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abr 09

EDITORIAL DA SEMANA: CRISTO NOS DEIXOU VALIOSOS EXEMPLOS

CAMPANHA DA FRATERNIDADE -2018

FRATERNIDADE E SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA: EM CRISTO SOMOS TODOS IRMÃOS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Estes são o tema e o lema adotados como sustentáculos da Campanha da Fraternidade de 2018, pela CNBB, na quarta-feira de cinzas, como já é praxe acontecer todos os anos. E, também, como ocorre a cada ano, a divulgação do tema é o ponto de partida para uma trajetória que, no curso de doze meses, tentará ocupar mentes e espíritos, sempre com vistas à necessária conversão. Conversão, não no sentido de adesão religiosa, mas, e acima de tudo, no sentido de mudar de caminho, de orientação, de conduta e de vida.

Do tema e do lema três palavras são chaves para a nossa reflexão: fraternidade, superação e Cristo. E, por qual razão fazemos tal afirmação? Porque são palavras que podem ser facilmente interligadas e de tal modo, que uma tem origem na outra e, sucessivamente, geram inúmeras outras possibilidades para um mundo totalmente descrente no ser humano acima de tudo.

Na pessoa de Jesus Cristo vamos encontrar a essência da fraternidade, na medida em que Ele abraça a causa do homem com tal afinco, responsabilidade e compromisso, que despreocupa-se com a própria vida e com todos os atributos que compõem aquilo que denominamos como existência terrena.

A fraternidade, em Cristo, é a fonte de todo o sacrifício da cruz, porque é justamente pela causa humana, por amor ao ser humano, com todas as suas falhas, deficiências, indisposições, má vontades e, porque não dizer, até mesmo maldades, que Jesus vem doar-se de forma integral, lançando-se em socorro ao leproso; levantando o aleijado; fazendo ver aos cegos; ressuscitando os mortos; perdoando pecados; enfrentando a lei do sábado e assumindo, no horto das Oliveiras, a responsabilidade por toda a obra e por toda a pregação por Ele realizadas.

Nesta sanha obsessiva pelo exercício exemplar da fraternidade, Jesus chega ao ponto máximo do sacrifício quando, do alto da cruz, declara: “Tudo está consumado”, como a sacramentar, e a sacralizar, uma vida pautada pela ação, pela doação, pela assunção de todas as nossas dívidas e pelo amor sem fronteiras e sem limites por todos os seres humanos, sem excluir, inclusive, seus algozes.

No bojo desta fraternidade imensurável e infinita, Jesus deixa-nos singular exemplo de superação. Ele, sim, soube superar, mais do que qualquer outro ser humano, os limites, não da riqueza e do poder terreno, conforme já havia feito Sidarta Gautama, o Buda, cinco séculos antes, mas, do poder absoluto, por ser Filho do Deus Altíssimo e, como tal, ser Ele mesmo, verdadeiramente Deus. Esvaziou-se a si mesmo, derrotando, de imediato, a possibilidade de descer dos céus como faziam, no tempo do Antigo Testamento, os anjos enviados por Deus, optando por nascer como qualquer ser humano, a partir do ventre de uma mulher. E, a partir desta opção, superou a vocação humana para o exibicionismo, preferindo nascer em família e local humildes e pobres, e dessa maneira passar toda a Sua existência terrena. Um Deus, um Rei forte, rico e poderoso, superando todos os desafios propostos aos seres humanos e fazendo-se pobre com os pobres, humilde com os humildes, sofredor com os sofredores e, acima de tudo, irmão de todos. Irmão na essência humana, nas carências e nas angústias da vida; irmão espiritual e consanguíneo, deixando o seu próprio sangue para alimentar a chama da vida eterna que acendeu em todos e em cada um de nós.

Por meio dos exemplos inimitáveis de forma plena, deixados por Jesus, nós caminhamos em meio à onda de violência que assola o mundo, as sociedades, as instituições e, principalmente, os lares. Pela lógica atual indisfarçadamente exposta pelas mídias sociais e pelo sistema de comunicação em tempo real, tem-se a impressão de que todos somos os próximos inimigos a serem combatidos. Essa sensação traz-nos o medo e o sentimento de autodefesa, lançando-nos na montanha do isolamento, da solidão e do egoísmo, apresentando-nos as mais diversas armas para o iminente combate. Somos e temos inimigos em decorrência da raça, da religião, da política, da opção sexual, da opção esportiva, da profissão e da própria visão de mundo. Em todos estes embates, e não são poucos, a violência dita todas as regras e impõe, sempre, novas e mais vorazes regras, levando os seres humanos à perda da vida, da família, da autoestima, da identidade, da força para continuar na caminhada de forma digna, honesta e humana e, enfim, da perda de tudo. Não raro, da própria fé.

A Campanha apresentada pela Igreja, ao propor a visão da fraternidade e ao convidar para a superação da violência, lembrando-nos de que, em Cristo, somos todos irmãos, coloca diante de nós o Cristo, como figura central, e exemplar, de fraternidade e de superação. Modelos que podem nos distanciar da lógica imposta pelo mundo como a única possível, levando-nos à percepção de que, com Cristo e em Cristo, podemos agir e viver, todos, como irmãos e, como tais, superarmos as regras e as barreiras impostas pela já insuportável violência.

Se Ele, na condição de verdadeiramente homem, superou as tentações no deserto; superou a dor e o sofrimento causados pelos seus algozes e, por fim, superou todos os sentimentos humanos de ódio, de vingança e de revanchismo, pedindo ao Pai o perdão para os seus detratores, por que nós, também, e com o auxílio Dele, não podemos superar e vencer todos os desafios a que somos submetidos? O sangue derramado por Jesus não era fruto dos efeitos especiais tão utilizados pelo cinema. Era sangue de verdade. Os pregos que cravaram-No na cruz, eram de verdade. Aquela cruz era de verdade, assim como os soldados romanos e os chicotes por eles utilizados eram de verdade. Então, Jesus sofreu de verdade. Mas, mesmo assim, optou pela não violência, pelo perdão e pela fraternidade. Naquelas condições, Ele era apenas um ser humano, como qualquer um de nós. No entanto, foi muito além do que qualquer um de nós conseguiria ir em tais circunstâncias.

É com o Cristo que devemos aprender. É Nele que devemos buscar o auxílio necessário para superarmos todos os nossos limites e percebermos que nossa vocação deve ser a fraternidade e que devemos combater a violência, e não, os nossos irmãos porque, unidos em Cristo, caminhamos para o Pai, para sermos, todos, um, como o Pai, o Filho e o Espírito Santo o são.

Aproveite o tema e o lema desta Campanha da Fraternidade e mergulhe em profundidade na vida, na obra e nos exemplos de Jesus Cristo que, sempre e sempre, espera por mim e por você para, juntos com Ele e com todos os demais irmãos, sermos um no Pai, no Filho e no Espírito Santo, fonte da nossa vida neste e no século vindouro. não nos deixemos levar pelo obscurantismo midiático ou pela ineficiência dos políticos, porque, da soma destes dois componentes, o resultado é sempre um divisor de águas e, por que não dizer, de irmãos.    Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

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