus, “convencerá o mundo, quando ao pecado, à justiça e ao juízo. Quanto ao pecado, porque não creram em mim; quanto à justiça, porque vou para o Pai e vós não me vereis mais; e quanto ao juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado” (Jo 16, 8-11).

Jesus, portanto, não apenas reafirma a promessa de Deus: “Porei o meu espírito no meio de vós, farei que andeis nos meus preceitos, que guardeis as minhas leis e que as pratiqueis” (Ez 36, 27) como, também, revela os efeitos a serem produzidos a partir da ida para o Pai e da chegada do Paráclito.

Após a condenação, pelo Sinédrio, a morte na Cruz e a ressurreição, Jesus volta para o Pai, conforme registrado no Livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 1, versículos 9-11. Lucas, em At 2, 1-3, vai dizer que “Quando se completaram os dias do Pentecostes” algo, como línguas de fogo “pousou sobre cada um deles”, depois de um estrondo como o de um vento impetuoso que “encheu toda a casa onde estavam sentados” a partir de quando “Foram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar várias línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” (Lc 2, 4).

Sobre aquele dia espetacularmente maravilhoso, o Apóstolo Pedro toma a palavra para explicar o que estava acontecendo de tão especial, afastando a hipótese aventada por alguns dos presentes, de que aqueles homens (Apóstolos) que falavam em diversas línguas estavam embriagados, dizendo que: “isto é o que foi dito pelo profeta Joel: ‘E acontecerá nos últimos dias (diz Deus) que eu derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; e profetizarão vossos filhos e vossas filhas, e os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão sonhos; e, naqueles dias, derramarei do meu Espírito sobre os meus servos e sobre as minhas servas, e profetizarão’” (At 2, 17-18), recordando Pedro, sobre Jesus, que “Elevado ele, pois, pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai o Espírito Santo, que tinha prometido, ele o derramou como vós vedes e ouvis” (At 2, 33), destacando que a promessa é para todos, “os que estão longe e para quantos o nosso Deus chamar” (At 2, 39), concluindo que “Nós somos testemunhas destas coisas e também o Espírito Santo, que Deus tem dado a todos os que lhe obedecem” (At 5, 32).

É em Pentecostes, e a partir de então, que a promessa de Deus se concretiza de fato e nunca mais o Espírito Santo se afasta do povo, que tem em Deus o único e verdadeiro Senhor.

A promessa de Deus, portanto, é para todos nós que cremos e que testemunhamos, com as nossas vidas, a boa nova do Senhor, trazida por Jesus Cristo, o Filho Unigênito. É importante que todos tenhamos plena consciência de tudo isto, para vivermos e ensinarmos aos nossos sucessores e descendentes que o Deus que nos recebe na condição de filhos (em adoção), é um Deus cuja palavra é, e sempre será, cumprida à risca, pois, conforme afirmado por Ele, “a minha palavra, que sair da minha boca; não tornará para mim vazia, mas fará tudo o que eu quero, e produzirá os efeitos para os quais a enviei” (Is 55, 11).

E, no mais, é-nos cobrado o sagrado dever de não entristecermos o Espírito Santo de Deus, pelo qual estamos marcados com um selo para o dia da redenção, sendo, ainda, obrigação nossa banir do nosso meio toda a amargura, a animosidade, a cólera, a maledicência e a malícia convocados que somos a agirmos, uns para com os outros, com benignidade e com misericórdia, perdoando-nos mutuamente da mesma forma como Deus nos perdoou por meio de Jesus Cristo (cf. Ef 4, 30-31).

Faça uma profunda reflexão sobre este texto, relendo as referências bíblicas indicadas, com os acréscimos a seguir sugeridos, e saiba que o Espírito Santo está à porta da sua vida, pronto para habitar em você e para te ensinar, te recordar, dar testemunho e te guiar pelo caminho que leva ao Pai porque, para o Senhor, nós somos o seu povo, e Ele, o nosso Deus. Seja feliz, e boa sorte!

(Cf. Concordância Bíblica - SBB (1975) - Tradução de João Ferreira de Almeida (chave de pesquisa: Espírito Santo) - Leia também: Is 63,11; Ez 3,14; Ez 8,3; Ez 11,24; Ez 36,27; Ez 37,14; Jl 2, 28; Mt 3,11; Mt 4,1; Lc 10,21; Lc 12,12; Jo 3,5-6.8, 34; Jo 14, 17.26; Jo 16,13; At 2,4.17-18.33.38; At 4,8.31; At 5,32; At 8, 29; At 10, 19; At 15,28; Rm 8, 4-26; 1Cor 2,4 e 12, 13; 2Cor 1,22.3, 17-18; Gl 3,14; 4, 29; 5,16-18; Gl 5,22-25; 6, 8; Ef 1,13;2,22; 4,30; 6,17-18; 1Ts 5, 19; Hb 3,7; 10,15; 1Pd 1,2.12; 4,14).

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

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